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terça-feira, 25 de julho de 2017

Os Truques e a Imprensa

  
  Recentemente o sub-diretor do jornal Publico, Diogo Queiroz Andrade, publicou na sua conta pessoal nas redes sociais, em tom apoteótico de gozo, uma imagem e critica a dos criadores da página "Truques da Imprensa portuguesa". Ao bom estilo anarco-saloio (com todo o respeito pelos saloios) o ar descontraído da publicação contrastava com os ataques pessoais, profissionais e associações políticas feitas durante o anonimato dos criadores da página, altura em que a imprensa descontente dizia-se aprisionada numa espécie de escrutínio que a ERC deveria fazer. 
   Inicialmente os Truques eram uma página que os jornalistas apontavam uma extinção rápida, que "não daria resultado, mais uma página nas redes sociais". O problema é que o crescimento da página foi se alargando. Poucos foram os críticos que tiveram o mesmo sucesso. Uma tentativa surgiu ainda com o aparecimento de uma contra-página "Truques do Truques da imprensa portuguesa" que pouco, ou nenhuma, adesão teve. Era fruto da realidade, a imprensa portuguesa que gozava de excessos tendenciosos e procuras insistentes do clickbite não aceita se supervisionada, criticada ou escrutinada. 
   O Expresso, utilizando uma expressão recente (sempre o Expresso), um dos mais visados pela página, começou por entender que o seu espaço de manobra da sua tendência estava a diminuir, os holofotes estavam virados para o jornalismo, e exigia mais escrutínio. As noticias de Filipe Costa e João Vieira sofriam criticas constantes e naturais, visavam relembrar a ambos a diferença entre uma opinião e uma noticia. A prática de algum jornalismo do Expresso era utilizar as noticias para disfarçar opiniões políticas. Foi o Expresso que iniciou a guerra contra os Truques. Os jornalistas do Expresso não admitem ser escrutinados, muito menos por uma página que usou por em causa as más práticas do jornalismo. 
   A página dos "Truques" tornou o mau jornalismo mais desconfortável. O escrutínio sobre a imprensa é uma situação que deveria ser natural, os consumidores de informação têm todo o direito em saber a realidade da informação e não informação adulterada sistematicamente par belo prazer das tendências políticas ou futebolísticas de cada redação. Em causa não está só a credibilidade jornalística, está o aparecimento de diversas páginas que se substituem aos órgãos de comunicação social começa a ter repercussões perigosas e um elevado numero de partilhas, assumindo assim a credibilidade que o jornalismo tem vindo a perder.  
  A página dos truques faz serviço publico, sem ser remunerada para esse efeito. O facto de se extinguir o anonimato dos criadores da página, e existir tamanha euforia por causa de tal acontecimento, torna ainda mais essencial a existência da pagina e demonstrando que a imprensa, apesar de nunca ter aprendido nada com a situação, não pode retornar aos velhos tempos do apoio político, dos simuladores de IRS ou das sucessivas tentativas de enterro do atual executivo, e não aconteça um esclarecimento óbvio sobre a noticia, ou até que ponto a noticia sofreu alteração para servirem interpretações diferentes. Pena o profundo erro de perceção jornalística que tudo pode voltar ao normal, se algo pode ser mérito dos "Truques" é a nova fase do leitor/telespectador, a exigência e o escrutínio maior sobre a informação.
  Independentemente dos Truques saírem do anonimato, certamente o excelente trabalho de supervisão do  nosso jornalismo continua. O trabalho dos Truques é essencial à democracia. É necessário  saber quais são os objetivos da comunicação social e destapar as tendências de cada redação. O jornalismo não se pode queixar de ditadura e lápis azul ou de garrote, afinal a informação deve ser acima de tudo isenta. 

sábado, 22 de julho de 2017

Apartheid ideológico














 Um momento de pouca tolerância eleva de imediato trincheiras para uma guerra de crenças e valores que cada lado tende a defender com as armas que possui. As barreiras criadas nas redes sociais levaram a uma nova de fazer valer as pretensões de cada um dos lados. Nesta clima não existe um meio termo. Ou estás com eles, ou estás contra eles.
  Os acontecimentos na esquadra de Alfragide atiçou as hostes. Ambos os lados afinam as armas para defender teorias do acontecimento. Uma investigação deu como certo que os seis jovens foram brutalmente agredidos pelos agentes da esquadra. Mesmo que não fosse a totalidade dos agentes, aqueles que assitiram e nada fizeram deveriam ter intervido, assegurando em nome da justiça a defesa dos direitos das vítimas e acima de tudo da instituição que sai manchada deste caso. Ao contrário, limitram-se a cruzar os braços perante tamanha brutalidade.
  A inspeção teve como base para a conclusão do inquérito depoimentos e provas que foram surgindo. O INEM (chamado para socorrer as vítimas) foi fulcral para chegar a uma conclusão mais forte. Conseguiu perceber que os depoimentos da polícia não faziam sentido. Seis jovens desarmados invadem uma esquadra da policia? Magoam-se na esquadra ao ponto de apresentar mazelas visiveis? Nitida demonstração de bastante violência? Não me parece que tenha sido difícil a Inspeção chegar a um veredito. 
  Este caso vem em altura que outro caso surg, quinze jovens agredem três agentes da PSP durante as festas no Catujal. Quinze jovens que incendiaram a índole tanto racista, como intolerante. 
  Duas situações tão próximas no tempo só poderiam terminar num ponto, a ascensão dos odios e desculpadas dos dois lados. Ambas as trincheiras extremaram posições, de tal forma que qualquer comentário ou publicação, termina com uma guerra verbal desproporcional e com troca de palavras acesas. Aos mais serenos a procura da ofensa acaba sempre por ser o caminho mais fácil.
  A existência de violência policial não é de hoje, é conhecida de longos anos, e até bastante aceitável por parte da sociedade. As longas pancadas de cassetete da polícia de intervenção são aplaudidas com frequência, o adepto do Benfica que foi agredido foi de agrado de alguns adeptos adversários e é costume se dizer "bem feita, o animal merecia" , quando alguém está a ser espancado. Por outro lado, alguns dos jovens com historial de desacatos vivem um clima de impunidade, o suficiente para enfrentar a polícia sem qualquer problema. 
   Esta situação merece maior serenidade. A aposta no extremismo não é a via mais razoável para serenar o assunto. O racismo existe, e não é residual. A forma como ambos os assuntos foram abordados nas redes sociais foi um verdadeiro barómetro do nível de racismo existente no país. 
   Por outro lado uma procura insistente de racismo leva a um resultado inverso no seu combate. Nas redes sociais uma intervenção fiscal da CP, prática perfeitamente normal por parte da empresa, foi aproveitada por alguém para tornar o caso em racismo sem qualquer base de prova. Ausência de agressões, mais utentes há espera de serem autuados, tudo normal numa fiscalização. No entanto quem captou a fotografia tinha claras intenções de se aproveitar da situação para gerar indignação no politicamente correcto. Este tipo de situações desvirtua totalmente a luta contra o racismo, atira sim, mais gasolina para um tema que arde sempre que vem ao de cima.
  Não se pode, em momento algum, desculpar a violência policial desproporcional. Também não se pode atacar a instituição num todo desvalorizando o trabalho dos seus agentes, pessoas capacitadas para o trabalho de proximidade e a real função da autoridade. Por outro lado não se pode apontar o dedo aos bairros sociais com afirmações sem nexo, e dar um pelo todo, nem podemos aceitar que seja só os afro-descendentes os causadores de toda a criminalidade juvenil.
Muito trabalho pela frente.








quinta-feira, 6 de abril de 2017

Violência domestica, os sinais da ausência de cultura

  A violência doméstica é um problema social grave. Uma cultura que durante décadas viveu sob a expressão "entre marido e mulher ninguém mete a colher" foi criando um monstro de proporções socais perturbadoras, onde violência se alimenta do medo e da fraqueza psicológica das vitimas. Para lá de quebrar as barreiras que a justiça insiste em manter e de um legislador que não é mais ativo no combate, ainda há que quebrar as barreiras de uma sociedade que ignora e da fraca qualidade e respostas das instituição públicas. 
    Mexer no telemóvel, abrir as redes sociais, gritar, ofender e bater, são comportamentos anormais numa relação. O pedido de desculpa à mistura de um abraço e de uma frase "não volta a acontecer" não pode ser uma banalidade. São atos de violência doméstica, do enraizamento do sentimento de propriedade. Uma relação que passa a ter um Alfa, em que um dos seus elementos deixa de existir, de ter a sua dignidade e a sua personalidade intelectual. Passa para o lugar de objeto, propriedade do cônjuge. É assim que as coisas funcionam numa relação que culmina com a violência doméstica. A vitima teima em ignorar os comportamentos do agressor. Opta por desculpar com pontualidade e ciumes, e ignorar que esses ciumes nascem de um sentimento de posse. 
   Um estalo porque estava stressado, ou berros e ofensas porque o jantar afinal até estava mau, não pode ser admitido. A banalização ativa o sentimento do agressor para estender mais o seu campo de influencia, e assim, aprova que o agressor comande a sua vida. É o primeiro passo para que o agressor influencie a vitima, relegando-a ao isolamento. 
  Perder os amigos não pode ser entendido como "o melhor para a relação". Muitas vezes são eles que sentem que a relação se está a tornar obsessiva por parte do agressor. Quando existe o alerta, a vitima opta por cortar relação com quem a alerta, preferindo minimizar os comportamentos do agressor. Nasce o primeiro passo para que o agressor isole a vitima, restando a família, mais difícil, mas não impossível de afastar.
    As agressões são escondidas, o casal comportasse naturalmente, pontualmente acresce um ou outro comportamento violento do agressor. As desculpas desgastam-se com o tempo, quem observa já não acredita na pontualidade ou em motivos circunstanciais, acredita que a violência doméstica já existe no seio do casal. 
   Nada desculpa a agressividade nem as marcas no corpo. A violência doméstica quando atinge o pico já é tarde demais. As vitimas estão dependentes financeiramente do agressor, talvez já com filhos, a nível psicológico estão premiáveis, vivem no medo e pânico de poder sair de casa sem que a sua integridade física não esteja em causa quando regressarem. Em casos extremos as vitimas ficam proibidas de ter emprego e sair de casa, vivem em cárceres privados. 
   Enquanto a vitima vai desaparecendo, o agressor tornasse proprietário da mesma. Sente que ela é sua, e só a abandona quando entende que é descartável, ou quando outra vitima é o seu objectivo. Enquanto mantêm a vitima no seu cárcere psicológico. Age como dono, limita os seus contactos, impondo o que deve ou não falar com a família e impede a vida social da vitima. Os ciumes são sempre a base das desculpas que a vitima vai dando, sendo submissa aos desejos do agressor.
   Até os ciumes têm limites. Aceitar alguém que se auto-denomina excessivamente ciumento é aceitar que esse elemento se torne agressor e dono de uma relação. O futuro dono da vitima. Os ciumes quando obsessivos são perigosos, transcendem aquilo que se entende como respeito. Tornam-se obsessivos. Desculpar as atitudes com os ciumes, em vez de apostar no controlo não é bom para a relação, nem para os seus elementos. 
   As relações não necessitam de ciumes para melhorarem, nem precisam de uma constante "apegação" entre os dois elementos. É necessário que ambos sejam proprietários da sua personalidade intelectual, e essencialmente se mantenham como dois seres de diferentes características físicas, ideológicas, psicológicas. Ambos diferentes, mas convergentes naquilo que é necessário para que a relação dê certo. Respeitar personalidades diferentes é saber respeitar a relação. 
   Uma relação não pode absorver a expressão "somos um só". Cada elemento deve saber quais são os limites da personalidade que pode impor à relação. Não significa o "resfriamento" da relação, significa a manutenção do respeito-o mutuo. É nesses limites que se devem balizar os comportamentos, sejam eles circunstanciais ou pontuais. O respeito e o amor próprio são elementos fundamentais para que os elementos da relação a mantenham firme. É necessário que mantenham a sua vida própria, a sua independência e principalmente a sua privacidade. Não pode existir decisões unilaterais "se ele não vai eu não posso ir". Deve ser respeitado o desejo de cada elemento, deixando a decisão ao mesmo. Deixar de ver a relação como um compromisso que obriga duas pessoas a comportamentos padronizados, e passar a ver a relação como uma ligação em que duas pessoas nutrem um sentimento comum. 
   A violência doméstica não pode ser banalizada pela vitima, nem dar ao agressor a ideia de impunidade. Há que agir quando aparecem os primeiros sinais. A lei tem de ser mais agressiva, os tribunais devem ser mais competentes nestes processos. O isolamento de indivíduos que se possam tornar um perigo para a vitima, e até mesmo para o envolvente, é necessário, tal como maior acompanhamento dos casos em que o agressor apresenta sinais de distúrbios psicológicos. O combate à violência domestica deve começar na sociedade, nas escolas e universidades, com a quebra do que é relações padrão e chavões que protegem comportamento que promovem certos de determinados estereótipos. 
   A violência domestica tem terminado em alguns casos na morte de dezenas de vitimas que se desprendem dos agressores. A expressão "se não és minha, não és de mais ninguém" é fruto da posse que a complacência da vitima, que o mau trabalho da justiça e a falta de força nas instituições torna possível. A violência doméstica é mais que agressões, é a destruição psicológica de um ser humano, é a limitação da vida social da vitima e obediência ao agressor. 
  Não se pode continuar a olhar para o lado e fingir que são minorias, a obrigação de cada cidadão é denunciar casos, tal como a obrigação das instituições publicas é apoiar a vitimas e travar os agressores. Fazer mais e melhor evita o fim de dezenas de vidas. 

O Futebol não é impune

    


  







  Um policia que toma uma atitude violenta, idêntica à tomada no sábado, tem de sofrer as consequências do seu acto. É um representante da autoridade que tem como principal dever o zelar pela segurança publica e não, ser portador de comportamentos uma violência desproporcional. No entanto deverá apenas ser o agente a única pessoa a sofrer as consequências do clima que vive o país por causa do Futebol? Óbvio que não. 
   O mundo do futebol criou no país um clima insuportável. Dirigentes e comentadores aproveitam os sentimentos mais negativos de adeptos descontrolados para criar um clima irrespirável na sociedade. Ataques aos árbitros, destruição da imagem das instituições e incitação do ódio, os dirigentes aproveitam tudo quanto possível para alcançar os objectivos programados. Atitudes que culminam em agressões, ameaças que se estendem à família dos arbitros. A facilidade com que os discursos inflamados e regados de ódio se aproveitam dos sentimentos se aproveitam do ódio em adeptos facciosos e fanáticos é enorme, propensa para gerar o mau estar até entre amigos, ou mesmo familiares. O fanatismo abandona o desporto e procura no palco do ódio servir os clubes e dirigentes.
   Assim o clima não pode ficar. A mão pesada não pode só atingir quem tem de viver com este clima diariamente sem que qualquer medida seja tomada para não gerar criticas. As claques não podem continuar a agir com a impunidade que lhes é reconhecida, nem os dirigentes podem continuar a incendiar o clima sem que lhes seja imputadas as devidas consequências. O ressabiamento dos adeptos já levou à agressão a árbitros de futebol fora dos campos e mesmo no exercício da sua actividade. O ultimo caso foi noticia para lá das fronteiras nacionais. 
    O governo não só deve, como tem a obrigação de por um ponto final no clima insuportável instalado por dirigentes descontrolados. A impunidade dos agentes do futebol não pode continuar a bem da sanidade mental social. A policia tem o dever de manter a ordem publica quando necessário, não pode é servir de extintor de um incêndio cujos incendiários continuam impunemente a atear focos. Não podem os clubes se tornar propagadores de um fogo que se alastra, o, e despejar nas forças de segurança a obrigação de "apaga fogo".
   Por mais que se tente evitar ou empurrar com a barriga esta situação, isso não vai resolver o problema. O governo deve actuar com força para travar o alarido provocado pelo futebol. Alimentar ambientes como o que está neste momento. Ser dirigente, comentador ou adepto de um clube não pode ser carta branca para a impunidade.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Aceitar a diversidade de opiniões também é democracia

  
   Um aeroporto baptizado com o nome de um jogador de futebol é perfeitamente​ normal num país que olha para o futebol como representação à sua pátria, como símbolo da sua história, observa mais do que um desporto, vê um elemento de identidade do seu povo. A existência de um aeroporto com o nome do seu melhor jogador não é fora do comum, não fossemos nós um país que espera um D.Sebastião oriundo de uma noite de nevoeiro.O que não é comum, nem nos livros de Fernando Pessoa, é num país que possui mais de quatro décadas de democracia aceitar-se de forma natural que opiniões divergentes sejam silenciadas com a mordaça da escrita em comentários ou artigos de opinião. 
   Miguel Guedes assume que tem a razão. Para além de vocalista de uma banda e militante do BE, é adepto de futebol, e naturalmente, fã de Cristiano Ronaldo. Aproveitando o seu espaço de opinião no Jornal de Noticias, Miguel Guedes apelida de "medrosos" quem não aceita partilhar a sua opinião sobre o nome dado ao aeroporto da Madeira. Os "medrosos" de Miguel Guedes são os que não se predispõem ao endeusamento​ dos heróis que soam no campo de futebol, os verdadeiros guerreiros do relvado. Entende Miguel Guedes que devemos prestar vassalagem futebol, endeusar seres humanos que limitam as suas conquistas no seio de um campo de futebol. Dizem que em nome do país, e alguém que se atreva a dizer que em nome de valores mais altos, como os valores financeiros que cada um obtêm.
     A opinião de Miguel Guedes é uma forma natural, prática usual, de uma espécie de elite intelectual impor a sua opinião em determinado assunto, limitando a opinião contrária, não aceitando que sejam outras opiniões produzidas debate. Formato conhecido, apesar de menos selvagem,como o tradicional comentário arruaceiro das redes sociais. Não pode existir qualquer debater sobre o endeusamento dos onze magníficos, muito menos de Ronaldo, e quem se atrever a fazer, quem se atrever a achar que os feitos do futebol não são relevantes para a pátria, para a história ou para a vida normal das pessoas, está sujeito a uma avalanche de acusações desproporcionais, onde atingem acusações de inveja, de apoio a outro jogador, chegando mesmo a terminar em ameaças de violência física através de violência verbal e agressiva. Afinal não existe democracia nestes casos, existe apenas um linchamento intelectual e psicológico.
   De Miguel Guedes não esperava tamanha aberração textual, tentar limitar a opinião através do insulto generalizado não é de quem respeita o espaço alheio. É a diminuição do valor da liberdade de expressão e da dignidade do povo, ou parte, que tem direito à sua opinião. Um texto que designa os que não partilham da sua opinião uma espécie de triste povo do fado e choramingas. Povo de medrosos que teima em não aceitar que os heróis do campo devem ser devem ser abençoados e olhados com a grandeza dos marinheiros de outrora. Um sentimento patriótico que deve obrigar este povo medroso a olhar Éder como o herói de França, porque trouxe um titulo para o país. Célebre herói que não arriscou por um minuto a sua vida num feito, mas que colocou no mapa o país que sempre lá existiu, mas justificamos sempre que é por Ronaldo, por França e pelo futebol.
  Não está em causa as capacidades reconhecidas a Ronaldo pelo seu trabalho como jogador. Está em causa a teimosia de olhar para um campo de futebol e teimar obrigar todos, queiram ou não, que dentro das quatro linhas estão onze vencimentos milionários a praticar um desporto que representa o país com sucesso, e nós como colectivo somos obrigados a olhar para tais personagens como enormes, gigantescos humanos que quebram barreiras para trazer feitos a uma nação perdida. Como toda uma Diáspora lusa espalhada pelo mundo fique resumida ao silêncio dos números, e aos feitos mais ou menos reluzentes dos telejornais. O futebol tem de ser a alma deste povo medroso, que com tantos heróis, só os "Deuses" do campo devem ser olhados com o senório de grandeza.
É difícil compreender o êxtase de ataques pessoais que desafiam nas caixas de comentários das redes sociais, mas plausíveis. Afinal a digestão de ideias e o calibre de educação não são dados que o INE disponibiliza. Mas ter alguém que politicamente defende a expressão democracia, e depois atentar à liberdade de expressão recorrendo ao apelido fácil de quem não possui a mesma opinião, sem ouvir os argumentos ou ter a noção de quais sãos os motivos, é talvez mais difícil de digerir. Afinal a democracia é só quando nos dá um certo jeito. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Um retrato de uma Loures parada

     

 Loures merece muito melhor poderia ser um slogan de uma empresa ou de uma campanha eleitoral. Não, é apenas o slogan, ou parte, da campanha da CDU em Loures, e do pouco que conquistou.
     Bernardino Soares atingiu o esperado em Loures nas autárquicas. Com as promessas de um Concelho de Loures melhor, mais "poupado" e mais concentrado e demonstrar que a politica do executivo anterior sempre foi errada. Exemplificou com a expressão de uma gestão autárquica "desastrosa" do PS, utilizou contratos privados e despesas do município como argumento. Bernardino Soares afirmou a sua visão anti-austeridade,  e que seria a cara no combate ao governo anterior PSD/CDS.
     A vitória nas eleições mudou totalmente o discurso de Bernardino Soares. O combate à austeridade foi cancelado, apostou na austeridade na gestão municipal do Concelho. O seu combate ao governo PSD/CDS resumiu-se à coligação anti-natura com o PSD. A promessa de rasgar os contratos  com o sector privado foram simplesmente uma promessa em vão.
     Loures está pior. As obras de requalificação em algumas freguesias foram mal pensadas,  o maior exemplo está Moscavide. De obra este executivo não tem praticamente nada. As  medidas são escassas permaneceram dentro de uma espécie de austeridade autárquica, e sem proveito para os munícipes. Das várias medidas que o executivo mandou "propagandiar" nas inúmeras paragens de autocarros e outdoors do Concelho, maioria foram projetadas pelo anterior executivo (centro de saúde de Moscavide e biblioteca de Sacavém). Aquelas que se prepara para inaugurar, já concretizadas, foram de iniciativa, também elas, do executivo anterior. Algumas aguardam pela campanha eleitoral (centro de dia de Moscavide e pavilhão do Atlético) para abrirem ao publico. Da sua obra muito pouco existe. Em grande maioria as poucas medidas avulsas foram patrocinadas pelo governo da república (livros para o ensino básico).
    Um executivo com casos excêntricos, dignos de um despesismo.  A escola primária número um de Camarate foi por decisão do seu executivo, demolida, no seu lugar foi projetado um novo edifício quando apenas necessitava de uma restauração profunda, talvez com aumento das suas instalações, não um edifício de raiz. Uma medida antagónica face às suas promessas iniciais que assinalavam o fim do despesismo e a aplicação do dinheiro em prol de políticas necessárias e dirigidas à população. A construção do edifício foi mais peso para o orçamento municipal e alongou o contrato com os contentores que tanto a CDU de Loures contestou durante a vigência do PS à frente do Município.
    Às suas promessas juntam-se as reparações falhadas de viaturas municipais paradas por falta de manutenção. Há exigência do fim dos contratos com os privados para cedência de viaturas feito pelo PS, medida em que o PCP apontava como despesista acusando o executivo de favorecimento e "negociatas" com os privado, acabou por vencer o fiel despesismo! A frota municipal é alugada por um contrato de ajuste direto, não por concurso público, com um contrato mais caro ao município.
   A luta contra o despesismo é austeridade foi vencida pelas circunstâncias. Bernardino Soares não tem discurso, apenas acusa o anterior executivo da sua linha política. As populações ficam entregues ao mau serviço prestado pela Câmara ao município. As canalizações deixam os "cabelos em pé" a quem tem cortes sucessivos no abastecimento de água. O cheiro nauseabundo que provém dos contentores do lixo faz suster a respiração. Durante o verão é uma tarefa impossível estar junto aos contentores, as condições higiénicas são deploráveis. As ruas, de freguesia em freguesia, estão ao abandono na limpeza, e a Câmara, sem motivo aparente, proibiu a utilização das bocas de incêndio para  lavagem. Hoje é a imagem de freguesias com o rosto mal lavado. 
  Bernardino Soares venceu as eleições democraticamente nas urnas, foi a população que ditou. O mérito da vitória foi ditado por uma gestão socialista que teve um impacto negativo nos munícipes, mas o trabalho ficou feito, quer em termos sociais, que em termos do crescimento do Concelho. Mesmo assim não deixou a CDU atingir a maioria absoluta pretendida, encontrando um parceiro no PSD, que por um sectarismo histórico é o seu aliado natural no Concelho. Para Bernardino Soares, promessas levou o vento no tempo eleitoral. Num próximo mandato só lhe resta assegurar obra feita a tempo em contra-relógio e inaugurar algo o que não é obra da sua gestão. Quer ver trabalho reconhecido e um mérito que não é seu. Enquanto isso o centro de dia e o pavilhão em Moscavide vão ficar fechados, e a escola em Camarate vai continuar nos contentores. Loures vai continuar com as ruas sujas e contentores deploráveis. Depois, na campanha, as coisas fazem-se com mais propaganda e jeito.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O debate sobre o aquecimento global















Diz a wikipedia a este respeito:

«The global warming controversy concerns the public debate over whether global warming is occurring, how much has occurred in modern times, what has caused it, what its effects will be, whether any action should be taken to curb it, and if so what that action should be. In the scientific literature, there is a strong consensus that global surface temperatures have increased in recent decades and that the trend is caused by human-induced emissions of greenhouse gases.[2][3][4][5][6][7] No scientific body of national or international standing disagrees with this view,[8] though a few organizations with members in extractive industries hold non-committal positions.[9] Disputes over the key scientific facts of global warming are more prevalent in the media than in the scientific literature, where such issues are treated as resolved, and more prevalent in the United States than globally.[10][11]

[...]

Global warming remains an issue of widespread political debate, often split along party political lines, especially in the United States.[13] Many of the issues that are settled within the scientific community, such as human responsibility for global warming, remain the subject of politically or economically motivated attempts to downplay, dismiss or deny them—an ideological phenomenon categorised by academics and scientists as climate change denial. The sources of funding for those involved with climate science—both supporting and opposing mainstream scientific positions—have been questioned by both sides. There are debates about the best policy responses to the science, their cost-effectiveness and their urgency. Climate scientists, especially in the United States, have reported official and oil-industry pressure to censor or suppress their work and hide scientific data, with directives not to discuss the subject in public communications. Legal cases regarding global warming, its effects, and measures to reduce it have reached American courts. The fossil fuels lobby has been identified as overtly or covertly supporting efforts to undermine or discredit the scientific consensus on global warming.[14][15

Parece-me que a wikipedia descreve bem o debate entre aqueles que defendem a posição consensual, e os críticos do consenso: um debate mediático que é alimentado em grande medida pela indústria de combustíveis fósseis, já que na comunidade científica que estuda o tema ele tem muito pouca expressão, dada a força das provas em favor da posição consensual.
O debate entre os cientistas que apoiam a teoria consensual, pelo contrário, pode ser bastante dinâmico e aceso. Ironicamente, até é por vezes usado, com cuidado de o tirar do contexto, para desacreditar a comunidade científica.
Já o debate entre muitos dos críticos do consenso científico parece revelar muito pouco espírito crítico. Rotineiramente, informações erradas, desadequadas, contraditórias são apresentadas sem qualquer tipo de cuidado ou rebate. Um exemplo a esse respeito é apresentado e comentado por potholer54:


Post também publicado no Esquerda Republicana

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Salário mínimo não chega, é preciso mais

   

  O aumento do salário mínimo, este ano, atinge os 27€. Como o próprio nome indica, o salário mínimo é o valor que o Estado considera mínimo para subsistência de um trabalhador, mesmo que esse valor esteja aquém da realidade económica do país. No entanto o seu aumento nos últimos dois anos é significativo. anos é significativo. 
   Com esta subida o governo pretende atingir dois efeitos. Por um lado o combate à pobreza e a melhor distribuição da riqueza. Por outro, com esta medida pretende potencializar o consumo interno, e por conseguinte, o crescimento económico. Tornar este crescimento uma medida de alavanca à economia através do consumo. A primeira ideia é correcta, mas a segunda ideia está longe de ter o efeito desejado.
   Procurar o crescimento da economia (que cresce vai dando sinais de crescimento após quatro anos de anemia) através do consumo interno pode ter um efeito (pelo menos inicial) bastante positivo. Mas isso, nos moldes actuais, é acrescido pela continua procura de crédito ao consumo, porque pela base dos rendimentos é quase impossível, principalmente no que diz respeito ao salário mínimo, longe de compensar os custos dos serviços e bens de primeira necessidade. 
   Apesar de uma medida correcta a nível social e económico, tem de se cingir apenas a uma medida social. No que se refere ao impulso económico, não é suficiente para impulsionar o crescimento da economia baseado no consumo. Os valores ainda não são suficientes. Apenas a nível social é uma melhoria significativa no bolso de alguns portugueses, caminhando para uma redução da taxa de pobreza, mesmo que ainda exista um caminho longo. 
   O problema nas contas do Governo, quanto ao crescimento do consumo interno, estão longe de estarem certas, o motivo se deve ao crescimento dos salários acima do mínimo. Os salários médios estiveram durante os últimos anos sem alterações. Aumentos eram reduzidos, e os cortes e impostos excepcionais, apertaram o orçamento das famílias. Mesmo com a devolução dos rendimentos, os preços dos bens e serviços de primeira necessidade estão mais elevados. Além do mais, apenas os funcionários Públicos sentem esse alivio, os funcionários do sector privado mantêm salários mais baixos, e continuam a não sem acesso a aumentos no imediato. 
   Se o Governo procura pela medida do consumo interno, e quiser utilizar essa via como motor da economia, então os salários acima do mínimo são obrigados têm de acompanhar, obrigatoriamente a subida do salário mínimo, mesmo que seja menor percentagem. É nestes salários que se encontra a maior incidência do consumo. Os 557€ servem apenas para um folgo nas famílias, um apoio financeiro, mas não como impulsionador do consumo. 
   Segundo a curva de Engel, o consumo das famílias que auferem o salário mínimo continua a ser muito baixo, o salário continua a ser canalizado, quase na sua totalidade, para as despesas com bens e serviços de primeira necessidade, contrariando, ai, as previsões do governo nesse aspecto.
   As medidas de impulso do crescimento económico, através do consumo interno, têm de  ser pensadas de outra forma, não apenas pelo aumento do salário mínimo, mas fazendo os salários acima do mínimo, acompanhar o ritmo de evolução da economia. 
    Se a política do governo é de devolução dos rendimentos e da melhor redistribuição da riqueza, tem de ser mais agressivo e menos fugaz. Tem de ter uma mão mais pesada nesse aspecto, ou corre o risco das previsões macroeconómicas ficarem aquém do esperado.





  

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Extrema direita em ascensão

    
   Desde a noticia de que Trump ganhou as eleições americanas, que por mais que muitos tenham alvitrado e desvalorizado a ameaça permanente, as notícias na Europa não se expectavam, e continuam a não se expectar, muito boas.
    A extrema-direita tem ganho espaço político, com o discurso do medo a florescer dentro da Europa e fora dela.
    Em França, o cenário da vitória de Marine Le Pen nas próximas eleições do país, tem sido largamente uma preocupação que França tem a braços. Também a Hungria, governada por protofascistas, e a Dinamarca, Holanda e Polónia tem tido uma crescente dos partidos xenófobos.
    Mas, este fim-de-semana o povo austríaco estendeu a mão e derrotou aquilo que se estimava nas sondagens, a vitória do candidato de extrema-direita.
    Renegaram-se e elegeram o candidato do partido ecologista os verdes. Continua a ser um pró-europeísta, mas que contudo derrota o nacionalismo e populismo ameaçador do candidato de extrema-direita.
    Continua a não ser um discurso “apelativo” aquele que hoje se contrapõem ao da extrema-direita. Mesmo com o apelo a uma Europa de cidadãos, tal como a estratégia do partido ecologista os verdes, com enaltecimento de alguns valores fundadores da União, há uma fachada na comitiva de (Des)União Europeia.
    Nos últimos anos os partidos socialistas têm perdido margem, sendo que hoje em dia as alternativas socialistas reais são cada vez menores. E mesmo aquelas que hoje em dia tivemos oportunidade de ter, algumas foram perenemente desilusões.
    Com tudo isto, continua à margem a decorrer uma crise humanitária sem fim. O discurso também este da extrema-direita tem ganho espaço nesta área, rejeitando a ajuda a estas pessoas, que continuam a viver sem condições básicas, sem satisfazer as suas necessidades. É importante continuar também a relembrar e não fazer com que outros passem por esquecidos, pois este devia ser uma das principais missões de ação.    
   Enquanto tivermos problemas estruturais ao ponto de ignorar-mos outros seres humanos que vivem condicionados de dignidade humana, então qualquer demagogo que aborde este tema, e que instale o medo e o sentimento nacionalista, então a extrema-direita continuará a proliferar o ódio.
   A verdade é que as vozes disfarçadas de anti-sistema, são purismo do sistema, e o combate a este dever de ser de não normalizá-lo, sendo-o muito claro. 

domingo, 27 de novembro de 2016

E agora, Trump

  


    As eleições americanas ficam marcadas pela vitória do candidato improvável, Donald Trump. Populista, demagogo, racista, machista, homofóbico e anti-imigração conseguiu conquistar o eleitorado q.b para se tornar o próximo presidente dos estados unidos eleito democraticamente. O que aconteceu? O que se passou naquela quarta feira negra nas urnas norte americanas?
    Donald Trump, em qualquer situação normal de numa democracia madura, não teria obtido um resultado que desse de sua existência como candidato. Comunicação social, artistas, figuras mediáticas e grande parte do mundo democrático fizeram apelos à não eleição de Trump, até mesmo ao boicote da campanha, parece ter sido em vão. Donald Trump fez uma campanha eleitoral pujada de ofensas e mentiras, ataques pessoais e ameaças, e foi eleito. 
     Comentadores, analistas políticos e jornalistas colocaram vários cenários para explicar uma vitória, histórica, de um candidato negativo. A ausência de "esquerda", representada, em grande parte por Bernie Sanders, o facto de Hilary ter sido apelidada de candidata do Sistema, até mesmo o facto do adversário de Trump ser mulher, tudo foi motivo para apontar uma vitoria do magnata. Talvez os cenários tenham algum fundo de verdade, que a imagem de Clinton tenha estado na origem da vitória de Trump e a ausência do discurso de Sanders também tenha impulsionado a candidatura de Trump, mas talvez outros motivos deram a eleição a Trump. 
    Um candidato que falou à direita, apostou no discurso racista e homofóbico, no ataque aos imigrantes, deu a mão à extrema direita e aos conservadores religiosos. Abraçou as ideias do Tea Party Republicano, conseguindo reunir os seus adversários,como Ted Cruz, em torno de uma candidatura que se desvendou eficaz. Falou, também, à esquerda , conseguiu aproximar o seu discurso a de Bernie Sanders, discursando, principalmente, para o eleitorado de Sanders, que estava longe de apoiar Clinton. Apresentou um discurso anti-sistema, diferente de Hilary, criando ilusão de ser um out sider do que o alimenta, o Sistema financeiro. Trump faz parte do Sistema, vida de Trump é o sistema, ele é o candidato do sistema, um candidato de Wall Street.
   Independentemente do que possa ter motivado a vitória de Trump, a reflexão do porque e como deve ser feita procurando, como sociedades democráticas, os motivos que estão a levar os extremos a ficar mais próximos da governação. No entanto, da vitoria de Trump o perigo não vem, apenas, dos seus discursos de campanha, ou da reversão de medidas de Obama, vem, acima de tudo, de medidas que possam ser tomadas durante o seu mandato, como a possibilidade de uma desregulamentação dos mercados financeiros, o fruto apetecível de Wall Street, a repatriação de milhões de imigrantes aos países de onde muitos fugiram, e principalmente o não cumprimento do protocolo de poluição, podendo agravar os problemas ambientais já existentes. Trump não é perigoso no discurso, é no acto.
    Os próximos quatro anos, avaliando os convites feitos a figuras pouco recomendadas, não serão propriamente fáceis, nem para os norte americanos, nem para os restantes países com quem os EUA detêm ligações económicas e cordiais. Trump não é um agente amigável das liberdades. A sua relação com a imprensa não é melhor, os seus comportamentos com os programas de humor não são os melhores, e o seu discurso contra as comunidades já surte efeitos negativos, a sua forma de estar é boçal. 
   Esperam quatro anos de um atraso civilizacional nos Estados Unidos, de comportamentos pouco democráticos e de um fim dos valores democráticos e progressistas que os Estados Unidos sempre encabeçaram. Trump não será solução, Trump será o verdadeiro problema. 

domingo, 16 de outubro de 2016

Uma direita sem alternativa


  Uma direita nervosa não significa alternativa, apenas demonstra não saber lidar com as escolhas que um Estado democrático maduro pode proporcionar no que toca a caminhos alternativos. O conformismo não pode ser um estado de alma, a existência de alternativas é a luz ao fundo de um túnel que levou quatro anos a atravessar.

  A crispação pós eleitoral abandonou a coligação PàF à beira de um ataque de nervos. Foram tomados por um descontrolo sobre o tipo de políticas alternativas e no tom do discurso. A alteração do modelo que deveria privilegiar o natural rumo pós eleitoral "quem ganha governa" deixou a coligação com um sério amargo de boca. A previsibilidade de Passos e Portas, que seria a saída de Costa da liderança dos socialistas e a abstenção que daria mais quatro anos a Passos, não existiu. A direita aguçou o discurso, o CDS mais inconformado demonstra o maior mau estar por se encontrar na oposição.
    A saída de Paulo Portas trouxe Assunção Cristas para a liderança. Num modelo de "copy paste" ao Bloco, a novidade deu lugar a mais do mesmo, mas pior. O CDS tornou-se, lamentavelmente, uma cocheira discursiva. 

    Assunção Cristas abriu a porta a um esquecimento de quatro anos, onde a mesma era ministra de um governo que, de certeza de má memória ao comum contribuinte. No que toca aos impostos a sua memória, demasiado selectiva, encontrasse infectada pelo vírus de Zenail Bava. Ao contrário de Zeinal Bava, os sintomas de Cristas é de um profundo buraco dimensional.


    O seu discurso sobre uma austeridade de esquerda, "à lá gouche" como gosta de apelidar, parece  oco quanto as ideias que o CDS possui. Um discurso tomado pelo mau estar ainda existente e pela vontade de fazer "barulho" no panorama político. O CDS necessita de apagar uma imagem demasiado colada a Paulo Portas, pois continua demasiado dependente do jovem que tornou o CDS o partido do táxi.

  As palavras de Assunção Cristas poderiam ter sentido se a mesma Assunção Cristas não constasse na fotografia de família do governo que mais aplicou medidas corrosivas à classe média e baixa como cortes em salários, da sobretaxa, do enorme aumentou impostos, dos escalões de IRS desproporcionais, que atingiram mais a classe média e os mais pobres, do aumento do IVA para os bens essenciais como leite e pão, que privatizou a parte publica da EDP fazendo disparar preço da electricidade e que entregou a economia do país a uma febre privatizadora e uma destruição da economia na esfera nacional. Fez parte de um governo que cedeu a maior transportadora aérea nacional, TAP,à última da hora, por míseros 10 milhões de Euros após ter danificado financeiramente a empresa acusando os malefícios das greves. Fez parte de um governo de má memória para o país e para a economia. Governo que alguém se encarregará de lembrar sempre que a história assim o necessitar.
  Por as bandas da Lapa, apesar do dissabor ser maior, o mau estar parece serenado. Por outro lado Passos Coelho continua a viver como se do primeiro ministro se tratasse. Ainda não acredita que uma vitória aos 45 minutos virou uma derrota eleitoral aos 90. Entende que não terminou o seu mandato, que ganhou as eleições e por isso deve governar. Para Passos Coelho, Costa assumiu o lugar de primeiro ministro ilegitimamente, quiçá ilegalmente, e por esse motivo tem o direito, e o dever, de assumir o seu lugar natural. Passos Coelho é o único que sente que o país precisa dele.
    A direita, iniciou uma espiral de vitimização/ataque desproporcional continuo. Nas "jotas" reina o principio da infantilidade, nos seus dirigentes o devaneio e nos seus militantes um sentido de "ressábia" transformado em blogs de má língua, mentira e disparate.  

    Com discursos vagos deste género não existe espaço para o verdadeiro debate sobre alternativas politicas que a direita tem. A politica é discutida em saraus de baixo nível. A fraca visão sobre a economia e o país demonstra que um governo de quatro anos só conseguiu unir os portugueses em torno de uma injustiça fiscal e de um sentimento de conformismo, sem direito luz ao fundo do túnel.  
Desta direita nada se espera mais nada, infelizmente.





sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Um espírito Académico não é o espírito da praxe


 Todos os anos por esta data o debate sobre as praxes repete-se. O assunto é motivo para debate, e ambos os lados, quer anti quer pró, abrem uma acesa discussão sobre a utilidade, o espírito e a forma com que ocorrem as praxes. É uma discussão em que todos os argumentos contam, mas uns ultrapassam os outros dentro da razão de cada lado das barricadas.
  Quando entrei para a faculdade rejeitei a praxe. Sempre me mantive firme nessa decisão. Nunca encontrei nas praxes os aparentes motivos da sua existência, apesar de concordar que a praxe integra, mas de forma menos digna para cada um dos jovens que aceita ser vitima. Todos os anos, aqui ou ali, existem vitimas das praxes, e todos os anos assistimos aos mesmos discursos condescendentes, apontando sempre que são assuntos pontuais, e as praxes não são todas iguais.
   Das comissões de praxes, órgãos que funcionam à margem do Ensino Superior, não se pode esperar algo mais que a defesa da sua actividade. Por parte da Associação de estudantes, o sentimento é de um "sequestro" por parte das comissões de praxes. Todos olham para o lado, mesmo quando as praxes, em diversos cursos assumem uma tendência cada vez mais agressiva. Mesmo assim, por parte dos defensores da "tradição", os discursos benevolentes, mesmo que cada vez mais ocos, aparecem.
   A praxe, agressiva ou não, é praxe. A integração não pode servir como motivo para a humilhação gratuita e desproporcional. As características da praxe não se fundem com a essência do que é o Ensino Superior. O livre pensamento critico, a liberdade de opinião e a igualdade entre os seres, não fazem parte do espírito da praxe, mas são características do que é o Ensino Superior. Os alunos novos, apelidados de caloiros, são nivelados por baixo, sem o direito à critica e à livre opinião, tratados de forma humilhante, quer seja uma praxe branda ou agressiva. Na forma de tratamento não existe diferenças, em qualquer praxe existe o rebaixar do caloiro.
   É no espírito de subserviência e de falta de valores da democracia que a razão tende a estar mais do lado de quem defende um aperto firme à praxes e promove a construção de alternativas. A própria sociedade civil, através do espírito critico que não está presente na praxe, já olha de forma diferente para as praxes. O que antes era olhado como uma mera brincadeira entre alunos, hoje já é alvo de criticas por parte de que observa as práticas na rua. Sinais de mudança de pensamento, talvez colhidas pela pior das razões, o caso do Meco, por exemplo.
     Os textos e a critica aumentam, o próprio Ministro que detêm a tutela do Ensino Superior já se fez ouvir quanto ao seu entendimento sobre as praxes. O objectivo da praxe, que afirmam ser a integração, está cada vez mais descredibilizado, diversas personalidades, inclusive académicas, assiram petições para que a praxe seja banida do estabelecimentos, quer dentro quer fora. A criação de alternativas começa a mudar o paradigma, apesar de ainda ténues, começam a dar frutos, o caso do IULcome no ISCTE.
    Com uma estagnação da luta por causas, os estudantes começam a entrar num vazio. As praxes vêm preencher o vazio da forma negativa, não projectando o que é ser estudante, promovendo a criação do espírito critico e de luta por ideais. Ao contrário, o espírito das praxe ajusta-se a uma forma de estar baseada na subserviência, na ausência da critica construtiva e de ideais. A integração da praxe promove a exclusão de quem não aceita a humilhação, é isso a forma de estar na praxe.
  Por mais que o debate seja adiado, e que a motivação das comissões esteja forte para continuar, a visão que hoje muitos alunos têm da praxe vai alterando o seu circulo de vida nas Universidades. Uma sociedade mais critica, pais mais esclarecidos e jovens mais virados para a procura de alternativas, vai afastando, mesmo que lentamente, as praxes do seio das faculdades. No entanto ainda existe muito trabalho pela frente. A necessidade de construção de alternativas, a pressão do poder executivo, a necessidade de apertar o cerco ao abuso, a alteração do quadro das Associações de Estudantes e a luta de quem ficou excluído, formando células e criando ligações, vão ser essenciais para o implodir das praxes.
   Espero um dia poder ter o meu filho na faculdade, com o orgulho que um pai deve ter, com uma integração dentro dos valores democráticos, sem humilhação desproporcional, onde as bases dessa integração seja a essência real do que é o Ensino Superior.




segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sanções a um sentimento Europeu.




   Da Esquerda à Direita, Europeístas e Eurocépticos estão dentro do barril de pólvora argumentativa sobre a União Europeia. É uma guerra que está longe de acabar. A lógica da União Europeia não é consensual entre os portugueses, nem mesmo entre os Europeus. As sanções atacaram forte o sentimento europeísta dos poucos lusos que ainda acreditam numa União de povos no continente Europeu.
    À esquerda o sentimento europeísta do PS é isolado, sobram os partidos fora da representação parlamentar. O Bloco e PCP têm raízes eurocépticas. Os seus argumentos apontam uma união europeia desinteressante, que não respeita as democracias legitimadas nas urnas e as atitudes dos seus burocratas torna-se um problema e não parte da solução. Argumentos que acumulam de ano para ano dão razões suficientes para ambas as forças politicas manterem o cepticismo em relação à Europa, acabando com apoio nas urnas.
    À direita o sentimento europeísta é enorme, outra coisa não seria de estranhar. Grande parte da Europa é governada pela da família PPE, ou por governos, mesmo socialistas, aplicam as politicas apoiadas por conservadores e liberais. É uma Europa feita para a direita governar sem espaços para alternativas, que digam os gregos e os portugueses. É no seio do PPE que existe o problema. As politicas de austeridade, a derrocada das economias e o nascimento dos nacionalismos duros como o Reino Unido tem feito transparecer.
     Os europeístas nacionais tremeram pelas consequências sociais das sanções, hoje respiram de alívio. No entanto não deixa de existir uma reflexão forte sobre o assunto. O medo e a pressão politica teve impacto. Mesmo que os média tenham feito o trabalho "sujo", como costume, não deixa de existir uma sensação estranha que a Europa nos quis enxovalhar porque o governo português apostou numa politica diferente da maioria pouco silenciosa.
    Os Eurocépticos acabam por ganhar terreno. São eles que com ou sem sanções acabem por afirmar que tinham razão. O discurso anti Europa funciona, e por culpa da mesma Europa cega. A demonstração que a única política é a da União, deixa alternativa para o crescimento do sentimento anti Europeu, e com isso, os partidos Eurocépticos vão crescendo de eleição para eleição. Não existe terreno mais pantanosos que o Europeu para partidos pró Europa, enquanto os discursos anti-Europa crescerem, com eles vem a xenofobia e todos os sentimentos negativos sobre a emigração, são curtos os caminhos que separam dois sentimentos, Eurocepticismo e xenofobia.
    Analisando os vários lados de um tabuleiro de xadrez emaranhado acabamos por perceber que o sentimento Europeísta tem vindo a desvanecer. Acreditar que a União Europeia tem salvação sem mudar o seu modelo actual é ter fé em algo oco. Não é possível manter uma União que choca com as democracias, com a legitimidade democrática e que a única coisa que consegue é absorver o medo que cria através da ditadura financeira.
    Uma União ligada às máquinas, a sua sobrevivência é de prognóstico reservado. As sanções é mais um sintoma de uma doença que vai matando as democracias nacionais e cria o sentimento Eurocéptico a cada cidadão descontente. As matastes xenófobas alastram pela Europa, e o sangue europeu já está contaminado pelo eurocépcismo. Mas a doença é um mal do próprio paciente. Um paciente que injectou um medicamento Neoliberal, pretendendo servir os interesses financeiros de grandes bancos. Um medicamento que teima em querer acabar com os países mais frágeis, aceitando que sejam os mais fortes a mandar num espaço igualitário de povos.
   Os europeístas, por mais contentes que possam se sentir, e aliviados que possam estar, estão esquecidos que sanções são sanções, sejam elas 0 ou 0,2. Só apenas o facto de estarmos a ser sancionados por falhas políticas apoiadas pela Comissão e BCE, é o suficiente para quem tanto fez sacrifícios ter direito a ser Eurocéptico convicto.
  neste momento não interessa o europeísmo, interessa sim, a reflexão se é esta União Europeia que queremos.



 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pelo fim das Praxes, de uma vez por todas

    

   Quando entrei para a faculdade já tinha uma certa idade, mas não escapei à questão das praxes. alguns jovens questionaram-me sobre a entrada no mundo das praxes. Sim (praxe), passando por o culto de uma tradição que se baseia na envergonhado alheia em publico. Não (anti-praxe), manteria a dignidade intacta, apenas era excluído dos círculos académicos. 
   Não demorei muito a responder, optei por fazer uma contraproposta (que não vou mencionar) que levou rapidamente os jovens a entender que a visão sobre as praxes era diferente. Eles compreenderam e seguiram a sua vida.
    Dignidade humana, sabedoria e inteligência, estes foram os motivos que nunca me levariam a entrar no comboio de vexame publico dos caloiros em nome de uma tradição académica sem sentido que não seja manter uma hierarquia ilegítima e a vontade de fazer sobreviver uma tradição académica que já estaria extinta não fosse a pressão cometida nos alunos. 
   Enquanto estudante do Ensino Superior assisti à acumulação de abusos nas praxes que vergonhosamente eram abafados por as instituições. Grande maioria dos casos acabavam em meros pedidos de desculpa.
   Os adeptos da praxe procuram as suas vitimas através de chantagem e de pouco espaço de mobilidade. Sentindo uma"presa"  fácil, os activistas pró-praxe, chantageando com a exclusão, evitar que alunos fiquem fora do mundo pouco fascinante da praxe. Só assim se poderá manter esta tradição académica viva. O risco de alternativas cria a ameaça e a coação sobre os jovens, que não aceitando, são excluídos, enxovalhados e ofendidos por alunos.
    Felizmente nunca fui vitima de práticas ofensivas, nem de ataques pessoais. Apenas fui excluído de várias iniciativas académicas organizadas por a própria Associação de Estudantes, mas eram as comissões de praxes os Relações Publicas munidos de guest list onde apenas constavam os alunos que passaram pelo crivo da praxe. Alunos de Associações anti-Praxe (MATA)  e que não aceitaram as praxes, ficaram excluído. Era na exclusão, e ocupação de lugares de destaque, que as comissões de praxes faziam entender aos novos alunos que sem praxe não existe integração.
    A praxe é apenas uma maneira de alguns alunos têm para sentirem que o abuso do próximo não é punido. Numa sociedade exigente seria crime a prática de algumas barbaridades. Um conjunto de gente que não conhece limites para as violações que comentem ano após ano, dando o sonho de no ano seguinte, os praxados,fazerem o mesmo, de forma igual ou pior tornando-se, muitas vezes, piores que os seus carrascos. 
    A praxe não ensina nada para além de obediência cega a um conjunto de pessoas que se sentem superiores. Ensina o aceitar que hierarquicamente existem seres inferiores e superiores dentro do ensino que deveria ensinar a igualdade entre todos.
   A culpa desta situação não é apenas dos alunos que pactuam com tamanha brutalidade. Entre Reitores, directores, professores e pais, também são culpados do teatro e dos abusos da  praxes. Um espectáculo que merece o repudio e condenação de quem acredita nos valores da democracia. Não se pode aceitar que um conjunto de alunos  proporcione actos criminosos atrás de uma imunidade condenável, onde Reitores, directores, professores e pais aceitam tranquilamente não salvaguardando a dignidade e a integridade física dos caloiros. Não pode ser ignorado a selvajaria das praxes, nem continuar a assobiar para o lado enquanto continuam vidas a serem ceifadas por uma dita tradição. Está na altura do Governo, correndo o risco de ser desagradável, por um fim ao abuso da dita tradição académica, "apertar" com os responsáveis das Universidades criminalizando actos de praxe na via publica, pondo fim à impunidade das praxes e dos praticantes.
  Infelizmente temo que ainda tenhamos que ser em sociedade a tomar uma posição sobre o assunto. Se assim for, muito mal anda o Ensino Superior na sua génese. Mas não estou crente que os responsáveis académicos pais e governo, exista a vontade de resolver este problema que se agrava de ano para ano.
  Casos como o do Meco não podem continuar a acontecer sem que nada aconteça aos responsáveis e aos estabelecimentos.A justiça não pode encolher os ombros e processar mães que perdem filhos em praxes em vez de punir de forma severa os reais criminosos.
    Casos como Meco, do Algarve, Piaget, faculdade de Agronomia, Coimbra, que terminaram mal, deveriam ser penalizados como exemplo, mas passaram ao lado. 
     Se nada for feito, Continuamos a assistir ao degradar da imagem do Ensino Superior. 


  

Um lapso Ana Lourenço? Ou uma opinião?




  Roubado do Blog Jugular, uma impressionante demonstração de desconhecimento de Ana Lourenço, jornalista da RTP.
   Durante o programa 360º, na RTP 3, no momento em que Ricardo Paes Mamede comentava sobre as sanções a Portugal,  a jornalista Ana Lourenço interrompe o Economista para expressar uma espécie de deturpação/visão pessoal do que são os processos eleitorais pós legislativas, e a forma como se formam governos em sistema parlamentarista. 
    Para Ana Lourenço o actual executivo não é nem fruto de uma maioria parlamentar, nem fruto de eleições, e talvez, na sua visão jornalistica, não possua a legitimidade necessária para governar. A sua expressão é de tal forma rocambolesca que deixa Ricardo Paes Mamede em estado de estupefacção após ouvir "....não é porque houve eleições".
Depois disso, Ricardo Paes Mamede, estupefacto com as afirmações da jornalista, ainda tenta explicar, com a tentativa de Ana Lourenço, depois do pé na argola, de mudar de assunto. 

 

   Tentar convencer que o jornalismo de isenção existe, principalmente no que diz respeito ao canal publico, é a tentativa frustrada de tentar limpar a imagem do mau jornalismo de praça. São declarações, e opiniões, como esta que demonstram que o jornalismo está longe da isenção pretendida. 
   Ana Lourenço, como moderador, não pode intervir no debate com uma opinião formada, muito menos da forma como, onde a pretensão é tirar legitimidade ao actual executivo dando a ideia que não foi eleito democraticamente. 
   Assim vai o jornalismo.