terça-feira, 20 de agosto de 2019

Petição contra “tribunais privados” com mais de 4000 assinaturas portuguesas

Mais de 4000 assinaturas portuguesas na petição contra o ISDS

A petição europeia “Direitos para as pessoas, regras para as multinacionais”  - em cuja divulgação me tenho empenhado pessoalmente - já contém mais de 4000 assinaturas portuguesas.

A iniciativa europeia, que foi lançada em Janeiro, conta com quase 600 mil assinaturas em toda a Europa. Ontem ultrapassou as 4000 assinaturas de cidadãos portugueses.

Se é verdade que, em proporção do número total de assinaturas, o número de assinaturas portuguesas não pareça extraordinário, também é verdade que a população portuguesa é, na Europa, aquela que maior desinteresse apresenta por questões de política e cidadania, o que muito prejudica o país.

Por exemplo, muito poucos portugueses têm conhecimento de como o ISDS afecta as suas vidas, nomeadamente por via da relação entre este mecanismo e as chamadas “rendas excessivas” de que a EDP usufrui.

O valor das 4000 assinaturas é simbólico na medida em que é este o número que uma petição nacional tem de atingir para ser discutida em plenário na Assembleia da República. É um valor que muitas petições não conseguem atingir. É um valor que demonstra que existe suficientemente interesse por parte da população para que estas questões mereçam espaço no debate público.

Existe um sistema paralelo de justiça, chamado ISDS, que não é mais que um sistema de justiça privada que representa uma perigosa ameaça para o ambiente, a democracia e os Direitos Humanos. Apesar desta ameaça sobre o planeta e as pessoas, infelizmente poucos estão a par. É necessário promover a discussão pública deste assunto tão importante. Em grande medida é esse o objectivo desta petição: conseguir que se discuta uma questão tão importante para todos.

A rede europeia pretende continuar a recolher assinaturas, tendo também previstas outras iniciativas para alertar a população relativamente aos “perigos do ISDS”.

A TROCA - Plataforma por um Comércio Internacional Justo, de que faço parte, vai continuar a fazer todos os esforços para que as pessoas saibam o que é o ISDS e estejam a par de outras questões associadas ao comércio internacional que podem afectar as nossas vidas de forma mais indirecta, mas não por isso menos intensa.


Post também publicado no Esquerda Republicana.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Quero ter os inimigos perto









 A extemização da política está a crescer. Sem dúvida que hoje uma frase pode ter leituras diferentes que podem muito levar a ataques pessoais e profissionais. Na melhor das hipóteses o contexto pode levar apenas a tentativa de lápis azul e silêncio da opinião de terceiros. A muito custo o debate deixou de fazer sentido, agora tudo se resolve com um bom pare de ofensas.

Recentemente passei por isso. Por ter comentado de forma negativa uma a opinião de Daniel Oliveira, e por entender que DO tem uma posição sobre os animais que não é a minha, mas principalmente por DO ser ofensivo sempre que aborda quem gosta de animais, não sai daquela caixa de comentários sem uma boa ofensa. Tudo se resume ao meu sentido "fascista" e ao argumento dos dois gatos que o DO tem. O melhor foi a falta de argumentos ter levado a um bloqueio.

O texto de Bonifácio é mau, expressa o preconceito e a superior moral e intelectual de alguém que acha que o tom de pele e a comunidade a qual pertence são características para se inferiorizar outros, é a opinião dela. O facto de a opinião dela ter sido logo acusada de crime demonstra que a tolerância esgotasse nos ideais de cada um. Discordo completamente que a opinião da senhora seja um motivo para queixa, muito menos que se tente silenciar as pessoas que têm a mesma ideia. Ao contrário de muitos que partilham o mesmo espaço ideológico, eu prefiro que as pessoas como Bonifácio tenham espaço para dar a sua opinião. Da mesma maneira que quero que gente como eu use o mesmo espaço para contrapor e retirar a razão a quem pensa como Bonifácio. Não quero censurar os e as "Bonifácios" que por aí andam, sejam eles escritores no Observador, território de muitos, sejam eles os meros artistas que de vez em quando se vão ouvindo ou lendo pontualmente.

 O facto de partilharem ideias bastante antagónicas às minhas, e serem argumentadas com uma espécie de superioridade moral e intelectual, é me totalmente favorável porque posso rebater de forma a desmembrar um por um os argumentos que eles defendem. E se, ao contrário da maioria, lidar sem ironias, ofensas ou parvoíces, torna muito mais difícil que eles mantenham a defesa da sua linha de pensamento. Porque a melhor maneira de lhes quebrar a linha de pensamento não é lhes retirando o direito á palavra, mas lhes retirando a razão.

O conjunto de textos que se seguiram a desmembrar o pensamento da senhora Bonifácio. Textos coesos e com simplicidade suficiente para irritar João Miguel Tavares e o mesmo acabar por colocar os pés pelas mãos em textos desconexos. Esse conjunto de textos da esquerda á direita tornaram visível que o pensamento de Bonifácio não é recomendado no espaço político, e está longe da sensatez da nossa democracia. E eu prefiro assim, prefiro conhecer a Bonifácio, o Tavares e tantos outros, de forma a conhecer o "inimigo" nos olhos, do que lutar contra servidores escondidos algures em qualquer parte do mundo onde são despejadas notícias falsas. Quero poder "partir a espinha" a quem tem "espinhas" na opinião. É essa a essência da democracia.

Não sendo o presidente da minha eleição, não posso estar mais de acordo quando Marcelo afirmou que o extremo deve ser combatido de outra formas, não com extremizar de posições. E até mesmo a sua opinião foi atacada com ofensa pessoais ao Presidente. Mas é essa a posição de muitos daqueles que entendem que o espaço da democracia é a tolerância e o debate democrático.

 Se os mais moderados não aparecerem, estamos sujeitos a tornar a política tão agressiva que acabamos por ter uma opinião de Pacheco Pereira a ser considerada de fascista e preconceituosa. A sensatez na política é cada vez mais necessária.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Não, não tem razão dona Bonifácio








Sobre o texto da Dra. Bonifácio nada vou dizer para acrescentar o que já foi dito da esquerda á direita. Não creio que estejamos a falar de um crime, mas sim de uma opinião que me parece ser tão descompensada quanto um verdadeiro albergue de desconhecimento da realidade. Não foi uma infelicidade da autora, é a sua opinião face ao seu pensamento social, apenas a transmitiu de forma clara.

Neste meu texto vou contrapor um dos parágrafos, juntando a minha experiência profissional á minha opinião sobre as tais "comunidades exóticas". Mas ao contrário de Bonifácio, eu faço com a coerência que se pede a qualquer ser humano que não se alegra apenas com os avanços científicos, mas principalmente regozijo pelo progresso político e social, coisa que a dona Bonifácio parece não ter atingido, ficando a viver nos dourados anos setenta.

A dada altura no texto, a dona Bonifácio salientou que a integração da comunidade cigana era impossível, para tal deu um exemplo infeliz e sem conexão nenhuma com a realidade. O exemplo foi o "comportamento dos ciganos no supermercado". Pois bem, decidi agarrar neste exemplo para demonstrar a senhora Bonifácio que está tremendamente enganada, e longe de uma realidade que é a nossa, do comum cidadão.

Eu trabalho no sector da distribuição Comércio e Retalho á 17 anos. Passei por os dois maiores grupos de distribuição, e em lojas onde as tais comunidades exóticas eram presenças habituais. Mas ao contrário do que a dona Bonifácio lê na sua ideia a realidade é muito diferente.

Durante estes 17 anos de lojas, já atendi milhentas vezes as comunidades que a dona Bonifácio chama de exóticas. Não fui sempre bem interpretado, ou tratado com educação, mas também não fui espancado por ciganos nem ameaçado com uma arma. Já existiu climas de tensão variados com muita falta de respeito á mistura. Mas por mais engraçado que pareça, raramente aconteceu com um "exótico".

Os hipermercados são terrenos férteis de comportamentos pouco civilizados. Além da falta de respeito, ameaças e agressões são prato forte de quem trabalha diariamente nos hiper. Mas a maioria são sempre aqueles cristãos e civilizados caucasianos, líderes dos direitos humanos, uma raça superior, tão superior que exige no atendimento que os mesmos caucasianos inferiores (trabalhadores dos hipermercados) façam a venia  no atendimento

Alguém que pega num produto e coloca em outro local por puro desporto consumista, aborda sem o mínimo de educação, solicita ajuda sem uma salvação ao funcionário, ameaçam e chegam mesmo a tentativas de agressão aos funcionários salvaguardados com a imunidade de cliente, provocam os funcionários desarrumando o que já está arrumado e muitos outros comportamentos que se poderia somar aqui de pura falta de civismo e de educação promovido por maioria dos clientes das grandes superfícies. Maioria em que são muito poucos os casos em que o cliente é "exótico".

Sempre fui abordado com respeito por parte das famílias de etnia cigana. Sejam mulheres ou homens. Com "bom dia" ou "boa tarde" e um "obrigado" no fim. Nunca fui abordado de forma que pudesse dar razão ao comportamento que Bonifácio entende que os "exóticos" tenham nos supermercados. Mas concordo com ela a novecentos por cento quando ela passa uma mensagem de incivilidade e falta de educação que existem nos hipermercados e supermercados, mas tenho de dizer que os protagonistas são os mesmos que pensam da mesma forma que a dona Bonifácio. A mensagem é verdadeira mas o mensageiro é outro completamente diferente.

Não posso partilhar as mesmas visões da Dra Bonifácio, falta-me a empregada caboverdiana para me informar como a sua comunidade exótica vive, mas posso sempre lhe dizer que o exotismo nos supermercados pelo menos é mais respeitador que o caucasianismo perfeito e superior.


Fazer o oposto de Trump

Enquanto activista da TROCA - Plataforma por um Comércio Internacional Justo escrevi um texto que foi publicado no Público.

O texto chama-se Fazer o oposto de Trump e diz respeito ao tipo de clivagem comum no debate público entre aceitar a globalização tal como ela existe (com as suas insustentabilidades a nível ambiental, económico e político) ou defender uma alternativa com pressupostos nacionalistas, xenófobos e anti-ecológicos (a "política de Trump").
O texto propõe uma terceira alternativa: recusar o status quo actual, mas caminhar na direcção oposta à de Trump e construir uma globalização com pressupostos universalistas, solidários e ecológicos.

Assim, a tese principal do texto é a seguinte:

«No entanto, quiçá mais grave ainda do que a contribuição dada para o aumento avassalador das desigualdades e para a estagnação dos salários, tem sido o impacto ambiental insustentável resultante da forma como estruturamos o comércio internacional. O actual nível de emissões de CO2 ou equivalentes (se não for travado) irá dar origem a danos materiais e humanos que em muito superam os sofridos pela Humanidade durante a segunda guerra mundial. No entanto, as alterações climáticas estão longe de ser o único desafio ambiental de proporções planetárias seriamente agravado por esta forma de globalização que vem sendo realizada. É cada vez mais urgente uma globalização muito diferente.

Nos EUA, a frustração com os impactos da globalização foi um dos factores que contribuiu decisivamente para a vitória de Donald Trump. Porém, a política comercial de Trump tem sido verdadeiramente catastrófica. A subida das taxas aduaneiras tem sido errática, precipitada, inconsequente. Pior: subjacente a estas subidas está uma postura de rejeição do multilateralismo; uma crença na ideia de que o comércio é um jogo de soma nula em que uns países ganham à custa dos outros, sem que ambos possam perder ou ambos possam ganhar; e um profundo desprezo pela necessidade de diminuir o impacto ambiental da actividade económica.

Se Trump fez bem em rejeitar o status quo insustentável desta globalização, ele optou por caminhar na direcção precisamente oposta à da defesa do interesse público. Urge fazer exactamente o contrário.

Quando pensamos no comércio internacional entre dois países é fundamental rejeitar a noção de soma nula. Um mau acordo pode prejudicar as populações de ambos os países para benefício de um punhado de multinacionais, mas um bom acordo poderia trazer benefícios a ambas as partes. Por esta razão, importa rejeitar pressupostos nacionalistas ou xenófobos e partir de uma perspectiva universalista e solidária. É fundamental combater o progressivo esvaziamento da Democracia e empoderar a população e a sociedade civil no delinear da política comercial.»

O texto procura, no espaço disponível restante, concretizar em que é que consistiria uma política de comércio internacional universalista e justa, enumerando propostas relativamente à política aduaneira, à harmonização regulatória e aos mecanismos de resolução de litígios. Em relação a este último assunto escrevo:

«Por fim, em todos os acordos devem ser rejeitados os mecanismos de resolução de litígios (ISDS e semelhantes) que estabelecem um sistema de justiça paralelo ao serviço das empresas multinacionais contra os Estados, com graves problemas de falta de transparência, inaceitáveis conflitos de interesses e gravíssimos prejuízos para a legislação ambiental, laboral, de defesa dos direitos humanos, entre outras.

Os Estados deveriam antes empenhar-se na concretização das propostas do Conselho de Direitos Humanos da ONU relativamente ao estabelecimento de um Acordo Vinculativo sobre empresas transnacionais e cumprimento dos direitos humanos.»

Concluo com o apelo à construção de um mundo mundo mais solidário, mais consciente relativamente aos impactos ambientais e muito mais democrático. O leitor pode contribuir para esse objectivo assinando a petição europeia contra o ISDS.


Texto também publicado no Esquerda Republicana.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A bolha do PS, da gerigonça e do Governo




A campanha eleitoral está á porta. A geringonça preparasse para terminar a primeira coligação de esquerda em tempos de democracia. Os partidos que fizeram parte desta solução governativa vão começar a chamar a si os louros do mérito nas medidas populares e a trocar culpas do muito que ficou por fazer. Certo é que são poucos argumentos que demonstram que os partidos vivem nesta realidade, e muitos os que demonstram que vivem numa espécie de país á parte .

  Os portugueses, excepção de alguns, continuam a viver da mesma maneira e com as mesmas dificuldades que viviam há quatro anos. Na verdade, para o português comum pouco ou nada mudou. O código de trabalho continua a privilegiar o empregador. Para uma pasta onde é exigido uma firmeza na mesa das negociações, António Costa escolheu a cara da incompetência no que toca á melhoria das relações laborais. Vieira da Silva é uma fraca figura de ministro, incapaz de substituir, a sério, duas centrais sindicais antagónicas no seu modelo de pensamento e aos desejos de confederações patronais. Se há CGTP muito se pode acusar por a sua postura de abandono das negociações ou intransigência, a UGT, que é totalmente desconhecida a sua ligação forte ao sector privado, tem funcionado como confederação patronal. Os acordos na concertação social são, por norma, penalizadores para os trabalhadores, e a UGT tem um cunho nessas penalizações. Por tudo isso, e principalmente por ser o PS governo, estamos no mesmo patamar quanto à degradação das relações laborais, sem que se vislumbre uma mudança capaz de devolver aos trabalhadores do sector privado melhor qualidade no trabalho.

  O país da maravilhas que o PS faz questão de falar na página oficial, usando um crescimento de rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem, demonstra a facilidade com que um partido político inebriado nos resultados se consegue tornar vítima dele mesmo. Só por eleitoralismo vaidoso o PS pode publicitar algo que não faz parte da realidade de grande maioria dos trabalhadores por conta de outrem. Apesar de um aumento substancial do salário mínimo, talvez o maior aumento em apenas uma legislatura, ainda está longe de conseguir preencher as necessidades básicas de milhares de trabalhadores.

  Um aumento de salário que não se verificou apenas financeiramente, também o número de trabalhadores que beneficiam do mesmo sofreu um aumento significativo. Num pais com cada vez menos activos, o número de trabalhadores a receber o salário mínimo atinge os 20,4%. E se isso já era preocupante para a sustentabilidade da Segurança Social, mais preocupante é saber que outra grande fatia dos salários pagos no sector privado, também no público, não está longe dos valores do salário mínimo. Muitas empresas optam por aumentos muito tímidos, enquanto outras mantêm níveis salariais há margem do mínimo. Um dos exemplos é as empresas de distribuição onde os salários entre um trabalhador com 20 anos de antiguidade e um trabalhador com 20 dias pode ser apenas umas dezenas de euros de diferença. Enquanto os salários dos novos trabalhadores são actualizados conforme o salário mínimo, os antigos trabalhadores vivem de "compensações" tímidas que variam entre os 2,5€ e os 12€. Apesar de muitas saírem da orla do salário mínimo, não os deixa muito longe do mesmo.

Tal como os trabalhadores do sector da distribuição, muitos são os trabalhadores que cada vez mais vêm o seu salário equiparado ao salário mínimo, mesmo quando os anos de antiguidade já são longos e penalizadores.

 Um salário é baixo, e para uma grande fatia da população activa é incapaz de dar uma resposta às necessidades básicas, como por exemplo a habitação. O valor assombroso, chegando mesmo a ser pornográfico, das rendas em Lisboa e no Porto, que se vai alastrando para outras cidades, é um exemplo que a pasta da habitação não foi tratada devidamente. Não vale a pena tecer acusações ao anterior executivo quando este se imiscui de resolver este problema. É impossível uma família cujo agregado familiar tenha como base dois salários mínimos, se manter a residir numa casa em Lisboa, e até mesmo nos Concelhos limites. Se uma renda de um mero T2 em Benfica pode chegar aos 800€, um T3 em Odivelas chega mesmo aos 1300€ por mês.

  Se a renda é uma opção a não ter em conta, comprar casa então ainda se torna mais impossível. Em primeiro o valor especulativo imobiliário atinge números que são uma verdadeira mentira. Além dos bancos deixarem de parte a possibilidade de financiar os imóveis a 100%. Se para uns o 90% do valor já é demais, outros limitam-se a apenas 80% e uma série de requisitos como empregabilidade fixa. Num país onde a Legislação permite e contribui muito para a precariedade, e onde os salários pouco permitem uma taxa de esforço adequada ou uma taxa de poupança sorridente, comprar casa é algo completamente impossível para o comum cidadão trabalhador.

  E se falar da carga fiscal já é tema de conversa corriqueira, então falar do valor absurdo da mesma e dos serviços publicos completamente devastados é algo que já faz parte do dia-a-dia dos que vão para a fila de espera por um cartão de cidadão que o garrote do Governo obriga. O mesmo governo que confunde a depauperados serviços públicos que ele nos presenteia, com a culpa do cidadão ter de estar á espera desde as cinco da manhã para conseguir uma vaga, das poucas, para actualizar o seu cartão.

  Já para não falar na saúde, a quem Mário Centeno diz não fazer qualquer cativação, mas que teima em estar a entrar em colapso devido á falta de pessoal. Sim, faltam enfermeiros, médicos e auxiliares. Mas para Mário Centeno, doentes oncológicos que morrem á espera de exames, é uma situação pontual, a saúde está bem e recomendasse. Talvez para o Governo, como as filas para renovar o Cartão de cidadão são culpa dos utentes, talvez a culpa da saúde seja desta malta que teima em ficar doente, quando o país até está numa rota de crescimento exemplar.

  Á esquerda do Partido Socialista existe a expressão "se não fosse o BE (...)". Ainda na apresentação das listas pouco faltou para dizer que só não estamos a ter mais calor porque o BE tem travado fortemente a vaga. Já o PS "fomos nós que (...)". Mas estamos todos a contar os mesmos troços que contávamos no passado, mas com serviços públicos mais degradados e sem sorriso no futuro.

  Estamos na mesma, mas com Mário Centeno a fazer uma carreira brilhante para a Europa.





































segunda-feira, 1 de julho de 2019

O estado social é socialista, mas os países nórdicos não...


Já vi esta discussão (e esta contradição) tantas vezes....




Post também publicado no Esquerda Republicana

terça-feira, 11 de junho de 2019

Três notícias à atenção dos mais distraídos

sábado, 8 de junho de 2019

Sobre a suposta infabilidade da medicina convencional...











Antes demais gostaria de referir que sou um racionalista e defensor da medicina convencional mas que também não nego que muitas das chamadas medicinas alternativas/tradicionais (que chamarei não convencionais) tem efeitos muito positivos no equilíbrio corporal e psicológico humano.

O problema é que muitos cientistas adoram vir a público declarar a medicina convencional como infalível, o que não sendo muitos destes crentes e/ou até ateus, é espantosa esta sua fé em algo que só pode ser considerado como um ato de pura arte mágica!!!

Mas se muitos cientistas adoram clamar que a medicina convencional é infalível, o problema é que muitos médicos não o fazem. E porque não o fazem? Porque ao a praticarem veem todos os dias a sua falibilidade.

E quando falamos de falibilidade não falamos de negacionismo científico, falamos é de não extremismo crente em algo baseado num método científico que é tudo menos infalível, aliás a existência do método científico implica que sempre se questione o que se descobriu para se poder aperfeiçoar o que é praticado.

Por isso muitos cientistas considerarem todas as medicinas não convencionais como charlatanismo puro e porem os químicos como o único método de cura é à partida absurdo e até pouco lógico, pois as bases das receitas dos remédios farmacêuticos são plantas naturais em que foi a sua mistura afinada ao longo dos tempos que levou à descoberta de muitos dos componentes químicos, hoje tão endeusados por esses supostos cientistas médicos, como os únicos capazes de serem a cura para todos os males e a panaceia de todo o bem, ato médico e/ou remédio milagroso, lamentamos mas é outro achismo.

Eu percebo este tipo de cientistas, alguns não passam de mercenários sectários contratados pelas grandes farmacêuticas, que desenvolvem produtos químicos de resultados mais que duvidosos mas muito caros e/ou de lobbys de sectores económicos que desenvolvem máquinas de diagnóstico cada vez mais complexas, caras mas muitas com razoáveis deficiências para os campos que se destinam!!! Outros, talvez sejam seres humanos preocupados com os efeitos nocivos que a desinformação e a prática de charlatanices - já agora também vinda de médicos e cientistas seus colegas - estão a provocar ou podem provocar na saúde humana.

Em relação aos primeiros o que poderei dizer é que são iguais aos charlatães que visam combater, pois um mercenário pouca credibilidade tem, aos segundos gostava de lhes referir o seguinte:

1.º A pertença superioridade moral e cientifica de nada lhes serve, só afasta as pessoas que têm desconfianças em relação à medicina convencional e os põe nos braços dos charlatães de serviço e também aprofunda a sua descrença na ciência em geral;

2.º A ofensa gratuita aqueles que estes chamam de quimofóbicos é absurda pois em vez de explicarem e tomarem uma posição explicativa e educativa que, as plantas que os defensores de medicina não convencional tanto se agarram - entre eles muitos de boa índole e com desconfianças que se vieram a sedimentar racionalmente e não baseadas em crenças - são estas a base dos remédios da medicina convencional, isto com exemplos claros, talvez conseguissem chegar a esses que agora ofendem e até encontrar pontos/pontes de entendimento. Agora a ofensa gratuita pela ofensa gratuita, dá-lhes nula razão!!!

3.º O rotular de que quem é dirigente, militante e/ou votante no PAN, e/ou de alguém que é contra a caça ou contra as touradas, que defende os animais, ou é defensor de um modo de absorção de alimentos que não inclua carne ou outro tipo de alimento proveniente de animais é uma besta quadrada irracional e defensor de um nazismo de hábitos e por isso anti científico e irracional apenas me faz pensar em devolver os atributos imputados a quem os faz!!!

E aqui entramos naquilo em que estes supostos cientistas erram no alvo, pois existem muitos vegetarianos/vegans que assim se tornaram por ideologia política e de sustentabilidade ambiental futura, tal como foi pela racionalidade que decidiram ser contra hábitos bárbaros e sem sentido nenhum numa sociedade moderna, como a caça ou as touradas, também por arrasto e como seres racionais começaram a defender os seres animais que não se podem defender da irracionalidade humana e por fim e como culminar muitos começam o olhar e a votar no PAN (pois e apesar de algumas propostas no passado, muito poucas, menos racionais) é o único partido ecologista político português em todo esse amplo sentido do termo.

E se estes seres humanos fizeram todas estas opções de forma racional e com uma opção racionalista e científica clara por detrás, que se chama sustentabilidade ambiental, ecologismo político, defesa de seres irracionais e evolução da sociedade, então como é que esses supostos cientistas racionalistas podem imputar a quem chegou a estas opções apenas por questões racionais de estes últimos não o serem?!?!?

Talvez um ser racional humano como esses supostos cientistas médicos me possam explicar isto?

É óbvio que estes charlatães e extremistas da racionalidade científica adoram rotular os seus adversários como rotulam elementos químicos, o problema é que os elementos químicos são finitos e provavelmente até não estão todos descobertos tais como os rótulos que eu lhes posso devolver por me chamarem o que chamam!!!
 
Existem também charlatães que gostam de ser os pró-peste (designação que um irmão meu numa recente sessão de Loja no G.'.O.'.L.'. intitulou os que são anti-vacinas), a esses só lhes desejo a cadeia pois com essa charlatanice põem em perigo vidas humanas!!!

Tal como desejo a cadeia para aqueles cientistas mercenários que a mando de grandes multinacionais também mercenárias andam por aí a patentear genes naturais e arrogar-se estes e essas multinacionais como donos de algo natural ou proveniente diretamente da natureza como os comerciantes dos O.G.M.'s (organismos geneticamente modificados), pois esta manipulação do que é natural nada tem de inovador, a prova são os processos que essas multinacionais mercenárias põem contra povos indígenas que já usavam/plantavam essas sementes de forma local e o faziam de forma sustentável!!! A questão que se coloca é com que direito o fazem? Esse patentear de genes de plantas é completamente absurdo!!! É como se alguém dissesse que quer patentear algum gene de ADN humano!!! E até há bem pouco tempo era natural essas empresas mercenárias porem redutores de crescimento em plantas concorrentes que mataram colheitas à volta de modo a obterem o exclusivo na região e alargar o seu âmbito de atuação comercial!!! Então porque é que se condena a invasão de espécies de insetos ou outro tipo de espécie animal invasora em ecossistemas que não são os seus, porque é que eu serei impassível à invasão de espécies vegetais manipuladas que depredam - porque eliminam o concorrente - o que naturalmente e naquele território sempre existiu? Porque é científico ou porque é um puro negócio? Serei um racionalista estúpido ao ponto de não perceber que a vida natural não está há venda, ponto final!!! Não serão estes senhores uns miseráveis bioterroristas!!!

Os pró-peste (anti-vacinas) são tão assassinos como os bioterroristas referidos, ambos são criminosos e ambos deveriam estar na cadeia!!!

Então qual a solução para as medicinas não convencionais?

Será que perseguir, ilegalizar ou ostracizar funciona?

Duvido!!!

Não será melhor legalizar, estabelecer regras claras, controlar e verificar bem de perto os abusos para os poder punir de forma exemplar!!! Trazer a complementaridade e o controlo de médicos/cientistas convencionais para o processo?

Mas essa legalização tem que ser de medicinas não convencionais que não sejam charlatanice pura, a homeopatia e/ou venda de água cara seria excluída, tal como a medicina tradicional chinesa baseada nos remédios de origem animal que estão por trás da perseguição a rinocerontes e tigres, para fazer pós milagrosos com os seus cornos e ossos!!! Mas porque é que a acupuntura ou a aromaterapia não podem ser legalizadas e controladas pela medicina convencional? Serão assim tão nocivas? Se forem estabelecidas normas claras que estas não se substituírem nunca à medicina convencional, qual o mal?

Aliás é o que se passa em parte com o atual quadro legislativo. Fazendo um resumo histórico, a Lei 45/2003 de 22 de Agosto que foi votada por unanimidade na Assembleia da República sob proposta do Bloco de Esquerda e que reconhecia seis terapêuticas não convencionais: acupuntura, homeopatia, osteopatia, naturopatia, fitoterapia e quiropráxia. Esse reconhecimento ficou pendente da publicação de portarias que clarificassem as condições de acesso a estas profissões e à respetiva cédula profissional, bem como o que poderiam ou não fazer os profissionais destas terapêuticas, as condições obrigatórias dos locais onde são exercidas. Em 2013, o governo da direita apresentou um novo projeto, aprovado com os votos do PSD, CDS e PS e com a abstenção do Bloco, do PCP e do PEV, a nova Lei 71/2013 de 2 de setembro - que reconhece as seis referidas enquanto terapêuticas não convencionais e acrescenta ainda a medicina tradicional chinesa. As Portarias de regulamentação, indicando as condições necessárias para o exercício destas terapêuticas, foram publicadas em junho de 2015 - da fitoterapia (172-B/2015), acupuntura (172-C/2015), quiropráxia (172-D/2015), osteopatia (172-E/2015) e naturopatia (172-F/2015), em falta ficaram as portarias de regulamentação da homeopatia e da medicina tradicional chinesa, estas duas foram objeto da insistência da regulamentação da sua prática de novo pelo Bloco de Esquerda nesta legislatura até agora estas duas práticas não foram regulamentadas e não têm por isso cobertura legal nem são objeto de desconto em impostos e/ou aceites pelo estado e/ou o seu SNS.

Já agora não se nota onde é que o PAN, objeto obsessivo desses cientistas charlatães racionalistas acompanhados pela clique jornalista dependente dos lobbys da tourada e da caça, teve ou tem alguma influência nesse processo todo, visto que só a partir de outubro de 2015 é que este partido teve representação parlamentar, e apenas em maio de 2016 pediu um reforço na regulamentação da prática dessas seis terapêuticas não convencionais já aprovadas e em que demonstrava a sua preocupação, tal como eu e todos, que houvesse uma prática não controlada das duas práticas ainda não regulamentadas, a homeopatia e a medicina tradicional chinesa. O limbo onde estas se encontram é de todo absurdo e eu como racionalista até defendo que estas sejam retiradas da Lei 71/2013 de 2 de setembro, proposta pelo PSD/CDS-PP, pois uma a da água cara e/ou homeopatia é charlatanice pura e a segunda, a medicina tradicional chinesa, é negativa para os animais e a natureza em geral pois muitos dos seus remédios alimentam negócios à volta de animais em vias de extinção, como o Tigre e o Rinoceronte!!!

Ser extremista é que é ser errado, e aos cientistas extremistas, mesmo médicos, deixo um conselho, tentem perceber porque se descredibilizam e porque é que o anti cientismo chegou, foi também e muito por sua culpa e destas atitudes de charlatanice científica - de que a ciência é o alfa e ómega e que todos os outros são cretinos - e não só por culpa dos outros!!!

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Porque votar no LIVRE e em Rui Tavares







 Umas eleições europeias que têm uma campanha destinada a "lember escoriações" nacionais não trás nada de novo ao verdadeiro debate, ao que importa escolher.

  As eleições europeias são das mais importantes. Nelas estamos a escolher quem nos vai representar no parlamento europeu, os nossos desejos para o futuro e a visão para o futuro da Europa unida. Os cinco maiores partidos nada trouxeram ao debate, muito pelo contrário, apenas tocaram, essencialmente,  nos assuntos de política interna e os desejos de eleitoralismo barato. Pouco, ou nada, tratam do que é os problemas de fundo da União Europeia, qual o futuro e os anseios.

O problema é que a comunicação social está talhada para apenas para escutar os partidos mediante o mediatismo dos mesmos. É natural que a mensagem dos partidos representados no parlamento seja mais escutada que as ideias mais consistentes no plano europeu e nacional oriundas de novas forças políticas com gente mais capaz. As leis sobre o plano eleitoral cozinhadas como foram cozinhados os financiamentos partidários (onde o bloco foi forte opositor em que fossem escutados os partidos sem assento parlamentar) acabam por sufocar outros partidos, que mesmo sem financiados pelo erário público, ao contrário de quem já o recebe, têm ideias muito mais consistentes e trabalhadas nos aspectos nacionais e europeus.

É o caso do LIVRE e de Rui Tavares. A sua experiência como Eurodeputado tem, sem dúvida, uma vantagem enorme até mesmo que os Eurodeputados ainda no activo (Marinho e Pinto por exemplo). O LIVRE, ao contrário dos partidos com representação, tem ideias, projectos e planos para a Europa, discute a Europa e não o plano nacional. Apresenta no seu discurso uma lufada de ar fresco político que substitui o tradicional "atira culpas" do plano eleitoral. Um dos exemplos mais nítido é a disputa do nada entre bloco e PCP para consumo interno.

A Europa não é um mero acto legislativo, é tão importante quanto as legislativas. Somos um país inserido num espaço supra nacional que nos faz depender demasiado das suas decisões a nível nacional. Não podemos fazer destas eleições uma espécie de "cartão vermelho" ou "título" para quem governa ou está na oposição. Não é esse o objetivo das europeias.

Votar no LIVRE e em Rui Tavares é votar com consciência que a Europa não pode ser apenas o espaço que nós não queremos abdicar pelas vantagens, mas não respeitamos a sua importância ao fazer destas eleições uma espécie de factor de desagrado a nível nacional. Existem projetos e ideias que necessitam de quem as apresente na Europa e se bata por elas, em vez do enxovalho político que vai de Nuno Melo a Marisa Matias. Nada de Europa, nada de ideias.

Como cidadãos conscientes devemos exercer o nosso direito em escolher os nosso representantes na Europa, não como Costa quer ou Rangel deseja, mas sim pela nossa visão para agarrar o futuro da União Europeia trabalhando o nosso futuro como um país coeso e democrático. Não existe espaço para o eleitoralismo barato e a disputa de votos por quem fez mais. Devem ser as ideias e as convicções a vencer e não a vaga do nada. Por isso é importante a esquerda e o centro escutar o que tem o LIVRE tem para nos dizer e o que Rui Tavares quer para a Europa. Caso contrário estamos apenas a trabalhar para os cinco partido convencidos que o mediatismos e os fait divers são mais importantes que discutir a Europa a sério.

terça-feira, 19 de março de 2019

Prefácio do Bloco













 Antes de escrever a minha opinião quero fazer uma pequena chamada de atenção. Depois desta opinião vão começar as criticas, as ofensas a juntar a todas as características pessoais adotadas por quem não vai concordar com a mesma. Faz parte, mas a liberdade tem destas coisas. 



    Recentemente num jornal local da minha freguesia, o Jornal de Camarate, publicou um texto no espaço "Voz do leitor" lançavas suspeições sobre práticas do Bloco em esquemas com os membros da Assembleia Municipal. Bem certo que o texto apenas visava atirar lama para cima da mesa sem qualquer prova que sustentasse a teoria. Quem o escreveu tinha a noção que trazer valores monetários para a ribalta facilmente despoletava a critica de quem do outro lado já se alimenta com facilidade dos populismos. Eu sobre o valores disse muito pouco, apesar de querer saber se tais práticas estão ou não passiveis de serem provadas, não levei em consideração. Por o ângulo dos ganhos monetários, teremos que ir um pouco mais a fundo para saber se estamos, ou não, a entrar no eleitoralismo primário. 

   O que me despertou a atenção foi o facto de existir uma "rotatividade" dos membros, que segundo os militantes, é a "demonstração da democracia". Logo a seguir à publicação do texto, o Bloco fez o que competia, e muito bem, publicou um comunicado a esclarecer o assunto e a por os pontos nos "is" sobre aquilo que considerou uma campanha difamatória a seu respeito. Mais que normal uma força política fazer um comunicado que arrebata toda e qualquer suspeita que recaia sobre práticas cujo enquadramento não seja o mais correto. 

   Quando tudo parecia esclarecido um dos dirigentes locais do Bloco reacende a polémica ao fazer um comentário disparando em todas as direções, incluindo acusações feitas a quem está à frente do Jornal, dirigindo lamentáveis expressões que pouco dignificam a direção do Bloco, e representam o que pior à na política, a tentativa de limitar a opinião de terceiros através do insulto. Uma reação que de democrática tem muito pouco, e promove mais a desconfiança do que propriamente isola a situação. Eu próprio, por ter dirigido um comentário de discordância à rotação, fui acusado de me expressar baseado no ódio, sugerido que poderia ter sido autor, ou co-autor do texto, de não aceitar a democracia, e de me mover por convicções contra o próprio Bloco. 

   Todas as acusações e insinuações surgem pelo simples facto de eu ser totalmente contra uma rotatividade de membros, e por achar que a substituição de membros nos cargos eleitos deve ser feita mediante situações pontuais, em que o principal eleito esteja impossibilitado de estar presente, e faça-se substituir por outro membro ligado ao partido, que faça parte da lista, e que seja o membro seguinte com disponibilidade. O caso do Bloco é a alteração de membros sem que qualquer situação pontual seja indicada para tal. A esse ponto, os militantes do Bloco apelidam a rotatividade de "demonstração de democracia", o que eu entendo ser completamente o contrário. A demonstração da democracia deve ser feita com a presença de quem teve a legitimidade democrática para o fazer, e não pelos restantes membros da lista que representam o partido, mas não foram eleitos. Esta será uma normal opinião de quem olha para a prática da "rotatividade" não como uma "demonstração de democracia", mas como levar membros da lista não eleitos a plenários. 

  Entendo que apesar da lei permitir algumas práticas, deve ponderar o bom senso. Da mesma maneira que na minha opinião acho que o facto do atual Presidente da Assembleia Municipal, Ricardo Leão, ocupar três cargos políticos, mesmo que seja legal, é imoral e não corresponde à ética política, considerando mais gravoso essa posição do que a rotatividade do Bloco com os membros da Assembleia. Mas tudo tem a sua leitura, e cada um manifesta a opinião que entender ser a mais correta, ou como muitos que comentam,  mesmo contrariados, defendem a "sua dama" pela cor do seu partido, mesmo que seja totalmente contrária à sua opinião pessoal ou ao seu gosto. Que seja uma opinião onde está patente a hipocrisia. Mas são opiniões e devemos respeitar, defendendo sempre o nosso ponto de vista com argumentos sólidos que nos permitem debater, e não com praticas de egocentrismo em que os argumentos baseiam-se na critica da visão contrária e na aplicação de características de carácter pessoal que não adiantam em nada o debate, só demonstra um bloqueio de ideias. 

   É por esse motivo que a minha critica surge. Nem tanto pelas práticas do Bloco com os membros da Assembleia Municipal, muito menos dando credibilidade aos números apresentados, mas pela forma com que se abordou após o comunicado. Uma mostra de intolerância, um grau de ofensa, uma ego-opinião, e uma tentativa dramática, na ausência de argumentos, de puxar os galões a definições pessoais, ao ataque aos outros grupos da Assembleia, ao desculpar com as possíveis práticas do executivo Municipal ligadas ao genro de Jerónimo de Sousa, mas nunca fazendo uma defesa padronizada sem teorias da conspiração dignas de um filme de Alfred Hitchcock. Assistimos a essa prática corrente, sempre que o Bloco está em causa. Uma espécie de "trolagem" à moda do Podemos, regimentando argumentos dignos de debates sobre futebol, sem filtrar que as práticas podem sempre ser questionáveis sem que a pessoa se mova por preconceitos partidários. A mostra que nestas situações alguns militantes partidários se escondem atrás do anonimato, quer para apresentar supostos casos de indignação política, quer para combater a critica partidária baseada no fundamentalismo desportivo do "meu é melhor que o teu". 

   A democracia é um espaço onde a liberdade de opinião, desde que seja fundamentada, deve ser respeitada. A critica deve ser sempre recebida, dentro do respeito devido, e sempre que for contrária ao que queremos, quer por convicção ou por hipocrisia, deve ser debatida dentro do respeito mutuo. Tecer comentários impróprios, gerar indignação a terceiros ou pura e simplesmente não aceitar e trazer a ofensa para cima da mesa, só demonstra que as pessoas que enchem a boca para falar de democracia, nas redes sociais limitam a opinião de terceiros com o desgaste pessoal no debate. 

   Quanto ao BE de Loures, quem não deve não teme. Depois do comunicado bastava ignorar o texto ou publicar um texto de opinião pessoal sem que para isso tivessem que chegar ao ponto da ofensa gratuita e de definições pessoais que jorram o lamentável.

O meu nome é Jorge Pires, e tenho a certeza que não me movo partidáriamente por ódios, quer pessoais quer institucionais.  

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

As recentes noticias falsas da TVI sobre Pedrogão Grande...












Antes demais gostaria de por aqui referir que não é se espalhando noticias falsas muitas vezes que estas se tornam verdade, e é isso mesmo que uma tal Ana Leal e um André Carvalho Ramos, da TVI24 tentaram fazer com a sua ultima reportagem sobre Pedrogão Grande e a sua Câmara Municipal do PS, aliás a perseguição é claramente política e não pode ser deixada passar de animo leve.

É absurdo sequer eu estar a fazer o trabalho que o sindicato dos jornalistas deveria fazer, que é chamar à atenção a jornalistas por não cumprirem a deontologia profissional com que se devem sempre nortear e que no seu número um refere que: O jornalista deve relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

Ora foi isso tudo o que não aconteceu nas ultimas reportagens sobre Pedrogão Grande em que o jornalista André Carvalho e posteriormente uma (que também se diz) jornalista Ana Leal não só mentiram, no dia 21 de fevereiro, como voltaram a mentir em debates posteriores à volta deste tema e por fim voltaram à carga hoje e já basta para tanta falsidade e tanta doentia mentira.

Vamos começar pelo inicio, no dia 21 de fevereiro é emitida uma reportagem que relata de forma bombástica que em armazém existem centenas de donativos em espécie que não só não são distribuídos pelas vitimas dos incêndios como até são desviados pelo Presidente da Câmara, seus familiares e autarcas do PS. Vinte minutos em que nada é perguntado aos autarcas do PS, visados na reportagem, nem aos principais gestores do armazém, que sabe quem fez a reportagem, é a Cruz Vermelha Portuguesa.

Nos debates/entrevistas posteriores, em relação a este assunto, quem ouvem? O Vereador da oposição, do PPD/PSD, que não tem nenhum interesse político em dar gás às mentiras e um ex-Presidente de um Instituto Público afastado por um governo do PS por ser um militante partidário dentro de um Instituto Público e não um dirigente da Função Pública.

Em reportagens posteriores o que exibem é uma complacente continuação com a mentira, referindo que não existe inventariação dos bens, pedindo este inventário à Câmara Municipal, inventário esse que a Câmara não pode dar, pois a Cruz Vermelha Portuguesa referiu em comunicado que os bens foram doados ao abrigo do Fundo Revita, bem como inventariados por esta instituição, a Cruz Vermelha Portuguesa, instituição essa que detêm o inventário.

A pergunta é porque que se pede de forma repetida um inventário à instituição que não o tem?

Pior a Câmara faz uma conferência de imprensa em que o Presidente da Câmara se recusa a responder a esses jornalistas que lhes chamaram de gatuno - pois se alguém insinua que os donativos foram desviados pelo próprio Presidente da Câmara a isso chama-se o quê - e nessa mesma conferência de imprensa de novo pedem os inventários de bens que sabem que a Câmara não tem, mas que foram  disponibilizados ao Ministério Público pela entidade que o tem, e por fim não mostram que posteriormente foi efetuada uma visita ao armazém da polémica e insistem na mentira de que os bens continuam a ser desviados e que não são controlados.

Nessa conferência de imprensa também é referido que as instalações servem também a SIC/Esperança, bem como os Bombeiros Voluntários de Pedrogão Grande.

Será que a SIC que é um órgão de comunicação social, que está por detrás da IPSS SIC/Esperança, calou-se perante o desvio dos bens que nesse pavilhão depositou?

Por fim continuam com a mentira e referem que funcionários da autarquia vão ao armazém e espante-se tiram de lá bens!!!  E espante-se porquê? Porque nessa conferência de imprensa também é referido que a Loja Social da Câmara de Pedrogão Grande também tem aí bens armazenados, aliás esses bens já tinham sido doados antes dos incêndios, bem como já eram doados também antes dos incêndios aos munícipes em geral e sempre que estes os solicitavam.

Como vemos as mentiras têm perna curta!!!

Mas a TVI24 e estes jornalistas com intenções políticas e sem nenhuma ética jornalística continuam a espalhá-las como se de verdades absolutas se tratassem!!!

O bom e o mau turismo...

 


   








   O turismo é bom, enche de alegria, da vida há cidade, recomendasse. Oh leitor, a quanto te engano!

  O boom turístico levou Portugal aos melhores mapas de recomendação a visitar. Descobrimos que o turismo é algo fenomenal, e trás dinheiro, trás gente e coloca o país na esfera das grandes empresas. Como diria o senhor da pastelaria, "eles vêem gastar, para ficar e quem sabe investir". Sem consequências de maior. A cidade sabe receber os nossos visitantes. o discurso do tempo em que as porções mágicas faziam efeito era menos enganador que o discurso do turismo.

  Lisboa é um dos exemplos que o turismo é bom, mas o excesso é preocupante. Uma cidade cada vez menos Portuguesa, mais distante dos seus cidadãos, onde tudo é pensado para "estrangeiro ver". Os bairros tipicamente alfacinhas, que tanto gosto dava sentir o cheiro tão nosso, hoje são aromatizados com perfume francês, cerveja Alemã e o bom whisky britânico. Sem duvida que o cheiro a sardinha, típico da Mouraria, hoje tem mais cheiro a Caviar Russo.

  Que dizer da música de Zeca Afonso, "em cada esquina um amigo"? Não, em Lisboa em cada esquina um Hotel, em cada rua um Hostel, em cada rosto um despejo e em cada despejo um fundo imobiliário a sorrir. Lisboa perdeu a imagem de Alfacinha. Mais fácil se vê uma salsicha alemã ou um bacalhau norueguês que um tipo que diga dez palavras em português.

  Lisboa faz um Português se sentir estrangeiro sem nunca ter passado a fronteira. E quem diz Lisboa, diz o Porto. Já lá vai o tempo em que a pronúncia do Norte era uma coisa tão nortenha, tão portista. Hoje a pronúncia do Norte é apenas uma música dos GNR escrita num álbum do passado. Trocar o "v" pelo "b" é mais raro no porto do que trocar um fino por beer. É estranho, é anormal o país ser tomado por uma fonte tão grande de receita que permita que as características das cidades e a sua principal identidade, as pessoas, possa ser posta em causa.

  Dizer que o turismo é necessário, que trás mais valias e que é benéfico em todos os sentidos é desmistificar as consequências do descontrolo total a que chegou o turismo. Minimizar as suas consequências é entregar aos moradores dos centros da cidade a carta para o despejo antecipada, sem que as autarquias, também elas movidas pelos interesses financeiros, possam fazer parte da solução. 

  O turismo em excesso coloca a sustentabilidade das cidades em causa. As autarquias e os países retiram benefícios a curto prazo, criando impactos futuros muito mais gravosos. Para além dos centros das cidades poder ficar, no futuro, com sequelas do impacto do efeito de centrifugação dos que obrigados pelos abusos de aumento das rendas foram obrigados a sair do centro da cidade, os efeitos sobre o valores das casas também serão, sem dúvida, o efeito borboleta na economia local, e no caso de Lisboa, com forte efeito na nacional. 

  Aguardar tranquilamente enquanto o país encaixa dividendos com o turismo, sem que sejam tomadas medidas sérias para evitar futuros riscos sociais e económicos, é a demonstração da má prática politica e da falta de medidas que nos transportou para a fragilidade económica actual. Pensar no presente sem assegurar consequências futuras e deixar que a situação se agudize durante largos períodos de tempo é a total ausência de um padrão politico capaz. 

  Enquanto o turismo "devora" as nossas cidades a saque de fundos imobiliários e da especulação, vamos sobrevivendo como verdadeiro país de terceiro mundo à espera que este tempo passe e nos deixe cidades vazias, casas desvalorizadas, hotéis fechados e um quinhão de história desaparecida nos escombros de cidades que perderam a sua gente e a sua identidade. 

  Um pensar pequeno com consequências grandes. 

sábado, 9 de fevereiro de 2019

#aquinao












  A democracia tem tomado caminhos perigosos. O populismo ganhou armas e tornou possível o governos da génese, assumindo o poder em países que outrora era baluartes da coerência e democracia. De Trump a Salvini, o aparecimento da extrema direita sob capa do discurso fácil, bonito e de resolução rápida, tem sido premiado com disputas eleitorais renhidas e vitórias preocupantes.
   
    Em Portugal, felizmente, o efeito populista esvazia em figuras demasiado folclóricas e pouco convincentes na apresentação do seu discurso, incapazes de transformar o populismo em votos convictos. Apesar de André Ventura ser destaque pelo discurso  populista, e ser uma figura promovida por um certo tipo de comunicação social, dificilmente atinge a capacidade de eleger alguém para defender o seu programa pouco clarificado. Ainda existe um certo receio deste tipo de "Messias" político.

  Apesar dos grupos das redes sociais e os efeitos das mesmas tentarem promover o fascismo como a política de resolução da corrupção, o número de defensores da democracia, e a ausência do populismo mais organizado, continua a ser o suficiente para "abafar" os excessos nas redes sociais e os discursos de figuras populistas mediáticas.

   No entanto o aumento da comunidade brasileira tem gerado um certo desconforto patente nas redes sociais. Ao contrário que é apontado pela comunidade como xenofobia, os motivos do desconforto estão no respeito á interferência de parte da comunidade nos aspectos da vida politica nacional.

    Depois da vitória de Bolsonaro nas presidenciais brasileiras, e o perfil do actual presidente ser mais explicado, as páginas dos órgãos de comunicação social portugueses foram tomadas por o debate, elevado a discussão, acabando por terminar em desconforto com comunidade brasileira em Portugal. O principal factor para desencadear uma "batalha campal" nas caixas de comentários com sugestivos "convites" de regresso ao Brasil, foi Portugal ter sido o único país na Europa em que Bolsonaro ganhou nas urnas. Motivo suficiente para ataques á comunidade, que respondeu sempre com o preconceito com os brasileiros. 

   Não creio que seja o preconceito que move os portugueses contra a comunidade brasileira, muito menos o ataque é dirigido a toda a comunidade. O que uns justificam com o preconceito, justifico com o espírito democrático e o receio da influência "Bolsonarista" por cá. Não é difícil se perceber que o "currículo" comportamental do actual presidente do Brasil deixe margem para dúvidas que os brasileiros votaram movidos pelo preconceito que está enraizado no Brasil. Estamos a falar de um candidato que tem um discurso agressivo, fascista, racista, xenófobo, misogeno e de incentivo ao ataque verbal e físico aos adversários. Se isso não fosse o suficiente, a forma como decorreu a campanha bastante suja nas redes sociais, demonstrou que os brasileiros estavam dispostos a acreditar, e fazer acreditar, em alguém que se move por um conservadorismo com cheiro a ditadura.

  Bolsonaro sobe ao poder pelo combate contra a corrupção, quando o mesmo, e a sua família, vivem mergulhados na mesma. Caso aqui, caso ali, a corrupção parece ter presença constante no seio da família Bolsonaro. E os Brasileiros sabem disso. Por esse motivo, cada voto é um contributo para as consequências futuras a nível político no Brasil. A incompreensão dos portugueses surge pelo facto de quem vive confortável por cá entender que o melhor é ajudar a plantar por lá um regime ao estilo ditadura militar, e que a comunidade, ou parte dela, entenda que o espaço político português não seja do seu agrado. As sucessivas críticas aos partidos que formam o actual modelo governativo fizeram que muitos utilizadores das redes sociais, independentemente da sua linha ideológica, se "atravessem" no caminho das críticas da comunidade brasileira e os chamem a atenção sobre o teor das opiniões.
 
  Os brasileiros não podem utilizar o chavão da segurança e da luta contra a corrupção para desculpabilizar a eleição de Bolsonaro, mas não podem desculpar o insucesso politico que Bolsonaro possa ser com o desconhecimento sobre o passado do mesmo. Bolsonaro movesse há décadas, de eleição em eleição, no meio político e nunca contribuiu para qualquer bandeira que hoje diz defender, nem para o discurso político sobre o presente e o futuro do país. As suas atitudes no passado, e o seu relacionamento com outros deputados e jornalistas, tal como o discurso dirigido para as comunidades, são conhecidos pelo incentivo ao ódio. Os brasileiros sabem que Bolsonaro é movido pelo ódio às diferenças,e ás comunidades que ganharam os seus direitos. Sabiam que o seu discurso contra os mais fracos existia, sabiam que a ausência de carácter e personalidade, tal como um grau de cultura muito baixo fazem parte do perfil do actual presidente. Foi nisso que os brasileiros votaram, porque se revêm na maioria dos preconceitos do actual presidente, se revêm no seu discurso de ódio pelas comunidades e pela diferença. Infelizmente nem todos têm a capacidade de vender os seus bens e vir fugir para Portugal, onde pensam passar uma temporada em democracia, longe da pobreza de espirito que ajudaram a eleger. Que digam os nordestinos, olhados como inimigos naturais do actual presidente.
 
  É por estes motivos que o portugueses, apoiantes ou não da esquerda e do modelo governativo, criam um sentimento de desconforto com a comunidade brasileira, e principalmente com o facto da mesma tentar impor a sua visão clara de defesa dos preconceitos ideológicos, sociais e políticos numa sociedade europeia democrática. A demonstração do interesse na participação de acções criadas pela extrema direita (coletes amarelos) ou os discursos de ódio a comunidade gay, colado ao religioso, não são tão bem aceites cá como lá. Aqui ainda reina a tolerância, apesar de movimentações no sentido contrário.
 
   Antes de atribuirmos uma expressão "tacanha" ao que move os portugueses no desconforto com a comunidade, devemos ficar optimistas com o facto das redes sociais não suportarem apenas o saudosismo melancólico por velhos regimes, mas mover muita massa crítica no combate aos preconceitos e ideais que pretendem rasgar a democracia e gerar novos preconceitos, agravando os actuais. 
 
   Todos são bem vindos, mas não os discursos de ódio e preconceito. Porque votar em Bolsonaro não foi uma questão de crença, de progresso ou democracia, foi um teste no senso político no qual os brasileiros falharam.  Proteger a democracia não é só defender os ideais pontualmente optando pelo discurso mais suave. Defender a democracia é combater cerradamente aquilo que Bolsonaro representa. E se temos de ser intolerantes a quem defende o discurso, então o caminho é esse.

Fascismo não é democracia












 Todo o bom fascista sabe que precisa da democracia para atingir o poder. Mas em nenhum momento a sua participação na  democracia transformam um fascista em democrata, ou adepto da liberdade de expressão. Fazer acreditar o comum cidadão que oferecer tempo de antena a uma figura de índole fascista é liberdade de expressão, é a demonstração de ignorância sobre o que é um fascista e quais os seus objectivo políticos. Dar visibilidade ao fascista não é ser democrata, da mesma maneira que lhes dar espaço não é liberdade de expressão.

 O facto do PNR concorrer em eleições democráticas, porque a liberdade de actividade politica o permite ir a votos, não torna o mesmo num partido democrático, muito menos um albergue de gente intelectualmente disposta a aceitar a democracia. Apesar do pensamento ideológico ser reconhecidamente de extrema direita, o partido em termos organizativo descreve como patriota, o que não é crime. Crime é as afirmações feitas por os dirigentes que apontam inimigos pela cor, etnia ou país de origem, mas sempre protegidas pela liberdade de expressão.

A liberdade que o PNR tem para participar em actos eleitorais é a mesma que vai ao desencontro do seu programa político. Programa que no sufrágio eleitoral tem umas centenas pouco expressivas de eleitores. Facto é que o PNR concorrer em eleições democráticas não o faz, nem de perto nem de longe, um partido político com ambições democráticas. Apenas sabe que única maneira de impor um programa só pode ser através de sufrágio eleitoral, e por esse motivo usa as bandeiras da democracia e das liberdades cívicas para poder contribuir para o seu fim.

Quando o fascismo é atacado e "espancada a arte" do saudosismo da velha ditadura, os seus apoiantes escudam-se sempre na liberdade de expressão para manter a mensagem política de enaltecimento da ditadura. Gostar de Salazar é um direito, enaltecer um ditador é uma ilegalidade. A liberdade é um direito conquistado pela democracia, mas o discurso de salva à ditadura é condenado constitucionalmente, e não é liberdade.

 Quer os saudosos de bolso, quer aqueles que mergulham no ódio dos grupos das redes sociais, onde se escondem para destilar veneno,  são amantes de regimes fascistas  e por isso devem ser combatidos, denunciados e atacados (não fisicamente) do mesmo jeito que o fazem,  isolando os seus preconceitos e ódio latente dentro da sua cápsula de  ignorância. Gostar de Salazar e do que representou politicamente, expressando livremente os (de)feitos do mesmo durante a sua governação, não é liberdade de expressão. Não pode existir liberdade de expressão a quem acha que o direito de cada um em decidir o futuro e o espaço das suas convicções ideológicas deva ser posto em causa, muito menos se pode aceitar o combate aos direitos individuais de quem, em democracia, lutou para poder os usufruir em pleno direito a sua liberdade. Porque a liberdade de expressão faz parte de um espaço em que o respeito pela diversidade política e ideológica deve ser respeitada, e saudosismo fascista não fazem parte

O fascista não é democrata, não merece tempo de antena para apresentar a sua mensagem, muito  menos ver respeitada a sua linha política. Fascismo deve ser combatido como doença. Ou se usam os antibióticos políticos correctos, ou isolasse o transportador. Mas nunca deixar que a doença se espalhe como cancro. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

As questões do costume













 Assegurar um debate sério sobre o racismo sem que os extremos se toquem é impossível pelas regras da física política. Um moderado, com um discurso mais realista, não consegue dominar qualquer movimento que atropele o direito de opinião de terceiros em nome das excessivas, ou nenhumas, convicções da rede de militância que suga a energia com argumentos do disparatado ao impossível. 

 O que ocorreu no Bairro da Jamaica não pode ser inserido num qualquer dossier e arquivado como nada existisse. Dois momentos e muita história para lá dos quatro minutos de vídeo captado são o mote para tudo o que aconteceu a seguir. Há uma polícia que entra de cabeça quente e há cidadãos, que no fim de uma festa, acabam por estar no seio de uma confusão onde são violentamente agredidos. 

  Sem qualquer posição e baseados apenas num vídeo a bipolarização do tema incendiou as redes sociais. Se uma das posições afirma que a policia teve uma expressão do racismo, a outra, aproveitando o momento, apostou nos comentários baseados no racismo primário. Todos são responsáveis pelo clima que se impôs em seguida. Não foi difícil sentir que os argumentos foram-se alterando conforme o momento, sendo que as ofensas pessoais, ironia e desprezo são os mais visíveis entre a comunidade online.

  Como se as redes sociais não fossem um barril de pólvora nestas questões, assistimos á entrada de deputados numa luta tribal que promovida nas redes sociais, pavimentando mais caminho ao aumento da agressividade e histeria de ambos os lados, que mantêm uma espécie de fogo cruzado nas caixas de comentários. O sentimento de impunidade de qualquer racista de bolso ascende com o proveito do clima. 

 Como toda a discussão sem fundo de objectivo que não seja a punição e os ataques desproporcionais, acaba por ser apenas uma guerra de palavras, expressões e preconceitos. É óbvio que o racismo existe. Existe porque a ignorância existe, por o preconceito com o status social existe, porque existe um vergonha e um desprezo pelos mais pobres. Infelizmente os mais pobres são aqueles que a vida não proporcionou oportunidades de vida que lhes oferecesse condições para ascender nos escalões sociais. 

  O bairro da Jamaica é como tantos bairros uma zona de "conforto" para a criminalidade, que muito se aproveita das condições de vida de muitos dos seus residentes, principalmente os mais jovens que tanto sonham com melhorar a vida, e o facto de não conseguir aproxima-os de um mundo mais fácil. Infelizmente não há combate a quem corrompe comunidades para benefício próprio. Mas julgar que todos são perigosos criminosos é alterar o preconceito para o exagero radical. 

 É neste contexto de pobreza das comunidades que o classismo exacerbado acaba por entrar no campo dos preconceitos e da generalização fácil, abrindo portas a um envergonhar constante destas comunidades, generalizando como locais onde o crime e o rendimento mínimo andam de mãos dadas. O que em nada corresponde á verdade. 

  Por outro lado temos a teimosia sem qualquer convicção ideológica de que a polícia só por a sua existência é racista, que a comunidade local é racista, que as instituições são racistas e que a sociedade é racista. Discurso que acaba por favorecer a extrema direita como complemento ao discurso populista e brejeiro dos preconceitos acentuados que já possuem com as comunidades. Além de ser o caminho mais fácil e menos complicado de justificar muitas vezes o incomodo que uma ala esquerda tem com as autoridades, entendendo que o facto delas existirem só por si já é um preconceito do Estado com a sociedade, principalmente com as comunidades. O que corresponde a um discurso tão populista e fácil quanto o discurso da extrema direita. Ambos são discurso fáceis, vagos e acusatórios. 

  Os relatórios, as percepções e todo o caminho feito até agora só criou um abismo desfavorável á luta contra os preconceitos. Além disso, o trabalho de campo de integração e luta contra os preconceitos têm ficado aquém do desejado. Dizer que se tem de ajustar contas com o passado, condenando o "homem branco" pelas suas ações no passado, penalizando uma sociedade por a escravatura que não conheceu, achando que toda a sua história tem de ser alterada, visando diabolizar o passado como país é tão estúpido e tão primário quanto o racismo tribal de quem acha que "o preto deve ir para a terra dele". 

  Porque não começarmos um debate e acções para quebrar o dscurso populista? Tá na hora disso. Trazer as convicções para cima da mesa e pensar como trabalhar para melhorar o futuro de quem está cansado da pobreza cíclica. Não é as discussões de carateres nas caixas de comentários das notícias que nós vão melhorar a vida a alguém. Está na hora de sermos gente. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas sofrem?
















  E tem a ver com a recente onda de notícias e artigos de opinião da chamada "esquerda" sobre a situação na Venezuela!!!

E retomo...

De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas sofrem?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas não têm o que comer?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas vivem da/na mendicidade?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas não têm um emprego que as sustente?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas não têm os seus negócios?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas são presas por tentar ganhar a vida?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas ficam sem liberdades básicas como a de expressão ou associação?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas vêem uma elite que não passa fome a falar-lhes de agressões imperialistas?
De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas sabem que essa elite vive do narcotráfico?

De que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas sabem que o essa elite "anti-imperialista" lhes tirou o único recurso nacional...entregando-os aos imperialistas russos e chineses...

E é por aqui que começo, antes eram os imperialistas europeus e dos Estados-unidos da América a deterem as refinarias e a explorarem o seu Petróleo, quem vivia nessa Venezuela "idílica" (claro que estou a ser sarcástico) antes de Chavez sabia que se pertencesse aqueles 30% que viviam bem podia chegar ao fim do mês "sem fazer contas" e/ou "ter esquemas" para o conseguir...

Caracas antes de Chavez tinha imensos bairros de lata, favelas que se espalhavam por quilómetros de milhões de pessoas que trabalhando eram escravos pois recebiam migalhas, e era assim por todas as cidades Venezuelanas, até no campo o sistema de trabalho pouco diferia da relação fazendeiro, jagunços e o restante povo que trabalhava para sobreviver e se refilasse era morto...

Chavez foi um golpista de direita nacionalista, foi preso e converteu-se à esquerda com um tique de ideológico de nacionalismo e imperialismo pan-americano ligado a Simão Bolívar, nada que fosse estranho ao caudilhismo desde a esquerda à direita sul-americana que estava cheio dessa alusão a esse libertador.

Chavez chegou e acabou com um sistema democrático em profunda falência, um rotativismo partidário de clientelas compradas nessas favelas e bairros de lata, mas pôs-lhe o cunho de nacionalista pan-americano, de revolucionário e de esquerda socialista.

E vamos lá desmontar o que é a ideologia pan-americana bolivariana, esta não era diferente do imperialismo americano apenas se dizia revolucionária e de esquerda socialista e apoiava por isso os movimentos de guerrilha na Colômbia e grupos desordenados de movimentos (alguns irrelevantes) por toda a América fora, desde o México até à Argentina, esse tipo de não imperialismo era apoiada por outra nação muito democrata e também não imperialista das Antilhas, ou seja, Cuba, o baluarte fetiche de certa esquerda mas que nunca me seduziu desde que constatei que el comandante Che Guevara - o clímax fetichista máximo dessa certa esquerda - era o direto responsável pelo campo de concentração e morte de La Cabaña e que ordenou entre 400 a 700 execuções extrajudiciais (de entre as cerca de 14.000 que ocorreram no período pós tomada de poder da ditadura comunista) e que já agora não o escondia afirmando enquanto discursava numa Assembleia Geral da ONU, em 9 de dezembro de 1964 "Execuções? É claro que executamos!".

E é claro que Chavez fez coisas positivas, pois era impossível não o fazer, este chegou a um país onde 70% da população vivia em exclusão, deste modo começou por nacionalizar a exploração de petróleo (é preciso notar que a refinação do petróleo da Venezuela se faz em grande parte na terra do imperialismo ianque e que se continuará a fazer devido à impureza de que se reveste o petróleo venezuelano) e usar os resultados dessa nacionalização para dar a parte desses 70% de excluídos educação gratuita pós-básica, acesso à Saúde (com recurso ao produto exportador cubano com mais sucesso: médicos escravos e entregues mediante caução aos que os alugam a Cuba) e por fim acesso a um cabaz base de alimentos. Mas acabou com os bairros de lata ou as favelas? Não só não, como fez muito pouco para que isso acontecesse!?!?!

Esse populismo era podemos dizer de certa forma positivo - se bem que eu não ache nenhum populismo positivo - pois alimentava e dava algumas armas a quem era excluído até então.

E alguns desses excluídos ligados agora ao poder formaram com muita da clique militar - até daquela mais antiga e tradicional de direita que se adaptou - a nova elite de poder que é claro se defrontou com a outra elite que começou a fazer o seu jogo de tomar o poder a todo o custo.

O que vimos sempre e a partir daí foi o confronto entre essa nova elite e a outra elite, mas havia um problema, a nova elite precisava de meios financeiros para combater a outra elite, o aparelho do estado era escasso em recursos e sempre teve até Chavez uma influência diminuta na sociedade venezuelana e se excluirmos as forças armadas era insignificante, a outra elite vivia dos negócios alguns legítimos e construídos com muito esforço outros nem por isso e atribuídos por processos pouco claros e com alguns monopólios não naturais, então a nova elite começou a tentar recuperar todos os negócios ilegítimos e a roubar todos os negócios legítimos, o problema é que não os sabiam gerir, e progressivamente estes foram declinando até à falência.

Mas lembram-se do tal imperialismo pan-americano bolivariano, a nova elite militar começou a prestar assistência às guerrilhas colombianas que não eram mais do que cartéis de droga com carimbos de revolucionários e de esquerda socialista, e eram pagos em géneros, ou seja: em droga. Tendo e com "o acordo de paz" (fica em aspas pois o acordo foi uma derrota militar negociada) colombiano ficado com o negócio de tráfico internacional e venda da droga colombiana, aliás as elites militares do regime cubano já o faziam para a América do Norte e Centro, a nova elite militar venezuelana apenas ficou com o resto do mundo, pois o mundo criminoso tem horror ao vazio.

E então e após as falências por incompetência pura de gestão das empresas ora tomadas ora roubadas à restante outra elite, a restante nova elite apoia-se nos negócios da nova elite militar, e dá-se um facto curioso que tem a ver com a tentativa de se manter os negócios falidos que levam a uma falência da economia, virando-se este imperialismo pan-americano bolivariano agora falido para o imperialismo Russo e Chinês que financiam a economia venezuelana monetariamente, sem ninguém que lhe dê então crédito, em troca do controlo da distribuição e venda de petróleo da Venezuela (que nunca deixou de ser refinado no território do imperialismo ianque), ficando assim a Venezuela agora com alguns problemas:

1. Os anteriores dois imperialismos, Europeu e norte-americano transformaram-se em três: o norte-americano (mais diminuído mas existente); o Russo; o Chinês. Como sempre a divisão dos Europeus levou ao seu afastamento e mais uma vez o Reino Unido foi o principal responsável (seria fastidioso estabelecer essa conexão mas apenas vos relembro que o Reino Unido nunca apoiou a França e a Espanha junto aos Estados Unidos da América na sua pretensão de manterem os bancos e as refinarias, negócios legítimos e não monopolistas, que foram roubados em benefício da nova elite) e é por essa razão e por muitas outras semelhantes que os quero ver pelas costas nesta futura UE;

2. A nova elite é quem manda e está completamente dependente do tráfico internacional de droga Colombiana e dos negócios com os imperialistas e completamente dependente monetariamente dos russos e chineses. Foi esta nova elite que colocou lá o Maduro e o mantêm e é esta que irá se opor a qualquer tentativa de tomada de poder seja pela outra elite seja pelo tal povo que Chavez ajudou a dar alguns direitos básicos mas que com a falência económica já não apoia Maduro.

3. Maduro não manteve uma espécie de paz podre, ou seja, alguma ilusão de que a outra elite também poderia aceder a algum tipo de poder, fosse porque - e aconteceu com o sistema judicial - quisesse proteger os negócios criminosos da nova elite, fosse porque reagiu a algumas tentativas de tomada de poder legítimas ou ilegítimas da outra elite, e a ditadura política foi-se impondo de forma progressiva e cada vez mais agressiva e não adianta virem com pieguices que alguém que não cede o poder não é ditador e que eleições o legitimam, porque dezenas de ditadores mantêm-se através de eleições fictícias e fraudulentas e métodos de perseguição e terror sobre quem lhes faz oposição, mesmo moderadamente, é só olhar para o imperialismo Russo do democraticamente eleito e perpetuo presidente/primeiro-ministro/presidente Putin. 

4. O desespero pela outra elite agora completamente depauperada economicamente e do tal povo, que Chavez ajudou a dar alguns direitos básicos mas que com a falência económica já não o apoia, está no limite e pessoas desesperadas tomam medidas desesperadas.

5. O grupo de Lima a nova némesis da esquerda anti-imperialista mundial é um conjunto de países maioritariamente composto por países que andam fartos de receber os três - quase quatro - milhões de cidadãos refugiados venezuelanos que atravessando as fronteiras lhes causam enormes problemas económicos e sociais. E este grupo existe há algum tempo - Agosto de 2017 - e sim tem imperialistas americanos e anti-imperialistas e só isso deveria fazer pensar essa tal esquerda anti-imperialista mundial Mas não, é mais fácil ser demagogo!!!.

Para onde vai evoluir a situação deste país e do seu povo?

Qual será o imperialismo que ganhará?

Será que já não estão a perder todos, até estes imperialistas?

E acabo como comecei: de que serve a aversão ao imperialismo...se as pessoas sofrem?