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sábado, 3 de março de 2018

Mas afinal para que é que serve um cargo político?











Uma das últimas dos municípios, representados pelos seus Presidentes da Câmara, tenham a cor que tiverem, é de clamarem fundos para executarem o trabalho que já deviam ter efectuado à décadas, a saber, o de limpeza dos terrenos e baldios que os particulares não fazem e acharem que, se não o fizerem, não podem ser responsabilizados politicamente!?!?!

A pergunta que fica, é: Mas então para que é que serve um cargo político?

É que muitos destes autarcas foram lestos e rápidos no julgamento do governo e da então Ministra da Administração Interna nas falhas que seus serviços subordinados, que atuam com muito mais autonomia do que uma mera limpeza de terrenos particulares e baldios, na assunção das responsabilidades desta e deste (inclusive do primeiro-ministro).

Então têm há mais de 10 anos esta responsabilidade e agora têm mais de 50 milhões disponíveis e instrumentos de poderem através da máquina fiscal vir a ser ressarcidos desses gastos que são, como o governo diz e bem, só acrescentados na sua dívida se não forem usados, mas, e mesmo assim, umas dezenas de Presidentes da Câmara andam por aí compungidos a clamarem fundos mas a sua não responsabilidade por não efectuarem a limpeza que lhes compete!?!?!

Mas estamos a brincar?!?!?

Para que é que estes foram eleitos?

Para não serem responsabilizados por não fazerem o que está na sua competência política e administrativa?

Parem de "ser choramingas" e de clamarem todas as vantagens e apoios financeiros e nenhuma responsabilidade!?!?!

Se tivemos o desastre que tivemos foi também e muito devido aos autarcas que durante anos deveriam ter cumprido com a lei e assobiaram para o lado de forma constante, clamando falta de meios financeiros e de instrumentos administrativos, agora que os têm, é porquê? Falta de tempo, já ouvimos isso em algum lado?

O estado central desde Outubro que está a limpar milhares de quilómetros de caminhos públicos e matas da sua responsabilidade e que pode limpar, pois para quem não sabe e devido a restrições ambientais, algumas matas e/ou áreas protegidas não podem ser tocadas e/ou limpas.

Se o estado central falhar lá estarão estas prima-donas a chamar à pedra o estado central, mas que moralidade terão? Ou tiveram?

Mas afinal para que é que serve um cargo político?

domingo, 5 de novembro de 2017

Tamanha hipocrisia

 


   O pedido de Hugo Soares, em pleno debate sobre os incêndios, é no mínimo insólito -"Senhor primeiro-ministro tem de pedir desculpas"- Tem? De facto tem! Mas o que exigir à oposição ? O que exigir a uma oposição que expressa "ter vergonha do que aconteceu"?  Não terá, também, o PSD e o CDS, pelos anos de governação de ambos, vergonha e por isso também pedir desculpas? Como é possível tratar com respeito forças políticas que não o tiveram com as vítimas?  Só podemos repudiar,  tratar com o mesmo respeito que a oposição teve com as vitimas quando as utiliza para o debate político. Sem qualquer vergonha, nem por utilizar a vitimas e a calamidade, nem por exigir aos outros responsabilidades quando também as tem.
    Não são sentimentos de pesar aqueles que PSD e CDS dizem ter, é mero aproveitamento político, ofensivo e repugnante. Aproveitamento de quem deseja o regresso ao poder, de quem vive incoformado com uma vitória tragada a derrota. Alguém que utiliza o sofrimento, que o deseja tanto quanto o caos no país. Pessoas a que os fins justificam os meios, e se o objectivo é para seu bem, e  de uma comunidade conservadora de interesses egoístas, que se faça muito barulho e manifestações silenciosas, que se faça moções de censura, que o governo caia de uma vez por todas.
    Ao jornalismo, que não é jornalismo, é uma indecorosa miséria.  Dos fogos retira polémica, das vítimas aproveita o ataque político. Faz de uma situação dramática o verdadeiro espírito do espetáculo mediático e da tendência política. Chamam comentadores da linha política de oposição decadente, aproveita a indignação, e quanto mais criticados mais tempo ocupam no pequeno ecrã. Que se "lixe" o respeito, sejamos hipócritas, o jornalismo não cede a sentimentos de luto. O jornalismo faz contas, usa e abusa do poder, entende estar acima do comum dos mortais. Os jornalistas são seres de tamanha moral, éticos e profissionais, dignos de um saber exclusivo e não admitem ser escrutinados, seja por quem for. Mesmo caindo no ridículo, isolados do resto do mundo, vão criando a sua própria realidade.
   As redes sociais, locais que reflectem a ausência  da inteligência, educação e civismo. Verdadeiros "animais"  acumulam nas caixas de comentários a ideia que existe gente que sente. Sentimentos de fúria para inércia de algo, de alguém ou de alguma coisa. Comportamentos que dão ideia de  especialistas do desconhecido. Gente de preceitos, moralidade e ética própria, muito pessoal. Dizem que sentem a dor e a angustia das vítimas, mas de dez a quinze linhas, apenas dedicam duas ou três às vítimas, o resto são apenas palavras perdidas no ódio e na falta de escrúpulos de quem se esconde na imunidade das redes sociais para destilar o ódio e a ressábia.
   Não existe sentimentos, nem pesares, de quem quer discutir política. Não são os estragos e o Portugal cinzento que move este sentimento tão urbano, tão desconhecedor do que é a floresta, do que é o pinhal, do que foram todos aqueles hectares que foram reduzidos a cinzas, é o mau estar, o ódio e a intolerância de quem entende que a democracia só é democracia quando a direita está no poder. Todo este alarido é oriundo do desconhecimento do que é Portugal rural, do que é são as florestas. É
 sempre tão fácil se sentir todos estes pesares como ter opinião sobre uma situação que é tão desconhecida. Não venham com a desculpa do momento - "eu conheço porque lá vivi/ passava férias/casa da minha avó era nas redondezas"- bastava que se dedicassem ao silêncio sobre tudo aquilo que nunca souberam, como urbanos, defender como jornalistas, eleitores ou responsáveis políticos.