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sábado, 9 de fevereiro de 2019

#aquinao












  A democracia tem tomado caminhos perigosos. O populismo ganhou armas e tornou possível o governos da génese, assumindo o poder em países que outrora era baluartes da coerência e democracia. De Trump a Salvini, o aparecimento da extrema direita sob capa do discurso fácil, bonito e de resolução rápida, tem sido premiado com disputas eleitorais renhidas e vitórias preocupantes.
   
    Em Portugal, felizmente, o efeito populista esvazia em figuras demasiado folclóricas e pouco convincentes na apresentação do seu discurso, incapazes de transformar o populismo em votos convictos. Apesar de André Ventura ser destaque pelo discurso  populista, e ser uma figura promovida por um certo tipo de comunicação social, dificilmente atinge a capacidade de eleger alguém para defender o seu programa pouco clarificado. Ainda existe um certo receio deste tipo de "Messias" político.

  Apesar dos grupos das redes sociais e os efeitos das mesmas tentarem promover o fascismo como a política de resolução da corrupção, o número de defensores da democracia, e a ausência do populismo mais organizado, continua a ser o suficiente para "abafar" os excessos nas redes sociais e os discursos de figuras populistas mediáticas.

   No entanto o aumento da comunidade brasileira tem gerado um certo desconforto patente nas redes sociais. Ao contrário que é apontado pela comunidade como xenofobia, os motivos do desconforto estão no respeito á interferência de parte da comunidade nos aspectos da vida politica nacional.

    Depois da vitória de Bolsonaro nas presidenciais brasileiras, e o perfil do actual presidente ser mais explicado, as páginas dos órgãos de comunicação social portugueses foram tomadas por o debate, elevado a discussão, acabando por terminar em desconforto com comunidade brasileira em Portugal. O principal factor para desencadear uma "batalha campal" nas caixas de comentários com sugestivos "convites" de regresso ao Brasil, foi Portugal ter sido o único país na Europa em que Bolsonaro ganhou nas urnas. Motivo suficiente para ataques á comunidade, que respondeu sempre com o preconceito com os brasileiros. 

   Não creio que seja o preconceito que move os portugueses contra a comunidade brasileira, muito menos o ataque é dirigido a toda a comunidade. O que uns justificam com o preconceito, justifico com o espírito democrático e o receio da influência "Bolsonarista" por cá. Não é difícil se perceber que o "currículo" comportamental do actual presidente do Brasil deixe margem para dúvidas que os brasileiros votaram movidos pelo preconceito que está enraizado no Brasil. Estamos a falar de um candidato que tem um discurso agressivo, fascista, racista, xenófobo, misogeno e de incentivo ao ataque verbal e físico aos adversários. Se isso não fosse o suficiente, a forma como decorreu a campanha bastante suja nas redes sociais, demonstrou que os brasileiros estavam dispostos a acreditar, e fazer acreditar, em alguém que se move por um conservadorismo com cheiro a ditadura.

  Bolsonaro sobe ao poder pelo combate contra a corrupção, quando o mesmo, e a sua família, vivem mergulhados na mesma. Caso aqui, caso ali, a corrupção parece ter presença constante no seio da família Bolsonaro. E os Brasileiros sabem disso. Por esse motivo, cada voto é um contributo para as consequências futuras a nível político no Brasil. A incompreensão dos portugueses surge pelo facto de quem vive confortável por cá entender que o melhor é ajudar a plantar por lá um regime ao estilo ditadura militar, e que a comunidade, ou parte dela, entenda que o espaço político português não seja do seu agrado. As sucessivas críticas aos partidos que formam o actual modelo governativo fizeram que muitos utilizadores das redes sociais, independentemente da sua linha ideológica, se "atravessem" no caminho das críticas da comunidade brasileira e os chamem a atenção sobre o teor das opiniões.
 
  Os brasileiros não podem utilizar o chavão da segurança e da luta contra a corrupção para desculpabilizar a eleição de Bolsonaro, mas não podem desculpar o insucesso politico que Bolsonaro possa ser com o desconhecimento sobre o passado do mesmo. Bolsonaro movesse há décadas, de eleição em eleição, no meio político e nunca contribuiu para qualquer bandeira que hoje diz defender, nem para o discurso político sobre o presente e o futuro do país. As suas atitudes no passado, e o seu relacionamento com outros deputados e jornalistas, tal como o discurso dirigido para as comunidades, são conhecidos pelo incentivo ao ódio. Os brasileiros sabem que Bolsonaro é movido pelo ódio às diferenças,e ás comunidades que ganharam os seus direitos. Sabiam que o seu discurso contra os mais fracos existia, sabiam que a ausência de carácter e personalidade, tal como um grau de cultura muito baixo fazem parte do perfil do actual presidente. Foi nisso que os brasileiros votaram, porque se revêm na maioria dos preconceitos do actual presidente, se revêm no seu discurso de ódio pelas comunidades e pela diferença. Infelizmente nem todos têm a capacidade de vender os seus bens e vir fugir para Portugal, onde pensam passar uma temporada em democracia, longe da pobreza de espirito que ajudaram a eleger. Que digam os nordestinos, olhados como inimigos naturais do actual presidente.
 
  É por estes motivos que o portugueses, apoiantes ou não da esquerda e do modelo governativo, criam um sentimento de desconforto com a comunidade brasileira, e principalmente com o facto da mesma tentar impor a sua visão clara de defesa dos preconceitos ideológicos, sociais e políticos numa sociedade europeia democrática. A demonstração do interesse na participação de acções criadas pela extrema direita (coletes amarelos) ou os discursos de ódio a comunidade gay, colado ao religioso, não são tão bem aceites cá como lá. Aqui ainda reina a tolerância, apesar de movimentações no sentido contrário.
 
   Antes de atribuirmos uma expressão "tacanha" ao que move os portugueses no desconforto com a comunidade, devemos ficar optimistas com o facto das redes sociais não suportarem apenas o saudosismo melancólico por velhos regimes, mas mover muita massa crítica no combate aos preconceitos e ideais que pretendem rasgar a democracia e gerar novos preconceitos, agravando os actuais. 
 
   Todos são bem vindos, mas não os discursos de ódio e preconceito. Porque votar em Bolsonaro não foi uma questão de crença, de progresso ou democracia, foi um teste no senso político no qual os brasileiros falharam.  Proteger a democracia não é só defender os ideais pontualmente optando pelo discurso mais suave. Defender a democracia é combater cerradamente aquilo que Bolsonaro representa. E se temos de ser intolerantes a quem defende o discurso, então o caminho é esse.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Caminhos do Brasil

  




    









    Os acontecimentos no Brasil não auguram nada de bom.  O prazo de validade da democracia  esgotou, e entre a justiça cada vez mais tendenciosa e as forças militares afetas a um estado menos democrático, estamos perante a intervenção dos poderes que deveriam manter a neutralidade nas decisões democráticas. Como diria Carlos Fino, o Brasil está num estado de transe que não promove nada de bom para o futuro dos duzentos milhões de habitantes daquele país.

   O impetchmant de 2016 foi o ponto de partida para um estado de coisas que se está a degradar de forma acelerada. A forma como a corrupção se transformou em puritanismo conservador foi o maior ato de hipocrisia numa democracia em pleno século XXI. Não havia provas de qualquer ato de corrupção cometido por Dilma, apenas se cozinhou durante o seu mandato um assalto ao poder por por o maior grupo de corrupção não eleita. Nas ruas, enquanto as notícias destacavam uma "luta contra a corrupção", o grito era movido pelo preconceito. Como é possível uma classe média obsoleta, racista, xenófoba e classicista sair para a rua com a vontade de acabar com a corrupção, e aplaude a corrupção que acaba de subir ao poder? Porque é que se silenciaram os bombos da justiça após Temer subir ao poder? Porque Temer é a imagem de uma classe média, e alta, que vive dos favores da corrupção. 

   Muito do que acontece hoje tem origem nas boas políticas de Lula. A ascensão de muitos dos que viveram acorrentados à pobreza promoveu uma classe média com maior preconceito que misturou com a existente que já vivia sob os piores valores que uma sociedade poderia ter. As bandeiras do apelo a uma intervenção militar em plena democracia, sabendo que um golpe militar é um retrocesso de anos de progressão social e económica, é o desejo de que os piores valores de uma ditadura se atravessem na democracia. 
  
    Os brasileiros apelam a Deus que intervenha com o objectivo de derrubar o direito da igualdade entre cidadãos do mesmo país. Um país que aclama a Deus o direito a negar o acesso a condições laborais, sociais, de educação e saúde a todos aqueles que a vida não promoveu o direito ao berço de ouro, prata ou platina. Um Brasil que se refugia em Deus para salvaguardar o direito de alguns praticarem a corrupção, da justiça tomar o direito a moldar a democracia mediante os interesses ideológicos. Um Brasil tão religioso quanto o tamanho do preconceito que possui.

   Entraram pela porta grande os mandatários do poder popular, homens que se julgam enviados de Deus para acabar com a promiscuidade dos mais pobres com direitos, com a promiscuidade dos moradores da favela com os direitos humanos, com a promiscuidade dos mais carenciados com direito a uma bolsa que sobrevive em condições mínimas de vida. Eles são pastores, anciãos e portadores da palavra de Deus que vêm combater direitos humanos, direitos de uma vida digna e direitos em serem seres humanos. O direito à homofobia, ao racismo, ao preconceito de classes, e principalmente o direito à casta de corruptos que se vai alongando no tempo e na história do Brasil.

  Dilma e Lula foram as primeiras vítimas, seguiram outras tantas vitimas como os recentes assassinatos de Marielle e Anderson, . É o direito de assassinar os direitos que promove a subida do homens de Deus, dos corruptos e da ambição de classes sustentadas com os prazeres da moralidade imoral. A seguir a tantas vítimas de golpes e assassinatos, que tiveram a ousadia de enfrentar os vícios instituídos, as próximas serão certamente o povo brasileiro que vai ser esmagado com o pior de um sistema. Basta observar Temer e companhia, Bolsonaro, entre outros, para ter a ideia que o Brasil vai ter de enfrentar o maior crime que um país pode sofrer. A tentativa de derrubar uma democracia, a tentativa de calar o direito da maioria decidir o seu futuro como país.

Estamos a assistir, em directo, à tomada da democracia por uma religiosidade imoral, pelos interesses do preconceito e pela casta mais corrupta que o Brasil já assistiu. E todos eles vêm em nome de uma religiosidade  pouco crente nas palavras igualdade, respeito, democracia e direitos humanos. E todos eles vão subindo com a ajuda do maior e melhor elevador social e político, daquele que todos julgam que não pode estar em causa, a Justiça.
Brasil em transe? Não, Democracia em perigo!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Que Brasil este?

   

    O Brasil vive um momento excepcional na sua história, mas não é a primeira vez que o sente. Não está em causa o combate à praga que sempre corroeu o Brasil, corrupção. O que está em causa é utilizar o combate à corrupção para combater a democracia, e um governo legitimo saído de eleições democráticas. Será que 1964 se derreteu na história?
  O Brasil sempre assistiu impávido à corrupção de uma forma, quase, natural. Não foi o PT que inventou a corrupção, nem Lula ou Dilma. Talvez por as bandeiras politicas do PT serem diferentes, deveriam feito do combate à corrupção uma prioridade. Infelizmente não o fez!
   O problema é que muitos daqueles homens e mulheres, que acreditavam no PT, no Brasil e em Lula, que militaram no PT durante os seus duros anos, se tornaram fruto daquilo que é o  problema da corrupção. 
  Apesar de muitos crescerem com o PT no poder, a verdade é que isso sempre aconteceu . O PSDB não o fez? E os Coronéis? que supostamente assumiram o poder motivados por o combate à corrupção, também não foram corruptos? 
   Por detrás desta motivação de combate à corrupção, está a motivação da classe média brasileira contra o PT.  Uma classe média incendiada por a crise económica que o país vive, e uma comunicação social oportunista, encabeçada pela Globo. Uma classe média dura, preconceituosa, racista, que não tolera a pobreza, que se comporta como dona do Brasil. Vale a pena lembrar que o crescimento desta classe, e o próprio crescimento do consumo desta classe, se desenvolveu durante o governo de Lula, e das politicas sociais e de emprego criadas pelos seus governos. Mas esta classe que reage ferozmente contra o governo do PT, não regressar ao estado económico anterior, ou à pobreza onde se encontrava. 
     No centro de toda esta polémica, para além da comunicação social, está a justiça. Procuradoria e Juízes comportam-se como activistas políticos, criando polémica suficiente para que a corrupção deixe de ser o factor que moveu o processo contra o ex presidente e passe a centrar o ataque no governo, no PT, e por seguimento, na própria democracia. A justiça comporta-se como oposição politica, quando deveria ser célere e imparcial, deixando de intervir na politica da forma grosseira como tem feito. 
  Mas nada disto seria possível se a comunicação social, que tanto ajudou o golpe de 64,  não se tornasse o pirómano no meio do mato, pronto a incendiar tudo. Por cá, a SIC, parceira da Globo, também tem seguido a linha estratégica, talvez com desejo de que estes acontecimentos sejam postos em prática por cá, limitando o governo em funções. Quem sabe?!
  Num passado de má memória para os brasileiros,  a Globo representou um papel idêntico.  Em  1964, a Globo tornou-se o braço direito do ataque ao governo eleito democraticamente, sendo uma das armas utilizada na ditadura dos Coronéis. A imprensa brasileira não esconde de que lado está, nem pretende passar para fora a verdade, sem que seja a sua verdade.
   A chegada do PT ao poder, tornou o Brasil próspero. Voltou a colocar, termos económicos, o Brasil no mapa. Retirou 32 milhões de pessoas da pobreza extrema. Colocou a economia Brasileira reconhecida a nível mundial, formando os BRIC, juntamente com outros países em crescimento, e entrando para o  G20, sendo elogiado por o próprio Obama, no que tocou às medidas sociais e económicas. Tornou o Brasil uma economia atractiva,  e investiu em medidas sociais destinadas aos mais pobres. Fez crescer a classe média já existente, e nascer uma nova classe média. Tornou o Brasil um exemplo, mas deixou de fora o combate à corrupção, esse foi o erro crasso.
   Enquanto o trabalho de Lula no governo dava os seus frutos, os militantes do PT, que ocuparam cargos de importância politica, foram tirando benefícios pessoais desse através dos cargos, favorecendo-se através de um meio que o PT deveria ter dado prioridade, o combate à corrupção. O Governo de Lula acabou, não só por manter, mas por deixar que muitos dos seus acabassem entrando no jogo da corrupção. 
   Depois veio o Mundial e a construção dos estádios, com custos altos, que elevaram o tom da população. A situação degradante dos hospitais e escolas, com falta de tudo, a degradação da economia, e a recessão da economia brasileira, apadrinharam as primeiras manifestações dos brasileiros, aproveitadas por quem tem o interesse de derrubar o governo. Mesmo valorizando o trabalho de Lula, os brasileiros acabam por não poupar Dilma aos insultos motivados pela megalómana ideia de construir estádios para o Mundial, principalmente os custos que tiveram. 
   A Operação Lava-jato trouxe ao de cimo o que já acontecia em Brasília há muito, no entanto, uma classe média efurecida com as medidas sociais, ala direita sem acesso ao poder, e algumas figuras predominantes no Brasil, aproveitaram para lançar mão ao derrube do PT, como governo e como partido, no poder. O verdadeiro motivo por detrás de todo este festival vergonhoso, protagonizado nas ruas de diversas cidades brasileiras, que tem tido ataques a cidadãos, é o regresso dos velhos "do costume" aos lugares de corrupção que sempre estimaram.
    A justiça, que acaba por sair ferida com a sua demonstração de apoio, vincada por diversos juízes e procurados, no apoio a movimentos anti-PT, e ao abuso de poder que o Juiz Sérgio Moro teve, ao divulgar escutas, que, para além não susterem prova alguma, foram feitas ao alto magistrado da nação. Nem o interesse publico, alegado pelo juiz, permite que alguém tome este tipo de atitudes.
   Se o tiro no pé de Dilma foi convidar Lula para Ministro, dando hipótese ao ex Presidente escapar do processo, e  Lula dá um tiro no pé em ter aceite, a Justiça, ao demonstrar a sua parcialidade, pode ter dado um tiro no pé do processo, e outro na democracia, atingindo tudo aquilo que o Brasil conseguiu nos últimos 13 anos, todo o desenvolvimento social e económico. 
   Se Dilma e Lula são culpados? Não sei! Se sim, então que seja feita justiça de forma célere, imparcial e sem tumultos desnecessários. Caso contrário, está aberta uma potencial "guerra" interna no Brasil, que pode acabar com o que conhecemos hoje do Brasil. 
    Isto não se trata de uma luta contra a corrupção, nem contra os corruptos. Isto é apenas uma luta contra o PT, contra todas as medidas sociais tomadas por Lula, e contra o próprio Brasil, que sem uma alternativa credível, parece cair no vácuo de governação. E isso é motivo suficiente para um Golpe de Estado mais moderno e suave.