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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Entre mim e a política,

  




   








   O meu activismo politico começou muito cedo. Durante os velhos tempos em que as escolas tinham listas de pessoal com futuro brilhante no discurso político. Eu  juntava os  "revolucionários" de carteira, pessoal que se desconhecia numa escola pública elitista e dividida socialmente. Fazia parte do que consideravam a "malta da pesada".
  
   Não foi difícil com o meu espírito abraçar a causa partidária mais tarde. O espírito caseiro já lá estava e a força política já existia, jovem e cheia de vontade de crescer. Da minha adolescência revolucionária até ao Bloco foi uma questão de tempo. Aos 20 anos já era militante de "carteirinha". O ímpeto tornava capaz der defender a minha causa política. Não havia causa tão Kafkiana como aquela que eu aceitava.
  
   Tudo muda, os tempos e o estalo da realidade levaram-me lentamente a centrar o meu espaço politico e trocando a minha simpatia revolucionária por um punhado de avanços na democracia. Não gostava, tal como hoje ainda não gosto, do estado do Estado, mas estava a começar a compreender que as minhas ideias inspiradas em revoluções e iniciativas que relembram tempos diferentes já se distanciavam do caminho traçado. Já uma professora me dizia que a história só se repete porque os remédios adoptados no passado nunca fizeram efeito para o futuro.
  
   Depois de anos aos trambolhões com quilos e quilos de livros cheios de letras e números apercebi-me que a realidade revolucionária era mera utopia. Não é tão fácil levar uma sociedade a acreditar em ideais sem que eu próprio acredite neles. Certo é que me tornei moderado, a linha revolucionária que apregoava com meros quinze anos estava mais moderada. A utópica revolução dava há luz ideias de um processo de democratização maior e mais extenso.

   Não respirei muito tempo a minha militância no BE depois disto. A distância que nos separar já não era apenas uma linha. Dúvidas, soluções, medidas, propostas e caminhos, era tanto aquilo que nos separava quanto aquilo que me distanciava da revolução social e me obrigava a procurar soluções na democracia actual.
  
   Após a saída do BE não deixei o activismo , talvez um bocado mais participativo naquilo que realmente me deveria interessar como membro de uma sociedade onde o índice de participação se confunde com a militância politica. A minha veia sectária já tinha secado, abracei a causa das pontes, do diálogo e do "paz e amor" na vida política.

   Não sou um desistente por natureza, mas existe algo em que acredito profundamente, cada vez a vida partidária é me menos interessante. Cada vez me centro mais no essencial, nos debates acesos com um aperto de mão no fim, cada vez me vejo mais outsider de uma dinâmica partidária ligada às máquinas partidárias, aos grupos internos e à mistica partidária. A politica precisa de um novo cheiro, de novas formas de ser pensada e feita. Precisa de uma mudança de paradigma que deixe a democracia respirar de alivio do clima fraccionado.

    Já o meu pai dizia para despendiar energia em algo que valha a pena desafiar. Talvez já desconfiasse que ceder ao chamamento do activismo político. Estranho é que tão rápido percebesse porque é que ele nunca alinhou na vida partidária. Entendo hoje, que tal como ele, a vida partidária se tornasse tão desinteressante.

   A questão é, fará ou não sentido a militância? Talvez demore algum tempo mas acredito que cada vez menos sentido faz.

Entre a concessão e a nacionalização, uma história chamada CTT














   Vivo em Camarate, uma Vila no Concelho de Loures. É a principal freguesia de uma União delapidada de serviços com desculpas políticas e de simpatia local. O centro de saúde para Sacavém, era apenas questão estratégica e temporária, a Caixa Geral de Depósitos fez acreditar que não existiam clientes que justificasse a sua presença em Camarate, numa freguesia em que o número de idosos é significativo, o BES desculpou-se com a infiltração na agência. Foram saindo os serviços e nunca regressaram ou foram substituídos. Hoje preparo-me, com mais 36 mil pessoas, para ver encerrar a única estação dos CTT no espaço de 13Km2.
  
  O que fazer com os CTT? É uma questão que necessita de resposta urgente, a resposta que o governo teima em não dar. Não é suficiente dizer que se está de "mãos e pés atados" numa situação se degrada ano após ano, dia após dia. Os Correios estão cada vez mais longe de corresponder ao serviço publico que lhes foi conferido. O contrato de concessão está nas mãos do governo,  escusado dizer que a situação do encerramento das agências não é suficiente para o rever, o rol de queixas já tem argumentos suficientes para que a concessão termine. 

  Está nas mãos do governo saber qual é o melhor caminho para resolver esta questão. Não cabe apenas passar as culpas ao PSD e CDS com questão da privatização. A culpa não reverte a degradação do serviço, o encerramento das estações e o despedimento dos trabalhadores. Cabe ao Governo, e a mais ninguém, ter uma resolução com a maior brevidade possível.

   António Costa tem de dar resposta aos parceiros de coligação, tem de dar resposta aos utentes, aos trabalhadores e às autarquias que se arriscam a agarra a despesa e abonar os lucros dos CTT. Neste momento não vale a pena pensar uma nacionalização imediata. O que é certo é que os trabalhadores têm de saber o seu futuro e as autarquias não podem  assumir os custos de uma empresa que a fecha a porta ao serviço publico de correios e a passos largos se torna uma instituição financeira.
 
  Os CTT têm um problema grave, estão sem rumo, sem uma linha para o futuro da empresa, nem a curto nem a longo prazo. É cada vez mais impossível os correios se manterem como concessionária dos serviço postal e a degradar continuamente o seu serviço. A sua linha accionista torna impossível a manutenção de uma empresa onde o maior accionista é detentor de 12% do capital, e a dispersão de 68% do capital está nas mãos de uma anarquia de mais de uma centena de accionistas desconhecidos (excepto o Goldman Sachs).

   Não vale a pena procurar os culpados nem apontar dedos, a situação exige uma solução rápida, e não está certamente entre as acusações de culpa. Certo é que a culpa não será dos 36 mil utentes da minha freguesia que estão cada vez mais isolados ás portas da capital. 
  
    António Costa tem de ter uma decisão, ou o fim da concessão e as consequências, ou a nacionalização e as consequências, não podemos é ficar apenas as com as consequências de uma concessão, com as consequências do desemprego, com as consequências de um serviço publico degradado, com as consequências do desemprego, e quem sabe, mais tarde com as consequências de mais um Banco que eclipsou, e de mais uma Portugal Telecom que pulverizou.

O rasgar de vestes















  Durante o período que o país está distraído, na "sorrapa" silenciosa dos gabinetes no parlamento "cozinhava-se" nova lei para o financiamento dos partidos. Todos os partidos estiveram representados e participaram nesta legislação pouco clara. Nada previa que este "caldo" legislativo acabasse com a receita exposta na comunicação social. O que parecia ser algo mais ou menos despercebido acabou por gerar a indignação, desconforto e desconfiança na classe política. 
 
  
 Após a opinião pública obter conhecimento desta negociação não demorou muito aos partidos se defenderem.  CDS e o PAN preferiram distanciar da proposta de lei e votaram contra o diploma. BE e PCP hastearam velhas bandeiras da recusa de velhas propostas que foram apresentadas.anteriormente. PS e PSD preferem falar de consensos. São os únicos cuja ausência de vergonha lhes poupa ao choro de arrependimento. Os restantes apenas a hipocrisia lhes sobra para apresentar como desculpa.

   Ora vejamos bem a estória. Os partidos ou têm uma realidade desproporcional, ou então contam com a modéstia e humilde realidade oferecida por os seus militantes. Uma sociedade informada como a de hoje, onde as redes sociais são barómetros dos estados anímicos, como é possível julgar que se poderia guardar "ade interno" a informação sobre o novo diploma? Não será que os partidos partiram de um princípio em que do lado de fora das paredes das sedes existe apenas surtos de ignorância. Um princípio da presunção demasiado fora da realidade.

   Logo após ter caído nas redes sociais BE e o PCP rasgaram as vestes e o CDS achou-se paladino da democracia.  O BE demonstrou a vontade de rever novamente o projecto de lei que o próprio aprovou mantendo a sua imagem do partido que da transparência. Acabou por abrir a porta a desculpas que revelam desconhecimento do significado de demagogia e de transparecia. 

  Não é defender posições politicas passadas que muda a sua posição de hoje. Não está em causa o projecto de lei, que pode ser sempre susceptível de várias leituras. O que está em causa é a forma como foi negociado e decidido. Foi um processo vergonhoso onde só se ausenta o PAN, que se afastou por considerar um processo opaco. Mesmo o CDS, apesar de ter rejeitado assinar tinha conhecimento daquilo que estava em cima da mesa.

  O que aconteceu não ajuda à visão do sistema politico descredibilizado. Os partidos que participaram nesta situação não perdem tempo em deixar escapar o estigma social nos partidos, e na própria democracia. Foi uma brecha aberta aos discursos populistas e anti-partidários. 

    A forma de secretismo e exclusão utilizada para chegarem a um consenso numa lei que beneficia todos foi o problema, a solução não é rasgar vestes.  Reuniões à porta fechada, secretismo nas decisões e falta de transparência bloquearam de imediato qualquer opinião favorável sobre o tema. A indignação surge pela forma como foi decidido e numa altura em que as pessoas estão mais sensíveis à época abstraídas dos acontecimentos a nível político. Não foi uma decisão por coincidência, foi com intencionalidade.

   Não vale a pena rasgar as vestes, nem mesmo o CDS, que apesar de por não assinar o acordo aceitou que as regras fossem as menos transparentes possíveis. Foi um processo lamentável, pouco democrático e que deve encher de vergonha quem representa a democracia. Todo este processo merece o repúdio pela ousada falta de escrutínio premeditado por parte daqueles que julgaram que por detrás do biombo conseguiriam fazer passar este dossier. É nesse aspecto que os partidos são culpados do descrédito em que a democracia vive.

   Talvez esteja na altura das regras mudarem e uma nova vaga democrática e partidária surgir. E este foi um dos motivos.

domingo, 5 de novembro de 2017

Catalunha, um cruzamento com a democracia

 


   
  A história cruza-se diversas vezes com a vontade da autodeterminação do povo Catalão. Por desconhecimento ou incúria sobre o assunto é que se opina apoiado nos argumentos que têm sido hoje utilizados, como o financeiro. Os sentimentos não são de hoje, muito menos o independentismo é um sentimento fresco para o povo Catalão.
   A história da Catalunha é recheada de desconfianças quanto a Espanha, tentar fazer da Catalunha,e de outras regiões autónomas, Espanha, e julga-los como espanhóis é não respeitar a diferença cultural, linguística e histórica que divide todos os territórios. Não são iguais, em nada, são diferentes em tudo.  Por esse motivo que todos os territórios autónomos de Espanha têm desejos decisão do Reino, vontade de se tornarem Republicas independentes. Querem ver respeitado o legado como povo, a sua história, as suas tradições, e dificilmente o sentem anexadas a um país que não respeita o  plurinacionalismo que existe no Reino de Espanha, uma Espanha demasiado franquista. Laivos de uma ditadura que vive nos hábitos e condutas políticas do atual executivo.
   Ao contrário dos milhares utilizadores lusos das redes sociais, e do comentário político, não possuo posição. Não tenho que ter qualquer posição sobre um assunto que não me diz respeito de forma direta. Mas infelizmente continuamos a assistir a uma espécie de "cusquice" na "casa alheia" baseadas em posições sobre algo que não nos diz respeito, abraçados a uma argumentação fraca e absurda.
   Tenho uma visão pessoal  sobre o assunto, mais europeia, menos nacionalista. Sei que o atual modelo europeu e a sua génese ideológica não permite qualquer aproximação ao meu modelo. Um modelo capacitado com maior respeito pelas nacionalidades existentes na Europa, como a Catalã. Mas acredito mais nas mudanças europeias, que têm por base maior democracia, do que em soluções oriundas de Madrid. Demasiado espírito franquista.
  É óbvio que não apoio qualquer solução que não procure a legitimidade e legalidade.Não acredito em soluções que se baseiem na violência desproporcional e gratuita por parte das autoridades Espanholas. Vindo do atual executivo espanhol, é natural esse tipo de atitude, mas não pode é ser aceite com a mesma naturalidade por os países democratas, onde se inclui Portugal. Muito menos que estes países ignorem de forma ridícula a forma como a justiça e o poder político em Espanha funcionam de mãos dadas.
   A única solução é negociar, respeitar e sentar à mesa procurando de consensos, não é asfixiar a democracia como fez a policia no dia 1 de Outubro na Catalunha. O impasse é entre a legalidade e o respeito pela autodeterminação dos povos, algo que consta na constituição Portuguesa e que o primeiro ministro deveria ter em conta. É um impasse complicado de resolver para quem quer manter a legalidade e os valores democráticos ao mesmo tempo. Por um lado a legalidade da Constituição Espanhola, e por outro a Autodeterminação do povo Catalão.
   Infelizmente os responsáveis por esta situação deveriam ser melhores que os atuais. Quer Rajoy, quer Puidgemont, não estiveram à altura dos acontecimentos históricos. Deixaram ambos a merecer quanto à sua capacidade política e intelectual para conseguir uma solução em conjunto. Ambos colocaram uma negociação possível em algo quase impossível de se concretizar. A solução não é possível enquanto Rajoy estiver no governo, enquanto o PP não apagar o seu passado e a sua índole franquista.
   Enquanto isso não acontecer, por cá ficamos em conversas de argumentos frágeis e ignorância  a cargo dos Unionistas do Burgo, como as grande genialidade (ironia) de Clara Ferreira Alves.

Extremar posições e abortar os valores, nova condição política?

  




   





    Desde muito novo que sigo a política. Tenho alma de quem vive no seio do debate democrático e saudável, mesmo com diferentes prespectivas e ideologias. Fui habituado assim, levando a sério a expressão "a conversar é que a gente se entende".
   Mas hoje a política está diferente. Diferente na sua essência, diferente no debate, diferente na sua visão ética e na atitude de quem a vive mais ativamente. Hoje a política é vivida ao sabor dos sentimentos do grosso da opinião, de forma extrema e ofensiva.
  Sou de esquerda moderada,  conhecida como centro-esquerda. Como qualquer outro militante de esquerda, partilho um conjunto de valores universais a toda a esquerda. Entendo que os valores Universais de esquerda se sobrepõem às exigências partidárias. Não existem "esquerdas", mas sim esquerda. O que existe são as linhas políticas diferenciadas pela forma como chegamos aos objetivos.
  Hoje é difícil encontrar esses valores universais de esquerda. Sem eles torna-se impossível chegar a qualquer consenso, porque os consensos exigem aproximações e pontos comuns, e esses pontos comuns são os valores universais da esquerda, e não os valores "regionais" que cada partido coloca ao dispor dos militantes. Partidos que cada vez estão mais intransigentes com as alternativas, fecham-se há volta das direções e decisões aceites pelo seguidismo. Isolam as vozes discordantes, ou no limite exigem a prática de "purgas" silenciosas. Saneamentos aos incómodos. Direções  aprovam os novos políticos e militantes que preencham os requisitos de ausência de liberdade critica ou de pensamento, sujeitos ao "fallow the leader".
   Vivemos com isso. Deixamos de conseguir formar políticos com a
 pensamento critico e passamos a formar políticos e militantes seguidistas, sem qualquer qualidade ou mérito. Aqueles que da esquerda há direita se limitam a aceitar as palavras dos líderes partidários e não aos valores ideológicos. Deixamos de debate, apostamos no politicamente correto e na ofensa, no grito, na ausência de respostas e de duvidas. O "modos operandi" é silenciar o perigo que é as alternativas, algo que bem argumentado não nos dá resposta. Entre os gritos e as ofensas tornamos a nova classe política incapaz de produzir. Somos benevolentes há forma como se tem feito política e como se geram novos políticos. 
  Os valores Universais estão cada vez mais ausentes do debate político. Cada a política se torna vitima do facciosismo partidário, ausente da ideologia, uma espécie de luta tribal pelos desejos do eleitor. Formas que acabam por trespassar para a própria sociedade que  vive na tormenta das redes sociais. Estamos descontrolados na forma como comunicamos uns com os outros, na forma intolerante como debatemos.
    A militância política está a tornar-se mais diretiva, assumidamente clubística. Severa com a própria sociedade, nada passa pelo crivo da ofensa. Da esquerda à direita, tudo termina em "ismos" e provocações degradantes. Entre a xenofobia, racismo, fascismo, ficamos incapacitados de gerar debates e consensos capazes de criar soluções para os problemas. Em vez disso estamos sistematicamente a apostar em atirar a sociedade para dramas isolados, generalizando todos, incluindo as instituições, em nome de preceitos políticos e não reais.
  As posições estão cada vez mais extremas, o espaço de manobra mais sensato está cada vez mais curto e mais ausente da política. Os partidos (nem todos) estão cada vez mais reféns da política de valores da direção, e militantes oscilantes conforme o vento sopra. Seguidistas seguros de pessoas, e não de ideologias. Partidos sem massa crítica, sem respeito pelos diferentes pensamentos, reféns dos estatutos que servem de garrotes silenciadores.
  É necessário um debate urgente sobre a democracia. É necessário maior capacidade de senso e alternativas. Cada vez mais há que puxar os valores da democracia, da esquerda e do livre pensamento. Como democrata e de esquerda, não posso admitir que a democracia fique entregue aos valores imberbes de uma massa sem pensamento crítico nem capacidade de promover alternativas a bem da democracia.
 Queremos futuros políticos de fibra, capazes de lidar com os inúmeros problemas que se vão aglutinando, precisamos de democratas a sério, gente de coragem que seja líder numa democracia saudável. Mas o que estamos a construir é políticos órfãos de valores, de ideais, que sem requisitos vão vivendo calorosamente no seio de direções partidárias com rumos diferentes. Estamos a criar gente incapaz de liderar, gente que não resista a colocar a democracia a respirar pela máquina. Sem mérito e sem qualquer fio de coragem. E isto é o futuro e o risco para a democracia. 

Tamanha hipocrisia

 


   O pedido de Hugo Soares, em pleno debate sobre os incêndios, é no mínimo insólito -"Senhor primeiro-ministro tem de pedir desculpas"- Tem? De facto tem! Mas o que exigir à oposição ? O que exigir a uma oposição que expressa "ter vergonha do que aconteceu"?  Não terá, também, o PSD e o CDS, pelos anos de governação de ambos, vergonha e por isso também pedir desculpas? Como é possível tratar com respeito forças políticas que não o tiveram com as vítimas?  Só podemos repudiar,  tratar com o mesmo respeito que a oposição teve com as vitimas quando as utiliza para o debate político. Sem qualquer vergonha, nem por utilizar a vitimas e a calamidade, nem por exigir aos outros responsabilidades quando também as tem.
    Não são sentimentos de pesar aqueles que PSD e CDS dizem ter, é mero aproveitamento político, ofensivo e repugnante. Aproveitamento de quem deseja o regresso ao poder, de quem vive incoformado com uma vitória tragada a derrota. Alguém que utiliza o sofrimento, que o deseja tanto quanto o caos no país. Pessoas a que os fins justificam os meios, e se o objectivo é para seu bem, e  de uma comunidade conservadora de interesses egoístas, que se faça muito barulho e manifestações silenciosas, que se faça moções de censura, que o governo caia de uma vez por todas.
    Ao jornalismo, que não é jornalismo, é uma indecorosa miséria.  Dos fogos retira polémica, das vítimas aproveita o ataque político. Faz de uma situação dramática o verdadeiro espírito do espetáculo mediático e da tendência política. Chamam comentadores da linha política de oposição decadente, aproveita a indignação, e quanto mais criticados mais tempo ocupam no pequeno ecrã. Que se "lixe" o respeito, sejamos hipócritas, o jornalismo não cede a sentimentos de luto. O jornalismo faz contas, usa e abusa do poder, entende estar acima do comum dos mortais. Os jornalistas são seres de tamanha moral, éticos e profissionais, dignos de um saber exclusivo e não admitem ser escrutinados, seja por quem for. Mesmo caindo no ridículo, isolados do resto do mundo, vão criando a sua própria realidade.
   As redes sociais, locais que reflectem a ausência  da inteligência, educação e civismo. Verdadeiros "animais"  acumulam nas caixas de comentários a ideia que existe gente que sente. Sentimentos de fúria para inércia de algo, de alguém ou de alguma coisa. Comportamentos que dão ideia de  especialistas do desconhecido. Gente de preceitos, moralidade e ética própria, muito pessoal. Dizem que sentem a dor e a angustia das vítimas, mas de dez a quinze linhas, apenas dedicam duas ou três às vítimas, o resto são apenas palavras perdidas no ódio e na falta de escrúpulos de quem se esconde na imunidade das redes sociais para destilar o ódio e a ressábia.
   Não existe sentimentos, nem pesares, de quem quer discutir política. Não são os estragos e o Portugal cinzento que move este sentimento tão urbano, tão desconhecedor do que é a floresta, do que é o pinhal, do que foram todos aqueles hectares que foram reduzidos a cinzas, é o mau estar, o ódio e a intolerância de quem entende que a democracia só é democracia quando a direita está no poder. Todo este alarido é oriundo do desconhecimento do que é Portugal rural, do que é são as florestas. É
 sempre tão fácil se sentir todos estes pesares como ter opinião sobre uma situação que é tão desconhecida. Não venham com a desculpa do momento - "eu conheço porque lá vivi/ passava férias/casa da minha avó era nas redondezas"- bastava que se dedicassem ao silêncio sobre tudo aquilo que nunca souberam, como urbanos, defender como jornalistas, eleitores ou responsáveis políticos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Mudar de paradigma

    

   Candidatos na rua com propostas e promessas a inadiáveis. Ruas atoladas de reparações urgentes. Obras de rápidas e arranjos que lamentavelmente demoram quatro anos a chegar. Candidatos que nos cumprimentam na rua, alguns até são velhos amigos. Uma onda nasce no país, os políticos estão na rua e conhecem a realidade,  as pessoas e os problemas reais da freguesia ou do município. Tomam contacto com o país real. As autárquicas acabaram, acabou o contacto, está na hora do trabalho.
  O pós autárquicas é o regresso à normalidade. Os eleitos abandonam as ruas e os eleitores voltam à rotina normal. Nos próximos quatro anos as decisões ficam a cargo dos eleitos, a população fica reduzida à crítica e ao aplauso, e não tem apenas haver com a cor política​. As Assembleias locais são um dos pontos para a participação, mas na essência apenas discutidos pormenores, há mais promessas, mas pouco debate.
  A morte das associações é a ausência cada vez mais visível das "forças vivas" entrega aos partidos, que assumem a única fórmula de cidadania existente. Clubes de "pensadores" foram extintos, as listas partidárias absorvem a pasta de debate sobre o futuro de aldeias, vilas, cidades e do próprio país. Não há projetos de cidadania, deixamos ao cuidado das promessas. Candidaturas cidadãs são poucas, apesar dos resultados. A política abandona a base da democracia e entrega ao populismo e demagogia das redes sociais. É preciso mais.
  Cabe às autarquias trazer novamente as pessoas para o centro de decisões, e não, como tem sido cíclico, tomar para si. Há que reconstruir a confiança dos cidadãos nas suas instituições de decisão, e cabe começar por a base da democracia. As autarquias devem, acima de tudo, renovar e acabar com os velhos hábitos grosseiros que se foram instalando durante quatro décadas.
   Não cabe só, e apenas, à figura ao autarca eleito, mas sim a todos os membros eleitos e não eleitos das forças políticas existentes em cada localidade. É necessário criar condições para que as forças vivas locais voltem a ser parte ativa do presente e no futuro, tal como foram no passado. É necessário que figuras políticas e não políticas se reúnam na procura de soluções, parecerias e propostas nas áreas da cultura, desporto, educação e inovação, resgatar o equilíbrio entre os eleitos e eleitores. São necessários novos horizontes para um país que tem uma das menores participações cidadãs nas decisões democráticas da Europa.
   Não podemos, a bem da participação cidadã, continuar a aceitar que o espírito democrático morra nas comunidades ou entendermos que o voto e as assembleias locais são suficientes para o cidadão comum tenha condições para participar. De uma vez por todas temos de ter em conta que o afastamento dos cidadãos das decisões em democracia não é bom, a descrença na democracia pode ter consequências bastante perigosas. Temos de abandonar a capa de eleitos, e os vícios de promessas eleitorais e trabalhar para criarmos laços entre a comunidade. Caso contrário arriscamos a fortalecer os laços da comunidade com velhos hábitos que não são de boa memória para o país, minuto menos para uma democracia que se quer madura e plena.









segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A Alternativa, a Liberdade do Pensamento, a Militância e os novos tempos

  
   A minha vida foi sempre servida com assuntos sobre política. A minha mãe foi uma forte apoiante do Socialista nos seus anos de militância partidária, já o meu pai era menos militante, apenas detentor de uma visão Keynesiana, puro social-democrata e crente de que única solução para a democracia sobreviver são os consensos. Era costume se discutir à mesa os mais variados assuntos políticos do país e do mundo, maioria terminava indiscutivelmente em críticas ao sistema político e ao governo de forte odor a ausência de democracia liderado por Cavaco Silva.
  A minha juventude (não que seja velho) nunca passou por militância e ativismo em movimentos cívicos específicos. Pontualmente alinhei em diversas "batalhas" nas quais estava envolvido. Apesar não estar afeto a movimentos cívicos, sempre tive uma participação cívica bastante ativa.
   Entrei para o Bloco como militante nos bons anos em que o Bloco era a casa das mais variadas tendências e correntes de esquerda. De socialistas a sociais-democratas, passando ecologistas, comunistas entre outros que conviviam no seio de um partido aberto há democracia e à unidade em torno de um projeto político ambicioso. O Bloco era como uma força política capaz de fazer a diferença através do pensar e da forma estar na política, uma "lufada de ar fresco" na democracia.
  Inicialmente muito ativo na militância participando em diversas ações do BE a nível regional e nacional. Foi como uma fonte de aprendizagem no seio de centenas de histórias na defesa da democracia e na luta dos direitos. 

  Nunca fui hipócrita quanto à minha linha política e a proximidade do PS. Era uma questão de ADN político, anti corpos que se formaram em conversas de jantar. Sempre frisei a minha visão económica Keynesiana e a minha social-democracia herdada ao meu pai eram o meio veio de ligação à atividade política, e com o avanço académico fui afinando e misturando com a realidade. Sempre fui portador de uma coerência sobre os meus valores e a minha forma de estar na política como na vida. Nunca fiz questão de militar com desejos e progressões, também nunca descartei as possibilidades de assumir algo desde que estivasse à altura do desempenho. Com a minha via académica e a minha atividade laboral, a militância diminui a frequência. Este apagão de militância durou alguns anos. O meu regresso, mesmo que a meio gás, surgiu em 2012 na preparação para as autárquicas. Tive a oportunidade integrar e encabeçar o crescimento do Bloco a nível regional e criar bases para o Bloco se tornar uma alternativa às forças políticas estabelecidas no Concelho. Tornar possível o BE ser uma força para futuros consensos políticos. Trazer o Bloco para a política autárquica com o objetivo de criar um modelo abrangente a outras zonas de um Bloco responsável, com gente capaz de assumir posições e coligações que sirvam o país de forma responsável. Como tal, não poderia deixar de assumir a uma candidatura à União de Freguesias da minha zona de residência, abraçando uma campanha cheia de altos e baixos, pouco aproveitada, e embaraçosa para todos aqueles que deram ao Bloco a sua confiança. 
    A campanha acabaria por ser o mote para lançar as divergências que existiam entre mim e a política que o Bloco quis seguir a nível regional e nacional. As visões eram antagónicas. O BE entendia que a luta estava centrada na eleição de um vereador para ser "muleta" de uma possível maioria da CDU. Por outro lado, eu entendi sempre que a implantação a nível autárquico, com inicio nas freguesias, era o alicerce mais apropriado para o crescimento de uma força política a nível regional. Não havia espaço para consensualizar as várias visões de militância extrema com algo que eu entendia ser base para a sustentabilidade do partido como uma força autárquica. Era a oportunidade de fazer de Loures o laboratório para novos projetos a nível regional do Bloco. Enquanto para mim era extremamente necessário o debate sobre o futuro e os desejos do Bloco e da sua linha política, para a maioria, inclusive a direção da Concelhia, era mais fácil resumir ao silêncio e procurar consensos pouco democratas. 
   O sentimento da parte da Concelhia era chegar a consensos que respeitassem o projeto político pouco ambicioso do candidato à Presidência da Câmara Jorge Costa, e quem não gostava da convergência em torno do programa fraco do candidato, que tivesse visões ou discursos que se ausentassem da normal linha política da direção regional e nacional, então não tinha espaço no partido.  
    Após as autárquicas as exigências de uma convergência, mesmo que forçada, ficaram mais firmes. Não aceitava. As convergências fazem-se com atos de democracia onde as partes firmassem um acordo para sã convivência, não imposições que procuram a estabilidade numa linha política feita com ausência de pensamento livre. A situação acabou por levar à minha saída num golpe de secretaria, que culminaria, mais tarde, na saída de muitos outros que militavam na concelhia, e apoiantes. 
    Certamente a minha saída era cada vez mais forte. A minha proximidade do Partido Socialista era notória, e o meu forte empenho para que o Bloco fosse o parceiro de excelência em possíveis coligações com o PS era visível. Isso tinha impacto futuro nas minhas decisões quanto ao rumo que entendia para o futuro, não poderia mudar a consciência política de uma força política, nem a linha escolhida, bem ou mal, por os representantes dos militantes. Era obrigatório tomar uma posição que acabou por ser tomada por a Concelhia de modo pouco democrático e ético. 
   A alternativa no Bloco só existe quando existe espaço para tal. Enquanto outros partidos (exceção do PCP pela linha ortodoxa que mantêm) têm as suas tendências, visões e criam debate em torno do futuro do partido, elevando as alternativas, o BE tem preferência em aceita-las vagamente até silenciar as divergências. 
   A alternativa é algo necessário, quer para a manutenção das forças políticas, quer para a própria democracia. Mais que nunca a existência do Governo PS, apoiado por os partidos à esquerda, vem demonstrar que os caminhos alternativos são saudáveis e capazes de poder impulsionar novas visões no caminho do melhoramento da democracia e na participação mais massiva de cada cidadão nessas decisões. 
   Uma democracia sem partidos não é democracia, tal como os partidos sem alternativas não capacitam os seus militantes a participarem democraticamente na vida do partido. Os anos avançam, e as pessoas amadurecem as suas ideias, a realidade vai mudando conforme a sociedade, é preciso pensar que os pilares da defesa dos valores da democracia acompanham os tempos.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

De uma vez por todas se respeitem as vitimas




   Instrumentalização, aproveitamento, política e jornalismo de sarjeta. A direita conseguiu descer o debate a níveis impensáveis em Democracia. A comunicação social, especialmente o SIC/Expresso, conseguiu ir tão longe quanto o Correio da Manhã no campo do sensacionalismo e tendenciosidade política das redações. O que aconteceu com o caso da lista das vitimas de Pedrogão ultrapassou tudo aquilo que era possível presumir que chegaria a política e o jornalismo. E não estamos a falar do simples click-bit
  Nunca o Expresso se comprometeu tanto com uma tendência política como nos últimos tempos. Nunca o Expresso extrapolou tanto aquilo que define a deontologia e a ética jornalística. Nunca o Expresso se resumiu a "pasquim"  como neste caso. O aproveitamento jornalístico que assumiu verdadeiros contornos partidários. Atingimos o grau zero do Jornalismo em Portugal. 
  Bernardo Ferrão e Pedro Santos Guerreiro apostaram no discurso de vitimização da classe. As afirmações de Bernardo Ferrão onde acusa os "anônimos com cartão de militante" de atacar o jornalismo ficaram-lhe tão mal quanto o texto que foi assinado pelo mesmo. Escusado perguntar quantos jornalistas escrevem e noticiam com cartão de militante ou distintos apoiantes de certos partidos. Ainda me lembro de Filipe Costa que via em em dezenas, milhares. E a devolução da sobretaxa? Alguém se lembra? Dos quatrocentos mil, que arredondado eram quinhentos mil, mas que afinal nem aos dois mil chegavam? 
  Não foram anônimos, com ou sem cartão de militante, que levantaram tamanha patranha vergonhosa utilizando vítimas de uma tragédia para fazer "chicana" política. Não foram anônimos que procuraram "chafurdar" em teoria da conspiração criadas sem base sólida, nem investigação. Foram tão só os jornais e uma direita, que cambaleia com pouca noção do seu próprio ridículo, que se agarraram na ínfima possibilidade de encontrar mais vitimas.
  Uma empresária, uma investigação independente, nomes que se repetem, boatos,  noventa mortos que a três casas ao lado já só lá vão nos oitenta e no fim de uma rua pouco comprida o número eram apenas setenta. Eram factos tão frágeis que a sua sustentabilidade a que o Expresso e o I deram nome e forma, desapareceu no primeiro sopro do Ministério Publico. Afinal era só, e apenas, uma teoria rocambolesca. 
 Bernardo Ferrão veio defender uma classe que dia para dia vai sendo a imagem de meras tentativas de influência do jornalismo nas decisões políticas. O uso e abuso da palavra, a tentativa de controlar a informação que passa, e da forma como passa. E depois a culpa é de quem escrutina? De quem põe em causa o tremendo mau estar da imprensa com o atual Governo e a maioria parlamentar? Bem me parecia que algo nas palavras de Bernardo Ferrão não correspondia à verdade.
  A tragédia de Pedrogão não é um filme de Clinton Eastwood para fazer disto uma bandalheira com o assunto. Não estreia na sexta. Existem vítimas. Os que perderam a vida, as famílias, os amigos e todos aqueles que sobreviveram mas perderam tudo. Não pode ser tratado como o recreio do colégio privado do PSD, nem a praceta de jornalistas que estão dispostos a tudo para atacar o atual governo.
   Enquanto o PSD e a Comunicação social, num ato desesperado de atacar o Governo, extrapola o bom senso, a ética e a moral, nós, os simplórios anônimos, com e sem cartão de militante, exigimos que se respeitem as vitimas de uma vez por todas. Até a pouca vergonha tem limites, e neste momento já foram superados. 




Jorge Miguel Pires

terça-feira, 25 de julho de 2017

Os Truques e a Imprensa

  
  Recentemente o sub-diretor do jornal Publico, Diogo Queiroz Andrade, publicou na sua conta pessoal nas redes sociais, em tom apoteótico de gozo, uma imagem e critica a dos criadores da página "Truques da Imprensa portuguesa". Ao bom estilo anarco-saloio (com todo o respeito pelos saloios) o ar descontraído da publicação contrastava com os ataques pessoais, profissionais e associações políticas feitas durante o anonimato dos criadores da página, altura em que a imprensa descontente dizia-se aprisionada numa espécie de escrutínio que a ERC deveria fazer. 
   Inicialmente os Truques eram uma página que os jornalistas apontavam uma extinção rápida, que "não daria resultado, mais uma página nas redes sociais". O problema é que o crescimento da página foi se alargando. Poucos foram os críticos que tiveram o mesmo sucesso. Uma tentativa surgiu ainda com o aparecimento de uma contra-página "Truques do Truques da imprensa portuguesa" que pouco, ou nenhuma, adesão teve. Era fruto da realidade, a imprensa portuguesa que gozava de excessos tendenciosos e procuras insistentes do clickbite não aceita se supervisionada, criticada ou escrutinada. 
   O Expresso, utilizando uma expressão recente (sempre o Expresso), um dos mais visados pela página, começou por entender que o seu espaço de manobra da sua tendência estava a diminuir, os holofotes estavam virados para o jornalismo, e exigia mais escrutínio. As noticias de Filipe Costa e João Vieira sofriam criticas constantes e naturais, visavam relembrar a ambos a diferença entre uma opinião e uma noticia. A prática de algum jornalismo do Expresso era utilizar as noticias para disfarçar opiniões políticas. Foi o Expresso que iniciou a guerra contra os Truques. Os jornalistas do Expresso não admitem ser escrutinados, muito menos por uma página que usou por em causa as más práticas do jornalismo. 
   A página dos "Truques" tornou o mau jornalismo mais desconfortável. O escrutínio sobre a imprensa é uma situação que deveria ser natural, os consumidores de informação têm todo o direito em saber a realidade da informação e não informação adulterada sistematicamente par belo prazer das tendências políticas ou futebolísticas de cada redação. Em causa não está só a credibilidade jornalística, está o aparecimento de diversas páginas que se substituem aos órgãos de comunicação social começa a ter repercussões perigosas e um elevado numero de partilhas, assumindo assim a credibilidade que o jornalismo tem vindo a perder.  
  A página dos truques faz serviço publico, sem ser remunerada para esse efeito. O facto de se extinguir o anonimato dos criadores da página, e existir tamanha euforia por causa de tal acontecimento, torna ainda mais essencial a existência da pagina e demonstrando que a imprensa, apesar de nunca ter aprendido nada com a situação, não pode retornar aos velhos tempos do apoio político, dos simuladores de IRS ou das sucessivas tentativas de enterro do atual executivo, e não aconteça um esclarecimento óbvio sobre a noticia, ou até que ponto a noticia sofreu alteração para servirem interpretações diferentes. Pena o profundo erro de perceção jornalística que tudo pode voltar ao normal, se algo pode ser mérito dos "Truques" é a nova fase do leitor/telespectador, a exigência e o escrutínio maior sobre a informação.
  Independentemente dos Truques saírem do anonimato, certamente o excelente trabalho de supervisão do  nosso jornalismo continua. O trabalho dos Truques é essencial à democracia. É necessário  saber quais são os objetivos da comunicação social e destapar as tendências de cada redação. O jornalismo não se pode queixar de ditadura e lápis azul ou de garrote, afinal a informação deve ser acima de tudo isenta. 

sábado, 22 de julho de 2017

Apartheid ideológico














 Um momento de pouca tolerância eleva de imediato trincheiras para uma guerra de crenças e valores que cada lado tende a defender com as armas que possui. As barreiras criadas nas redes sociais levaram a uma nova de fazer valer as pretensões de cada um dos lados. Nesta clima não existe um meio termo. Ou estás com eles, ou estás contra eles.
  Os acontecimentos na esquadra de Alfragide atiçou as hostes. Ambos os lados afinam as armas para defender teorias do acontecimento. Uma investigação deu como certo que os seis jovens foram brutalmente agredidos pelos agentes da esquadra. Mesmo que não fosse a totalidade dos agentes, aqueles que assitiram e nada fizeram deveriam ter intervido, assegurando em nome da justiça a defesa dos direitos das vítimas e acima de tudo da instituição que sai manchada deste caso. Ao contrário, limitram-se a cruzar os braços perante tamanha brutalidade.
  A inspeção teve como base para a conclusão do inquérito depoimentos e provas que foram surgindo. O INEM (chamado para socorrer as vítimas) foi fulcral para chegar a uma conclusão mais forte. Conseguiu perceber que os depoimentos da polícia não faziam sentido. Seis jovens desarmados invadem uma esquadra da policia? Magoam-se na esquadra ao ponto de apresentar mazelas visiveis? Nitida demonstração de bastante violência? Não me parece que tenha sido difícil a Inspeção chegar a um veredito. 
  Este caso vem em altura que outro caso surg, quinze jovens agredem três agentes da PSP durante as festas no Catujal. Quinze jovens que incendiaram a índole tanto racista, como intolerante. 
  Duas situações tão próximas no tempo só poderiam terminar num ponto, a ascensão dos odios e desculpadas dos dois lados. Ambas as trincheiras extremaram posições, de tal forma que qualquer comentário ou publicação, termina com uma guerra verbal desproporcional e com troca de palavras acesas. Aos mais serenos a procura da ofensa acaba sempre por ser o caminho mais fácil.
  A existência de violência policial não é de hoje, é conhecida de longos anos, e até bastante aceitável por parte da sociedade. As longas pancadas de cassetete da polícia de intervenção são aplaudidas com frequência, o adepto do Benfica que foi agredido foi de agrado de alguns adeptos adversários e é costume se dizer "bem feita, o animal merecia" , quando alguém está a ser espancado. Por outro lado, alguns dos jovens com historial de desacatos vivem um clima de impunidade, o suficiente para enfrentar a polícia sem qualquer problema. 
   Esta situação merece maior serenidade. A aposta no extremismo não é a via mais razoável para serenar o assunto. O racismo existe, e não é residual. A forma como ambos os assuntos foram abordados nas redes sociais foi um verdadeiro barómetro do nível de racismo existente no país. 
   Por outro lado uma procura insistente de racismo leva a um resultado inverso no seu combate. Nas redes sociais uma intervenção fiscal da CP, prática perfeitamente normal por parte da empresa, foi aproveitada por alguém para tornar o caso em racismo sem qualquer base de prova. Ausência de agressões, mais utentes há espera de serem autuados, tudo normal numa fiscalização. No entanto quem captou a fotografia tinha claras intenções de se aproveitar da situação para gerar indignação no politicamente correcto. Este tipo de situações desvirtua totalmente a luta contra o racismo, atira sim, mais gasolina para um tema que arde sempre que vem ao de cima.
  Não se pode, em momento algum, desculpar a violência policial desproporcional. Também não se pode atacar a instituição num todo desvalorizando o trabalho dos seus agentes, pessoas capacitadas para o trabalho de proximidade e a real função da autoridade. Por outro lado não se pode apontar o dedo aos bairros sociais com afirmações sem nexo, e dar um pelo todo, nem podemos aceitar que seja só os afro-descendentes os causadores de toda a criminalidade juvenil.
Muito trabalho pela frente.








quinta-feira, 6 de abril de 2017

Violência domestica, os sinais da ausência de cultura

  A violência doméstica é um problema social grave. Uma cultura que durante décadas viveu sob a expressão "entre marido e mulher ninguém mete a colher" foi criando um monstro de proporções socais perturbadoras, onde violência se alimenta do medo e da fraqueza psicológica das vitimas. Para lá de quebrar as barreiras que a justiça insiste em manter e de um legislador que não é mais ativo no combate, ainda há que quebrar as barreiras de uma sociedade que ignora e da fraca qualidade e respostas das instituição públicas. 
    Mexer no telemóvel, abrir as redes sociais, gritar, ofender e bater, são comportamentos anormais numa relação. O pedido de desculpa à mistura de um abraço e de uma frase "não volta a acontecer" não pode ser uma banalidade. São atos de violência doméstica, do enraizamento do sentimento de propriedade. Uma relação que passa a ter um Alfa, em que um dos seus elementos deixa de existir, de ter a sua dignidade e a sua personalidade intelectual. Passa para o lugar de objeto, propriedade do cônjuge. É assim que as coisas funcionam numa relação que culmina com a violência doméstica. A vitima teima em ignorar os comportamentos do agressor. Opta por desculpar com pontualidade e ciumes, e ignorar que esses ciumes nascem de um sentimento de posse. 
   Um estalo porque estava stressado, ou berros e ofensas porque o jantar afinal até estava mau, não pode ser admitido. A banalização ativa o sentimento do agressor para estender mais o seu campo de influencia, e assim, aprova que o agressor comande a sua vida. É o primeiro passo para que o agressor influencie a vitima, relegando-a ao isolamento. 
  Perder os amigos não pode ser entendido como "o melhor para a relação". Muitas vezes são eles que sentem que a relação se está a tornar obsessiva por parte do agressor. Quando existe o alerta, a vitima opta por cortar relação com quem a alerta, preferindo minimizar os comportamentos do agressor. Nasce o primeiro passo para que o agressor isole a vitima, restando a família, mais difícil, mas não impossível de afastar.
    As agressões são escondidas, o casal comportasse naturalmente, pontualmente acresce um ou outro comportamento violento do agressor. As desculpas desgastam-se com o tempo, quem observa já não acredita na pontualidade ou em motivos circunstanciais, acredita que a violência doméstica já existe no seio do casal. 
   Nada desculpa a agressividade nem as marcas no corpo. A violência doméstica quando atinge o pico já é tarde demais. As vitimas estão dependentes financeiramente do agressor, talvez já com filhos, a nível psicológico estão premiáveis, vivem no medo e pânico de poder sair de casa sem que a sua integridade física não esteja em causa quando regressarem. Em casos extremos as vitimas ficam proibidas de ter emprego e sair de casa, vivem em cárceres privados. 
   Enquanto a vitima vai desaparecendo, o agressor tornasse proprietário da mesma. Sente que ela é sua, e só a abandona quando entende que é descartável, ou quando outra vitima é o seu objectivo. Enquanto mantêm a vitima no seu cárcere psicológico. Age como dono, limita os seus contactos, impondo o que deve ou não falar com a família e impede a vida social da vitima. Os ciumes são sempre a base das desculpas que a vitima vai dando, sendo submissa aos desejos do agressor.
   Até os ciumes têm limites. Aceitar alguém que se auto-denomina excessivamente ciumento é aceitar que esse elemento se torne agressor e dono de uma relação. O futuro dono da vitima. Os ciumes quando obsessivos são perigosos, transcendem aquilo que se entende como respeito. Tornam-se obsessivos. Desculpar as atitudes com os ciumes, em vez de apostar no controlo não é bom para a relação, nem para os seus elementos. 
   As relações não necessitam de ciumes para melhorarem, nem precisam de uma constante "apegação" entre os dois elementos. É necessário que ambos sejam proprietários da sua personalidade intelectual, e essencialmente se mantenham como dois seres de diferentes características físicas, ideológicas, psicológicas. Ambos diferentes, mas convergentes naquilo que é necessário para que a relação dê certo. Respeitar personalidades diferentes é saber respeitar a relação. 
   Uma relação não pode absorver a expressão "somos um só". Cada elemento deve saber quais são os limites da personalidade que pode impor à relação. Não significa o "resfriamento" da relação, significa a manutenção do respeito-o mutuo. É nesses limites que se devem balizar os comportamentos, sejam eles circunstanciais ou pontuais. O respeito e o amor próprio são elementos fundamentais para que os elementos da relação a mantenham firme. É necessário que mantenham a sua vida própria, a sua independência e principalmente a sua privacidade. Não pode existir decisões unilaterais "se ele não vai eu não posso ir". Deve ser respeitado o desejo de cada elemento, deixando a decisão ao mesmo. Deixar de ver a relação como um compromisso que obriga duas pessoas a comportamentos padronizados, e passar a ver a relação como uma ligação em que duas pessoas nutrem um sentimento comum. 
   A violência doméstica não pode ser banalizada pela vitima, nem dar ao agressor a ideia de impunidade. Há que agir quando aparecem os primeiros sinais. A lei tem de ser mais agressiva, os tribunais devem ser mais competentes nestes processos. O isolamento de indivíduos que se possam tornar um perigo para a vitima, e até mesmo para o envolvente, é necessário, tal como maior acompanhamento dos casos em que o agressor apresenta sinais de distúrbios psicológicos. O combate à violência domestica deve começar na sociedade, nas escolas e universidades, com a quebra do que é relações padrão e chavões que protegem comportamento que promovem certos de determinados estereótipos. 
   A violência domestica tem terminado em alguns casos na morte de dezenas de vitimas que se desprendem dos agressores. A expressão "se não és minha, não és de mais ninguém" é fruto da posse que a complacência da vitima, que o mau trabalho da justiça e a falta de força nas instituições torna possível. A violência doméstica é mais que agressões, é a destruição psicológica de um ser humano, é a limitação da vida social da vitima e obediência ao agressor. 
  Não se pode continuar a olhar para o lado e fingir que são minorias, a obrigação de cada cidadão é denunciar casos, tal como a obrigação das instituições publicas é apoiar a vitimas e travar os agressores. Fazer mais e melhor evita o fim de dezenas de vidas. 

O Futebol não é impune

    


  







  Um policia que toma uma atitude violenta, idêntica à tomada no sábado, tem de sofrer as consequências do seu acto. É um representante da autoridade que tem como principal dever o zelar pela segurança publica e não, ser portador de comportamentos uma violência desproporcional. No entanto deverá apenas ser o agente a única pessoa a sofrer as consequências do clima que vive o país por causa do Futebol? Óbvio que não. 
   O mundo do futebol criou no país um clima insuportável. Dirigentes e comentadores aproveitam os sentimentos mais negativos de adeptos descontrolados para criar um clima irrespirável na sociedade. Ataques aos árbitros, destruição da imagem das instituições e incitação do ódio, os dirigentes aproveitam tudo quanto possível para alcançar os objectivos programados. Atitudes que culminam em agressões, ameaças que se estendem à família dos arbitros. A facilidade com que os discursos inflamados e regados de ódio se aproveitam dos sentimentos se aproveitam do ódio em adeptos facciosos e fanáticos é enorme, propensa para gerar o mau estar até entre amigos, ou mesmo familiares. O fanatismo abandona o desporto e procura no palco do ódio servir os clubes e dirigentes.
   Assim o clima não pode ficar. A mão pesada não pode só atingir quem tem de viver com este clima diariamente sem que qualquer medida seja tomada para não gerar criticas. As claques não podem continuar a agir com a impunidade que lhes é reconhecida, nem os dirigentes podem continuar a incendiar o clima sem que lhes seja imputadas as devidas consequências. O ressabiamento dos adeptos já levou à agressão a árbitros de futebol fora dos campos e mesmo no exercício da sua actividade. O ultimo caso foi noticia para lá das fronteiras nacionais. 
    O governo não só deve, como tem a obrigação de por um ponto final no clima insuportável instalado por dirigentes descontrolados. A impunidade dos agentes do futebol não pode continuar a bem da sanidade mental social. A policia tem o dever de manter a ordem publica quando necessário, não pode é servir de extintor de um incêndio cujos incendiários continuam impunemente a atear focos. Não podem os clubes se tornar propagadores de um fogo que se alastra, o, e despejar nas forças de segurança a obrigação de "apaga fogo".
   Por mais que se tente evitar ou empurrar com a barriga esta situação, isso não vai resolver o problema. O governo deve actuar com força para travar o alarido provocado pelo futebol. Alimentar ambientes como o que está neste momento. Ser dirigente, comentador ou adepto de um clube não pode ser carta branca para a impunidade.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Aceitar a diversidade de opiniões também é democracia

  
   Um aeroporto baptizado com o nome de um jogador de futebol é perfeitamente​ normal num país que olha para o futebol como representação à sua pátria, como símbolo da sua história, observa mais do que um desporto, vê um elemento de identidade do seu povo. A existência de um aeroporto com o nome do seu melhor jogador não é fora do comum, não fossemos nós um país que espera um D.Sebastião oriundo de uma noite de nevoeiro.O que não é comum, nem nos livros de Fernando Pessoa, é num país que possui mais de quatro décadas de democracia aceitar-se de forma natural que opiniões divergentes sejam silenciadas com a mordaça da escrita em comentários ou artigos de opinião. 
   Miguel Guedes assume que tem a razão. Para além de vocalista de uma banda e militante do BE, é adepto de futebol, e naturalmente, fã de Cristiano Ronaldo. Aproveitando o seu espaço de opinião no Jornal de Noticias, Miguel Guedes apelida de "medrosos" quem não aceita partilhar a sua opinião sobre o nome dado ao aeroporto da Madeira. Os "medrosos" de Miguel Guedes são os que não se predispõem ao endeusamento​ dos heróis que soam no campo de futebol, os verdadeiros guerreiros do relvado. Entende Miguel Guedes que devemos prestar vassalagem futebol, endeusar seres humanos que limitam as suas conquistas no seio de um campo de futebol. Dizem que em nome do país, e alguém que se atreva a dizer que em nome de valores mais altos, como os valores financeiros que cada um obtêm.
     A opinião de Miguel Guedes é uma forma natural, prática usual, de uma espécie de elite intelectual impor a sua opinião em determinado assunto, limitando a opinião contrária, não aceitando que sejam outras opiniões produzidas debate. Formato conhecido, apesar de menos selvagem,como o tradicional comentário arruaceiro das redes sociais. Não pode existir qualquer debater sobre o endeusamento dos onze magníficos, muito menos de Ronaldo, e quem se atrever a fazer, quem se atrever a achar que os feitos do futebol não são relevantes para a pátria, para a história ou para a vida normal das pessoas, está sujeito a uma avalanche de acusações desproporcionais, onde atingem acusações de inveja, de apoio a outro jogador, chegando mesmo a terminar em ameaças de violência física através de violência verbal e agressiva. Afinal não existe democracia nestes casos, existe apenas um linchamento intelectual e psicológico.
   De Miguel Guedes não esperava tamanha aberração textual, tentar limitar a opinião através do insulto generalizado não é de quem respeita o espaço alheio. É a diminuição do valor da liberdade de expressão e da dignidade do povo, ou parte, que tem direito à sua opinião. Um texto que designa os que não partilham da sua opinião uma espécie de triste povo do fado e choramingas. Povo de medrosos que teima em não aceitar que os heróis do campo devem ser devem ser abençoados e olhados com a grandeza dos marinheiros de outrora. Um sentimento patriótico que deve obrigar este povo medroso a olhar Éder como o herói de França, porque trouxe um titulo para o país. Célebre herói que não arriscou por um minuto a sua vida num feito, mas que colocou no mapa o país que sempre lá existiu, mas justificamos sempre que é por Ronaldo, por França e pelo futebol.
  Não está em causa as capacidades reconhecidas a Ronaldo pelo seu trabalho como jogador. Está em causa a teimosia de olhar para um campo de futebol e teimar obrigar todos, queiram ou não, que dentro das quatro linhas estão onze vencimentos milionários a praticar um desporto que representa o país com sucesso, e nós como colectivo somos obrigados a olhar para tais personagens como enormes, gigantescos humanos que quebram barreiras para trazer feitos a uma nação perdida. Como toda uma Diáspora lusa espalhada pelo mundo fique resumida ao silêncio dos números, e aos feitos mais ou menos reluzentes dos telejornais. O futebol tem de ser a alma deste povo medroso, que com tantos heróis, só os "Deuses" do campo devem ser olhados com o senório de grandeza.
É difícil compreender o êxtase de ataques pessoais que desafiam nas caixas de comentários das redes sociais, mas plausíveis. Afinal a digestão de ideias e o calibre de educação não são dados que o INE disponibiliza. Mas ter alguém que politicamente defende a expressão democracia, e depois atentar à liberdade de expressão recorrendo ao apelido fácil de quem não possui a mesma opinião, sem ouvir os argumentos ou ter a noção de quais sãos os motivos, é talvez mais difícil de digerir. Afinal a democracia é só quando nos dá um certo jeito. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Um retrato de uma Loures parada

     

 Loures merece muito melhor poderia ser um slogan de uma empresa ou de uma campanha eleitoral. Não, é apenas o slogan, ou parte, da campanha da CDU em Loures, e do pouco que conquistou.
     Bernardino Soares atingiu o esperado em Loures nas autárquicas. Com as promessas de um Concelho de Loures melhor, mais "poupado" e mais concentrado e demonstrar que a politica do executivo anterior sempre foi errada. Exemplificou com a expressão de uma gestão autárquica "desastrosa" do PS, utilizou contratos privados e despesas do município como argumento. Bernardino Soares afirmou a sua visão anti-austeridade,  e que seria a cara no combate ao governo anterior PSD/CDS.
     A vitória nas eleições mudou totalmente o discurso de Bernardino Soares. O combate à austeridade foi cancelado, apostou na austeridade na gestão municipal do Concelho. O seu combate ao governo PSD/CDS resumiu-se à coligação anti-natura com o PSD. A promessa de rasgar os contratos  com o sector privado foram simplesmente uma promessa em vão.
     Loures está pior. As obras de requalificação em algumas freguesias foram mal pensadas,  o maior exemplo está Moscavide. De obra este executivo não tem praticamente nada. As  medidas são escassas permaneceram dentro de uma espécie de austeridade autárquica, e sem proveito para os munícipes. Das várias medidas que o executivo mandou "propagandiar" nas inúmeras paragens de autocarros e outdoors do Concelho, maioria foram projetadas pelo anterior executivo (centro de saúde de Moscavide e biblioteca de Sacavém). Aquelas que se prepara para inaugurar, já concretizadas, foram de iniciativa, também elas, do executivo anterior. Algumas aguardam pela campanha eleitoral (centro de dia de Moscavide e pavilhão do Atlético) para abrirem ao publico. Da sua obra muito pouco existe. Em grande maioria as poucas medidas avulsas foram patrocinadas pelo governo da república (livros para o ensino básico).
    Um executivo com casos excêntricos, dignos de um despesismo.  A escola primária número um de Camarate foi por decisão do seu executivo, demolida, no seu lugar foi projetado um novo edifício quando apenas necessitava de uma restauração profunda, talvez com aumento das suas instalações, não um edifício de raiz. Uma medida antagónica face às suas promessas iniciais que assinalavam o fim do despesismo e a aplicação do dinheiro em prol de políticas necessárias e dirigidas à população. A construção do edifício foi mais peso para o orçamento municipal e alongou o contrato com os contentores que tanto a CDU de Loures contestou durante a vigência do PS à frente do Município.
    Às suas promessas juntam-se as reparações falhadas de viaturas municipais paradas por falta de manutenção. Há exigência do fim dos contratos com os privados para cedência de viaturas feito pelo PS, medida em que o PCP apontava como despesista acusando o executivo de favorecimento e "negociatas" com os privado, acabou por vencer o fiel despesismo! A frota municipal é alugada por um contrato de ajuste direto, não por concurso público, com um contrato mais caro ao município.
   A luta contra o despesismo é austeridade foi vencida pelas circunstâncias. Bernardino Soares não tem discurso, apenas acusa o anterior executivo da sua linha política. As populações ficam entregues ao mau serviço prestado pela Câmara ao município. As canalizações deixam os "cabelos em pé" a quem tem cortes sucessivos no abastecimento de água. O cheiro nauseabundo que provém dos contentores do lixo faz suster a respiração. Durante o verão é uma tarefa impossível estar junto aos contentores, as condições higiénicas são deploráveis. As ruas, de freguesia em freguesia, estão ao abandono na limpeza, e a Câmara, sem motivo aparente, proibiu a utilização das bocas de incêndio para  lavagem. Hoje é a imagem de freguesias com o rosto mal lavado. 
  Bernardino Soares venceu as eleições democraticamente nas urnas, foi a população que ditou. O mérito da vitória foi ditado por uma gestão socialista que teve um impacto negativo nos munícipes, mas o trabalho ficou feito, quer em termos sociais, que em termos do crescimento do Concelho. Mesmo assim não deixou a CDU atingir a maioria absoluta pretendida, encontrando um parceiro no PSD, que por um sectarismo histórico é o seu aliado natural no Concelho. Para Bernardino Soares, promessas levou o vento no tempo eleitoral. Num próximo mandato só lhe resta assegurar obra feita a tempo em contra-relógio e inaugurar algo o que não é obra da sua gestão. Quer ver trabalho reconhecido e um mérito que não é seu. Enquanto isso o centro de dia e o pavilhão em Moscavide vão ficar fechados, e a escola em Camarate vai continuar nos contentores. Loures vai continuar com as ruas sujas e contentores deploráveis. Depois, na campanha, as coisas fazem-se com mais propaganda e jeito.