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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Salário mínimo não chega, é preciso mais

   

  O aumento do salário mínimo, este ano, atinge os 27€. Como o próprio nome indica, o salário mínimo é o valor que o Estado considera mínimo para subsistência de um trabalhador, mesmo que esse valor esteja aquém da realidade económica do país. No entanto o seu aumento nos últimos dois anos é significativo. anos é significativo. 
   Com esta subida o governo pretende atingir dois efeitos. Por um lado o combate à pobreza e a melhor distribuição da riqueza. Por outro, com esta medida pretende potencializar o consumo interno, e por conseguinte, o crescimento económico. Tornar este crescimento uma medida de alavanca à economia através do consumo. A primeira ideia é correcta, mas a segunda ideia está longe de ter o efeito desejado.
   Procurar o crescimento da economia (que cresce vai dando sinais de crescimento após quatro anos de anemia) através do consumo interno pode ter um efeito (pelo menos inicial) bastante positivo. Mas isso, nos moldes actuais, é acrescido pela continua procura de crédito ao consumo, porque pela base dos rendimentos é quase impossível, principalmente no que diz respeito ao salário mínimo, longe de compensar os custos dos serviços e bens de primeira necessidade. 
   Apesar de uma medida correcta a nível social e económico, tem de se cingir apenas a uma medida social. No que se refere ao impulso económico, não é suficiente para impulsionar o crescimento da economia baseado no consumo. Os valores ainda não são suficientes. Apenas a nível social é uma melhoria significativa no bolso de alguns portugueses, caminhando para uma redução da taxa de pobreza, mesmo que ainda exista um caminho longo. 
   O problema nas contas do Governo, quanto ao crescimento do consumo interno, estão longe de estarem certas, o motivo se deve ao crescimento dos salários acima do mínimo. Os salários médios estiveram durante os últimos anos sem alterações. Aumentos eram reduzidos, e os cortes e impostos excepcionais, apertaram o orçamento das famílias. Mesmo com a devolução dos rendimentos, os preços dos bens e serviços de primeira necessidade estão mais elevados. Além do mais, apenas os funcionários Públicos sentem esse alivio, os funcionários do sector privado mantêm salários mais baixos, e continuam a não sem acesso a aumentos no imediato. 
   Se o Governo procura pela medida do consumo interno, e quiser utilizar essa via como motor da economia, então os salários acima do mínimo são obrigados têm de acompanhar, obrigatoriamente a subida do salário mínimo, mesmo que seja menor percentagem. É nestes salários que se encontra a maior incidência do consumo. Os 557€ servem apenas para um folgo nas famílias, um apoio financeiro, mas não como impulsionador do consumo. 
   Segundo a curva de Engel, o consumo das famílias que auferem o salário mínimo continua a ser muito baixo, o salário continua a ser canalizado, quase na sua totalidade, para as despesas com bens e serviços de primeira necessidade, contrariando, ai, as previsões do governo nesse aspecto.
   As medidas de impulso do crescimento económico, através do consumo interno, têm de  ser pensadas de outra forma, não apenas pelo aumento do salário mínimo, mas fazendo os salários acima do mínimo, acompanhar o ritmo de evolução da economia. 
    Se a política do governo é de devolução dos rendimentos e da melhor redistribuição da riqueza, tem de ser mais agressivo e menos fugaz. Tem de ter uma mão mais pesada nesse aspecto, ou corre o risco das previsões macroeconómicas ficarem aquém do esperado.





  

domingo, 27 de novembro de 2016

E agora, Trump

  


    As eleições americanas ficam marcadas pela vitória do candidato improvável, Donald Trump. Populista, demagogo, racista, machista, homofóbico e anti-imigração conseguiu conquistar o eleitorado q.b para se tornar o próximo presidente dos estados unidos eleito democraticamente. O que aconteceu? O que se passou naquela quarta feira negra nas urnas norte americanas?
    Donald Trump, em qualquer situação normal de numa democracia madura, não teria obtido um resultado que desse de sua existência como candidato. Comunicação social, artistas, figuras mediáticas e grande parte do mundo democrático fizeram apelos à não eleição de Trump, até mesmo ao boicote da campanha, parece ter sido em vão. Donald Trump fez uma campanha eleitoral pujada de ofensas e mentiras, ataques pessoais e ameaças, e foi eleito. 
     Comentadores, analistas políticos e jornalistas colocaram vários cenários para explicar uma vitória, histórica, de um candidato negativo. A ausência de "esquerda", representada, em grande parte por Bernie Sanders, o facto de Hilary ter sido apelidada de candidata do Sistema, até mesmo o facto do adversário de Trump ser mulher, tudo foi motivo para apontar uma vitoria do magnata. Talvez os cenários tenham algum fundo de verdade, que a imagem de Clinton tenha estado na origem da vitória de Trump e a ausência do discurso de Sanders também tenha impulsionado a candidatura de Trump, mas talvez outros motivos deram a eleição a Trump. 
    Um candidato que falou à direita, apostou no discurso racista e homofóbico, no ataque aos imigrantes, deu a mão à extrema direita e aos conservadores religiosos. Abraçou as ideias do Tea Party Republicano, conseguindo reunir os seus adversários,como Ted Cruz, em torno de uma candidatura que se desvendou eficaz. Falou, também, à esquerda , conseguiu aproximar o seu discurso a de Bernie Sanders, discursando, principalmente, para o eleitorado de Sanders, que estava longe de apoiar Clinton. Apresentou um discurso anti-sistema, diferente de Hilary, criando ilusão de ser um out sider do que o alimenta, o Sistema financeiro. Trump faz parte do Sistema, vida de Trump é o sistema, ele é o candidato do sistema, um candidato de Wall Street.
   Independentemente do que possa ter motivado a vitória de Trump, a reflexão do porque e como deve ser feita procurando, como sociedades democráticas, os motivos que estão a levar os extremos a ficar mais próximos da governação. No entanto, da vitoria de Trump o perigo não vem, apenas, dos seus discursos de campanha, ou da reversão de medidas de Obama, vem, acima de tudo, de medidas que possam ser tomadas durante o seu mandato, como a possibilidade de uma desregulamentação dos mercados financeiros, o fruto apetecível de Wall Street, a repatriação de milhões de imigrantes aos países de onde muitos fugiram, e principalmente o não cumprimento do protocolo de poluição, podendo agravar os problemas ambientais já existentes. Trump não é perigoso no discurso, é no acto.
    Os próximos quatro anos, avaliando os convites feitos a figuras pouco recomendadas, não serão propriamente fáceis, nem para os norte americanos, nem para os restantes países com quem os EUA detêm ligações económicas e cordiais. Trump não é um agente amigável das liberdades. A sua relação com a imprensa não é melhor, os seus comportamentos com os programas de humor não são os melhores, e o seu discurso contra as comunidades já surte efeitos negativos, a sua forma de estar é boçal. 
   Esperam quatro anos de um atraso civilizacional nos Estados Unidos, de comportamentos pouco democráticos e de um fim dos valores democráticos e progressistas que os Estados Unidos sempre encabeçaram. Trump não será solução, Trump será o verdadeiro problema. 

domingo, 16 de outubro de 2016

Uma direita sem alternativa


  Uma direita nervosa não significa alternativa, apenas demonstra não saber lidar com as escolhas que um Estado democrático maduro pode proporcionar no que toca a caminhos alternativos. O conformismo não pode ser um estado de alma, a existência de alternativas é a luz ao fundo de um túnel que levou quatro anos a atravessar.

  A crispação pós eleitoral abandonou a coligação PàF à beira de um ataque de nervos. Foram tomados por um descontrolo sobre o tipo de políticas alternativas e no tom do discurso. A alteração do modelo que deveria privilegiar o natural rumo pós eleitoral "quem ganha governa" deixou a coligação com um sério amargo de boca. A previsibilidade de Passos e Portas, que seria a saída de Costa da liderança dos socialistas e a abstenção que daria mais quatro anos a Passos, não existiu. A direita aguçou o discurso, o CDS mais inconformado demonstra o maior mau estar por se encontrar na oposição.
    A saída de Paulo Portas trouxe Assunção Cristas para a liderança. Num modelo de "copy paste" ao Bloco, a novidade deu lugar a mais do mesmo, mas pior. O CDS tornou-se, lamentavelmente, uma cocheira discursiva. 

    Assunção Cristas abriu a porta a um esquecimento de quatro anos, onde a mesma era ministra de um governo que, de certeza de má memória ao comum contribuinte. No que toca aos impostos a sua memória, demasiado selectiva, encontrasse infectada pelo vírus de Zenail Bava. Ao contrário de Zeinal Bava, os sintomas de Cristas é de um profundo buraco dimensional.


    O seu discurso sobre uma austeridade de esquerda, "à lá gouche" como gosta de apelidar, parece  oco quanto as ideias que o CDS possui. Um discurso tomado pelo mau estar ainda existente e pela vontade de fazer "barulho" no panorama político. O CDS necessita de apagar uma imagem demasiado colada a Paulo Portas, pois continua demasiado dependente do jovem que tornou o CDS o partido do táxi.

  As palavras de Assunção Cristas poderiam ter sentido se a mesma Assunção Cristas não constasse na fotografia de família do governo que mais aplicou medidas corrosivas à classe média e baixa como cortes em salários, da sobretaxa, do enorme aumentou impostos, dos escalões de IRS desproporcionais, que atingiram mais a classe média e os mais pobres, do aumento do IVA para os bens essenciais como leite e pão, que privatizou a parte publica da EDP fazendo disparar preço da electricidade e que entregou a economia do país a uma febre privatizadora e uma destruição da economia na esfera nacional. Fez parte de um governo que cedeu a maior transportadora aérea nacional, TAP,à última da hora, por míseros 10 milhões de Euros após ter danificado financeiramente a empresa acusando os malefícios das greves. Fez parte de um governo de má memória para o país e para a economia. Governo que alguém se encarregará de lembrar sempre que a história assim o necessitar.
  Por as bandas da Lapa, apesar do dissabor ser maior, o mau estar parece serenado. Por outro lado Passos Coelho continua a viver como se do primeiro ministro se tratasse. Ainda não acredita que uma vitória aos 45 minutos virou uma derrota eleitoral aos 90. Entende que não terminou o seu mandato, que ganhou as eleições e por isso deve governar. Para Passos Coelho, Costa assumiu o lugar de primeiro ministro ilegitimamente, quiçá ilegalmente, e por esse motivo tem o direito, e o dever, de assumir o seu lugar natural. Passos Coelho é o único que sente que o país precisa dele.
    A direita, iniciou uma espiral de vitimização/ataque desproporcional continuo. Nas "jotas" reina o principio da infantilidade, nos seus dirigentes o devaneio e nos seus militantes um sentido de "ressábia" transformado em blogs de má língua, mentira e disparate.  

    Com discursos vagos deste género não existe espaço para o verdadeiro debate sobre alternativas politicas que a direita tem. A politica é discutida em saraus de baixo nível. A fraca visão sobre a economia e o país demonstra que um governo de quatro anos só conseguiu unir os portugueses em torno de uma injustiça fiscal e de um sentimento de conformismo, sem direito luz ao fundo do túnel.  
Desta direita nada se espera mais nada, infelizmente.





sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Um espírito Académico não é o espírito da praxe


 Todos os anos por esta data o debate sobre as praxes repete-se. O assunto é motivo para debate, e ambos os lados, quer anti quer pró, abrem uma acesa discussão sobre a utilidade, o espírito e a forma com que ocorrem as praxes. É uma discussão em que todos os argumentos contam, mas uns ultrapassam os outros dentro da razão de cada lado das barricadas.
  Quando entrei para a faculdade rejeitei a praxe. Sempre me mantive firme nessa decisão. Nunca encontrei nas praxes os aparentes motivos da sua existência, apesar de concordar que a praxe integra, mas de forma menos digna para cada um dos jovens que aceita ser vitima. Todos os anos, aqui ou ali, existem vitimas das praxes, e todos os anos assistimos aos mesmos discursos condescendentes, apontando sempre que são assuntos pontuais, e as praxes não são todas iguais.
   Das comissões de praxes, órgãos que funcionam à margem do Ensino Superior, não se pode esperar algo mais que a defesa da sua actividade. Por parte da Associação de estudantes, o sentimento é de um "sequestro" por parte das comissões de praxes. Todos olham para o lado, mesmo quando as praxes, em diversos cursos assumem uma tendência cada vez mais agressiva. Mesmo assim, por parte dos defensores da "tradição", os discursos benevolentes, mesmo que cada vez mais ocos, aparecem.
   A praxe, agressiva ou não, é praxe. A integração não pode servir como motivo para a humilhação gratuita e desproporcional. As características da praxe não se fundem com a essência do que é o Ensino Superior. O livre pensamento critico, a liberdade de opinião e a igualdade entre os seres, não fazem parte do espírito da praxe, mas são características do que é o Ensino Superior. Os alunos novos, apelidados de caloiros, são nivelados por baixo, sem o direito à critica e à livre opinião, tratados de forma humilhante, quer seja uma praxe branda ou agressiva. Na forma de tratamento não existe diferenças, em qualquer praxe existe o rebaixar do caloiro.
   É no espírito de subserviência e de falta de valores da democracia que a razão tende a estar mais do lado de quem defende um aperto firme à praxes e promove a construção de alternativas. A própria sociedade civil, através do espírito critico que não está presente na praxe, já olha de forma diferente para as praxes. O que antes era olhado como uma mera brincadeira entre alunos, hoje já é alvo de criticas por parte de que observa as práticas na rua. Sinais de mudança de pensamento, talvez colhidas pela pior das razões, o caso do Meco, por exemplo.
     Os textos e a critica aumentam, o próprio Ministro que detêm a tutela do Ensino Superior já se fez ouvir quanto ao seu entendimento sobre as praxes. O objectivo da praxe, que afirmam ser a integração, está cada vez mais descredibilizado, diversas personalidades, inclusive académicas, assiram petições para que a praxe seja banida do estabelecimentos, quer dentro quer fora. A criação de alternativas começa a mudar o paradigma, apesar de ainda ténues, começam a dar frutos, o caso do IULcome no ISCTE.
    Com uma estagnação da luta por causas, os estudantes começam a entrar num vazio. As praxes vêm preencher o vazio da forma negativa, não projectando o que é ser estudante, promovendo a criação do espírito critico e de luta por ideais. Ao contrário, o espírito das praxe ajusta-se a uma forma de estar baseada na subserviência, na ausência da critica construtiva e de ideais. A integração da praxe promove a exclusão de quem não aceita a humilhação, é isso a forma de estar na praxe.
  Por mais que o debate seja adiado, e que a motivação das comissões esteja forte para continuar, a visão que hoje muitos alunos têm da praxe vai alterando o seu circulo de vida nas Universidades. Uma sociedade mais critica, pais mais esclarecidos e jovens mais virados para a procura de alternativas, vai afastando, mesmo que lentamente, as praxes do seio das faculdades. No entanto ainda existe muito trabalho pela frente. A necessidade de construção de alternativas, a pressão do poder executivo, a necessidade de apertar o cerco ao abuso, a alteração do quadro das Associações de Estudantes e a luta de quem ficou excluído, formando células e criando ligações, vão ser essenciais para o implodir das praxes.
   Espero um dia poder ter o meu filho na faculdade, com o orgulho que um pai deve ter, com uma integração dentro dos valores democráticos, sem humilhação desproporcional, onde as bases dessa integração seja a essência real do que é o Ensino Superior.




domingo, 18 de setembro de 2016

Tenham vergonha senhores Jornalistas, tenham vergonha

 E de repente temos jornalistas com forte convicção ideológica, económica, financeira e social a ocupar o "mercado" de opinião. Afincadamente, cultivando a ideia de uma seriedade virgem,  auto intitulam-se de seres imparciais, que oferecem informação séria, mas a quem não fica mal uma opiniãozinha quando possível. Jornalistas que criam em artigos de opinião e comentários, uma visão da economia diferente dos modelos existentes, uma visão financeira oca, sem muito sentido e pouco consistente. Fazem uma analise económica que só um conjunto de "cérebros" preparados, podem entender. Esses cérebros são jornalistas, somente eles.    Com as opiniões que vão saindo como cogumelos, maioria de ataque a qualquer medida. Sem argumentações ou alternativas, somente opiniões de incomodo. Títulos de imprensa virados para o ataque verbal e oco  (exemplo da Visão e um titulo grotesco). Vamos assistindo, à luz do dia, as verdadeiras tendências dentro das redacções, e dos próprios jornalistas (Clara Viana e os sucessivos ataques ao Ministério da Educação).   No que toca ao plano económico, com os dados cada vez mais favoráveis ao actual executivo, o delírio, a paranoia,  a construção de uma visão económica própria, ocupam os títulos e leads de jornais,  colunas de opinião e espaços de comentário. Uma visão Macroeconómica nas redacções que mudou, e não foi necessário uma mudança do paradigma económico mundial, bastou mudar de governo. Sem querer a própria visão economia muda, o que me leva a pensar que neste momento, todo o meu conhecimento sobre economia, os meus quatro anos de faculdade (a minha área académica)me deram noções erradas, o que professores me ensinaram está errados, o que livros os livros me explicaram, está errado. Apenas alguém me pode corrigir esses erros, alguém especialista em tudo, alguém especialista numa economia muito própria,  especialista em finanças e economia, os jornalistas. 
   Durante quatro anos assistimos ao maior saque em democracia no que toca a política fiscal. O anterior governo cortou à cega, forte, comparou o leite a BMW topo de gama. Foi o maior saque à classe média, aos mais pobres, ao rendimento do trabalho.    Durante quatro anos o mundo do jornalismo aceitava. Criaram-se chavões demagógicos e populistas para desculpar o saque. Os impostos cada vez mais insuportáveis eram entendidos pelos jornalistas como "vivíamos acima das nossas possibilidades, agora chegou a altura de pagar" (chavão que nenhum jornalista saberá explicar o seu significado). Afirmavam convictamente que toda aquela política fiscal tinha o objectivo era baixar a divida e fazer o país crescer. Muitos comentários levavam os impostos como sendo a mecânica económica certa, mais impostos, mais dinheiro.... mais dinheiro, menos divida.    Uma teoria Liberojornalistica que terminou no pior cenário possível para um país que precisava de crescer com urgência. Quatros anos que culminaram no aumento da pobreza (cerca de 20% da população vive abaixo do limiar da pobreza), redução sucessiva dos rendimentos da classe média, de orçamento em orçamento, rectificativo em rectificativo, a redução dos rendimentos em cortes dos salários no sector publico e aumento da carga fiscal no sector privado, dizimaram a classe média. A queda do consumo congelou a economia, a economia congelou o emprego, acabando por aumentar o desemprego desmesuradamente. O Governo, face à sua ideologia, cortou nas prestações sociais, atira os reformados (quando muitos ainda seguravam as "pontas" financeiras em casa) para cortes sucessivos nas reformas, as pensões, incluindo as mais miseráveis, congelaram. Com uma política  destruidora, pouco eficaz, incapaz de produzir resultados necessário, abriu uma guerra contra os mais fracos. Por outro lado, os mais ricos ficavam mais ricos, e os muito ricos, milionários. Escapavam à crise, e invertiam a tendência de empobrecimento social.   Anos de crónicas e de comentários de jornalistas que se amontavam. Falavam em "políticas necessárias", apontando erros, mas concordando com o metodologia económica. No Observador existia uma espécie de oráculo que garantia que o "castigo" à classe média e baixa de hoje, rejubilava melhores amanhas.     Vítor Gaspar anunciava um "aumento colossal  de impostos", e os títulos abençoavam o Ministro das Finanças. Poucas criticas construtivas, algumas chamadas de atenção ligeiras, nada que não fosse contido nos parágrafos da noticia.   Taxas, Taxinhas, sobretaxa, um aumento ali, um corte aqui, uma taxa acolá, um imposto "temporário", tudo era uma forma de empobrecimento da classe média e derrocada dos mais pobres. Nas crónicas escritas por jornalistas, o discurso era o mesmo, "não existe outro caminho". Os média, publico, expresso, observador, abandonavam o jornalismo de vez em quando. Por vezes eram meros  espaços de propaganda.      Entre os jornalistas a visão económica pouco se alterava. Os discursos demonstravam uma tendência afectiva ideológica, que já não era necessário disfarçar, era às claras. Não existia motivo para esconder, existiam era razões para demonstrar, opinando.   Para os comentadores/jornalistas cada taxa, aumento de impostos, cada corte nos salários, cortes na educação e saúde e privatizações eram um "mal necessário". Os que preenchiam lugares em programas de opinião eram unânimes nos discursos e chavões, "vivemos acima das possibilidades". Quem não se recorda da tentativa de redução das contribuições para o patronato, aumentando as contribuições para o trabalhador? Alguns jornalistas entendiam essa medida como benéfica para o investimento. Outros, mais mentecaptos, tinham um entendimento superfulo sobre as privatizações que consideravam excelentes, entendiam que era um encaixe financeiro nos cofres públicos,  que baixavam a divida e reduziam o défice, para tais especialistas era o verdadeiro corte nas gorduras do Estado. Ao contrário, a realidade demonstrava que esse pensamento só fazia sentido na cabeça de jornalistas. A divida aumentou 20% em quatro anos, o défice só era reduzido com a destruição da classe média e a pulverização dos mais pobres através do garrote dos impostos e os cofres continuavam a moscas e papel comercial. As gorduras mantinham-se disfarçadas de contratos que aumentaram com entidades privadas, concessões que o erário publica pagava em contratos "amigáveis" (Martifer), destruindo a capacidade de resposta do sector publico para manter os privados bem instalados no sector da saúde e educação. Essas gorduras nunca foram tocadas pelo governo, e pouco tocadas pelos média.    A destruição dos serviços públicos, a destruição da classe média, a destruição da classe baixa por via de magros salários e aumento dos impostos sobre o consumo dos bens essenciais, tudo isto acontecia nas barbas do jornalismo, na ideia ficam apenas as cronicas do "tem de ser, gastamos mais que criávamos", "vivemos acima das nossas possibilidades" é um "mal necessário para endireitarmos as contas publicas". Sobre o crescimento das grandes fortunas, nem uma palavra de lamentar.    Hoje toda a ideia económica que foi mantida durante os quatro anos PSD/CDS está completamente desajustada. A tributação dos imóveis acima de meio milhão de euros é um saque, um abuso do Estado. Hoje os impostos já não são um "mal necessário", hoje são um saque às famílias.   O absurdo tomou conta das redacções, se ainda existia algum motivo para esconder as tendências politicas, hoje dissipou-se, não interessa. O "saque da vergonha", dizem os mais radicais jornalistas, não merecem respeito. As figuras do twitter de Bernardo Ferrão, enunciando que o ataque aos mais ricos vai atacar a classe média, é dor de desespero. A classe média já possui casas no campo com valor de meio milhão de euros, e ainda casa na cidade valorizada a 600 mil euros, segundo José Gomes Ferreira. A classe média baixa do Restelo e Cascais de Camilo Lourenço e a teoria económica sem qualquer nexo João Miguel Tavares, e o saque aos mais necessitados (com vivendas no Restelo) de Manuel Carvalho. Já está montado o drama e o desespero, só falta é uma pequena coisa, a vergonha na cara de cada um destes jornalistas/comentadores.A falta de coerência e de seriedade no que dizem ultrapassou os limites do mais tolerante.    Os artistas (já não existem jornalistas, são meros artistas) já mudaram o discurso. Os impostos que eram maus, mas necessários, hoje são negativos para a economia. Há classe media incutem o receio de um segundo resgate, quando a classe média se tenta recompor financeiramente com a devolução de rendimentos. A falta de vergonha é tal, que já vale mentir e insinuar algo impossivel. Misturam PIB com a aquisição de casas, estão aflitos, atrapalhados, e desorientados. Falam dos mais pobres, dos mesmos que no passado eram "beneficiados" com medidas que os empobreceram mais. Apelam num acto de desespero, a um segundo resgate em títulos de jornais. A imprensa que perdeu a vergonha, ética e imparcialidade. Defendem-se com o corporativismo fazem-se passar por gente que informa, mas na verdade agem como agentes ideológicos.   Tenham vergonha senhores jornalistas, tenham ética, coerência e imparcialidade. Concentrem-se, raciocinem, parem de pensar que do outro lado está gente que se ilude, que se deslumbra com o que vocês escrevem. Reflictam de forma séria, do outro lado já existe gente cansada da (des)informação propositada e tendenciosa. Não é defendendo-se mutuamente que vão enviar sinais de jornalismo sério, é fazendo jornalismo sério. Respeitem o leitor, respeitem o espectador.  Senhores jornalistas do Público, do Expresso, Observador, Sol, I, e de todos os outros órgãos de comunicação social, tenham vergonha, ou lavem a cara na lama. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sanções a um sentimento Europeu.




   Da Esquerda à Direita, Europeístas e Eurocépticos estão dentro do barril de pólvora argumentativa sobre a União Europeia. É uma guerra que está longe de acabar. A lógica da União Europeia não é consensual entre os portugueses, nem mesmo entre os Europeus. As sanções atacaram forte o sentimento europeísta dos poucos lusos que ainda acreditam numa União de povos no continente Europeu.
    À esquerda o sentimento europeísta do PS é isolado, sobram os partidos fora da representação parlamentar. O Bloco e PCP têm raízes eurocépticas. Os seus argumentos apontam uma união europeia desinteressante, que não respeita as democracias legitimadas nas urnas e as atitudes dos seus burocratas torna-se um problema e não parte da solução. Argumentos que acumulam de ano para ano dão razões suficientes para ambas as forças politicas manterem o cepticismo em relação à Europa, acabando com apoio nas urnas.
    À direita o sentimento europeísta é enorme, outra coisa não seria de estranhar. Grande parte da Europa é governada pela da família PPE, ou por governos, mesmo socialistas, aplicam as politicas apoiadas por conservadores e liberais. É uma Europa feita para a direita governar sem espaços para alternativas, que digam os gregos e os portugueses. É no seio do PPE que existe o problema. As politicas de austeridade, a derrocada das economias e o nascimento dos nacionalismos duros como o Reino Unido tem feito transparecer.
     Os europeístas nacionais tremeram pelas consequências sociais das sanções, hoje respiram de alívio. No entanto não deixa de existir uma reflexão forte sobre o assunto. O medo e a pressão politica teve impacto. Mesmo que os média tenham feito o trabalho "sujo", como costume, não deixa de existir uma sensação estranha que a Europa nos quis enxovalhar porque o governo português apostou numa politica diferente da maioria pouco silenciosa.
    Os Eurocépticos acabam por ganhar terreno. São eles que com ou sem sanções acabem por afirmar que tinham razão. O discurso anti Europa funciona, e por culpa da mesma Europa cega. A demonstração que a única política é a da União, deixa alternativa para o crescimento do sentimento anti Europeu, e com isso, os partidos Eurocépticos vão crescendo de eleição para eleição. Não existe terreno mais pantanosos que o Europeu para partidos pró Europa, enquanto os discursos anti-Europa crescerem, com eles vem a xenofobia e todos os sentimentos negativos sobre a emigração, são curtos os caminhos que separam dois sentimentos, Eurocepticismo e xenofobia.
    Analisando os vários lados de um tabuleiro de xadrez emaranhado acabamos por perceber que o sentimento Europeísta tem vindo a desvanecer. Acreditar que a União Europeia tem salvação sem mudar o seu modelo actual é ter fé em algo oco. Não é possível manter uma União que choca com as democracias, com a legitimidade democrática e que a única coisa que consegue é absorver o medo que cria através da ditadura financeira.
    Uma União ligada às máquinas, a sua sobrevivência é de prognóstico reservado. As sanções é mais um sintoma de uma doença que vai matando as democracias nacionais e cria o sentimento Eurocéptico a cada cidadão descontente. As matastes xenófobas alastram pela Europa, e o sangue europeu já está contaminado pelo eurocépcismo. Mas a doença é um mal do próprio paciente. Um paciente que injectou um medicamento Neoliberal, pretendendo servir os interesses financeiros de grandes bancos. Um medicamento que teima em querer acabar com os países mais frágeis, aceitando que sejam os mais fortes a mandar num espaço igualitário de povos.
   Os europeístas, por mais contentes que possam se sentir, e aliviados que possam estar, estão esquecidos que sanções são sanções, sejam elas 0 ou 0,2. Só apenas o facto de estarmos a ser sancionados por falhas políticas apoiadas pela Comissão e BCE, é o suficiente para quem tanto fez sacrifícios ter direito a ser Eurocéptico convicto.
  neste momento não interessa o europeísmo, interessa sim, a reflexão se é esta União Europeia que queremos.



 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pelo fim das Praxes, de uma vez por todas

    

   Quando entrei para a faculdade já tinha uma certa idade, mas não escapei à questão das praxes. alguns jovens questionaram-me sobre a entrada no mundo das praxes. Sim (praxe), passando por o culto de uma tradição que se baseia na envergonhado alheia em publico. Não (anti-praxe), manteria a dignidade intacta, apenas era excluído dos círculos académicos. 
   Não demorei muito a responder, optei por fazer uma contraproposta (que não vou mencionar) que levou rapidamente os jovens a entender que a visão sobre as praxes era diferente. Eles compreenderam e seguiram a sua vida.
    Dignidade humana, sabedoria e inteligência, estes foram os motivos que nunca me levariam a entrar no comboio de vexame publico dos caloiros em nome de uma tradição académica sem sentido que não seja manter uma hierarquia ilegítima e a vontade de fazer sobreviver uma tradição académica que já estaria extinta não fosse a pressão cometida nos alunos. 
   Enquanto estudante do Ensino Superior assisti à acumulação de abusos nas praxes que vergonhosamente eram abafados por as instituições. Grande maioria dos casos acabavam em meros pedidos de desculpa.
   Os adeptos da praxe procuram as suas vitimas através de chantagem e de pouco espaço de mobilidade. Sentindo uma"presa"  fácil, os activistas pró-praxe, chantageando com a exclusão, evitar que alunos fiquem fora do mundo pouco fascinante da praxe. Só assim se poderá manter esta tradição académica viva. O risco de alternativas cria a ameaça e a coação sobre os jovens, que não aceitando, são excluídos, enxovalhados e ofendidos por alunos.
    Felizmente nunca fui vitima de práticas ofensivas, nem de ataques pessoais. Apenas fui excluído de várias iniciativas académicas organizadas por a própria Associação de Estudantes, mas eram as comissões de praxes os Relações Publicas munidos de guest list onde apenas constavam os alunos que passaram pelo crivo da praxe. Alunos de Associações anti-Praxe (MATA)  e que não aceitaram as praxes, ficaram excluído. Era na exclusão, e ocupação de lugares de destaque, que as comissões de praxes faziam entender aos novos alunos que sem praxe não existe integração.
    A praxe é apenas uma maneira de alguns alunos têm para sentirem que o abuso do próximo não é punido. Numa sociedade exigente seria crime a prática de algumas barbaridades. Um conjunto de gente que não conhece limites para as violações que comentem ano após ano, dando o sonho de no ano seguinte, os praxados,fazerem o mesmo, de forma igual ou pior tornando-se, muitas vezes, piores que os seus carrascos. 
    A praxe não ensina nada para além de obediência cega a um conjunto de pessoas que se sentem superiores. Ensina o aceitar que hierarquicamente existem seres inferiores e superiores dentro do ensino que deveria ensinar a igualdade entre todos.
   A culpa desta situação não é apenas dos alunos que pactuam com tamanha brutalidade. Entre Reitores, directores, professores e pais, também são culpados do teatro e dos abusos da  praxes. Um espectáculo que merece o repudio e condenação de quem acredita nos valores da democracia. Não se pode aceitar que um conjunto de alunos  proporcione actos criminosos atrás de uma imunidade condenável, onde Reitores, directores, professores e pais aceitam tranquilamente não salvaguardando a dignidade e a integridade física dos caloiros. Não pode ser ignorado a selvajaria das praxes, nem continuar a assobiar para o lado enquanto continuam vidas a serem ceifadas por uma dita tradição. Está na altura do Governo, correndo o risco de ser desagradável, por um fim ao abuso da dita tradição académica, "apertar" com os responsáveis das Universidades criminalizando actos de praxe na via publica, pondo fim à impunidade das praxes e dos praticantes.
  Infelizmente temo que ainda tenhamos que ser em sociedade a tomar uma posição sobre o assunto. Se assim for, muito mal anda o Ensino Superior na sua génese. Mas não estou crente que os responsáveis académicos pais e governo, exista a vontade de resolver este problema que se agrava de ano para ano.
  Casos como o do Meco não podem continuar a acontecer sem que nada aconteça aos responsáveis e aos estabelecimentos.A justiça não pode encolher os ombros e processar mães que perdem filhos em praxes em vez de punir de forma severa os reais criminosos.
    Casos como Meco, do Algarve, Piaget, faculdade de Agronomia, Coimbra, que terminaram mal, deveriam ser penalizados como exemplo, mas passaram ao lado. 
     Se nada for feito, Continuamos a assistir ao degradar da imagem do Ensino Superior. 


  

quarta-feira, 13 de julho de 2016

João Miguel Tavares, o miúdo das redes sociais





Quem é João Miguel Tavares?
    Pergunta pertinente, mas a resposta não será surpreendente. João Miguel Tavares é,supostamente, jornalista, supostamente. No entanto, João Miguel Tavares funciona como uma espécie de comentador político, à direita. Rapazito para suportar opiniões sobre tudo que termina em nada, em algo oco, sem um argumento ou uma validade filosófica. 
    Não possuo nada contra o seu espírito ideológico, mas quanto ao tipo de comentários, e à forma como os dá, tenho tudo contra. Não são opiniões nem postura, são apenas achincalhamentos ressabiados de quem deveria, por bom senso e não inteligência, manter uma certa postura no comentário.
    Em primeiro lugar, ao escrever este texto corro o risco de estar a dar a João Miguel Tavares aquilo que ele procura, e não tem, importância. A sagaz luta de João Miguel Tavares é isso, uma necessidade de ser importante, de ver a sua opinião espalhada e partilhada por todos os cantos das redes sociais. Ser falado, chamado para comentar, criar impacto, ser um senador do comentário, ou então, na melhor das hipóteses, procurar um pequeno tacho algures num governo, ou partido de direita. 
   João Miguel Tavares foi uma criação de Sócrates. Uma espécie de "Frankstein" do mundo do comentário que se deu a conhecer ao mundo com os seus ataques aos governos, e ao próprio José Sócrates. Essa era a pequena diferença entre Frankstein e João Miguel Tavares. Enquanto o velhinho Frank tinha obediência cega ao seu criador, João Miguel Tavares era exactamente o inverso. Aproveitou o seu "criador", e a decrescente popularidade, para obter o seu espaço mediático. No fundo, João Miguel Tavares agradece a existência de José Sócrates. 
     A chegada de Passos ao poder foi para João Miguel Tavares um agrado, afinal era a sua tendência politica. Em bom português, eram as forças partidárias, a ideologia e principalmente as políticas praticadas do agrado de João Miguel Tavares. Atrevo-me a dizer que João Miguel Tavares viveu um sonho. 
     A queda de Sócrates e a ascensão de Passos era uma promoção à queda e ao seu desaparecimento do espaço mediático. Já não conseguia agregar os descontentes com as politicas do governo, porque desta vez, João Miguel Tavares estava do lado negro da força. Para além de pequenas crónicas pouco conseguidas no Público, apenas o espaço de comentário no Governo Sombra lhe dava visibilidade pretendida. Sobrou a sua dedicação à actividade de escrever no seu blog pessoal "Pais de quatro", o expoente máximo de alguém que tanto fez para conquistar o mediatismo.
  João Miguel Tavares tem tido um comportamento lamentável, como um miúdo que quer dar que falar. Tal como a rapaziada que se coloca de fio dental à beira da autoestrada, João Miguel Tavares tem o mesmo desejo, falem dele, mal ou bem, mas que falem. João Miguel Tavares quer fazer "barulho", e para isso os fins justificam os meios. Vale tudo nas suas crónicas e nos seus comentários, vale mentir, vale atacar pessoalmente e profissionalmente, vale aldrabar números, criar estatísticas e transformar textos. As crónicas de João Miguel Tavares são uma espécie de "picada de insecto". Na verdade, o que João Miguel Tavares pretende é que lhe respondam, que lhe insiram o seu nome em dois ou três parágrafos, ou seja, pretende chamar à atenção.

  João Miguel Tavares não quer perder o seu espaço e o mediatismo, aproveita o mau ambiente entre o governo não desejado pelos média e a actual classe jornalística para ser o homem do comentário, da verdade e do impacto. Na verdade, João Miguel Tavares está como os média, decadência ética. Talvez esteja na altura de voltar a estudar a ética e moral de Kant e Stuart Mill.
  João Miguel Tavares cria indignação para ser falado, mas nunca à de passar de alguém que cumpre ao serviço da direita o papel tórrido de demagogia e populismo de redes sociais. João Miguel Tavares é apenas uma figura que pouco, ou nada, merece alguma atenção, partilha ou ofensa, porque é triste, muito triste, ser uma figura que faz de tudo para sobreviver à tona de água no mediatismo. 

   Hoje, neste blog, entre outros, João Miguel Tavares cumpre a sua missão, a sua figura teve direito a oito parágrafos. Já não é mau.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Brexit, o fim do caminho Europeu




    Sinceramente não sou favor do Brexit. Mas partilho a ideia de que este modelo de União Europeia não possui a génese do modelo inicial que levou à sua criação. Um dos principais motivos para a construção de uma Europa comum seria o pulverizar dos nacionalismos em nome de uma uma comunidade unida de povos e culturas dentro de um espaço politico, e geográfico, comum. Tal ideia esbarrou com o crescimento do neoliberalismo moralista do eixo alemão, na ascensão de funções burocratas sem legitimidade democrática, que assumem papeis acima de qualquer soberania democrática, construindo nas sociedades europeias o pensamento único da austeridade moralista. 
     Todos estes motivos, entre outros, abriram fendas perigosas entre os diversos países da União e entre os cidadãos a democracia e a União Europeia. O clima de instabilidade permanente entre as instituições Europeias e as diversas soberanias e os populismos misturados com sentimentos xenófobos, começam a quebrar os elos de ligação entre os diversos países, acabando por resultar na primeira saída
     Este resultado no Reino Unido abre vários procedentes, mas acima de tudo, cria novos problemas, talvez, o principal seja o início de um processo que vá por fim à união tal como a conhecemos, de um projecto que tinha tudo para dar certo, mas falhou por excesso de erros e intromissões alemãs.
    Cabe esclarecer que não foi, apenas, a perda de soberania que esteve em causa no Brexit. Uma campanha excessivamente populista teve o intuito de puxar o sentimento patriótico e xenófobo de muitos dos cidadãos do Reino Unido que olham para a imigração como um problema e não solução de nada. Juntando a política de austeridade praticada por David Cameroon, que estava demasiado em linha com a União Europeia, acabou por criar uma visão negativa sobre estar fora é melhor que dentro, aumentando o Eurocepticismo que muitos tinham sobre a União. Ninguém em terras da sua Majestade pretende dividir a sua soberania com Bruxelas, mas muito menos com Bundestag.
    A imigração e a desconfiança sobre a Europa foram o principal motivo para o Brexit. Os  "problemas" que Boris Jonhson e Nigel Farange exploraram para chegar ao seu objectivo, a saída. Foram argumentos populistas destilados por uma campanha xenófoba, estranhamente num país que possuiu um império representado em todos os continentes. 
    A vitória do sim não foi motivada apenas pela sua campanha demagógica e populista, mas também pela fraca campanha do Não, que para além das chantagem de Bruxelas, não possuiu um debate sério em torno dos prós e contras. Foi uma campanha fraca que não combateu o sentimento xenófobo, não combateu as demagogias e os populismos, apenas se limitou a dizer que era mau.  
     O que pode acontecer ao Reino Unido após o Brexit?
     Não me parece que o futuro seja promissor para nenhum dos lados. Enquanto Gales e Inglaterra parecem remar para o mesmo lado, a saída, a Escócia e a Irlanda acedem o desejo independentista há muito desejado. Com a saída do Reino unido da União Europeia, é mais que certo que a Escócia queira a sua independência, e a Irlanda a sua unificação com a Republica vizinha. No que toca à economia, o Reino Unido pode ter aberto a porta ao desmantelamento da City, aproveitada pela Alemanha que oferece as melhores condições em Frankfurt. A derrocada da Libra também parece não melhorar muito as previsões económicas e financeiras do Reino Unido. Esperam-se tempos conturbados.
   A saída do Reino Unido dos 28 é a construção do  caminho da sua desagregação. O Brexit gerou um mau estar entre as nações do Reino Unido, o que pode levar à sua divisão. Mas também na União Europeia não se esperam melhores dias. O efeito do Brexit pode gerar a desagregação da União Europeia. Entre democracias e pseudo-democracias, como a Hungria e a Polónia, o clima parece estar bastante complicado. Os nacionalismos agudizados pelo excessivo comportamento hegemonico da Alemanha parece surtir efeito nos partidos de extrema direita que vão crescendo a olhos vistos nos parlamentos Europeus, e no próprio parlamento Europeu. De Orban a Marie Le Pen, passando por Farage, os parlamentos nacionais começam a ter a imagem que tanto se combateu, e já chegaram a Bruxelas. 
   Neoliberalismo déspota, perca de respeito pelos povos, intromissão nas soberanias legitimas, abusos alemães, nacionalismos exacerbados, saídas preparadas e sanções premeditadas, esta é a imagem da actual União Europeia, que sem mudança, caminha para a sua desagregação. Se tal acontecer, muito podem festejar alemães e holandeses, afinal, em ambos os países, os ministros das Finanças foram os principais coveiros da degradação da União.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

O amarelo da vergonha

  

  Em primeiro lugar deve existir um esclarecimento breve, não existe  liberdade de escolha, por parte dos pais, quanto ao colégio que o filho vai frequentar , é de decisão do Estado, através dos contratos de Associação, quais os colégios que entram no leque de oferta publica. Ou seja, quem escolheu aqueles colégios, temporariamente, foi o Ministério da Educação e não os pais. Liberdade sempre existe, publico e privado, quem possui possibilidades pode escolher o privado, quem não possui, tem a oferta do publico.
   Nesta senda vergonhosa que tem sido as manifestações e exigências dos colégios, pais e alunos sobre os contratos de associação cabe dizer que o Estado, através do Ministério da Educação, tomou uma decisão que já deveria ter tomado, não abrir novas turmas nos colégios onde existe oferta publica próxima. Tudo o resto é chinfrim e desorientação. 
  Uma direita partidária ausente de vergonha das práticas que levou a cabo durante os últimos quatro anos, promovendo a  destruição do Ensino Publico, apela que o governo considere os despedimentos nos Colégios com contratos associação. A mesma direita que não quis escutar os 25 mil professores que lançou no desemprego, oferecendo-lhes a emigração como solução milagreira.  
   No meio desta mixórdia, chinfrineira e pouca vergonha de quem pretende viver com financiamento do Estado, sobra a falta de esclarecimento produzida por os órgãos de comunicação social que teimam em não informar adequadamente, pretendendo alterar o pensamento colectivo . Mais que natural, órgãos que já provocaram colapsos bancários, que tomam partido ideológico, renegando o código de conduta deontológica e outros mantêm a linha de mau jornalismo, na forma natural que sempre possuíram.  
  O Ministério da Educação faz cumprir a lei. Decidiu não autorizar novos contratos de associação em escolas de ensino privado e cooperativo se nos locais exista oferta publica. Nada mais lógico. O Estado tem obrigação de oferecer gratuitamente os doze anos de ensino obrigatório em estabelecimentos públicos. A oferta privada é de livre escolha das famílias,desde que sejam essas familiar a cobrir as despesas da mensalidade e não o Estado.
   No período que seguiu o 25 de Abril, a falta de infraestruturas em algumas regiões levou com que o Estado procedesse a contratos com colégios privados com o fim de oferecer naqueles locais ensino gratuito. Esses contratos teriam o objectivo de ser temporários até a rede publica absorver a área. No entanto, os sucessivos governos que sucederam o período pós 25 de Abril mantiveram esses contratos, mesmo quando procederam à construção da oferta publica. Isso apenas manteve a ideia de que os contratos seriam eternos. Através destes contratos, a iniciativa privada vivia debaixo da sombra dos Orçamentos de Estado.
   José Sócrates, numa tentativa de reduzir os custos na Educação, procedeu à redução do financiamento por turma nos contratos de associação. Rapidamente, pais, responsáveis e alunos dos colégios privados criaram um movimento denominado S.O.S, apoiado por a comunicação social e Cavaco Silva, que através de manifestações como as de hoje, tentou travar a redução de financiamento, alegando o principio da liberdade de escolha dos pais. O ultimo governo, PSD/CDS, não só manteve os contratos, como bonificou as turmas com mais financiamento, enquanto isso, destruía a escola publica. 
   Para revitalizar o ensino publico, que durante quatro anos foi totalmente aniquilado, o Ministro da Educação decidiu rever a rede escolar, onde 59 colégios que possuem contratos de associação, estão em áreas onde já existe oferta publica. Para que o bom senso pondere, e exista redução de custos, o Ministério informou esses colégios que não financiará a abertura de novas turmas, mas cumprirá os contratos já existentes. Desde esse dia que os colégios têm se comportado como lesados, e feito de tudo, com o apoio essencialmente do grupo Impresa.
   O que está em causa não é o ensino. Pais que realmente se preocupem com o conhecimento e a aprendizagem dos filhos apenas têm em mente a qualidade que possa existir no publico, que sem sombra de duvidas está e melhor posição de garantir a melhor qualidade de ensino. O que pode estar em causa é um conjunto de situações sociais que abrem a porta a outra discussão. Preconceito, Status social e fait divers são, talvez, os motivos mais óbvios para tanta consternação.
   Resta ao Ministério tomar a decisão certa, oferecendo a melhor qualidade de Ensino, que foi sempre uma chancela das escolas publicas, mantendo a liberdade de escolha de quem pode pagar.
  O Ministério deve-se preocupar com as crianças e não com os interesses instalados de quem quer viver à sombra do Estado, e de quem detesta chamar escola ao estabelecimento de ensino do filho. 


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Retrato de uma Angola



   Durante um crescimento económico exuberante de Angola, fomos escutando expressões, sensatas e exageradas sobre os benefícios que Angola teria com tamanho financiamento proveniente das suas matérias primas. Os mais exagerados determinavam que Angola compraria meio mundo, e o outro meio ficaria para mais tarde, quem sabe. Por qualquer coisa se dizia à boca cheia, "os angolanos chegam aqui e compram". Eram o crescimento da economia angolana a dar sinais positivos para a sociedade.
   O que aconteceu é que Angola, através do crescimento económico, criou uma fachada à verdadeira realidade do país. Desvirtuou a verdadeira face de Angola, criando expectativas que nunca corresponderam à verdade em nada . Depois de um pedido de ajuda financeira ao FMI, vai descobrindo cada vez os contornos reais do que é Angola, do estado dos serviços angolanos, da realidade social e a quem pertence o dinheiro que deveria ser distribuído equitativamente.
    Sair para Angola, de Portugal, com ordenado chorudo e cheio de regalias, era um principio bastante atractivo para muitos, que por cá, não conseguiam encontrar emprego. Se os mais sensatos falavam em 1500 a 3000€, os mais exagerados pronunciavam em voz alta que os angolanos teriam vencimentos, sem exagero, de quase 10.000€, a realidade dá nos outra visão. A verdadeira face demonstra que cerca de 70% dos angolanos vivem com dois dólares por dia, 1,75€. Quem consome é a elite, os 15% da população que vive em torno da elite de José Eduardo dos Santos.
    Enquanto Luanda assumiu o papel de capital mais cara do mundo, milhares de angolanos vivem na periferia, onde crianças vivem problemas graves de subnutrição. As lojas da conceituada Avenida da Liberdade viviam com as oportunidades de negócio criada por um determinada elite angolana, ao mesmo tempo  não existe um programa de vacinação infantil digno em Angola. Isabel dos Santos adquiriu o papel de uma das maiores fortunas do mundo, em coincidência na altura a Cruz Vermelha lançava um peditório para ajudar a combater a falta de alimentação e medicamentos em Angola. Falta de um plano de Educação, por outro lado, as ruas da cidade de Luanda enchem-se de viaturas topo de gama que se misturam com o lixo amontado. A crise da febre amarela e malária demonstrou que os hospitais vivem sem condições. Cadáveres são tratados, em plena luz do dia, no pátio das morgues, em plena rua devido a uma sobrelotação das morgues em Luanda. Crianças morrem em hospitais por falta de tratamento médico, e por falta de médicos e nem material clínico. No entanto, não deixa de ser curioso ser o país que consome mais champanhe per capita. Estranho, não?
   A queda do preço do petróleo atirou Angola para um problema grave de liquidez financeira. A situação grave que se vive no país demonstrou as lacunas que o país nunca resolveu, O crescimento económico baseada apenas no petróleo, desprotegeu a economia do país. Depois do golpe da queda dos preços, Angola corre contra o tempo enquanto os juros de empréstimos, em mercado secundário,  atingiram os 18%. Angola tenta evitar o colapso económico do país, demasiado fragilizado nos últimos meses. 
   No que toca a sua elite, José Eduardo dos Santos não pode evitar que entre em colapso. Vai ter de cortar nas regalias financeiras da sua turba.
    Possivelmente vamos ver menos angolanos a passear na Avenida da Liberdade, ou a arrefecer a aquisição de empresas em Portugal, principalmente a Comunicação Social. Tudo será fruto da falta de estratégia económica do governo de Angola, que decidiu deixar nas mãos da sua elite, e familiares, o controlo financeiro do país.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Como o português se comporta com os refugiados?

   


  Bom dia! Nasceu ao raiar do sol o sentimento patriótico nos portugueses, que sempre habituados a descobrir mundos, nos últimos meses, fizeram história, descobriram a existência de pobreza, de sem abrigo e de gente, que por um salário mais pequeno, vive na miséria. Que sorte!
  Engraçado é que são exactamente aqueles que aconselham, de forma amável, os sem abrigo a trabalhar, em vez de esmola. Os mesmo que dizem que o pessoal andou a gastar de mais, a viver acima das possibilidades (quando muito pouco percebem o significado dessa expressão), que apoiou os cortes salariais no publico, que vai para os supermercados tentar ver se trama a vida, e o emprego, aos funcionários, e que se sente economista de excelência quando expressa, na mesa com os amigos, que 500€ chega perfeitamente para viver bem. 
  Pessoal que faz afirmações exclusivas do tipo - “não existe pobres o pessoal finge", muito bom fingir-se que se é pobre, que não se tem dinheiro, há lá coisa melhor que não poder ir às compras ou por comida na mesa.  Os mais moderados, se é que existe isso, têm sempre aquelas expressões frenética sobre os sem abrigo -,“dorme na rua porque quer, tem bom cabedal para alancar“ - bonito e intenso.
    Este pessoal que demonstra, hoje, um especial carinho por as pessoas sem abrigo, por esse motivo, e por tradição, coloca obstáculos em frente à porta do prédio e no banco em frente a casa, para que possam procurar outro local, quem sabe mais luxuoso, para passar a noite, nada disto é preconceito, é apenas preocupação. Expulsam os sem abrigo despejando um garrafão de 5 litros de lixívia pura no chão e detestam ser abordados pelos pedintes, cheiram mal e a pobreza horroriza. Acham que o Banco Alimentar é para sustentar quem não quer trabalhar e que a Cáritas e Cruz Vermelha são um gang de velhas que não tem dinheiro para o bingo e ficam a fazer peditórios.
    Estes portugueses têm sempre razão, o conhecimento é a sua arma de combate. Em pouco tempo conseguiram descobrir que afinal a pobreza existe, que o pessoal dorme na rua, não por campismo, nem por ser um realty show apresentado por a Teresa Guilherme, mas porque a vida de vez em quando prega rasteiras duras. Descobriu que os Invernos rigorosos por debaixo de um patamar do Teatro ou dentro de uma estação do metro não são provas para o Guiness book, mas sim porque a vida, de vez em quando, é madrasta.
     E porque hoje temos tantos seres humanos, que procuram curar as mazelas da miséria e pobreza do nosso país? Perguntam bem, e eu respondo.
    Chegaram os tipos que vão destruir a Europa, os terrorista, os Sírios!
Eis o afortunado mundo Europeu que vai cair às mãos de um grupo de fanáticos, que pretendem obrigar-nos a nos tornar muçulmanos e vão estuprar as nossas mulheres. Chegaram os refugiados, e bolas, não ajudamos os nossos, porque é que vamos ajudar os refugiados?
     Este discurso é proferido com regularidade nas redes sociais, é natural, continuo a não entender o que fazem seres que mal conseguem fazer contas no Ábaco, sem pensar que aquilo é um brinquedo, a utilizar uma password e um perfil. É estranho, mas é o mundo de hoje, sempre em movimento!
   Ora então, dirão os mais aperfeiçoados seres nativos deste canto, -"Este esquerdalha vem para aqui defender aquela praga de gente que vem para aqui nos dominar" - Talvez este esquerdalha, como preferirem, venha para aqui defender seres humanos, que fogem de nativos fanáticos, parecidos a qualquer fanático que vem para as redes sociais ameaçar as pessoas de morte.
      Tipos que enfiam em barcos insufláveis, sem segurança nenhuma, arriscando a sua, e a vida da família, por vezes perdendo os seus ante queridos, talvez não serão propriamente tipos que venha para aqui islamizar alguma coisa, mas quem sabe, fugir à guerra. Mas qual é o tuga que não percebe isso. O tuga é um tipo natural guerreiro. Quem não assiste a um Porto-Benfica, ou Sporting-Benfica, e depois atesta o seu perfil do facebook cheio de ameaças e desejos de morte aos rivais, não sabe o que é uma guerra a sério. A Síria é para meninos, a Luz, Alvalade ou Dragão? É de homem. Vá lá, sempre existe a mania da Madeira querer ser independente.
   Quando o motivo de um povo descobrir que existe pobreza no seu país é os refugiados, explica muito sobre o numero de voluntários que nunca o praticaram, virem para as redes sociais defender a história -"Nossos primeiro"- quando ainda há pouquíssimo tempo os "nossos" eram um bando de calões a viver à custa dos outros. Honestidade intelectual divina deste povo, comove-me!
     O chorrilho de asneiras espetadas em frases coladas em fotos, mal feitas num qualquer programa de edição de imagem, assusta qualquer mortal. Nem para pequenos pormenores tem originalidade. Expõe frases de um Barra da Costa, fazendo de expressões demagógicas uma espécie de novo testamento. Hernâni Carvalho, entre outros especiais cidadãos, que sentando numa cadeira, a suportarem vencimentos luxuosos, lhe abrem a mente para o que é tudo mau e bom neste mundo. É este o tipo que nunca reconheceu a pobreza, e hoje, forçado por um grupo de sanguinários perigosos, que se aproveitam da guerra para islamizar a Europa, mesmo que nem a um décimo dos europeus chegue, sabe que a pobreza existe.
    Vêm ai os refugiados, caraças, foge! Chegam aos pares e são muitos, Portugal não aguenta. Quem lhe vai paga o médico, a casa e a comida, Fundos Europeus? Mentira! Não sabes o que dizes!
  Cheira a refugiados, vem no imediato uma associação de patriotas pela pobreza, comportado-se com a mesma, com uma relação diabéticos/doces com a pobreza - "ela existe, mas não lhe toco"- que nunca ajudaram, e se o fizerem, um dia, adoecem. Os mitras que fazem chorar Camões com um
português muito próprio, de fazer  lágrimas à gramática, enchem o peito para dizer -  “Então e os nossos? Ahhh, que estão ai pelas ruas?"- tão engraçado, ia jurar que a prática da ajuda é algo que nunca fizeram.  
      Por cá,1600 refugiados mudaram a vida de 10 milhões. Ao que parece, alguns dos que andam por cá, para além de fazerem prognósticos sobre o futuro, falam dos refugiados, de gente que fugiu da guerra, fome e desgraça, como uma guerrilha de muçulmanos, que veio para cá, para nos islamizar por via da força, rebentarem em centros comerciais e violar as nossas mulheres. Na sua imaginação é uma guerrilha, montados em carrinha Vito e Sprinter emprestadas pelos ciganos que andam a receber mil e tantos euros no RSI, e carrinhos de compras adquiridos a leasing aos romenos que andam por aqui a roubar os nosso. Ai vêm eles, centenas de crianças e mulheres armados até à testa, conquistando o nosso país. Entre a defesa de que nunca defenderam e bitaites contra os muçulmanos, vamos assistindo alguns miúdos, de origem portuguesa, belga, francesa... Europeia, a premeditar ataques terroristas, ou a passarem as fronteiras turcas para abraçar o Estado Islâmico. 
   De facto tenho pensado muito nisto. O terrorismo que todos apregoam que vai acontecer, é o receio que o que já existe apareça. Violência domestica mata cerca de quarenta mulheres por ano, crianças que são mortas pelos pais em litígio, crianças com armas em bairros sociais, alunos que batem em professores, mortes entre gangues de miúdos que vão suportar um futuro negativo, troca de agressões por futebol .... tanta coisa que poderíamos aqui expressar, que faz de um povo receoso por o terrorismo externo, um povo que pratica o seu próprio terrorismo. Que dizer de crianças que são violadas por familiares? Práticas de terrorismo existem, em pequenos, ou grandes, momentos. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Birra laranja ao interesse comum





 O professor Marcelo chamou à atenção do bom aluno europeu, que amuado, comporta-se como mau aluno por cá. Passos Coelho, e toda a sua turba do PSD, decidiram ser oposição por oposição, mesmo em causas que mereciam mais respeito de um ex primeiro ministro.
    A causa do "puxão de orelhas" de Marcelo Rebelo de Sousa, estão as declarações de Passos Coelho sobre uma suposta intervenção do actual Primeiro Ministro, António Costa, no sistema bancário. Uma reunião com Isabel dos Santos, e uma noticia do Expresso, atiçaram a ira dos Liberais radicais, encapados de sociais-democratas.
     Passos Coelho, para além de se comportar como o líder rebelde fora da idade, continua, depois de quatro anos de acção governativa, a  desconhecer, e sem aprender, o significado da expressão "interesse nacional". Entende, na sua óptica ideológica, que o Estado não deve interferir nos negócios entre privados, mesmo que a falta de intervenção possa, no futuro, lesar o país.
     O sistema bancário é um dos mais importantes elementos no funcionamento regular de qualquer economia. Devido a tamanha importância que possui, o Estado acaba por ter de intervir no sistema depois dos diversos ruinosos negócios praticados que desencadearam uma das mais graves crises financeiras e económicas, quer na Europa, quer no resto do mundo.
     É no sistema bancário que está o centro da economia, e de muita da liquidez do tecido económico. É no sistema bancário que está a dependência da normal movimentação do circuito económico e financeiro. Uma quebra pode significar um desastroso colapso financeiro do país. Por todos estes motivos, e muitos outros, a actuação do Governo português, face à concentração dos mais importantes bancos em Espanha, leva a que em nome do superior interesse nacional o governo deva intervir, sem movimentar as peças, mas evitar que o país sai prejudicado. Por isso, o Primeiro Ministro e o Presidente da Republica mantenham os receios quanto ao caminho da banca, e obrigue a que o Primeiro Ministro tenha posição sobre os negócios privados do sistema bancário.
     Não poderia existir melhor pessoa que Pedro Passos Coelho, para opinar sobre as intervenções do Primeiro ministro, expressando frases pouco inteligentes como - "intromissões do governo na esfera privada". Passos Coelho é mais que um verdadeiro desconhecedor do significado de "superior interesse nacional". Pedro Passos Coelho, e a tuba de Sociais-Democratas, contrariados por sair do governo, apenas conhecem a função governativa como vender e privatizar os pólos estratégicos do país, numa onda de custe o que custar, defender o país não consta no ADN da capitania laranja.
    A verdade é que o papel do PSD, como elemento legislativo, para além dos lapsos de esquecimento à moda de Zeinal Bava, não tem serventia qualquer no parlamento. A sua marca negativa de oposição, não construtiva, para tudo o envolva interesse nacional, demonstra a inutilidade democrática do PSD de Passos Coelho. 
   Ao fazer afirmações sobre a interferência indevida do actual governo nos negócios da banca, Pedro Passos Coelho demonstra a sua visão do que é o interesse nacional, nada, e para que serve um governo. Para Passos, o interesse partidário e ideológico ,desde que o governo não interfira na esfera privada, está à frente do interesse da comunidade, mesmo que seja essa comunidade no futuro, a pagar a factura de um projecto ideológico desconectado com a realidade. São as empresas e as famílias a pagar a factura das inspiração divina do respeito por o privado. E depois, existe o Estado para intervir, se tudo der para o torto, e mais um quinhão de lesadas da banca aparece, que por inspiração divina da oposição, deixou de ter o seu centro estratégico no país. O BANIF é o exemplo forte da fé de Passos na ideologia radical. 
   A forte exposição da economia portuguesa a Espanha, através dos agentes financeiros, os bancos, tende a  ser danoso para o crescimento e estimulo da economia portuguesa. Os centros de decisão transitam para o país vizinho, deixando de estar junto ao mercado onde actuam, fragilizando as decisões sobre o financiamento da economia. 
   A interferência de António Costa, apoiada por Marcelo Rebelo de Sousa, é demonstração daquela que deve ser a principal função de um governo, quer em Portugal, quer no Burkina Faso, a defesa do interesse nacional, da estratégia da economia e dos direitos dos cidadãos, algo que o PSD dos últimos anos não entende, de forma coerente. 
   O PSD, representado por Passos Coelho, começa a entrar em colisão com os interesses do país. Não foi apenas o seu governo que afastou as decisões do país, cedendo de mão beijada os sectores estratégicos da economia ao interesse de outros estados, fundos ou agentes privados, agora comporta-se como uma claque de meninos mimados, que declaram guerra à gestão do país e aos interesses estratégicos e económicos, apostando numa agenda que configura apenas o "contra", finca pé, criancice e desnorte partidário como medidas a ter.
    Resta ao país esperar que surjam alguns dos sociais democratas mais sérios, e que compreendam que assuntos sérios, como o sistema financeiro, não podem ser tratados como uma guerrilha partidária ou birra parlamentar. O que está em causa é a economia nacional, as pessoas e o supremo interesse de todos nós, sem excepção.
   Este PSD não consegue ter homens à altura dos momentos em que o país pede mais responsabilidade aos agentes políticos. Nos momentos em que esses agentes devem ser mais sérios e construir mais pontes de entendimento. Mas se o PSD não sabe o que é isso, então está na altura do eleitor comum repensar se a existência do mesmo é, tão, necessária no futuro. É necessário repensar se um PSD contrariado pode ser alternativa a alguma coisa, se não, a ele próprio. 
   Já chegava a rapaziada do CDS a comportar como meninos "tresloucados", era pedido ao PSD um pouco mais de responsabilidade em vez de fazer parte da "escolinha" do Baião.