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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As Maçonarias...












  Num artigo/postagem anterior que publiquei neste Blog, referi que havia Maçonarias e não uma Maçonaria e assim é o que de facto se passa, este curto artigo/postagem tem a intenção (que será sempre incompleta) de esclarecer o porquê de haverem Maçonarias e não uma Maçonaria, como alguns maçons e/ou historiadores defendem - se bem que minoritários - e a que muitos detratores e/ou conspirólogos - defensores e propagadores das teorias da conspiração - se agarram para a atacar e/ou fundamentar as suas teorias mais ou menos dementes de que somos malditos e de que eu e outros por sermos maçons somos imbuídos de uma imperfeição original.

Historicamente e desde a fundação e primórdios da Maçonaria na sua versão especulativa - que difere da anterior que era operativa, ou seja, formada por trabalhadores/operários de ofícios vários que construíam templos religiosos - que a origem da Maçonaria não é única.

Daí que a Maçonaria sempre foi desde o início um conjunto de Maçonarias, aliás até à consagração de rituais mais ou menos coesos de Ritos, que hoje os maçons reputam de esmagadormente maioritários mundialmente a diversidade quer da origem quer de algumas partes destes é muito diversa e ainda objeto de intensas discussões internas e/ou entre historiadores e pensadores do fenómeno e/ou da história maçónica.

Até entre os Rituais hoje mais praticados mundialmente, a saber, o Rito de York - também chamado de Real Arco - o Rito Escocês Antigo e Aceito - sim Aceito e não Aceite - e o Rito Francês e/ou Moderno existem uma multiplicidade de diferenças que vão desde o pormenor e/ou adaptações pontuais mas próximas - casos dos do Rito de York e do Francês e/ou Moderno - até ao seu contrário absoluto como o do Escocês Antigo e Aceito.

Neste último ponto muitos maçons acham que cada um é que pratica um Ritual que é o superior e/ou o correto quando deveriam era pensar que, não é dessa forma que deve colocar a questão, mas sim que sendo a sua origem diversa bem como quem os pratica também a sua prática terá forçosamente conduzido a diferenças substanciais.

E ainda neste último ponto e, especificamente no Rito Escocês Antigo e Aceito, posso vos referir aquilo que eu pratico, sendo que a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" pratica o Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito, todo este e bem, foi adaptado para uma versão inclusiva que tem em conta todos os géneros, sim inclusive pessoas com género diferente e/ou sem o mesmo definido, daí o nosso ritual da maioria das Lojas Azuis - células base de todas as organizações maçónicas e que atribuem os três primeiros Graus: Aprendiz; Companheiro; Mestre - ser denominado Ritual Georges Martin em honra de um dos nossos fundadores e de quem também de longe trouxe a parte ritualista do primeiro ao trigésimo terceiro grau - pois o era de onde vinha - do então existente Supremo Conselho de França, assim e mesmo sendo o Rito Escocês Antigo e Aceito, as suas diferenças abismais entre este e os praticados pelas lojas de alguma Obediência dita de regular, fazem com que o Ritual Georges Martin seja felizmente o oposto em muitos pontos fundamentais em relação a essas, a começar pela aceitação de outros géneros que não apenas o masculino e o facto de retirar toda a carga dogmática e crente do mesmo.

E podemos começar por essa distinção fundamental moderna - não falarei das passadas porque nem numa enciclopédia de muitos volumes a conseguiria expor - entre as diferentes Maçonarias, a diferença entre os exclusivamente masculinos e dogmáticos - que se chamam a si de tradicionais - e os liberais e adogmáticos, são várias, as mais importantes:

- Os primeiros aceitam maioritariamente a maternidade directa e/ou indireta da Grande Loja Unida de Inglaterra - United Grand Lodge of England v. UGLE - os segundos embora sem embargo de muitos acharem que é daí a sua origem histórica não aceitam maternidades nem diretas - onde esta tem precedência de facto e/ou ritual - nem indiretas - seguindo apenas algumas práticas desta - da UGLE. É daí que vem o conceito de regular e de irregular, ou seja, os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que eles são "os regulares" porque ou têm o diploma desta Grande Loja ou seguem os rituais históricos que esta emana enquanto que e os liberais e adogmáticos referem que quer os diplomas quer os rituais são absurdos e/ou enquistados em tradições que agora já não têm sentido quer histórico quer social;

- Deste modo os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que seguindo esses rituais que nem mulheres, escravos e/ou seres com deficiência podem ser iniciados e os liberais e adogmáticos contestam e acham que tal conceito é absurdo no mundo de hoje, aceitando mulheres iniciadas, rechaçando a parte dos escravos e achando absurdo a noção de deficiência como exclusão de iniciação;

- Também e baseando-se nos rituais históricos emanados pela UGLE, os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que apenas os crentes numa religião que aceite um D'us e/ou um ente/ser revelado podem ser maçons, já os liberais e adogmáticos não aceitam exclusões de seres humanos com base em terem ou não uma crença, deixando para a sua liberdade de consciência a mesma, podendo estes até não a terem definida;

São estas as três distinções fundamentais entre os chamados dois grandes campos mais antagónicos das Maçonarias e são de tal maneira antagónicos que os exclusivamente masculinos e dogmáticos proíbem que qualquer irmão e/ou irmã do campo dos liberais e adogmáticos participe em qualquer reunião maçónica da sua loja, já o contrário também acontece, mas é normalmente deixado ao critério da Loja que os recebe e, falando sobre a minha experiência pessoal, já me encontrei com alguns irmãos destas Obediências exclusivamente masculinas e dogmáticas em lojas e em trabalhos rituais de Obediências dos liberais e adogmáticos, com quem a minha Federação Portuguesa e Federação Espanhola - da Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" - tem acordos de amizade, que são todas como é óbvio do campo das Obediências liberais e adogmáticas, inclusive em Obediências femininas onde parece que muitas esposas destes são iniciadas, o que se virmos bem parece um contra-senso, mas que não me cabe a mim julgar como maçon liberal e adogmático que sou.

Agora vamos lá analisar estes dois campos separadamente, ou seja, o dos exclusivamente masculinos e dogmáticos e o dos liberais e adogmáticos e o facto de dificilmente e até nestes campos mais homogéneos ideologicamente ser difícil haver uma concentração que leve ao poder único e centralizado que muitos conspirólogos atribuem às Maçonarias a nível mundial.

Vamos ao campo mais fácil de refutar pois é onde as diferenças porque mais fáceis de discernir porque ou são só compostas pelo género masculino, feminino e ambos os géneros multigéneros e/ou mistas e depois iremos ao mais difícil pois é onde as diferenças são aparentemente menos flagrantes até porque apenas têm a ver com pormenores meramente históricos.

Deste modo comecemos pelo campo dito de liberal e adogmáticos, neste campo onde existem obediências masculinas, femininas e/ou mistas existe a primeira obediência que se declarou liberal e adogmática, o Grande Oriente de França (v. GOdF) - antes aceitava exclusivamente elementos de género masculino, tendo agora Lojas Azuis mistas - é óbvio que a mesma foi a inspiração e é de longe quem exerce uma maior atração nas Obediências que se reclamam deste campo, mas não podemos deixar de referir que outras Obediências quer pela sua história quer pelo seu número de membros e influência a nível mundial sobre outras Obediências liberais e adogmáticas também têm um peso considerável, destaco seis (a ordem é histórica e pela sua fundação): o Grande Oriente Lusitano; o Grande Oriente da Bélgica; a Ordem Maçónica do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim (também conhecida por Maçonaria Egípcia); a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain"; a Grande Loja Feminina de França.

Se excetuarmos a terceira, que já não existe a original mas que deu origem a uma multiplicidade de outras Obediências com fins semelhantes, todas as outras a par do GOdF ainda existem e prosseguem a sua atividade e uma razoável influência no campo liberal e adogmático. Ao ponto do GOdF, ter sido quem despoletou o chamado Acordo de Estrasburgo, que formou a organização CLIPSAS, que federa uma grande parte das organizações liberais e adogmáticas, já agora, Federar é respeitar a suas diferenças sem nenhuma influência e/ou tutela e/ou de emissão de ordens centrais. O Grande Oriente Lusitano foi a origem das potências brasileiras que agora estando a maioria no campo exclusivamente masculino e dogmático não deixam de reconhecer a sua autoridade histórica e maternidade linguística e ética até porque passou-se o caso único de quando fundado, o então, Grande Oriente Lusitano Unido, ter a patente e/o reconhecimento quer do campo dos regulares e/ou exclusivamente masculinos e dogmáticos quer do campo dos liberais e adogmáticos, ou seja, quer da UGLE quer do GOdF. Já a Grande Loja Feminina de França foi a grande dinamizadora das obediências Femininas a nível mundial, inclusive da de Portugal, formando outra Federação Mundial neste campo - o CLIMAF - que se reúne com regularidade sendo que grande parte destas obediências também fazem parte do CLIPSAS. Por fim a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" pelas suas características únicas e internacionais tem uma influência transversal ao mundo todo, pois está implantada nos quatro continentes - os que o homem pode habitar - e deu origem por diversas dissidências a inúmeras Ordens e/ou Obediências mistas por este mundo afora.

Por este resumo vemos que o campo liberal e dogmático dificilmente será um campo coeso embora se destaquem algumas obediências que têm uma influência, mais ética e de precedência histórica, do que outras, o CLIPSAS aqui referido é um Fórum e/ou Plataforma de discussão que nada vincula nem ordena é apenas e só e quanto muito uma federação de vontades no chamado campo liberal e adogmático, às vezes mais coesa outras nem tanto.

No campo das obediências exclusivamente masculinas e dogmáticas temos que distinguir duas áreas de influência muito definidas, a primeira é daqueles que aceitam sem reservas a maternidade da Grande Loja Unida de Inglaterra e/ou UGLE, a segunda daqueles que aceitam a influência ética e/ou ritual de documentos e/ou práticas emanadas desta, mas que dificilmente aceitam maternidades porque com razão ou sem ela se dizem independentes e/ou precedentes a esta.

Na primeira área, a UGLE federa e organiza de facto grandes encontros internacionais, onde vemos hoje, Eduardo, denominado no Reino Unido de Duque de Kent e Grão Mestre desta à frente destes encontros. Esses encontros, muitos deles organizados fora de Inglaterra, contam com maçons dos quatro continentes embora escape a quem vê essa manifestação interessante de aparente unidade que todas essas obediências são constituídas por membros e estatutos claramente patrióticos e exclusivamente nacionais. Sendo que os dois grandes pesos pesados, pelo número de membros, dessa área têm uma diferença insanável que se chama modo de governo, a UGLE aceita sem discussão a monarquia e as obediências estaduais norte-americanas são claramente republicanas sendo que todas são patriotas e algumas claramente nacionalistas e opositoras quer à monarquia quer à república democrática, como por exemplo, a de Cuba.

Na segunda área, encontram-se duas obediências que não aceitam a maternidade direta da UGLE, mas que aceitam o mesmo conjunto de valores éticos que esta e/ou documentos emanadas desta e/ou com semelhanças rituais fortes, a saber: Grande Loja da Escócia - The Grand Lodge of Ancient Free and Accepted Masons of Scotland´s  - e a Grande Loja da Irlanda. A primeira, com razão, diz que tem precedência histórica sobre a UGLE - as suas Lojas são muito anteriores a qualquer Loja fundada em Inglaterra - a segunda também alega essa precedência, embora sem razão, mas o que a separa da UGLE é bem mais ideológico e tem a ver com a sua independência do Reino Unido e o republicanismo desta última. Ambas atribuem cartas patentes - reconhecimentos de que uma Obediência segue as regras maçónicas e rituais para poder ser Obediência - neste campo e não aceitam qualquer tipo de declaração de maternidade por parte da UGLE. Mas neste segundo campo umas largas dezenas de Obediências que são dissidências da UGLE, destas duas referidas ou de outras que aceitaram a maternidade e/ou tiveram as cartas patentes das referidas. Por exemplo no Brasil temos a COMAB e alguns Grandes Orientes e/ou Grandes Lojas estaduais que enquadrando-se no campo exclusivamente masculino e dogmático não são aceites em encontros da UGLE - é que esta apenas aceita uma Obediência por país e/ou estado federado - o mesmo se passando com inúmeras por esta Europa e mundo fora, que têm um pendor fortemente nacional.

Por esse motivo é que eu refiro e reforço a ideia da existência de Maçonarias e não de uma Maçonaria, essa só existe - ou deveria existir - num campo, o ético e o moral.

Daí que muitos autores, alguns até de boa fé e a grande maioria não maçons que falam sobre maçonaria confundem muita coisa e vou apenas resumir as confusões mais importantes:
- Documentos emitidos no passado, mesmo pelo campo exclusivamente masculino e dogmático podem estar desatualizados e reproduzem opiniões daquele tempo e influências históricas passadas;
- Quando se analisa Obediências maçónicas liberais e adogmáticas tem que se perceber que algumas começaram por não o ser e outras fruto de vários fatores, mudaram de campo várias vezes, um caso paradigmático é o do Grande Oriente Lusitano, pois analisa-se documentos sem ter em conta qual era o campo em que se posicionava naquela altura, e sim este variou muitas e bastantes vezes, às vezes e na mesma década e conforme a Grande Dieta e/ou o seu Grão Mestre esta Obediência era ou mais liberal e adogmática ou mais masculina e dogmática;
- Atualmente os campos estão razoavelmente definidos, mas existem Obediências em que se as formos analisar existe ou uma recusa de escolherem um lado e/ou afastam-se de qualquer rótulo;
- Um Maçon - membro da maçonaria - é quando Mestre - membro da maçonaria com o 3.º grau - um ser livre em loja livre, seja de que Obediência for, não existe para além dos estatutos da sua obediência algum cumprimento e ou obrigação de seguir ordens ideológicas, religiosas e/ou políticas de superiores, deste modo vinco que, a Maçonaria não é uma seita mas sim uma vivência ritual que, como vimos pode ser muito distinta, mas que é uma escolha livre desse Maçon a viver e não uma imposição a esse de a seguir. Deste modo muitos anarquistas encontraram nas diversas Maçonarias um meio ideal de estarem e tal como eles muitos cidadãos das mais diversas vivências sociais, ideológicas e religiosas.
- Os anátemas religiosos que foram emitidos por religiões e/ou o seu clero superior, foram aplicados por estes e não pelos maçons, que a estes foram alheios, e é preciso compreendê-los religiosa e historicamente bem como a sua evolução posterior, ou seja, se estes ainda existem ou não e sejam de facto ou se a sua justificação ideologica de então se mantém atual.

Não existem dogmas maçónicos, queria sublinhar isso, a Maçonaria é uma fraternidade iniciática cujo o fim último é o iniciado com a sua evolução lá dentro ser um melhor ser humano do que era quando entrou.

Quando falo de maçonaria dogmática refiro que este conceito se refere que estas Obediências apenas aceitam membros masculinos que são crentes numa religião e/ou que aceitam um D'us e/ou um ente/ser revelado tal não implica que o D´us seja o conceito hebraico, cristão e/ou islâmico apenas que seja este conceito na generalidade, foi esse aliás um dos fundamentos para as condenações iniciais por parte do clero católico apostólico romano e islâmico à maçonaria e aos seus integrantes quando apareceu, pois esta sã convivência entre crentes era vista com muito maus olhos.  

Alguns convencem-se que esse trabalho está acabado e depois todos pomposos julgam que podem dar lições de moral a terceiros, sejam estes maçons ou não, esses são aqueles - e são muitos acreditem - que dificilmente perceberam qual o objetivo último da Maçonaria. A maioria julga e bem que é um trabalho constante e que são internamente e sempre uns aprendizes, esses são os melhores maçons que podem haver e são muitos desses que se destacando em determinados momentos, voltam para a quietude da sua existência após serem enormes

Precisamos de mais seres desses nos tempos modernos pois esses é que são os maçons que entenderam o papel real de um pedreiro livre...

Acabo com uma ideia, que não é difícil encontrar boa informação por aí sobre esta temática, claro que muita está em Livros, aquilo que muitos hoje em dia se recusam a ler, inclusive muitos jornaleiros de serviço, que investigam páginas efetuadas muitas vezes por dementes conspirólogos que nunca leram na sua vida um livro ou que usam alguns documentos que vão apanhando por aí e que truncam sem terem em conta quer a sua época histórica quer o seu fundamento ritual e ético, muitas vezes com séculos de existência, a esses aconselho-os a ler, é que quando se o faz com regularidade, nota-se logo quando se escreve e na língua que se escreve...é como beijar...

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Por ser Maçon serei um criminoso?











Essa pergunta que coloco no título é de retórica, mas sinto que tem actualidade, devido a acontecimentos recentes.

Antes demais e neste campo declaro que sou desde 2003, Mestre Maçon da Federação Portuguesa da Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" - O Direito Humano e membro dos seus ateliers de Altos Graus - em grau que não interessa especificar, pois é indiferente para este artigo - e que nesta Obediência Maçónica são apenas do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Já fui membro de três Lojas nesta Federação, agora apenas de duas, a saber a RL (v. Respeitável Loja) Liberdade (de que fui um dos fundadores) a Oriente de Sintra/Lisboa e da RL Estrela da Manhã a Oriente de Aveiro, internacionalmente sou membro (em dupla filiação internacional) da RL Luz de Al-Andaluz a Oriente de Sevilha esta da Federação Espanhola da mesma obediência.

A Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" - O Direito Humano, celebrou no passado mês de abril os seus 125 anos - primeira loja fundada em 4 de abril de 1893 - e para além de comungar de todos os princípios que transversalmente caracterizam todas as Obediências Maçónicas, tem três factores que a distinguem das demais:
- É apenas Mista, ou seja, as suas lojas são constituídas por mulheres e homens (livres e de bons costumes) que se candidatam de per si, ou seja, convites a haver são a exceção e não a regra;
- É Internacional, ou seja, tem um poder central representativo de todas as Lojas Pioneiras, Jurisdições (até 120 membros e cinco lojas) e Federações (a partir de cinco lojas e 120 membros). Tem deste modo um(a) Grão Mestre da Ordem a nível internacional e uma direção única, que se chama Supremo Concelho, tanto o primeiro como o segundo são eleitos numa convenção internacional que se realiza, de cinco em cinco anos, em Paris;
- Defende e pratica a continuidade iniciática, ou seja, todos os membros dos Altos Graus, tenham o grau que tiverem obrigatoriamente fazem parte de uma loja Azul, ou seja, de uma célula base;

E porque julgo que é um tema com actualidade, porque recentemente aconteceram duas coisas, uma no meu país e outra em Itália que me fizeram levantar esta pergunta, e passo a explicar estes dois acontecimentos.

Por aqui discutiu-se por motivos que nada têm a haver com a Maçonaria e/ou algum seu integrante a criação da chamada Entidade da Transparência e a revisão do registo de interesses a declarar ao abrigo da lei das incompatibilidades dos titulares de cargos políticos e mais uma vez alguns órgãos de comunicação social levantaram a lebre e a indignação de que o facto de alguém ser maçon mais uma vez não era incluído como se a declaração de algum político ser Maçon fosse em si um acto confesso de se ser um potencial criminoso, o que foi aliás o que aconteceu em Itália em que o recente acordo de governo entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga Norte exclui um ser humano de ser governante, por apenas ser Maçon, pior no acordo de governo comparam mesmo os maçons a criminosos comuns.

Antes demais aqui refiro que já por aqui analisei o fenómeno que foi o Movimento 5 Estrelas em Itália e pensei que embora populista fosse um movimento até redentor da política e dos políticos italianos, após a análise do programa eleitoral que assinaram em conjunto com o movimento separatista, fascista e racista Liga Norte, apenas posso confirmar que o pior que pensaria não se confirmar, confirmou-se. O programa eleitoral dessa coligação populista/fascista assenta em linhas em que o ódio e a demagogia são a lei, pelo que não auguro nada de bom nem de positivo a este governo e sinceramente desejo toda a má sorte ao mesmo. Aliás a entrevista de Steve Bannon à CNN, um fascista norte-americano que só quer o mal da União Europeia e dos europeus, a desejar sucesso a este governo italiano e a louvá-lo é notório da perigosidade que este representa. Se bem que pelas primeiras medidas de juras de amor eterno ao €uro e de recusa de desembarque de mais de 150 crianças refugiadas, acto que só um estado bárbaro efectuaria, durará pouco tempo. A demagogia e o populismo, quando em demasia acabam por ser a morte certa de quem os promove.

Mas vamos lá centrar a minha intervenção naquilo a que me propus, ou seja ao pensamento à priori efectuado de compararem os maçons a criminosos, seja em Itália seja por aqui, em que eu seria pelo simples facto de ser Maçon criminoso e incompatível de ser político e/ou governante.

A pergunta que faço é a seguinte, será mesmo que os Maçons devem ser públicos se são pré-julgados apenas e só por o serem?

E já agora para quem me irá ofender ou enviar mensagens privadas de ódio após a publicação e publicitação deste artigo respondo que eles confirmam o porquê da maioria destes não serem públicos e também o porquê desses pré-julgamentos sem sentido!?!?!

Eu estou-me completamente a marimbar para as ameaças e até já me defrontei com alguns dos cobardes que as fizeram, mas nem todos têm o meu estofo.

Mas para esses pré-julgamentos basta um jornaleiro - sim porque um jornalista segue o código deontológico - mal preparado que ganha uns patacos e é um lacaio, porque está a recibo verde, de preconceituosos como os Belmiros e os Balsemões desta vida e que espalham o ódio encomendado contra quem não se pode defender como as Maçonarias em geral.

E porquê? Porque não é um corpo único, nem aqui nem em Itália nem em qualquer parte do mundo, as Maçonarias - eu digo Maçonarias porque existem diferenças muito profundas e insanáveis entre as obediências ditas liberais e adogmáticas e as dogmáticas e exclusivamente masculinas e que se auto denominam de "regulares" - são várias obediências, algumas tão dispares e tão diferentes como água e azeite que nunca se misturam e dentro destas, os Mestres Maçons são pessoas livres que respondem por si e pela sua ética e não sob as ordens de algum poder centralizado.

Esses pré-julgamentos por esses jornaleiros servem apenas para disfarçar as jogatanas dos verdadeiros donos disto tudo sendo que nem aqui nem Itália nenhum foi ou é Maçon, mas que é o suficiente para atear chamas de ódio na populaça e espalhar o mesmo contra um inimigo invisível.

Vejamos a crise de 2008, algum daqueles banqueiros foi Maçon, fosse aqui ou em Itália?

E os especuladores que cruzaram acções de bancos com activos tóxicos ligados ao Imobiliário, nos EUA/USA e/ou Europa, eram Maçons?

E por fim algum governante, com responsabilidades económicas, financeiras e ou de de decisão directa nesta última década, em Portugal ou em Itália, esteve ligado ou foi alguma vez Maçon?

A todas a estas respostas, posso assegurar-vos, que a resposta é um rotundo: NÃO

Mas se vos disser que são conhecidas a muitos destes a sua ligação à Opus Dei, apesar desta organização nunca ter estado tão bem economicamente, o que confirma as minhas suspeitas que a cortina de fumo dirigida sempre para os mesmos fantasmas serve sempre o interesse dos mesmos de sempre, que estão longe de ser fantasmas.

E vejamos será que a Igreja Católica Apostólica Romana, que é a instituição que alberga essa organização corrupta e criminosa, chamada de Opus Dei, tem alguma responsabilidade por esta o ser e defender os interesses que defende seja na área económica, judicial e/ou policial

Dificilmente não acham!!!

Porque até foi ultimamente eleito alguém que é o oposto em valores para o Pontificado e não me venham com tretas que foi para disfarçar, pois no conclave apareceu um candidato dessa área que foi felizmente derrotado e o anterior titular, Ratzinger, não era mais do que um papa da Opus Dei.

Mas se fazem esta distinção entre esta Instituição e a outra que nesta e sob esta se abriga, porque é que não o fazem em relação a maçons e lojas que poderão não ter sido éticos como deviam e as Maçonarias no geral?

A resposta é simples: Porque não interessa!?!?!

Interessa esta capa de fumo para esconder os que sempre se aproveitaram do sistema e os verdadeiros poderes ocultos factuais que neste existem, que variam conforme as décadas mas que visam apenas uma coisa: Enriquecer-se contando com as falhas do sistema e praticando amoralidades

Esses sim, têm dinheiro para financiar artigos de jornais, em Portugal, e partidos, como a Liga Norte, em Itália.

São esses poderes fáticos que escaparam sempre pelos buracos da chuva em relação às crises que provocaram e que aparecem por detrás do financiamento ao fascista do Steve Bannon, à Frente Nacional - agora União Nacional, e onde é que já eu ouvi este nome - francesa, ao Rússia Unida de Putin, ao movimento do Brexit britânico - via financiadores e criadores da Cambridge Analytic - ou ao movimento do Tea Party/Alt-Right/K.K.K. que dentro do Partido Republicano dos EUA/USA que conjuntamente com este Presidente egocentrista, e candidato apoiado pelos mesmos, conseguiu na última reforma fiscal um abate de mais de 70% dos impostos que, os que o financiaram, pagavam!?!?!

Então a populaça já percebeu onde estão os que beneficiam com este caos?

E os nazis/extremistas de direita portugueses, do PNR, Hammerskins e/ou Nova Ordem Social, com relações internacionais com o movimento do Brexit, da (agora) União Nacional francesa, da Rússia Unida de Putin ou da Liga Norte de Itália irão continuar a espalhar o ódio por estas redes sociais para ver se eu e outros maçons temos medo de vós e nos calamos face ao que vocês representam?

Eu sei que muitos maçons não se estão para se expor, mas eu e outros não temos medo de vocês, seus racistas e vendidos com pele de cordeiro.

Eu e outros fizemos acusações directas da inserção de elementos da extrema-direita nas polícias e nas forças militares. Aliás os recentes casos de julgamentos, de agressões agravadas em esquadras contra cidadãos portugueses que foram agredidos só por terem uma cor de pele diferente, ou os casos de violência entre claques, são o corolário da impunidade que reina na inserção de membros e gangs de malfeitores do PNRHammerskins e/ou Nova Ordem Social, elementos racistas de claques de futebol e nacionalistas nessas instituições. O corolário é o criminoso Mário Machado, com inúmeros cúmplices nas diversas polícias e ramos das forças armadas portuguesas, ser candidato a uma conhecida claque de futebol, uma vergonha só permitida porque as autoridades deste país dormem, já deveria esse criminoso ter sido preso só por causa do ódio que promove e por se passear por aí de braço estendido em saudações fascistas, algo punível pela nossa constituição.

Finalmente o estado português parece que abriu parcialmente e em parte a pestana, pois pouco faltava para que estes facinoras se começarem a organizar em milícias armadas como existe em movimentos fascistas por essa Europa fora, como a Aurora Dourada grega, a Liga Norte italiana, o Jobbik e/ou Fidesz húngaros e a Rússia Unida de Putin que impunemente caçam homossexuais e emigrantes e/ou seus concidadãos de cor que não a branca pelas ruas e que fazem parte todos de entidades que vão buscar os seus financiamentos a quem controla FOX's, jornais como o Público os grupos como a COFINA, entre outros, que são antros de criminosos e de promoção do populismo puro.

É interessante ver que até num assunto tão simples como o aumento dos preços de combustíveis se exclui que a verdadeira beneficiada com esse aumento, a GALP Energia, que aumentou 200% os lucros em três anos, é apagada dos responsáveis do aumento dos combustíveis, só porque tem dinheiro para silenciar todos os jornais e jornaleiros desta terrinha, continuando estes a insistir na carga fiscal que até diminuiu marginalmente nos últimos anos.

Um Maçon deve ser ético e não pode silenciar-se face à ignomínia e aos vícios que povoam as catacumbas e masmorras desta terra, por isso somos odiados, porque os desmascaramos e não nos calamos e contribuímos em muito para a sua queda e para que neste mundo valores positivos e transversais sejam uma realidade.

Valores como a Democracia, a Liberdade, a Solidariedade, os Direitos Humanos, os Direitos das Crianças, a Fraternidade, os Direitos dos Trabalhadores, o Laicismo e a Igualdade entre homens e mulheres foram e são bandeiras maçónicas que todos comungamos.

Enquanto existir um Maçon, quem defende a ditadura e a perseguição apenas com base em pré-julgamentos terá da nossa parte luta sem quartel, por isso é que somos tão perigosos na Rússia, na Hungria, em Itália e em Portugal.

E uma nota final para os maçons portugueses, ficar à sombra de ter contribuido para criar coisas tão importantes como o SNS em Portugal é poucochinho, temos que reagir e perceber que não é a ser tolerantes com os intolerantes que por cá conseguimos atrair novos e jovens membros - mulheres e homens - mas sim a combater politicamente e socialmente por uma sociedade mais justa e solidária. Combatendo sem quartel esses facinoras, escondam-se estes sob a capa de jornaleiros ou de membros da extrema-direita que impunemente - e apoiados por elementos policiais - gritaram recentemente slogans fascistas à frente do palácio maçónico do Grande Oriente Lusitano. Porque quem se esquece que os anos de ditadura fascista foram anos de perseguição à Maçonaria dificilmente poderá lutar por essa sociedade mais justa e solidária.

A convocatória é simples: Não se calem, não se escondam e combatam os facinoras!?!?!

Quanto a mim não sou um criminoso e tenho orgulho em ser Maçon e de o dizer publicamente.