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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

“Super qualquer coisa”



 Após a exibição do primeiro episódio do programa “Super Nanny”, as constatações retiradas dos teasers vieram a confirmar o pior. Além disso a SIC promoveu um debate, no dia 22 deste mês, que alegadamente deveria ser moderado por Conceição Lino, que de imediato tomou o partido de defesa do programa, escabrosamente colocando questões às duas interlocutoras, respetivamente à Presidente da Direção do Instituto de Apoio à Criança e à Presidente da Comissão Nacional de Promoção de Direitos e Proteção de Crianças e Jovens, insinuando a certa altura o próprio impacto nas crianças das declarações e futuras ações que a CPCJ realizará.
É caso para dizer “E se fosse consigo”. Não obstante, a Diretora de Programação da SIC, contudo em parcimónia com as restantes declarações chegou mesmo a dizer que o fim do programa serviria puramente para fins “sociais, pedagógicos”.

    Se existe quem acredite que a SIC está preocupada com a educação das nossas crianças, que se desengane dessas falácias politicamente corretas, pois na realidade o share e as audiências movem mais os corações exploradores palpitantes.
  
  O que se passa naquele programa trata-se de exposição meramente gratuita (entenda-se para as crianças), descorando por completo o impacto desta exposição da rotina diária das mesmas, incluindo contexto domiciliário em que vivem, mostrando em horário nobre, entre outras atividades de vida diárias, o autocuidado do banho, vestir e despir-se, etc… a toda uma equipa do programa, incluindo a própria da dita “Super Nanny”. Ou seja, não mais que uma devassa da vida privada, sem salvaguarda alguma, valendo-se alegadamente da exposição comportamental da criança, para “ensinar os pais” a educá-las. E assistimos as crianças a terem reações extremadas.
   
   A primeira questão que me assola provém entre as mais variadas do impacto direto na vida das crianças. Primeiramente agora enquanto estão na escola, que tipo de embate sofrem elas com a reação dos seus colegas após verem o programa? A temática do bullying deve ter sido esquecida do pano consequencial que paira nas cabeças quer da SIC, quer daqueles pais, porque a tónica de critica não se pode só restringir a quem emite o programa, vai também para os próprios progenitores. E outra questão impor-se-á no futuro enquanto jovens e adultos, que tipo de reação terão estes quando virem o programa.
    
   O pensamento colocado em caixas, vividas em “carpe diem”, dá nesta irresponsabilidade que mais uma vez mostra o lado de exposição da saúde mental da criança, violando o direito à salvaguarda da integridade pessoal da mesma, enquanto estes não são detentores de todas as suas capacidades. Porque quando dizem “os pais se responsabilizam”, deveria entender-se que os mesmos não são detentores de bonecos ou fantoches, e que o que gera os comportamentos como aquelas que os filhos detêm parte em grande parte por comportamentos de “imitação” fruto da família, ordem social, etc….
Com o mote da importação de programas de outros países, que geram não mais que um total desrespeito pelos direitos e proteção de crianças, vimo-nos em constante confronto com uma ideia de que para gerar um programa de “como educar os nossos filhos”, tenhamos de ter cobaias sociais, para que uma psicóloga clínica demonstre como fazer.

    Quando afirmaram que o programa abriu um “debate que nunca foi feito”, apraz-me dizer que abriu ainda mais o buraco que escava a febre da televisão sensacionalista que assistimos, de que tudo fazem para serem lideres de audiências.    

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Profissionais de Saúde: TSDT, Enfermeiros…











  Desvalorizar a saúde e deixá-la num fosso deve ser totalmente a mensagem que querem deixar passar. A começar pelos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, estendendo-se aos enfermeiros e demais profissionais de saúde.
 Pergunto-me como querem deixar a saúde do nosso país? Como querem assegurar a prestação de cuidados aos nossos utentes do Serviço Nacional de Saúde? Não havendo enfermeiros, técnicos de radiologia e radioterapia, terapeutas da fala, fisioterapeutas, cardiologistas, analistas clínicos, de que é feita a saúde?
  Carreiras congeladas há quase duas décadas unem estes profissionais, onde a sua dignificação e valorização é deixada completamente à margem da sociedade. Desde as tão prometidas 35h, que ainda são 40h para alguns, às questões das horas de qualidade, à não progressão nas carreiras, e aos salários muito abaixo daquilo que é a média para os técnicos superiores.
  Desde a greve dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica agora, prorrogando à greve dos enfermeiros no mês passado, as vozes daqueles que vão mantendo a todo o custo a saúde desta espécie de serviço nacional de saúde, que se vai mantendo funereamente à espera de recursos, contratações, dignificação das competências e reconhecimentos das carreiras dos profissionais que lá trabalham, pela tanta responsabilidade que vão acarretando nos seus ombros.
 Desacreditados é a mensagem que veiculam, depreciados com quem se compromete mas que continua a falhar com estes cidadãos. No caso dos TSDT a 31 de Agosto foi divulgada o novo regime legal da carreira, sem diplomas próprios para as regras de transição e níveis remuneratórios.
 Parece-me que já chega do preconceito que foi imposto aos demais profissionais da saúde. As nossas qualificações em saúde estão associadas a um sentido magno de imputações no trabalho que é desenvolvido diariamente com os utentes.
  O que acontece com os TSDT que pertencem e se situam neste momento na “terra de ninguém”, pois não tem “carreira”, não estando incutidos na antiga nem na nova, faz um apanágio direto com a situação da enfermagem, sendo que se vão esquecendo progressivamente deles aquando da formulação de novas exigências em saúde.
  Por mais condições, mais dignidade e por respeito pelos profissionais de saúde deste país, a luta destes é em parcimónia com todos. Valorização, dignificação e acima de tudo justiça.
  As perguntas mantêm-se, bem como a falta de respostas. Manifestos, greves e mantém-se a “falta de vergonha” daqueles que ainda dizem que “não se pode resolver tudo no mesmo momento”.





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O que estamos a fazer á democracia?

   













  Recentemente um amigo meu expressava, descontente, que "no futebol e na política não existe gente honesta". Ao escutar aquilo imaginei como lhe dar um "puxão de orelhas", afinal suou como uma ofensa porque me considero político. No meio de tanta imaginação acabei por fazer uma reflexão aquelas palavras. Ele não está isolado, não é o único a pensar que a política ausente de gente honesta. Cada vez parece mais enraizado esse pensamento, consequência da cação de muitos daqueles que assumiram responsabilidades no país. Afinal o que nós políticos estamos a fazer?
  
   A política serve e serve-se para preencher interesses mais pessoais do que coletivos. As questões que consideramos sérias para a comunidade extinguem-se no imediato e as funções são aproveitadas para usufruto político/partidário quando deveriam ter o objetivo de defender o interesse publico e os interesses da comunidade. É esta a imagem que vai destruindo aos poucos a credibilidade da política e dos seus agentes e coloca em perigo a própria democracia.
   
   Os vícios não se iniciam apenas na cúpula partidária,é nas sedes e Concelhias onde centenas de militantes vivem ao sabor das oscilações directivas. Se ontem se cumprimentava de maneira cordial e simpática, hoje o cumprimento é de desprezo. É a consequência da falta de carácter. Enchem-se listas de "filhos da terra", gente que atravessou associações e instituições sem qualquer resultado positivo. Gente que fez tão pouco que algo parece exagero. Votos comprados à militância honrosa que se comporta como "claque" dos futuros vogais, presidentes ou vereadores. Pequenos grupos de interesse defendendo o seu próprio interesse.
  

   Criam-se máquinas bem oleadas. Escolhem-se amigos de longa data partidária, camaradas que ascenderam das "Jotas" sem qualquer capacidade critica, construtiva e mérito e os da confiança. Entre todas estas peças da "máquina" sente-se o cheiro a oportunismo e falta de qualidade.
    

   Não é corrupção, são vícios, megalomania, ausência de qualidade e capacidade militante. Não é ideologia, é interessante. Não é a comunidade, é pessoal. Não é mérito, é compadrio. Não é trabalho, é oportunismo. A causa pública pouco interessa. Serve-se aqui e ali, mas nada que nos enfraqueça, pois a militância está sempre disponível ao som dos aplausos.
 

  O Estado é "capturado" por os principais interesses políticos, dentro e fora do partido. A esfera toma conta da coisa, e a imprensa dá uma ajuda. Gente de boa índole política fica manchada pelos interesses dos que vivem pendurados desde o mais pequeno órgão partidário até ao maior. Ausência de Ética e jogo do "espertalhão". Afinal o que fizemos à política? Que estamos nós a fazer à democracia?
 

   Homens de bem são convidados a abandonar os partidos, isolados para não transmitir a ideia da falta de capacidade e de ausência de pensamento critico. Como pode uma democracia aceitar que quem a diz defender viva confortavelmente com ditaduras internas disfarçadas estatutos e com mesas políticas que expressam os conceitos da PIDE?
 

   Ausência de pensamento, de alternativas, de dúvidas, de racionalidade e ética. Vivemos sempre a cercar o líder e a saquear tudo aquilo que deveria ser a verdadeira democracia. Não queremos uma sociedade esclarecida, otimista, crente no futuro. Apenas queremos alguém que vote sem questionar.
  

   Não é possível que o silêncio clubístico não veja o risco que a democracia corre com o pactuar com comportamentos que deveriam ser condenáveis por a sua falta de ética. Os argumentos desta tragédia grega são frágeis, mas aceitáveis perante os homens que escolhem no meio da dualidade de critérios quais aqueles que mais lhes compensa.
  

  Que gente é esta que se desdobra em cargos na esfera eleitoral? Que gente é esta que descredibilizar as instituições e a democracia? Onde estão aqueles que pensam seriamente no futuro do país, na organização da sociedade, no futuro como coletivo? Nos trabalhadores do sector publico e privado? Numa futura forma de comunidade? Onde está a gente séria, capaz e de mérito?
 

  A política, mais que nunca, precisa de um sangue novo que queira defender a causa pública e não causas partidárias. Sangue que não confunda exercício de responsabilidade com interesses e compadrio,  alternativas serias e credíveis dentro e fora dos partidos. Gente que não seja velho nas práticas, que não abane os cartões de associações extintas, que não confunda o fracasso como aulas para o sucesso. Gente que não se ocupe de tudo para preparar o futuro, mas que seja honesto com os seus pares.
   

  Precisamos urgente de honestidade, ética e responsabilidade. Militância exigente, qualidade e capacidade para a causa pública. Eu, como tantos outros políticos honestos, com ética e responsabilidade, queremos fazer parte da solução do futuro e não dá tábua que assegura os vícios do passado.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Extrema direita em ascensão

    
   Desde a noticia de que Trump ganhou as eleições americanas, que por mais que muitos tenham alvitrado e desvalorizado a ameaça permanente, as notícias na Europa não se expectavam, e continuam a não se expectar, muito boas.
    A extrema-direita tem ganho espaço político, com o discurso do medo a florescer dentro da Europa e fora dela.
    Em França, o cenário da vitória de Marine Le Pen nas próximas eleições do país, tem sido largamente uma preocupação que França tem a braços. Também a Hungria, governada por protofascistas, e a Dinamarca, Holanda e Polónia tem tido uma crescente dos partidos xenófobos.
    Mas, este fim-de-semana o povo austríaco estendeu a mão e derrotou aquilo que se estimava nas sondagens, a vitória do candidato de extrema-direita.
    Renegaram-se e elegeram o candidato do partido ecologista os verdes. Continua a ser um pró-europeísta, mas que contudo derrota o nacionalismo e populismo ameaçador do candidato de extrema-direita.
    Continua a não ser um discurso “apelativo” aquele que hoje se contrapõem ao da extrema-direita. Mesmo com o apelo a uma Europa de cidadãos, tal como a estratégia do partido ecologista os verdes, com enaltecimento de alguns valores fundadores da União, há uma fachada na comitiva de (Des)União Europeia.
    Nos últimos anos os partidos socialistas têm perdido margem, sendo que hoje em dia as alternativas socialistas reais são cada vez menores. E mesmo aquelas que hoje em dia tivemos oportunidade de ter, algumas foram perenemente desilusões.
    Com tudo isto, continua à margem a decorrer uma crise humanitária sem fim. O discurso também este da extrema-direita tem ganho espaço nesta área, rejeitando a ajuda a estas pessoas, que continuam a viver sem condições básicas, sem satisfazer as suas necessidades. É importante continuar também a relembrar e não fazer com que outros passem por esquecidos, pois este devia ser uma das principais missões de ação.    
   Enquanto tivermos problemas estruturais ao ponto de ignorar-mos outros seres humanos que vivem condicionados de dignidade humana, então qualquer demagogo que aborde este tema, e que instale o medo e o sentimento nacionalista, então a extrema-direita continuará a proliferar o ódio.
   A verdade é que as vozes disfarçadas de anti-sistema, são purismo do sistema, e o combate a este dever de ser de não normalizá-lo, sendo-o muito claro. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

As 35 horas de alguns…..

   
   A minha desconfiança tornou-se realidade. As 35 horas de alguns, não se reverteram para todos.
Mais uma vez, a sociedade sofre com problemas de desigualdade social. Que grande novidade….
   Os enfermeiros ficaram de fora desta medida, inclusiva, que exclui estes profissionais de saúde. Já dizem que são um estudo em caso, mas é como em tudo na vida, quando vai para estudo sabemos que tão depressa não volta e não se resolve os problemas.
    Alguns já falam em “ato de justiça”. Há muito que os enfermeiros já precisavam desta justiça, retirada quando a maior parte foi obrigada a emigrar. Falamos de 20.000 enfermeiros que se encontram fora do país, onde a “justiça” há muito se tornou em pesar, por um país que não comporta quem forma e que per capita necessita tanto destes profissionais de saúde.
   A 1 de Junho entrou a lei que pôs em vigor a reposição das 35 horas semanais para a função pública, para (quase) todos os funcionários. De um afinamento de um detalhe, já passaram a outras soluções para dar aos enfermeiros. Não conseguindo, com a verba da saúde implementar as 35 horas semanais, pois exigiria colocar mais enfermeiros, já pensam em pagar horas extraordinárias ou em férias.
   Acho que não passa por soluções que cortem a rama, mas sim que acabem de raiz com o problema. Chega, sinceramente, de continuar a proletarizar esta profissão, e creio que se trata de um ponto de vista de racionalidade e de qualidade e segurança na prestação de cuidados, que se ornamenta uma igualdade de horários com os restantes trabalhadores, do setor público.
   Abriram concurso para entrar mais 1.000 enfermeiros, quando as necessidades do SNS nem com 2.000 enfermeiros estavam superadas, quanto mais com metade. Se querem presenciar o que é “burnout” basta passarem por muitas enfermarias, por estes tantos e tantos hospitais, e veem na realidade o que se passa.
    As 35 horas são uma miragem, o emprego é outra. Fecham-se camas de internamento por falta de enfermeiros, solucionam-se problemas com redução do número de vagas nos cursos de licenciatura em enfermagem.
   A lógica a seguir no futuro é a oposta. A solução na saúde passa por recursos humanos, por profissionais competentes e também por existirem condições que lhes sejam asseguradas nos seus locais de trabalho.
    Deixe-mos os moralismos teóricos, as discussões, as reuniões, e passemos rapidamente à prática. É necessário vislumbrar que estas 35 horas encaminham-se numa insegurança, e talvez numa utopia, que vai ser difícil de alcançar.
   Não nos podemos deixar ir por um caminho, onde o retorno dos enfermeiros é o de uma profissão fatigada, desmoralizada e desacreditada.
    Por favor, não deixem que esta profissão seja uma sentença de um bilhete de avião, a todos os profissionais que agora se formam.


  Pelas 35 horas de trabalho, pela equidade, pela igualdade, pela justiça……


terça-feira, 24 de maio de 2016

Os Estivadores e os outros trabalhadores….


  Fala-mos dos estivadores, mas na realidade poderíamos alargar o leque e falar de uma grande parte dos trabalhadores. Falta de direitos, salários baixos, pressões e ameaças da entidade patronal, falta de empregos dignos e permanentes. Tudo isto resumido numa única palavra, precariedade.
A greve dos estivadores perdura desde 20 de Abril, estando os estivadores a realizar os serviços mínimos, mas recusando-se trabalhar além turno, fins-de-semana e feriados. Processos disciplinares, despedimento coletivo, pressão psicológica, resume bem as intimações a que estiveram sujeitos ao longo dos anos os estivadores.                   
A luta mantém-se pelo término do trabalho temporário nos portos e pelo término da formação de empresas paralelas. Estas são uma forma de insolvência daquelas que laboram no presente, abrindo espaço a novos trabalhadores, a novos sindicatos, despedindo aqueles que estavam a lutar pelos seus postos de trabalho, com condições.
       A empresa Porlis empresa criada paralelamente à actual, trás consigo mais um sem número de trabalhadores precários. Esta empresa é, nem mais nem menos, que uma concorrência à empresa existente, e que em caso da existência de greve, como está a acontecer, estes sejam “substitutos”, despedindo quem pertence à empresa vigente.
Sem acordo relativo ao encerramento e ao contrato colectivo de trabalho, estes trabalhadores foram ameaçados de despedimento colectivo, parecendo assim que o direito à greve, consagrado no 57º artigo da Constituição, deixou de estar patente para muitos, porque deixou de interessar.
A Lei do trabalho portuário patente na lei nº3/2013, começa logo também por ser suis generis no artigo 7º, onde aborda o regime especial do trabalho portuário, que aborda no ponto nº1 e 2, que “(…) não podendo a duração total de contratos de trabalho a termo de muito curta duração celebrados com o mesmo empregador para a atividade de movimentação de cargas exceder 120 dias de trabalho do ano civil”. Depois para além disto, diz que “O contrato de trabalho para o movimento de cargas pode ser celebrado por prazo inferior a seis meses (….)”.
Aqui está bem patente que o conjunto de trabalhadores, que realmente possuem aptidões e qualificação profissional adequada à profissão, desenvolvem-na à luz e ao abrigo da entidade patronal, sendo uns subjugados às suas decisões. 
É importante perceber que ao ataque generalizado aos direitos dos trabalhadores se associa esta legislação, que tem de ser revogada.
Para além disto, neste último dia o Porto de Lisboa encontrava-se cercado pela PSP, com o corpo de intervenção. Realmente também só vê-mos a atuar estas e outras forças de segurança em casos como estes, em prol de alguns, pois no seu dia-a-dia e olhando para a sua função de base, estes não agem em prol da sociedade.
Até 16 de Junho perspetiva-se que se prolongará a greve, existindo nesse mesmo dia uma manifestação contra a precariedade, no Cais Sodré, Lisboa, organizada pelo Setc- Sindicato dos Estivadores. É imperatório a união nesta luta de todos os trabalhadores, que sofrem na pele com neoliberalismo e com a precariedade.
Ao sindicato dos estivadores, como qualquer outro é fundamental agir em prol duma classe trabalhadora, que assenta numa sociedade de exploração. A luta passa pelo combate perpétuo para atenuar a forte pressão da exploração e para aumento dos salários, aumentando a força e conquistando assim o domínio da sociedade, para derrubar o capitalismo e instaurar um novo sistema. 







sábado, 30 de abril de 2016

TTIP/Panamá: há necessidade de voltar a acordar os ciclones

  



   







   Há necessidade de se voltar a acordar os ciclones económicos que se têm feito sentir, sem deixar esquecer no pensamento, como muitos desejam, que as catástrofes mundiais se têm dado no silêncio dos deuses.
    As implicâncias na sociedade são mais que muitas, mas vejamos por de trás destes mecanismos e instrumentos que mascaram a sociedade, o que se têm colocado na discussão pública, mas que muito rapidamente desaparece devido aos interesses de diversos países e maquinas capitalistas.
  Panamá Papers uma realidade, há muito conhecida dos offshores. Os negócios ilícitos por de trás destas actividades, crimes e branqueamentos de capitais, estão na ordem do dia, pela saída da informação vazada, sendo a ameaça da equidade fiscal o ponto fulcral da passagem. Sim, muitas pessoas foram denunciadas no rol destas actividades. Uns negaram, outros demitiram-se, outros calaram-se. Contudo percebeu-se que por de trás destes papéis, através de mecanismos legais, se dá subserviência aos que são os “donos disto tudo”, e que têm passado entre os pingos da chuva.
A “falta de transparência”, empresas fachada, negócios inexistentes, dinheiro a circular na sombra dos impostos, tudo isto contribuiu para a divulgação do mundo de “podres”, em que mais uma vez, quem tem mais tem tudo, inclusive direito a fugir à tributação. E quando se fala em divulgação de informação pública versus preservação da privacidade individual e empresarial, percebe-se que o sistema não mudou, encabulou-se e mascarou-se. Não se pode aceitar “preservação da privacidade”, quando todos estamos a ser enganados por mecanismos legais na sociedade do séc. XXI.
   Contudo não fica só pelos Panamá Papers, pois se já convenientemente se vão fazendo esquecer do assunto, vejamos o que para trás ficou.
TTIP……
    Milhares de pessoas voltaram a protestar, no norte da Alemanha, contra o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que “impulsiona” o ciclone das relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos.
Já esquecido por muitos e por outros nunca abordado. O TTIP tinha como promessa o aumento do PIB da EU, dando um grande increasement. Pesando as consequências do mesmo, desde diminuição das exportações, diminuição dos lucros de trabalho, postos de trabalho, dumping social associado, “americanização” dos direitos laborais (desproteção social).
Parece que nada se aprendeu com o NAFTA, pois é preciso e necessário olhar para ele como modelo a não seguir.     
  Como já não podia deixar de ser a UE e os EUA possuem enfoques ideológicos diferentes, que levam a quadros regulamentares diferentes. Embora tenham em comum algo, que os faz andar para a frente com a “geringonça”, o poder das multinacionais e o capitalismo, de um ponto de vista muito lucrativo, pois diminui a burocracia e os encargos associados com esta “máquina” em progressão no mercado.


   Os capitais e o investimento, o dinheiro na sua essência, circulam facilmente e sem proteção dos interesses dos sujeitos, mas sim das economias mais fortes. Quando aos outros, aqueles que vivem do seu trabalho, massa global de pessoas, deixou de ter na realidade o saber de terem sido tomadas medidas para o benefício comum, mas sim medidas protecionistas de alguns. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Os fenómenos destas duas últimas semanas….

  












  A parvoidade foi aquilo que aconteceu nas duas últimas semanas. Quando eu acho que já não conseguem superar tanta ignorância, há pessoas que conseguem completamente surpreender o meu magnânimo pensamento.
    Primeiro, tudo começa com aquela bela pergunta feita a pessoas conhecidas da sociedade, “O que levariam na mochila se fossem refugiados?”. A ideia original poderia ser boa, pois iria dar visibilidade ao drama atual que vivem aqueles seres humanos, sem que a Europa até agora tenha dado margem de resolução do caso, bem pelo contrário. Constantemente assistimos a idealização de acordos cada vez mais ridículos e medidas que não se traduzem em nada de bom para as pessoas. E é assim que assistimos ao “ciclo vicioso do não se fazer nada”.
   Mas avaliemos a ideia posta em prática. Já por si só a pergunta não é brilhante, e vimos que a transposição das pessoas para o caso dos refugiados ainda foi mais catastrófica. Pelos vistos, as pessoas que tantos veneram, como figuras públicas “conhecidas” no meio da sociedade, acabaram por não ser brilhantes, muitas delas reveladoras do tipo de sociedade que temos.
    Joana Vasconcelos foi a primeira e a mais criticada pelas suas declarações. Não seria para mais, visto que na mochila esta levava tudo menos o bom senso.  Bom senso, este que no seu vídeo diz que levava: iphone, ipad, agulha e lãs, joias, entre outras atrocidades. Percebe-se bem que tipo de pessoa temos na nossa sociedade, que consagramos como figura pública, demais importante na área das artes. E não me venham justificar que disse isto, porque puxou à sua profissão aquilo que levava na mochila, ou que até não estava preparada para discursar.  Vimos aqui, não mais do que o apedeutismo de uma pessoa, que valoriza os bens materiais e tecnológicos, sem pelo menos fazer uma reflexão e ponderação, na questão de fundo solicitada, a transposição do seu ser para aquilo que os refugiados estão a passar.
   Mais abafado, vem as declarações do Presidente da República. Não sei porque não tiveram tantas repercussões, mas o brilhantismo das mesmas, também está abaixo de zero. Para Marcelo Rebelo de Sousa o discurso foi que levaria: telemóvel, livro e uma bíblia. Peço-vos que façam um período de reflexão…….
    Mais uma vez o telemóvel, bens materiais, e a bíblia. Não é querer deixar latente uma crítica à religião, é querer tentar perceber que afinal as pessoas têm uma ideia dos campos dos refugiados, completamente ao lado daquilo que se passa. Será que acham que as pessoas estão mais preocupadas com os bens materiais ou com livros, ou terá superamente no seu horizonte a sua sobrevivência, com recursos a bens básicos, como alimentação, dormida, saneamento, os filhos, os netos, os pais, os avós. 
    Já percebi que o mal é ver os refugiados num ecrã de televisão, ou numa reportagem, ou num filme,   pois a capacidade de compreensão e transposição é nula destes cidadãos. Custa-me a crer que nós tenhamos a sociedade assim, e que se dê voz a uma sociedade, que é perfeitamente ridicularizável com estas declarações.
    Mas não termina por aqui. Há poucos dias, o Bloco de Esquerda lança a proposta de mudar o nome do “Cartão do Cidadão”, para “Cartão de Cidadania”. E todo o mundo se levantou, escondidos através das redes sociais para dizer mal desta proposta. A dota ignorância chega a todos, dizendo muitos que aos demais problemas da sociedade, aquilo que se incute na panóplia de mudança, é a simplicidade de um cartão neutro, pondo em questão se isso realmente tem algum peso na luta pela igualdade de género. Bem, para estas pessoas digo uma coisa, o retrocesso da sociedade, está em hierarquizar as coisas.
    Explicando isto o que o Bloco quer fazer, não é deixar de agir sobre outras demandas ou outros problemas, pondo em campo principal esta do “Cartão de Cidadania”. Infelizmente, a imprensa hoje em dia é que só da relevância áquilo que tem mais impacto na nossa sociedade, aquilo que desmaterializa a hétero-normatividade da mesma. Se isto não fosse ainda hoje em dia um problema, as pessoas não tinham tido esta reacção.
   E depois as justificações são os mais variados possíveis: Uns dizem, com tanta coisa com que se preocupar, dão importância a isto. Outros dizem (de uma forma mais agravosa) que isto é uma forma de o PSD puder usar o caso para dar mais brilharete. E ainda há aqueles que dizem que não é com base num cartão que se vai abolir a descriminação, e que se trata de uma perda de tempo.
  Quanto aos primeiros, não há nada a dizer. Hierarquias à parte, tudo isto tem importância, tudo isto contribui para a sociedade, e alimentamo-la. Seja por pequenos ou grandes passos, o importante é começarmos a desvitalizar aqueles que na sociedade, não detém ideia nenhuma daquilo que falam, muito menos o que alegam, as prioridades.
    Depois aos segundos, permitam-me dizer duas coisas. Se estivéssemos preocupados constantemente com o que outros pensam, estávamos todos na mesma, a olhar sabe se lá para o quê, mas garantidamente numa sociedade muito marginalizada. Segundo, permitam-me dizer que o Bloco de Esquerda deve estar em tudo, menos preocupado com aquilo que o PSD diz ou deixa de dizer, pois não me parece que esse seja o enfoque de atenção.
     Depois aos últimos é fácil de responder. “Perdas de Tempo” são pessoas que pensam assim, que não vêm que é mais uma medida de entre de muitas que aos poucos e poucos vieram mudar-nos. E sim mudar-nos, a todos. Pois muitos não estamos despertos para as consequentes formas machistas com que olhamos o redor da sociedade.


    Com tanta coisa nestas duas últimas semana fiquei a saber: que com atitudes tão pequenas, existem pessoas tão reveladoras; depois de que de pequenas atitudes, muitas pessoas se revelam no pior dos sentidos e por último que “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa.”


terça-feira, 5 de abril de 2016

Dossier Banif Fase 2. Relatório de Contas e Sustentabilidade 2013: O que aconteceu?




Fig. 1 – Organograma do Banco em 2013


Fig. 2 – Estrutura de Accionistas em 2013

  Desde o início do Relatório de Sustentabilidade, logo na mensagem do presidente, percebemos como todo o relatório se vai desenrolar. Começamos com uma frase inicial que se promete promissora: “O ano de 2013 (….) foi um ano marcado por alterações estruturais, em que fomos capazes de superar, com sucesso, vários desafios extremamente complexos.”
   Falamos do ano em que o Banif inicia o seu plano de recapitalização, com o Estado a injectar 1.100 milhões de euros. Para além do Estado, também neste plano de recapitalização previa-se que investidores privados injectassem dinheiro no Banco. Esta recapitalização privada, só ficou concluída em Junho de 2014, sendo de 450 milhões de euros.
   Para além disso, também se iniciou um Plano de Reestruturação, em paralelo, chegando o Banco a ultrapassar o teste de mercado, após claro, a recapitalização e a reestruturação do mesmo.
   Bem, mas a mensagem do presidente, Luís Amado, finaliza-se com uma frase: “A forma como fomos capazes de superar os desafios que enfrentámos foi, uma vez mais, uma demonstração do valor económico e social que o Grupo desempenha na economia e no sistema financeiro português. Este facto permite-nos encarar com optimismo uma nova fase que agora se inicia”.
   Parece-me claramente distinta, toda esta “segurança” apresentada, em contradição com aquilo que depois vem a ocorrer. Também as suas declarações na Comissão de Inquérito são bem contraditórias com esta mensagem que tenta passar, no documento escrito na altura.   
  Mas na realidade pelos vistos nem tudo estava assim tão bem, e mesmo com a recapitalização, tapou-se um buraco, mas não toda a cratera que se tinha formado. E também com as consequentes más reestruturações e com o “andar da carruagem”, tudo voltou como estava.
   Mas é do relatório de contas que saem os mais extraordinários números, que expressam que a “fachada” daquela mensagem não passa de uma “cortina de fumo”, para quem num relatório com 500 páginas, só lê as primeiras páginas.
  Em 2013, o produto bancário do Banif aumenta 40,5%, 194.1 mil milhões de euros, justificados pelo aumenta da margem financeira, pela diminuição nas comissões líquidas, pela alienação de títulos de rendimento fixo e na evolução dos activos imobiliários (continuando em terrenos negativos). Activos imobiliários estes, que foram as grandes “máquinas” de enterro do Banco.       
  Os custos de estrutura em 2013 diminuíram, passando para 236,8 milhões de euros. Sendo que desta redução de custos, a estrutura mais afretada, senão a única, foi a redução do número de postos de trabalho, despedindo na altura, só no ano 2013, 179 colaboradores.
  O Banco neste ano é objecto de uma auditoria pelo Banco de Portugal (BdP), que implicou revisão da imparidade da carteira de créditos do Banif, em 61,1 milhões de euros. É aqui que o Banco de Portugal, com estas auditorias, não só à imparidade da carteira, mas também noutras auditorias realizadas, inclusive pela PwC, Oliver Wyman, que o BdP tem consciência daquilo que se vai passando no Banif. Alguma vez Carlos Costa tomou alguma posição que fosse na sequência de fiscalização e protecção do Estado, relativo ao estado do Banco?
  O resultado líquido do Banif é de -470,3 milhões de euros. O activo líquido do Banco é mais uma vez inferior ao ano de 2012 (baixou 2,7% - 13.603 milhões de euros). Com o agravar da situação a exposição do Grupo ao BCE contínua elevadíssima, aumentando 273,5 milhões de euros, totalizando 3.077 milhões de euros no final de Dezembro de 2013.
Os recursos totais do Banco continuam com a sua estrutura de maioria nos depósitos, logo de seguida dos Bancos Centrais, da sua Dívida Própria Emitida e por fim dos Capitais Próprios (aumentados com a recapitalização do Estado e accionistas privados).
   Claro que o Rácio do Banco, mesmo depois da recapitalização continua insuficiente, mantendo-se nos 11,16% (Rácio Core Tier I), tendo como justificação, a amortização dos 150 milhões em CoCo´s, antes injectados pelo estado, e pagos nesta tranche.
    Como não podia deixar de ser, a margem financeira do Banif, desce, são menos 7 milhões de euros, que no ano de 2012, ou seja, a recapitalização trouxe custos aos contribuintes, e mesmo assim o banco não recupera. Anos e anos a fio de má gestão, elevam a que a solução encontrada foi a mais dispendiosa, logo com a recapitalização de 1,1 milhões de euros, e para além disso não resolveu o problema do banco, como viemos a presenciar e “sofrer na pele”, dois anos depois.  




sábado, 2 de abril de 2016

Dossier Banif - Explicar 27 Anos de Banif





1987Caixa Económica do Funchal
§      -Instituição financeira com maior número de balcões na Madeira;
§      -Passivo de 7 milhões de contos;

15 Janeiro de 1988Banco Internacional do Funchal, S.A.
§    -Falida a Caixa Económica do Funchal;
§    -Horácio Roque, Joe Berardo e mais investidores, formam o Banif (que junta a Económica do Funchal);
§   - Horácio Roque é quem fica com maior participação no capital do Banco;

1994 Plano
-   -Abrir novos balcões no continente;
§   -Lisboa abre o seu primeiro balcão;

1996 Banif compra o Banco Comercial dos Açores + Companhia de Seguros Açoreana


2010 - Direcção da Holding Rentipar
§      -Holding Rentipar detentora da maioria do capital do Banco;
§     -Horácio Roque morre;
§     -Teresa Roque, filha, toma o lugar de direcção do pai;
§     -Joaquim Marques Mendonça passa a ser CEO (2010-2012) do Banif;
§      -28 de Junho de 2010: Caixa Geral de Depósito anuncia compra de 70% da Banif Correctora,57, 8 milhões de euros;
        - Banif forma uma operação cruzada com o BES 1;

2012 Recessão Económica agrava-se (TROIKA)
§         -Equipa de Gestão muda: Jorge Tomé, CEO (2012-2015);
     -Luís Amado, Chairman Banif
§      -Caixa Geral de Depósitos compra os restantes 30% da Banif Corretora – 80 milhões de euros – detém a 100% a Banif Corretora;

2013 Comissão de Mercado de Valores Imobiliários, do gabinete do Ministro Vítor Gaspar, o governo anuncia a injecção de 1.100 milhões de euros.
§          -Janeiro de 2013 - Destes 1.100 milhões de euros, 400 milhões de euros em CoCo´s (títulos da dívida que em caso de incumprimento por parte do Banif, se podem converter em capital, acções) e 700 milhões de euros em Acções Especiais;
§   -Bruxelas dá luz verde provisória à ajuda estatal, acima referida;
§   -Abril 2013 e Outubro de 2014 – Equipa de Jorge Tomé manda 8 planos de reestruturação para a Direcção Geral da Concorrência Europeia (DGCom) e nenhum foi aceite;

2014 – “Empurrando com a barriga”
§      -Plano de Recapitalização do Estado (1.100 milhões de euros) – previa um aumento de capital por investidores privados de 450 milhões de euros - Concluído até Junho de 2014;
§  -Planos de Reestruturação chumbados (Equipa de Jorge Tomé) – até Outubro de 2014;
§  -António Varela, Administrador do Banco de Portugal, Administrador não executivo do Banif, representando o Estado, entre Jan. 2013 e Set. 2014, não realizou nenhum procedimento ou alerta do Estado do Banco;
§   -Comissão Europeia continua a realizar vários alertas, dirigidos para o Banco de Portugal e o Governo (PSD/CDS), mantendo-se a “conspiração de silêncios”
§  -31 Maio – PwC auditora começa a fiscalização do Banif;
    -Outubro – alerta o BdP para Riscos do Banif – Maria Luís Albuquerque mantém a “inércia”;


2015 Venda do Banco
§         -24 de Julho de 2015 – Comissão Europeia lança investigação profunda para averiguar a ajuda estatal;
§   -Banco em 2012 – 2015 – Fez uma reestruturação, fechando 60% das agências, tendo perdido 400 milhões de euros em depósitos;
§    -Jorge Tomé afirma numa entrevista que o banco detinha “uma exploração altamente deficitária”, “problemas de liquidez”, “rácio capital muito abaixo dos mínimos”;
§    -Maria Luís Albuquerque numa entrevista diz que “nenhum dos interessados (no Banif) apresentava uma proposta de venda”;
§   -Com a resolução destes perderam-se 120 milhões de euros, que penalizou em larga escala o rácio do capital do Banco;
     -Bruxelas lança um prazo de Resolução – até 20 de Dezembro;
§    -13 de Dezembro - TVI lança noticia sobre resolução do banco – houve corrida aos depósitos em mil milhões de euros em 5 dias;
§    -20 Dezembro 2015 – Banif é vendido ao Santader Totta por 150 milhões de euros;





terça-feira, 29 de março de 2016

Luaty Beirão, pela defesa da liberdade de expressão!













Foram condenados por causa de “preparação de rebelião e associação de malfeitores”, tudo isto porque basicamente liam um livro. O problema não estava em ler, estava em reunirem-se, quebrando o regime ditatorial e a hegemonia política que se fazem sentir em Angola.
Quebram-se os Direitos Humanos, de liberdade de expressão, liberdade de reunião, e de toda e qualquer liberdade, que tenha por base uma ideia política diferente daquela que está no poder.
“Rebelião” é o mote pela qual no julgamento foram condenados os activistas, não porque não acataram ordens ou autoridade do poder político de Eduardo dos Santos, mas sim porque têm reuniões que discutem a forma diferente de fazer política, deixando a opressão criada pelo panorama político angolano.
Não há nada que diga ou que confirme a existência de provas de rebelião, mas é assim que assenta o poder judicial angolano, na inexistência deste mesmo. Existe uma “fachada” e uma “cortina de fumo”, onde os protagonistas do sistema judicial, não são mais que o próprio governo de Eduardo dos Santos, sendo estes uma extensão do governo.
A Amnistia Internacional e a Organização de Defesa dos Direitos Humanos insistem que todo o julgamento, a condenação, é uma falácia e um “faz-de-conta” que não deveria ter valor nenhum.
É uma quebra total dos direitos humanos, que deveria ser uma revolta interna de cada um de nós, enquanto seres humanos, tendo em conta as nossas liberdades e direitos. Desde a greve de fome, expressa por Luaty Beirão, até hoje, assistimos a uma perseguição política focada neste grupo de activistas, pois eles são o “soro político” que ainda alimenta um assunto que deveria ser preocupação por todos, a ditadura e a hegemonia política, que se fazem sentir.
Para percebermos as diferenças que existem, é importante percebermos que o poder económico de Eduardo dos Santos, possuindo uma fortuna oculta, originária do poder autocrático angolano, com o paralelismo de que o mecanismo de financiamento desta riqueza provém do poder político, sendo este o chefe do executivo, e o “senhor absoluto” do poder em Angola. Tudo isto contrasta com o cenário vivido por milhares de angolanos e de habitantes de Angola, que vivem em condições sem as necessidades básicas impostas, vivendo abaixo do limiar da pobreza, sem condições de direito a saúde, educação.
Desde 1979 que Eduardo dos Santos está no poder enquanto Presidente, por isso percebe-se que já lá vão 37 anos, sem que exista fiscalização do poder financeiro e do que se passa e se passou durante estes anos.
É muito grave este tipo de julgamentos, sem matéria, pois falamos de uma pena de prisão de 5 anos e meio, e os outros activistas entre 2 e 8 anos. É preciso compreender o sistema e a vivência oligárquica que existe. Estes não têm direito a cuidados de saúde, como se viu num dos activistas, que mal se mantinha em posição ortostática.
Portugal tem de ser consistente no apoio e na defesa dos Direitos Humanos, não podemos “fechar os olhos” a estas injustiças. Um movimento de democratização, pelo que estes activistas lutam, não deve ficar assolado e deixar-se impunemente ver e ter conhecimento desta ditadura. É preciso denunciar. 
A dicotomia que existe entre “liberdade ou prisão” deve ser assolada por todos, a perda de um estado de liberdade democrática, não deve ser apagada da memória e deixada por si só sem apoio.
O destino destes activistas não deveria estar em causa, mas sim o destino de José Eduardo dos Santos, que não deixa margem para dúvidas sobre a contaminação sobre os poderes sociais, como o judicial, a estarem a ser manipulados e subjugados às suas decisões.



segunda-feira, 21 de março de 2016

Contra a Eurofarça!




    
   







  Os migrantes são o tema caro da Europa, que revelam que não podemos esperar quase nada desta Europa que antes foi denominada de União entre Estados membros, mas que hoje se traduz numa desunião e convergência de interesses, com a sobrevalorização dos países “imperialistas”.
     Desmoronar a Europa tornou-a na paralítica maquineta que não serve mais que seja como “controleira” de todos os países, e daqui surgiu um “farol” que só manda luz a quem quer, que só controla o “tráfego marítimo” daqueles que lhe interessa, deixando afundar os barcos, as pessoas, as vidas, daqueles que não trazem consigo as “condições capitalistas” implicadas pela Europa.
   Demagogias à parte de quem como a extrema-direita em França, Turquia, Dinamarca, ando a tentar vender o slogan de “não queremos cá”, pois usam o conceito determinista de que não querem, não só porque não tem direito em permanecer no seu solo, mas também porque ideologicamente não lhes convêm. Sim muitos contornam o problema, aprazivelmente, dizendo que se centra nas incapacidades económicas. Mas na realidade sabemos que é mais puramente e estruturalmente ideológico, as diferenças que se fazem sentir.
    Recue-mos ao Acordo de Schengen, pois sobre este também há que tecer algumas considerações. Não me agrada quando alguém o define como “a livre circulação”, pois na realidade criou uma “Europa Fortaleza”, que em nada traduz o seu conceito de liberdade. Mais este não liberaliza a “prometida” circulação, permite só que internamente esta seja facilitada, criando depois muros sobre a Europa externamente.
     Muitos solucionam esta migração com o desenvolvimento de quotas ou “regulação da política do fluxo migratório”, que em tudo traduz mais uma vez na política que se vai instrumentalizar mais nestes mecanismos que nada contribuem para a resolução.   
“Dezenas de milhares” é o número de pessoas que neste momento está sem solução, sendo atacadas todos os dias sobre uma Eurofarça, que devia dar a ajuda, mas que prefere que exista conflitos políticos, sociais, ideológicos, religiosos, do que discutir massas que precisam que todos estejam direccionados, primeiro numa política de liberalização de espaço e circulação, e depois sobre a necessidade de criar corredores humanitários.
     Quem olha para esta crise e para aquelas condições em que aquelas pessoas vivem, em oposição à inércia de que todos na Europa têm, olham para crianças, idosos, grávidas, que não detém capacidade para poder mudar a situação em que vivem.
    Olhar para muitos dos abrigos e fronteiras e visionar o arame farpado faz-se a clara analogia dos tempos dos campos de concentração. Mais uma vez para essa imagem, e para essa realidade caminha-mos, pois descurem que muitos dos discursos da extrema direita, se vêm a fomentar estas demarcadas posições, com recurso a demagogias como dizendo que se tratam de terroristas, de pessoas que não têm estrutura social, que há um grande fosso entre nós e eles (comportamental, social) e de que têm crenças religiosas distintas que são incompatíveis, entre outros argumentos, colocando em causa a “nossa permanência” nos mesmos locais.
    As oligarquias políticas explicam que a situação dos migrantes é meramente problemas do povo, dando mais uma vez a desunião e falta de coesão que querem criar, colocando o povo uns contra os outros. “Dizer que é o povo que não gosta de estrangeiros” foi o mote de fazer passar na xenofobia e no populismo, escondendo que os países erram em larga escala. A Grécia é a principal entrada e encheu-se, e a Turquia fechou-se em copas, provando o humanitarismo que existe.
     Já nada se espera desta Europa que se tornou num Eurofarça, pois negou-se toda e qualquer Declaração Universal dos Direitos Humanos, deixando pessoas sem rumo ou destino presas em “valas” entre países. Forçosamente assistimos e comprovamos aquilo que há anos muitas pessoas pensam sobre a engenhoca que é a Europa, preocupada e centrada nos vírus e fungos da economia global, da banca, desprezando as pessoas que vivem nela.