sábado, 31 de outubro de 2015

Portugal à Beira do Abismo





Este momento política que vivemos e assistimos da primeira fila demonstra ser uma hipótese de pela primeira vez darmos um passo em frente no que toca à convergência dos partidos de esquerda ou pode ser o passo que faltava para cairmos no abismo.



Vamos para isso assumir um provável pior cenário:
Aníbal Cavaco Silva deu ontem posse ao Governo da coligação PaF. Para muitos esta ideia não foi á frente, foi mesmo muito à frente mas não deixa de ser legítima até porque seria competência da PaF encontrar forma de encontrar apoio ou um pacto de não-agressão com um dos partidos eleitos de modo a poder governar.
Sabemos que em princípio isso não será possível e provavelmente este Governo terá uma passagem efémera no parlamento.
O nosso pensamento lógico leva-nos a pensar que depois da queda do Governo, Cavaco Silva convide António Costa para formar Governo.
Factos: A PaF nas sondagens mais recentes continua a crescer apesar de continuarem a aparecer notícias de que os últimos anos não se traduziram com os dados que o Governo nos tem deitado aos olhos.
António Costa tem neste momento uma forte oposição dentro do PS porque derrubou Seguro depois de uma pequena vitória para acolher uma grande derrota legislativa. Quem se coloca na liderança da oposição interna é Francisco Assis que é um sujeito que só não é do PSD por mero acaso.
Cavaco já anunciou diversas vezes que não dá posse a um Governo que não respeite os tratados europeus assinados e por assinar como é o caso do TTIP.
Assim, podemos considerar que de um modo ou de outro Cavaco Silva não dará o Governo ao PS e pare meados do ano que vem teremos novas eleições legislativas.
Antes disse o Partido Socialista terá um congresso e muito provavelmente se António Costa não for Primeiro-ministro, ele irá perder o cargo de Secretário-Geral do PS.
Assim, chegamos às nossas eleições com os mesmos protagonistas na PaF e provavelmente com Francisco Assis no PS.
Assumindo um resultado semelhante ao das últimas legislativas, ou seja, em que nenhum partido consegue maioria absoluta, com estes protagonistas a história será bem diferente.
Antes de mais Francisco Assis é contra coligações à esquerda mas não lhe causa transtorno juntar-se com a PaF até porque é essa a sua linha ideológica. Teremos assim um Governo de centrão ou um PS que não se coligando também não faz oposição.
Mas o verdadeiro salto para o abismo é que passa a ser possível a revisão constitucional que a direita tanto ambiciona.
Que não restem duvidas que a alteração da Constituição de República Portuguesa pela mão da direita será o princípio do fim da democracia, dos direitos e garantias para os cidadãos portugueses.
A direita irá continuar a pregar que o seu caminho é o único caminho possível mais parecendo uma religião do que um partido político. Cabe-nos a nós filtrar e perceber as consequências das nossas escolhas.

Este é o pior dos cenários mas este cenário irá depender do nosso voto e francamente, neste momento sinto que estamos a atravessar um abismo ventoso, em cima de uma corda bamba da espessura de um fio de aranha.




João Massena
Licenciado em Psicologia
Membro da Assembleia do Partido LIVRE/Tempo de Avançar