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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Quero ter os inimigos perto









 A extemização da política está a crescer. Sem dúvida que hoje uma frase pode ter leituras diferentes que podem muito levar a ataques pessoais e profissionais. Na melhor das hipóteses o contexto pode levar apenas a tentativa de lápis azul e silêncio da opinião de terceiros. A muito custo o debate deixou de fazer sentido, agora tudo se resolve com um bom pare de ofensas.

Recentemente passei por isso. Por ter comentado de forma negativa uma a opinião de Daniel Oliveira, e por entender que DO tem uma posição sobre os animais que não é a minha, mas principalmente por DO ser ofensivo sempre que aborda quem gosta de animais, não sai daquela caixa de comentários sem uma boa ofensa. Tudo se resume ao meu sentido "fascista" e ao argumento dos dois gatos que o DO tem. O melhor foi a falta de argumentos ter levado a um bloqueio.

O texto de Bonifácio é mau, expressa o preconceito e a superior moral e intelectual de alguém que acha que o tom de pele e a comunidade a qual pertence são características para se inferiorizar outros, é a opinião dela. O facto de a opinião dela ter sido logo acusada de crime demonstra que a tolerância esgotasse nos ideais de cada um. Discordo completamente que a opinião da senhora seja um motivo para queixa, muito menos que se tente silenciar as pessoas que têm a mesma ideia. Ao contrário de muitos que partilham o mesmo espaço ideológico, eu prefiro que as pessoas como Bonifácio tenham espaço para dar a sua opinião. Da mesma maneira que quero que gente como eu use o mesmo espaço para contrapor e retirar a razão a quem pensa como Bonifácio. Não quero censurar os e as "Bonifácios" que por aí andam, sejam eles escritores no Observador, território de muitos, sejam eles os meros artistas que de vez em quando se vão ouvindo ou lendo pontualmente.

 O facto de partilharem ideias bastante antagónicas às minhas, e serem argumentadas com uma espécie de superioridade moral e intelectual, é me totalmente favorável porque posso rebater de forma a desmembrar um por um os argumentos que eles defendem. E se, ao contrário da maioria, lidar sem ironias, ofensas ou parvoíces, torna muito mais difícil que eles mantenham a defesa da sua linha de pensamento. Porque a melhor maneira de lhes quebrar a linha de pensamento não é lhes retirando o direito á palavra, mas lhes retirando a razão.

O conjunto de textos que se seguiram a desmembrar o pensamento da senhora Bonifácio. Textos coesos e com simplicidade suficiente para irritar João Miguel Tavares e o mesmo acabar por colocar os pés pelas mãos em textos desconexos. Esse conjunto de textos da esquerda á direita tornaram visível que o pensamento de Bonifácio não é recomendado no espaço político, e está longe da sensatez da nossa democracia. E eu prefiro assim, prefiro conhecer a Bonifácio, o Tavares e tantos outros, de forma a conhecer o "inimigo" nos olhos, do que lutar contra servidores escondidos algures em qualquer parte do mundo onde são despejadas notícias falsas. Quero poder "partir a espinha" a quem tem "espinhas" na opinião. É essa a essência da democracia.

Não sendo o presidente da minha eleição, não posso estar mais de acordo quando Marcelo afirmou que o extremo deve ser combatido de outra formas, não com extremizar de posições. E até mesmo a sua opinião foi atacada com ofensa pessoais ao Presidente. Mas é essa a posição de muitos daqueles que entendem que o espaço da democracia é a tolerância e o debate democrático.

 Se os mais moderados não aparecerem, estamos sujeitos a tornar a política tão agressiva que acabamos por ter uma opinião de Pacheco Pereira a ser considerada de fascista e preconceituosa. A sensatez na política é cada vez mais necessária.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Entre mim e a política,

  




   








   O meu activismo politico começou muito cedo. Durante os velhos tempos em que as escolas tinham listas de pessoal com futuro brilhante no discurso político. Eu  juntava os  "revolucionários" de carteira, pessoal que se desconhecia numa escola pública elitista e dividida socialmente. Fazia parte do que consideravam a "malta da pesada".
  
   Não foi difícil com o meu espírito abraçar a causa partidária mais tarde. O espírito caseiro já lá estava e a força política já existia, jovem e cheia de vontade de crescer. Da minha adolescência revolucionária até ao Bloco foi uma questão de tempo. Aos 20 anos já era militante de "carteirinha". O ímpeto tornava capaz der defender a minha causa política. Não havia causa tão Kafkiana como aquela que eu aceitava.
  
   Tudo muda, os tempos e o estalo da realidade levaram-me lentamente a centrar o meu espaço politico e trocando a minha simpatia revolucionária por um punhado de avanços na democracia. Não gostava, tal como hoje ainda não gosto, do estado do Estado, mas estava a começar a compreender que as minhas ideias inspiradas em revoluções e iniciativas que relembram tempos diferentes já se distanciavam do caminho traçado. Já uma professora me dizia que a história só se repete porque os remédios adoptados no passado nunca fizeram efeito para o futuro.
  
   Depois de anos aos trambolhões com quilos e quilos de livros cheios de letras e números apercebi-me que a realidade revolucionária era mera utopia. Não é tão fácil levar uma sociedade a acreditar em ideais sem que eu próprio acredite neles. Certo é que me tornei moderado, a linha revolucionária que apregoava com meros quinze anos estava mais moderada. A utópica revolução dava há luz ideias de um processo de democratização maior e mais extenso.

   Não respirei muito tempo a minha militância no BE depois disto. A distância que nos separar já não era apenas uma linha. Dúvidas, soluções, medidas, propostas e caminhos, era tanto aquilo que nos separava quanto aquilo que me distanciava da revolução social e me obrigava a procurar soluções na democracia actual.
  
   Após a saída do BE não deixei o activismo , talvez um bocado mais participativo naquilo que realmente me deveria interessar como membro de uma sociedade onde o índice de participação se confunde com a militância politica. A minha veia sectária já tinha secado, abracei a causa das pontes, do diálogo e do "paz e amor" na vida política.

   Não sou um desistente por natureza, mas existe algo em que acredito profundamente, cada vez a vida partidária é me menos interessante. Cada vez me centro mais no essencial, nos debates acesos com um aperto de mão no fim, cada vez me vejo mais outsider de uma dinâmica partidária ligada às máquinas partidárias, aos grupos internos e à mistica partidária. A politica precisa de um novo cheiro, de novas formas de ser pensada e feita. Precisa de uma mudança de paradigma que deixe a democracia respirar de alivio do clima fraccionado.

    Já o meu pai dizia para despendiar energia em algo que valha a pena desafiar. Talvez já desconfiasse que ceder ao chamamento do activismo político. Estranho é que tão rápido percebesse porque é que ele nunca alinhou na vida partidária. Entendo hoje, que tal como ele, a vida partidária se tornasse tão desinteressante.

   A questão é, fará ou não sentido a militância? Talvez demore algum tempo mas acredito que cada vez menos sentido faz.

Entre a concessão e a nacionalização, uma história chamada CTT














   Vivo em Camarate, uma Vila no Concelho de Loures. É a principal freguesia de uma União delapidada de serviços com desculpas políticas e de simpatia local. O centro de saúde para Sacavém, era apenas questão estratégica e temporária, a Caixa Geral de Depósitos fez acreditar que não existiam clientes que justificasse a sua presença em Camarate, numa freguesia em que o número de idosos é significativo, o BES desculpou-se com a infiltração na agência. Foram saindo os serviços e nunca regressaram ou foram substituídos. Hoje preparo-me, com mais 36 mil pessoas, para ver encerrar a única estação dos CTT no espaço de 13Km2.
  
  O que fazer com os CTT? É uma questão que necessita de resposta urgente, a resposta que o governo teima em não dar. Não é suficiente dizer que se está de "mãos e pés atados" numa situação se degrada ano após ano, dia após dia. Os Correios estão cada vez mais longe de corresponder ao serviço publico que lhes foi conferido. O contrato de concessão está nas mãos do governo,  escusado dizer que a situação do encerramento das agências não é suficiente para o rever, o rol de queixas já tem argumentos suficientes para que a concessão termine. 

  Está nas mãos do governo saber qual é o melhor caminho para resolver esta questão. Não cabe apenas passar as culpas ao PSD e CDS com questão da privatização. A culpa não reverte a degradação do serviço, o encerramento das estações e o despedimento dos trabalhadores. Cabe ao Governo, e a mais ninguém, ter uma resolução com a maior brevidade possível.

   António Costa tem de dar resposta aos parceiros de coligação, tem de dar resposta aos utentes, aos trabalhadores e às autarquias que se arriscam a agarra a despesa e abonar os lucros dos CTT. Neste momento não vale a pena pensar uma nacionalização imediata. O que é certo é que os trabalhadores têm de saber o seu futuro e as autarquias não podem  assumir os custos de uma empresa que a fecha a porta ao serviço publico de correios e a passos largos se torna uma instituição financeira.
 
  Os CTT têm um problema grave, estão sem rumo, sem uma linha para o futuro da empresa, nem a curto nem a longo prazo. É cada vez mais impossível os correios se manterem como concessionária dos serviço postal e a degradar continuamente o seu serviço. A sua linha accionista torna impossível a manutenção de uma empresa onde o maior accionista é detentor de 12% do capital, e a dispersão de 68% do capital está nas mãos de uma anarquia de mais de uma centena de accionistas desconhecidos (excepto o Goldman Sachs).

   Não vale a pena procurar os culpados nem apontar dedos, a situação exige uma solução rápida, e não está certamente entre as acusações de culpa. Certo é que a culpa não será dos 36 mil utentes da minha freguesia que estão cada vez mais isolados ás portas da capital. 
  
    António Costa tem de ter uma decisão, ou o fim da concessão e as consequências, ou a nacionalização e as consequências, não podemos é ficar apenas as com as consequências de uma concessão, com as consequências do desemprego, com as consequências de um serviço publico degradado, com as consequências do desemprego, e quem sabe, mais tarde com as consequências de mais um Banco que eclipsou, e de mais uma Portugal Telecom que pulverizou.

O rasgar de vestes















  Durante o período que o país está distraído, na "sorrapa" silenciosa dos gabinetes no parlamento "cozinhava-se" nova lei para o financiamento dos partidos. Todos os partidos estiveram representados e participaram nesta legislação pouco clara. Nada previa que este "caldo" legislativo acabasse com a receita exposta na comunicação social. O que parecia ser algo mais ou menos despercebido acabou por gerar a indignação, desconforto e desconfiança na classe política. 
 
  
 Após a opinião pública obter conhecimento desta negociação não demorou muito aos partidos se defenderem.  CDS e o PAN preferiram distanciar da proposta de lei e votaram contra o diploma. BE e PCP hastearam velhas bandeiras da recusa de velhas propostas que foram apresentadas.anteriormente. PS e PSD preferem falar de consensos. São os únicos cuja ausência de vergonha lhes poupa ao choro de arrependimento. Os restantes apenas a hipocrisia lhes sobra para apresentar como desculpa.

   Ora vejamos bem a estória. Os partidos ou têm uma realidade desproporcional, ou então contam com a modéstia e humilde realidade oferecida por os seus militantes. Uma sociedade informada como a de hoje, onde as redes sociais são barómetros dos estados anímicos, como é possível julgar que se poderia guardar "ade interno" a informação sobre o novo diploma? Não será que os partidos partiram de um princípio em que do lado de fora das paredes das sedes existe apenas surtos de ignorância. Um princípio da presunção demasiado fora da realidade.

   Logo após ter caído nas redes sociais BE e o PCP rasgaram as vestes e o CDS achou-se paladino da democracia.  O BE demonstrou a vontade de rever novamente o projecto de lei que o próprio aprovou mantendo a sua imagem do partido que da transparência. Acabou por abrir a porta a desculpas que revelam desconhecimento do significado de demagogia e de transparecia. 

  Não é defender posições politicas passadas que muda a sua posição de hoje. Não está em causa o projecto de lei, que pode ser sempre susceptível de várias leituras. O que está em causa é a forma como foi negociado e decidido. Foi um processo vergonhoso onde só se ausenta o PAN, que se afastou por considerar um processo opaco. Mesmo o CDS, apesar de ter rejeitado assinar tinha conhecimento daquilo que estava em cima da mesa.

  O que aconteceu não ajuda à visão do sistema politico descredibilizado. Os partidos que participaram nesta situação não perdem tempo em deixar escapar o estigma social nos partidos, e na própria democracia. Foi uma brecha aberta aos discursos populistas e anti-partidários. 

    A forma de secretismo e exclusão utilizada para chegarem a um consenso numa lei que beneficia todos foi o problema, a solução não é rasgar vestes.  Reuniões à porta fechada, secretismo nas decisões e falta de transparência bloquearam de imediato qualquer opinião favorável sobre o tema. A indignação surge pela forma como foi decidido e numa altura em que as pessoas estão mais sensíveis à época abstraídas dos acontecimentos a nível político. Não foi uma decisão por coincidência, foi com intencionalidade.

   Não vale a pena rasgar as vestes, nem mesmo o CDS, que apesar de por não assinar o acordo aceitou que as regras fossem as menos transparentes possíveis. Foi um processo lamentável, pouco democrático e que deve encher de vergonha quem representa a democracia. Todo este processo merece o repúdio pela ousada falta de escrutínio premeditado por parte daqueles que julgaram que por detrás do biombo conseguiriam fazer passar este dossier. É nesse aspecto que os partidos são culpados do descrédito em que a democracia vive.

   Talvez esteja na altura das regras mudarem e uma nova vaga democrática e partidária surgir. E este foi um dos motivos.

“Super qualquer coisa”



 Após a exibição do primeiro episódio do programa “Super Nanny”, as constatações retiradas dos teasers vieram a confirmar o pior. Além disso a SIC promoveu um debate, no dia 22 deste mês, que alegadamente deveria ser moderado por Conceição Lino, que de imediato tomou o partido de defesa do programa, escabrosamente colocando questões às duas interlocutoras, respetivamente à Presidente da Direção do Instituto de Apoio à Criança e à Presidente da Comissão Nacional de Promoção de Direitos e Proteção de Crianças e Jovens, insinuando a certa altura o próprio impacto nas crianças das declarações e futuras ações que a CPCJ realizará.
É caso para dizer “E se fosse consigo”. Não obstante, a Diretora de Programação da SIC, contudo em parcimónia com as restantes declarações chegou mesmo a dizer que o fim do programa serviria puramente para fins “sociais, pedagógicos”.

    Se existe quem acredite que a SIC está preocupada com a educação das nossas crianças, que se desengane dessas falácias politicamente corretas, pois na realidade o share e as audiências movem mais os corações exploradores palpitantes.
  
  O que se passa naquele programa trata-se de exposição meramente gratuita (entenda-se para as crianças), descorando por completo o impacto desta exposição da rotina diária das mesmas, incluindo contexto domiciliário em que vivem, mostrando em horário nobre, entre outras atividades de vida diárias, o autocuidado do banho, vestir e despir-se, etc… a toda uma equipa do programa, incluindo a própria da dita “Super Nanny”. Ou seja, não mais que uma devassa da vida privada, sem salvaguarda alguma, valendo-se alegadamente da exposição comportamental da criança, para “ensinar os pais” a educá-las. E assistimos as crianças a terem reações extremadas.
   
   A primeira questão que me assola provém entre as mais variadas do impacto direto na vida das crianças. Primeiramente agora enquanto estão na escola, que tipo de embate sofrem elas com a reação dos seus colegas após verem o programa? A temática do bullying deve ter sido esquecida do pano consequencial que paira nas cabeças quer da SIC, quer daqueles pais, porque a tónica de critica não se pode só restringir a quem emite o programa, vai também para os próprios progenitores. E outra questão impor-se-á no futuro enquanto jovens e adultos, que tipo de reação terão estes quando virem o programa.
    
   O pensamento colocado em caixas, vividas em “carpe diem”, dá nesta irresponsabilidade que mais uma vez mostra o lado de exposição da saúde mental da criança, violando o direito à salvaguarda da integridade pessoal da mesma, enquanto estes não são detentores de todas as suas capacidades. Porque quando dizem “os pais se responsabilizam”, deveria entender-se que os mesmos não são detentores de bonecos ou fantoches, e que o que gera os comportamentos como aquelas que os filhos detêm parte em grande parte por comportamentos de “imitação” fruto da família, ordem social, etc….
Com o mote da importação de programas de outros países, que geram não mais que um total desrespeito pelos direitos e proteção de crianças, vimo-nos em constante confronto com uma ideia de que para gerar um programa de “como educar os nossos filhos”, tenhamos de ter cobaias sociais, para que uma psicóloga clínica demonstre como fazer.

    Quando afirmaram que o programa abriu um “debate que nunca foi feito”, apraz-me dizer que abriu ainda mais o buraco que escava a febre da televisão sensacionalista que assistimos, de que tudo fazem para serem lideres de audiências.    

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Profissionais de Saúde: TSDT, Enfermeiros…











  Desvalorizar a saúde e deixá-la num fosso deve ser totalmente a mensagem que querem deixar passar. A começar pelos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, estendendo-se aos enfermeiros e demais profissionais de saúde.
 Pergunto-me como querem deixar a saúde do nosso país? Como querem assegurar a prestação de cuidados aos nossos utentes do Serviço Nacional de Saúde? Não havendo enfermeiros, técnicos de radiologia e radioterapia, terapeutas da fala, fisioterapeutas, cardiologistas, analistas clínicos, de que é feita a saúde?
  Carreiras congeladas há quase duas décadas unem estes profissionais, onde a sua dignificação e valorização é deixada completamente à margem da sociedade. Desde as tão prometidas 35h, que ainda são 40h para alguns, às questões das horas de qualidade, à não progressão nas carreiras, e aos salários muito abaixo daquilo que é a média para os técnicos superiores.
  Desde a greve dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica agora, prorrogando à greve dos enfermeiros no mês passado, as vozes daqueles que vão mantendo a todo o custo a saúde desta espécie de serviço nacional de saúde, que se vai mantendo funereamente à espera de recursos, contratações, dignificação das competências e reconhecimentos das carreiras dos profissionais que lá trabalham, pela tanta responsabilidade que vão acarretando nos seus ombros.
 Desacreditados é a mensagem que veiculam, depreciados com quem se compromete mas que continua a falhar com estes cidadãos. No caso dos TSDT a 31 de Agosto foi divulgada o novo regime legal da carreira, sem diplomas próprios para as regras de transição e níveis remuneratórios.
 Parece-me que já chega do preconceito que foi imposto aos demais profissionais da saúde. As nossas qualificações em saúde estão associadas a um sentido magno de imputações no trabalho que é desenvolvido diariamente com os utentes.
  O que acontece com os TSDT que pertencem e se situam neste momento na “terra de ninguém”, pois não tem “carreira”, não estando incutidos na antiga nem na nova, faz um apanágio direto com a situação da enfermagem, sendo que se vão esquecendo progressivamente deles aquando da formulação de novas exigências em saúde.
  Por mais condições, mais dignidade e por respeito pelos profissionais de saúde deste país, a luta destes é em parcimónia com todos. Valorização, dignificação e acima de tudo justiça.
  As perguntas mantêm-se, bem como a falta de respostas. Manifestos, greves e mantém-se a “falta de vergonha” daqueles que ainda dizem que “não se pode resolver tudo no mesmo momento”.





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O que estamos a fazer á democracia?

   













  Recentemente um amigo meu expressava, descontente, que "no futebol e na política não existe gente honesta". Ao escutar aquilo imaginei como lhe dar um "puxão de orelhas", afinal suou como uma ofensa porque me considero político. No meio de tanta imaginação acabei por fazer uma reflexão aquelas palavras. Ele não está isolado, não é o único a pensar que a política ausente de gente honesta. Cada vez parece mais enraizado esse pensamento, consequência da cação de muitos daqueles que assumiram responsabilidades no país. Afinal o que nós políticos estamos a fazer?
  
   A política serve e serve-se para preencher interesses mais pessoais do que coletivos. As questões que consideramos sérias para a comunidade extinguem-se no imediato e as funções são aproveitadas para usufruto político/partidário quando deveriam ter o objetivo de defender o interesse publico e os interesses da comunidade. É esta a imagem que vai destruindo aos poucos a credibilidade da política e dos seus agentes e coloca em perigo a própria democracia.
   
   Os vícios não se iniciam apenas na cúpula partidária,é nas sedes e Concelhias onde centenas de militantes vivem ao sabor das oscilações directivas. Se ontem se cumprimentava de maneira cordial e simpática, hoje o cumprimento é de desprezo. É a consequência da falta de carácter. Enchem-se listas de "filhos da terra", gente que atravessou associações e instituições sem qualquer resultado positivo. Gente que fez tão pouco que algo parece exagero. Votos comprados à militância honrosa que se comporta como "claque" dos futuros vogais, presidentes ou vereadores. Pequenos grupos de interesse defendendo o seu próprio interesse.
  

   Criam-se máquinas bem oleadas. Escolhem-se amigos de longa data partidária, camaradas que ascenderam das "Jotas" sem qualquer capacidade critica, construtiva e mérito e os da confiança. Entre todas estas peças da "máquina" sente-se o cheiro a oportunismo e falta de qualidade.
    

   Não é corrupção, são vícios, megalomania, ausência de qualidade e capacidade militante. Não é ideologia, é interessante. Não é a comunidade, é pessoal. Não é mérito, é compadrio. Não é trabalho, é oportunismo. A causa pública pouco interessa. Serve-se aqui e ali, mas nada que nos enfraqueça, pois a militância está sempre disponível ao som dos aplausos.
 

  O Estado é "capturado" por os principais interesses políticos, dentro e fora do partido. A esfera toma conta da coisa, e a imprensa dá uma ajuda. Gente de boa índole política fica manchada pelos interesses dos que vivem pendurados desde o mais pequeno órgão partidário até ao maior. Ausência de Ética e jogo do "espertalhão". Afinal o que fizemos à política? Que estamos nós a fazer à democracia?
 

   Homens de bem são convidados a abandonar os partidos, isolados para não transmitir a ideia da falta de capacidade e de ausência de pensamento critico. Como pode uma democracia aceitar que quem a diz defender viva confortavelmente com ditaduras internas disfarçadas estatutos e com mesas políticas que expressam os conceitos da PIDE?
 

   Ausência de pensamento, de alternativas, de dúvidas, de racionalidade e ética. Vivemos sempre a cercar o líder e a saquear tudo aquilo que deveria ser a verdadeira democracia. Não queremos uma sociedade esclarecida, otimista, crente no futuro. Apenas queremos alguém que vote sem questionar.
  

   Não é possível que o silêncio clubístico não veja o risco que a democracia corre com o pactuar com comportamentos que deveriam ser condenáveis por a sua falta de ética. Os argumentos desta tragédia grega são frágeis, mas aceitáveis perante os homens que escolhem no meio da dualidade de critérios quais aqueles que mais lhes compensa.
  

  Que gente é esta que se desdobra em cargos na esfera eleitoral? Que gente é esta que descredibilizar as instituições e a democracia? Onde estão aqueles que pensam seriamente no futuro do país, na organização da sociedade, no futuro como coletivo? Nos trabalhadores do sector publico e privado? Numa futura forma de comunidade? Onde está a gente séria, capaz e de mérito?
 

  A política, mais que nunca, precisa de um sangue novo que queira defender a causa pública e não causas partidárias. Sangue que não confunda exercício de responsabilidade com interesses e compadrio,  alternativas serias e credíveis dentro e fora dos partidos. Gente que não seja velho nas práticas, que não abane os cartões de associações extintas, que não confunda o fracasso como aulas para o sucesso. Gente que não se ocupe de tudo para preparar o futuro, mas que seja honesto com os seus pares.
   

  Precisamos urgente de honestidade, ética e responsabilidade. Militância exigente, qualidade e capacidade para a causa pública. Eu, como tantos outros políticos honestos, com ética e responsabilidade, queremos fazer parte da solução do futuro e não dá tábua que assegura os vícios do passado.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ética pura, não, dura

  

    Ora a minha história começa com o meu regresso a terras Lusas. Encontrei por a terra amigos meus, boa gente, malta socialista ferranha de Loures. Pessoal que sempre foi figura de trabalho afinco nos problemas do concelho e da freguesia (dizem eles), rapaziada de bom coração. Quando dei por mim, lá estava eu na amena cavaqueira a tratar de assuntos da política séria e honesta. Comecei uma conversa intressantissima sobre a Catalunha. A coisa durou menos tempo que os preços do combustível sem aumentar. Visões diferentes? Infelizmente não, era apenas uma visão e duas ausências. Nada que não seja típico de pessoal apelidado de "filhos da terra", gente que passa os anos a esfregar na cara em trezentos e cinco cargos ocupados em associações, bombeiros, clubes, grémios e listas para a Câmara ou Junta. Resta dizer que quase nada deu resultado, muito pelo contrário. Mas são coisas para por de parte. 
  Com tanta opinião silenciosa, ou "porque sim" que ouvi, lá tive de mudar de conversa. Estive fora, ouvia e lia sobre os candidatos à Câmara municipal de Loures , mas desconhecia alguns. Lá me informaram que o Bernardino ficou, e ganhou, e que quase todos os outros mudaram. Quando dei por mim, estavam eles a elogiar a Sónia. Boa rapariga, vereadora com um pelouro difícil e   uma mulher de coragem. E na minha opinião até acredito. Mas quando falámos de Carlos Teixeira, as expressões faciais mudaram, e as criticas foram extensas. Desconheço se é na totalidade do partido, espero que não, mas ter criticas ferozes  é que não percebo. De desculpas em desculpas lá vieram os argumentos gastos, família e a despesa. Tive de perguntar - "Mas a despesa é sempre má?"- entupiram, não me souberam responder, apenas escuto um volte-face à conversa - "Agora estamos bem, o Ricardo Leão mudou o PS em Loures" - estranhei! O PS em Loures continua o mesmo, as mesmas caras, principalmente aquelas que ganharam protagonismo com Carlos Teixeira, e pelo que percebi, o Ricardo Leão também é o mesmo, o que foi  vereador. Mudou? Não percebi onde.
   Não percebo as desculpas em torno da dívida,  família,  gato e  cão. São pouco construtivas e dão um ar de desmérito do trabalho feito à pessoa que durante 12 anos foi Presidente do Concelho e protagonista do maior desenvolvimento do município. Talvez tenha encontrado alguém que se tenha esquecido do quão rural era Loures à entrada do século XXI, e quanto desenvolveu e se tornou um Concelho estratégico. Mas Carlos Teixeira falhou? Óbvio, mas político que não falha não é político, é uma almofada sem ideias. Medina falhou, Costa falhou, e não é por esse motivo que perderam o mérito de serem pessoas capazes, tal como Carlos Teixeira o foi.
   Falar sobre a família e a dívida? Perdão! Prefiro falar sobre trabalho, porque se falarmos sobre família, Carlos César tornaria-se o centro do assunto. Mas se insistem, falemos de profissionalismo. Dívida? Em que parte do mundo vivemos? Um concelho que saltou para o mapa pelas melhores razões, não por as afirmações dos Andrés Venturas desta vida, é porque tem um curriculum de trabalho feito. Sem dúvida quem criou o que é Loures é hoje, um concelho moderno, urbano e citadino foi Carlos Teixeira. A dívida é o que tinha de ser, ou agora temos "experts" que conseguem tirar um concelho da ruralidade do século 19 e tornar atrativo para negocio, para viver e trabalhar é feito em sonhos?
  O partido socialista só tem razões de sobra para se orgulhar do trabalho de 12 anos, mas prefere deitar fogo ao passado no jogo da culpabilidade alheia. Tornar Carlos Teixeira em uma espécie de "Persona Non Grata" no passado do partido.
   Podemos falar de familiares, fazer uma reflexão sobre eram ou não qualificados para talhar a sua função. Talvez aí possamos ter uma ideia mais alargada sobre o que convenceu a recrutar, talvez. Talvez nem seja como pintaram. O que ficou então de trabalho? Muito! Será então que o dinheiro foi bem gasto? Talvez sim, talvez não. Mas que Loures apareceu no mapa com mérito, apareceu. Foi ético colocar um familiar? Em princípio não, mas foi ilegal? Não! Mas então e ocupar três cargos, mesmo com a legitimidade democrática? Não será também pouco ético? Talvez, mas também não é ilegal. O que permite a qualquer outra pessoa ter uma leitura Kantesiana sobre os valores éticos na sociedade, que se transferem para a política.
  Pois é, já que afirmam as vozes da existência de falta de ética de Carlos Teixeira, então resta relembrar os meus amigos socialistas que outras formas de não partilhar a ética existem,  exemplo esparramado o PS ter um presidente da Concelhia,  também Presidente da Assembleia Municipal de Loures,  também é Vogal na Junta de Freguesia de Sacavém que por sua vez, por acaso, também deputado na Assembleia da República. Não é ilegal, mas não será falta de ética e motivo para que a política seja vista de forma menos adequada? Óbvio que sim! Porque das duas uma, ou estamos perante uma brilhante figura política, o que não discordo dada a experiência "profissional", ou estamos perante alguém que entende que a sua Concelhia não está munida de gente capaz, e por conseguinte o país. Não vislumbra ninguém melhor que ele para ser em si a soma de todos os cargos. Poderíamos, eventualmente,  chegar a uma terceira possibilidade, mas seria tirar o mérito à figura em questão.
  Portanto, se os socialistas têm por muito se queixar do legado deixado por Carlos Teixeira, a quem muito deve Loures, então muito se pode queixar da má imagem de Leão. Porque pode não ser pago a 100% por as funções partidárias, na Assembleia Municipal e Vogal na JF, até pode ser um brilhante político, mas não deixa de ser pouco ético perante um país que vive constantemente a criticar os seus políticos. Enquanto isso Carlos Teixiera, apesar de ter sido candidato a Lisboa, de forma independente, mas continua a fazer a sua vidinha sem correr atrás de Vaga.
  Deu-me uma tremenda vontade de voltar a escrever. Um abraço à equipe.

domingo, 5 de novembro de 2017

Catalunha, um cruzamento com a democracia

 


   
  A história cruza-se diversas vezes com a vontade da autodeterminação do povo Catalão. Por desconhecimento ou incúria sobre o assunto é que se opina apoiado nos argumentos que têm sido hoje utilizados, como o financeiro. Os sentimentos não são de hoje, muito menos o independentismo é um sentimento fresco para o povo Catalão.
   A história da Catalunha é recheada de desconfianças quanto a Espanha, tentar fazer da Catalunha,e de outras regiões autónomas, Espanha, e julga-los como espanhóis é não respeitar a diferença cultural, linguística e histórica que divide todos os territórios. Não são iguais, em nada, são diferentes em tudo.  Por esse motivo que todos os territórios autónomos de Espanha têm desejos decisão do Reino, vontade de se tornarem Republicas independentes. Querem ver respeitado o legado como povo, a sua história, as suas tradições, e dificilmente o sentem anexadas a um país que não respeita o  plurinacionalismo que existe no Reino de Espanha, uma Espanha demasiado franquista. Laivos de uma ditadura que vive nos hábitos e condutas políticas do atual executivo.
   Ao contrário dos milhares utilizadores lusos das redes sociais, e do comentário político, não possuo posição. Não tenho que ter qualquer posição sobre um assunto que não me diz respeito de forma direta. Mas infelizmente continuamos a assistir a uma espécie de "cusquice" na "casa alheia" baseadas em posições sobre algo que não nos diz respeito, abraçados a uma argumentação fraca e absurda.
   Tenho uma visão pessoal  sobre o assunto, mais europeia, menos nacionalista. Sei que o atual modelo europeu e a sua génese ideológica não permite qualquer aproximação ao meu modelo. Um modelo capacitado com maior respeito pelas nacionalidades existentes na Europa, como a Catalã. Mas acredito mais nas mudanças europeias, que têm por base maior democracia, do que em soluções oriundas de Madrid. Demasiado espírito franquista.
  É óbvio que não apoio qualquer solução que não procure a legitimidade e legalidade.Não acredito em soluções que se baseiem na violência desproporcional e gratuita por parte das autoridades Espanholas. Vindo do atual executivo espanhol, é natural esse tipo de atitude, mas não pode é ser aceite com a mesma naturalidade por os países democratas, onde se inclui Portugal. Muito menos que estes países ignorem de forma ridícula a forma como a justiça e o poder político em Espanha funcionam de mãos dadas.
   A única solução é negociar, respeitar e sentar à mesa procurando de consensos, não é asfixiar a democracia como fez a policia no dia 1 de Outubro na Catalunha. O impasse é entre a legalidade e o respeito pela autodeterminação dos povos, algo que consta na constituição Portuguesa e que o primeiro ministro deveria ter em conta. É um impasse complicado de resolver para quem quer manter a legalidade e os valores democráticos ao mesmo tempo. Por um lado a legalidade da Constituição Espanhola, e por outro a Autodeterminação do povo Catalão.
   Infelizmente os responsáveis por esta situação deveriam ser melhores que os atuais. Quer Rajoy, quer Puidgemont, não estiveram à altura dos acontecimentos históricos. Deixaram ambos a merecer quanto à sua capacidade política e intelectual para conseguir uma solução em conjunto. Ambos colocaram uma negociação possível em algo quase impossível de se concretizar. A solução não é possível enquanto Rajoy estiver no governo, enquanto o PP não apagar o seu passado e a sua índole franquista.
   Enquanto isso não acontecer, por cá ficamos em conversas de argumentos frágeis e ignorância  a cargo dos Unionistas do Burgo, como as grande genialidade (ironia) de Clara Ferreira Alves.

Extremar posições e abortar os valores, nova condição política?

  




   





    Desde muito novo que sigo a política. Tenho alma de quem vive no seio do debate democrático e saudável, mesmo com diferentes prespectivas e ideologias. Fui habituado assim, levando a sério a expressão "a conversar é que a gente se entende".
   Mas hoje a política está diferente. Diferente na sua essência, diferente no debate, diferente na sua visão ética e na atitude de quem a vive mais ativamente. Hoje a política é vivida ao sabor dos sentimentos do grosso da opinião, de forma extrema e ofensiva.
  Sou de esquerda moderada,  conhecida como centro-esquerda. Como qualquer outro militante de esquerda, partilho um conjunto de valores universais a toda a esquerda. Entendo que os valores Universais de esquerda se sobrepõem às exigências partidárias. Não existem "esquerdas", mas sim esquerda. O que existe são as linhas políticas diferenciadas pela forma como chegamos aos objetivos.
  Hoje é difícil encontrar esses valores universais de esquerda. Sem eles torna-se impossível chegar a qualquer consenso, porque os consensos exigem aproximações e pontos comuns, e esses pontos comuns são os valores universais da esquerda, e não os valores "regionais" que cada partido coloca ao dispor dos militantes. Partidos que cada vez estão mais intransigentes com as alternativas, fecham-se há volta das direções e decisões aceites pelo seguidismo. Isolam as vozes discordantes, ou no limite exigem a prática de "purgas" silenciosas. Saneamentos aos incómodos. Direções  aprovam os novos políticos e militantes que preencham os requisitos de ausência de liberdade critica ou de pensamento, sujeitos ao "fallow the leader".
   Vivemos com isso. Deixamos de conseguir formar políticos com a
 pensamento critico e passamos a formar políticos e militantes seguidistas, sem qualquer qualidade ou mérito. Aqueles que da esquerda há direita se limitam a aceitar as palavras dos líderes partidários e não aos valores ideológicos. Deixamos de debate, apostamos no politicamente correto e na ofensa, no grito, na ausência de respostas e de duvidas. O "modos operandi" é silenciar o perigo que é as alternativas, algo que bem argumentado não nos dá resposta. Entre os gritos e as ofensas tornamos a nova classe política incapaz de produzir. Somos benevolentes há forma como se tem feito política e como se geram novos políticos. 
  Os valores Universais estão cada vez mais ausentes do debate político. Cada a política se torna vitima do facciosismo partidário, ausente da ideologia, uma espécie de luta tribal pelos desejos do eleitor. Formas que acabam por trespassar para a própria sociedade que  vive na tormenta das redes sociais. Estamos descontrolados na forma como comunicamos uns com os outros, na forma intolerante como debatemos.
    A militância política está a tornar-se mais diretiva, assumidamente clubística. Severa com a própria sociedade, nada passa pelo crivo da ofensa. Da esquerda à direita, tudo termina em "ismos" e provocações degradantes. Entre a xenofobia, racismo, fascismo, ficamos incapacitados de gerar debates e consensos capazes de criar soluções para os problemas. Em vez disso estamos sistematicamente a apostar em atirar a sociedade para dramas isolados, generalizando todos, incluindo as instituições, em nome de preceitos políticos e não reais.
  As posições estão cada vez mais extremas, o espaço de manobra mais sensato está cada vez mais curto e mais ausente da política. Os partidos (nem todos) estão cada vez mais reféns da política de valores da direção, e militantes oscilantes conforme o vento sopra. Seguidistas seguros de pessoas, e não de ideologias. Partidos sem massa crítica, sem respeito pelos diferentes pensamentos, reféns dos estatutos que servem de garrotes silenciadores.
  É necessário um debate urgente sobre a democracia. É necessário maior capacidade de senso e alternativas. Cada vez mais há que puxar os valores da democracia, da esquerda e do livre pensamento. Como democrata e de esquerda, não posso admitir que a democracia fique entregue aos valores imberbes de uma massa sem pensamento crítico nem capacidade de promover alternativas a bem da democracia.
 Queremos futuros políticos de fibra, capazes de lidar com os inúmeros problemas que se vão aglutinando, precisamos de democratas a sério, gente de coragem que seja líder numa democracia saudável. Mas o que estamos a construir é políticos órfãos de valores, de ideais, que sem requisitos vão vivendo calorosamente no seio de direções partidárias com rumos diferentes. Estamos a criar gente incapaz de liderar, gente que não resista a colocar a democracia a respirar pela máquina. Sem mérito e sem qualquer fio de coragem. E isto é o futuro e o risco para a democracia. 

Tamanha hipocrisia

 


   O pedido de Hugo Soares, em pleno debate sobre os incêndios, é no mínimo insólito -"Senhor primeiro-ministro tem de pedir desculpas"- Tem? De facto tem! Mas o que exigir à oposição ? O que exigir a uma oposição que expressa "ter vergonha do que aconteceu"?  Não terá, também, o PSD e o CDS, pelos anos de governação de ambos, vergonha e por isso também pedir desculpas? Como é possível tratar com respeito forças políticas que não o tiveram com as vítimas?  Só podemos repudiar,  tratar com o mesmo respeito que a oposição teve com as vitimas quando as utiliza para o debate político. Sem qualquer vergonha, nem por utilizar a vitimas e a calamidade, nem por exigir aos outros responsabilidades quando também as tem.
    Não são sentimentos de pesar aqueles que PSD e CDS dizem ter, é mero aproveitamento político, ofensivo e repugnante. Aproveitamento de quem deseja o regresso ao poder, de quem vive incoformado com uma vitória tragada a derrota. Alguém que utiliza o sofrimento, que o deseja tanto quanto o caos no país. Pessoas a que os fins justificam os meios, e se o objectivo é para seu bem, e  de uma comunidade conservadora de interesses egoístas, que se faça muito barulho e manifestações silenciosas, que se faça moções de censura, que o governo caia de uma vez por todas.
    Ao jornalismo, que não é jornalismo, é uma indecorosa miséria.  Dos fogos retira polémica, das vítimas aproveita o ataque político. Faz de uma situação dramática o verdadeiro espírito do espetáculo mediático e da tendência política. Chamam comentadores da linha política de oposição decadente, aproveita a indignação, e quanto mais criticados mais tempo ocupam no pequeno ecrã. Que se "lixe" o respeito, sejamos hipócritas, o jornalismo não cede a sentimentos de luto. O jornalismo faz contas, usa e abusa do poder, entende estar acima do comum dos mortais. Os jornalistas são seres de tamanha moral, éticos e profissionais, dignos de um saber exclusivo e não admitem ser escrutinados, seja por quem for. Mesmo caindo no ridículo, isolados do resto do mundo, vão criando a sua própria realidade.
   As redes sociais, locais que reflectem a ausência  da inteligência, educação e civismo. Verdadeiros "animais"  acumulam nas caixas de comentários a ideia que existe gente que sente. Sentimentos de fúria para inércia de algo, de alguém ou de alguma coisa. Comportamentos que dão ideia de  especialistas do desconhecido. Gente de preceitos, moralidade e ética própria, muito pessoal. Dizem que sentem a dor e a angustia das vítimas, mas de dez a quinze linhas, apenas dedicam duas ou três às vítimas, o resto são apenas palavras perdidas no ódio e na falta de escrúpulos de quem se esconde na imunidade das redes sociais para destilar o ódio e a ressábia.
   Não existe sentimentos, nem pesares, de quem quer discutir política. Não são os estragos e o Portugal cinzento que move este sentimento tão urbano, tão desconhecedor do que é a floresta, do que é o pinhal, do que foram todos aqueles hectares que foram reduzidos a cinzas, é o mau estar, o ódio e a intolerância de quem entende que a democracia só é democracia quando a direita está no poder. Todo este alarido é oriundo do desconhecimento do que é Portugal rural, do que é são as florestas. É
 sempre tão fácil se sentir todos estes pesares como ter opinião sobre uma situação que é tão desconhecida. Não venham com a desculpa do momento - "eu conheço porque lá vivi/ passava férias/casa da minha avó era nas redondezas"- bastava que se dedicassem ao silêncio sobre tudo aquilo que nunca souberam, como urbanos, defender como jornalistas, eleitores ou responsáveis políticos.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Juízes que promovem a violência contra mulheres





  






   O Acórdão da relação do Porto recebeu uma resposta que me parece saudável. Além de uma vasta e "viral" indignação nas redes sociais, há acção legal com visibilidade para dar resposta à situação.
Além disso, existe também uma petição pública a este respeito e está convocada uma manifestação.

Este é um desenvolvimento surpreendente e bem-vindo. Não foi apenas este mesmo juiz quem impunemente colocou os seus valores monstruosamente sexistas à frente do cumprimento da lei no passado. Existem muitos casos, e se alguns já foram celebrizados (como o da "coutada do macho latino" em que a punição do violador é atenuada tendo em conta o vestuário provocante da vítima), outros mereceram a indiferença quase generalizada como este para o qual alertei em 2011 no blogue Esquerda Republicana.

Revoltante não chega para descrever. Existe uma dose de asco que a palavra "revoltante" não capta.
É bom saber que uma situação destas não passaria hoje despercebida. Ainda assim, quem tiver disponibilidade para comparecer na dita manifestação deve fazê-lo. É importante garantir que estes monstros pensam duas vezes antes de promover a violência doméstica.

Texto também publicado no Esquerda Republicana

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Mudar de paradigma

    

   Candidatos na rua com propostas e promessas a inadiáveis. Ruas atoladas de reparações urgentes. Obras de rápidas e arranjos que lamentavelmente demoram quatro anos a chegar. Candidatos que nos cumprimentam na rua, alguns até são velhos amigos. Uma onda nasce no país, os políticos estão na rua e conhecem a realidade,  as pessoas e os problemas reais da freguesia ou do município. Tomam contacto com o país real. As autárquicas acabaram, acabou o contacto, está na hora do trabalho.
  O pós autárquicas é o regresso à normalidade. Os eleitos abandonam as ruas e os eleitores voltam à rotina normal. Nos próximos quatro anos as decisões ficam a cargo dos eleitos, a população fica reduzida à crítica e ao aplauso, e não tem apenas haver com a cor política​. As Assembleias locais são um dos pontos para a participação, mas na essência apenas discutidos pormenores, há mais promessas, mas pouco debate.
  A morte das associações é a ausência cada vez mais visível das "forças vivas" entrega aos partidos, que assumem a única fórmula de cidadania existente. Clubes de "pensadores" foram extintos, as listas partidárias absorvem a pasta de debate sobre o futuro de aldeias, vilas, cidades e do próprio país. Não há projetos de cidadania, deixamos ao cuidado das promessas. Candidaturas cidadãs são poucas, apesar dos resultados. A política abandona a base da democracia e entrega ao populismo e demagogia das redes sociais. É preciso mais.
  Cabe às autarquias trazer novamente as pessoas para o centro de decisões, e não, como tem sido cíclico, tomar para si. Há que reconstruir a confiança dos cidadãos nas suas instituições de decisão, e cabe começar por a base da democracia. As autarquias devem, acima de tudo, renovar e acabar com os velhos hábitos grosseiros que se foram instalando durante quatro décadas.
   Não cabe só, e apenas, à figura ao autarca eleito, mas sim a todos os membros eleitos e não eleitos das forças políticas existentes em cada localidade. É necessário criar condições para que as forças vivas locais voltem a ser parte ativa do presente e no futuro, tal como foram no passado. É necessário que figuras políticas e não políticas se reúnam na procura de soluções, parecerias e propostas nas áreas da cultura, desporto, educação e inovação, resgatar o equilíbrio entre os eleitos e eleitores. São necessários novos horizontes para um país que tem uma das menores participações cidadãs nas decisões democráticas da Europa.
   Não podemos, a bem da participação cidadã, continuar a aceitar que o espírito democrático morra nas comunidades ou entendermos que o voto e as assembleias locais são suficientes para o cidadão comum tenha condições para participar. De uma vez por todas temos de ter em conta que o afastamento dos cidadãos das decisões em democracia não é bom, a descrença na democracia pode ter consequências bastante perigosas. Temos de abandonar a capa de eleitos, e os vícios de promessas eleitorais e trabalhar para criarmos laços entre a comunidade. Caso contrário arriscamos a fortalecer os laços da comunidade com velhos hábitos que não são de boa memória para o país, minuto menos para uma democracia que se quer madura e plena.









terça-feira, 17 de outubro de 2017

Gelo da Gronelândia e desinformação

    



   









  Neste excelente vídeo de potholer54, é desmistificada de forma particularmente magistral a desinformação daqueles que mais ganham em manter a inacção colectiva a respeito do grave problema do aquecimento global:


domingo, 15 de outubro de 2017

Respostas à campanha de desinformação







    Enquanto na União Europeia batemos sucessivos recordes de área ardida e mortos nos incêndios, vale a pena recordar que muita da falta de acção em relação à causa das alterações climáticas que têm provocado estas situações deve-se a uma campanha concertada de desinformação do público para que a indústria dos combustíveis fósseis continue a fazer lucros recordes.

   A essa campanha de desinformação, que tenta desacreditar os cientistas e alegar que o aquecimento global não está a acontecer, potholer54 responde com vídeos curtos, acessíveis, rigorosos e convincentes. Aqui estão alguns dos mais recentes:






Post também publicado no Esquerda Republicana

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A Alternativa, a Liberdade do Pensamento, a Militância e os novos tempos

  
   A minha vida foi sempre servida com assuntos sobre política. A minha mãe foi uma forte apoiante do Socialista nos seus anos de militância partidária, já o meu pai era menos militante, apenas detentor de uma visão Keynesiana, puro social-democrata e crente de que única solução para a democracia sobreviver são os consensos. Era costume se discutir à mesa os mais variados assuntos políticos do país e do mundo, maioria terminava indiscutivelmente em críticas ao sistema político e ao governo de forte odor a ausência de democracia liderado por Cavaco Silva.
  A minha juventude (não que seja velho) nunca passou por militância e ativismo em movimentos cívicos específicos. Pontualmente alinhei em diversas "batalhas" nas quais estava envolvido. Apesar não estar afeto a movimentos cívicos, sempre tive uma participação cívica bastante ativa.
   Entrei para o Bloco como militante nos bons anos em que o Bloco era a casa das mais variadas tendências e correntes de esquerda. De socialistas a sociais-democratas, passando ecologistas, comunistas entre outros que conviviam no seio de um partido aberto há democracia e à unidade em torno de um projeto político ambicioso. O Bloco era como uma força política capaz de fazer a diferença através do pensar e da forma estar na política, uma "lufada de ar fresco" na democracia.
  Inicialmente muito ativo na militância participando em diversas ações do BE a nível regional e nacional. Foi como uma fonte de aprendizagem no seio de centenas de histórias na defesa da democracia e na luta dos direitos. 

  Nunca fui hipócrita quanto à minha linha política e a proximidade do PS. Era uma questão de ADN político, anti corpos que se formaram em conversas de jantar. Sempre frisei a minha visão económica Keynesiana e a minha social-democracia herdada ao meu pai eram o meio veio de ligação à atividade política, e com o avanço académico fui afinando e misturando com a realidade. Sempre fui portador de uma coerência sobre os meus valores e a minha forma de estar na política como na vida. Nunca fiz questão de militar com desejos e progressões, também nunca descartei as possibilidades de assumir algo desde que estivasse à altura do desempenho. Com a minha via académica e a minha atividade laboral, a militância diminui a frequência. Este apagão de militância durou alguns anos. O meu regresso, mesmo que a meio gás, surgiu em 2012 na preparação para as autárquicas. Tive a oportunidade integrar e encabeçar o crescimento do Bloco a nível regional e criar bases para o Bloco se tornar uma alternativa às forças políticas estabelecidas no Concelho. Tornar possível o BE ser uma força para futuros consensos políticos. Trazer o Bloco para a política autárquica com o objetivo de criar um modelo abrangente a outras zonas de um Bloco responsável, com gente capaz de assumir posições e coligações que sirvam o país de forma responsável. Como tal, não poderia deixar de assumir a uma candidatura à União de Freguesias da minha zona de residência, abraçando uma campanha cheia de altos e baixos, pouco aproveitada, e embaraçosa para todos aqueles que deram ao Bloco a sua confiança. 
    A campanha acabaria por ser o mote para lançar as divergências que existiam entre mim e a política que o Bloco quis seguir a nível regional e nacional. As visões eram antagónicas. O BE entendia que a luta estava centrada na eleição de um vereador para ser "muleta" de uma possível maioria da CDU. Por outro lado, eu entendi sempre que a implantação a nível autárquico, com inicio nas freguesias, era o alicerce mais apropriado para o crescimento de uma força política a nível regional. Não havia espaço para consensualizar as várias visões de militância extrema com algo que eu entendia ser base para a sustentabilidade do partido como uma força autárquica. Era a oportunidade de fazer de Loures o laboratório para novos projetos a nível regional do Bloco. Enquanto para mim era extremamente necessário o debate sobre o futuro e os desejos do Bloco e da sua linha política, para a maioria, inclusive a direção da Concelhia, era mais fácil resumir ao silêncio e procurar consensos pouco democratas. 
   O sentimento da parte da Concelhia era chegar a consensos que respeitassem o projeto político pouco ambicioso do candidato à Presidência da Câmara Jorge Costa, e quem não gostava da convergência em torno do programa fraco do candidato, que tivesse visões ou discursos que se ausentassem da normal linha política da direção regional e nacional, então não tinha espaço no partido.  
    Após as autárquicas as exigências de uma convergência, mesmo que forçada, ficaram mais firmes. Não aceitava. As convergências fazem-se com atos de democracia onde as partes firmassem um acordo para sã convivência, não imposições que procuram a estabilidade numa linha política feita com ausência de pensamento livre. A situação acabou por levar à minha saída num golpe de secretaria, que culminaria, mais tarde, na saída de muitos outros que militavam na concelhia, e apoiantes. 
    Certamente a minha saída era cada vez mais forte. A minha proximidade do Partido Socialista era notória, e o meu forte empenho para que o Bloco fosse o parceiro de excelência em possíveis coligações com o PS era visível. Isso tinha impacto futuro nas minhas decisões quanto ao rumo que entendia para o futuro, não poderia mudar a consciência política de uma força política, nem a linha escolhida, bem ou mal, por os representantes dos militantes. Era obrigatório tomar uma posição que acabou por ser tomada por a Concelhia de modo pouco democrático e ético. 
   A alternativa no Bloco só existe quando existe espaço para tal. Enquanto outros partidos (exceção do PCP pela linha ortodoxa que mantêm) têm as suas tendências, visões e criam debate em torno do futuro do partido, elevando as alternativas, o BE tem preferência em aceita-las vagamente até silenciar as divergências. 
   A alternativa é algo necessário, quer para a manutenção das forças políticas, quer para a própria democracia. Mais que nunca a existência do Governo PS, apoiado por os partidos à esquerda, vem demonstrar que os caminhos alternativos são saudáveis e capazes de poder impulsionar novas visões no caminho do melhoramento da democracia e na participação mais massiva de cada cidadão nessas decisões. 
   Uma democracia sem partidos não é democracia, tal como os partidos sem alternativas não capacitam os seus militantes a participarem democraticamente na vida do partido. Os anos avançam, e as pessoas amadurecem as suas ideias, a realidade vai mudando conforme a sociedade, é preciso pensar que os pilares da defesa dos valores da democracia acompanham os tempos.





quarta-feira, 26 de julho de 2017

De uma vez por todas se respeitem as vitimas




   Instrumentalização, aproveitamento, política e jornalismo de sarjeta. A direita conseguiu descer o debate a níveis impensáveis em Democracia. A comunicação social, especialmente o SIC/Expresso, conseguiu ir tão longe quanto o Correio da Manhã no campo do sensacionalismo e tendenciosidade política das redações. O que aconteceu com o caso da lista das vitimas de Pedrogão ultrapassou tudo aquilo que era possível presumir que chegaria a política e o jornalismo. E não estamos a falar do simples click-bit
  Nunca o Expresso se comprometeu tanto com uma tendência política como nos últimos tempos. Nunca o Expresso extrapolou tanto aquilo que define a deontologia e a ética jornalística. Nunca o Expresso se resumiu a "pasquim"  como neste caso. O aproveitamento jornalístico que assumiu verdadeiros contornos partidários. Atingimos o grau zero do Jornalismo em Portugal. 
  Bernardo Ferrão e Pedro Santos Guerreiro apostaram no discurso de vitimização da classe. As afirmações de Bernardo Ferrão onde acusa os "anônimos com cartão de militante" de atacar o jornalismo ficaram-lhe tão mal quanto o texto que foi assinado pelo mesmo. Escusado perguntar quantos jornalistas escrevem e noticiam com cartão de militante ou distintos apoiantes de certos partidos. Ainda me lembro de Filipe Costa que via em em dezenas, milhares. E a devolução da sobretaxa? Alguém se lembra? Dos quatrocentos mil, que arredondado eram quinhentos mil, mas que afinal nem aos dois mil chegavam? 
  Não foram anônimos, com ou sem cartão de militante, que levantaram tamanha patranha vergonhosa utilizando vítimas de uma tragédia para fazer "chicana" política. Não foram anônimos que procuraram "chafurdar" em teoria da conspiração criadas sem base sólida, nem investigação. Foram tão só os jornais e uma direita, que cambaleia com pouca noção do seu próprio ridículo, que se agarraram na ínfima possibilidade de encontrar mais vitimas.
  Uma empresária, uma investigação independente, nomes que se repetem, boatos,  noventa mortos que a três casas ao lado já só lá vão nos oitenta e no fim de uma rua pouco comprida o número eram apenas setenta. Eram factos tão frágeis que a sua sustentabilidade a que o Expresso e o I deram nome e forma, desapareceu no primeiro sopro do Ministério Publico. Afinal era só, e apenas, uma teoria rocambolesca. 
 Bernardo Ferrão veio defender uma classe que dia para dia vai sendo a imagem de meras tentativas de influência do jornalismo nas decisões políticas. O uso e abuso da palavra, a tentativa de controlar a informação que passa, e da forma como passa. E depois a culpa é de quem escrutina? De quem põe em causa o tremendo mau estar da imprensa com o atual Governo e a maioria parlamentar? Bem me parecia que algo nas palavras de Bernardo Ferrão não correspondia à verdade.
  A tragédia de Pedrogão não é um filme de Clinton Eastwood para fazer disto uma bandalheira com o assunto. Não estreia na sexta. Existem vítimas. Os que perderam a vida, as famílias, os amigos e todos aqueles que sobreviveram mas perderam tudo. Não pode ser tratado como o recreio do colégio privado do PSD, nem a praceta de jornalistas que estão dispostos a tudo para atacar o atual governo.
   Enquanto o PSD e a Comunicação social, num ato desesperado de atacar o Governo, extrapola o bom senso, a ética e a moral, nós, os simplórios anônimos, com e sem cartão de militante, exigimos que se respeitem as vitimas de uma vez por todas. Até a pouca vergonha tem limites, e neste momento já foram superados. 




Jorge Miguel Pires