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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ética pura, não, dura

  

    Ora a minha história começa com o meu regresso a terras Lusas. Encontrei por a terra amigos meus, boa gente, malta socialista ferranha de Loures. Pessoal que sempre foi figura de trabalho afinco nos problemas do concelho e da freguesia (dizem eles), rapaziada de bom coração. Quando dei por mim, lá estava eu na amena cavaqueira a tratar de assuntos da política séria e honesta. Comecei uma conversa intressantissima sobre a Catalunha. A coisa durou menos tempo que os preços do combustível sem aumentar. Visões diferentes? Infelizmente não, era apenas uma visão e duas ausências. Nada que não seja típico de pessoal apelidado de "filhos da terra", gente que passa os anos a esfregar na cara em trezentos e cinco cargos ocupados em associações, bombeiros, clubes, grémios e listas para a Câmara ou Junta. Resta dizer que quase nada deu resultado, muito pelo contrário. Mas são coisas para por de parte. 
  Com tanta opinião silenciosa, ou "porque sim" que ouvi, lá tive de mudar de conversa. Estive fora, ouvia e lia sobre os candidatos à Câmara municipal de Loures , mas desconhecia alguns. Lá me informaram que o Bernardino ficou, e ganhou, e que quase todos os outros mudaram. Quando dei por mim, estavam eles a elogiar a Sónia. Boa rapariga, vereadora com um pelouro difícil e   uma mulher de coragem. E na minha opinião até acredito. Mas quando falámos de Carlos Teixeira, as expressões faciais mudaram, e as criticas foram extensas. Desconheço se é na totalidade do partido, espero que não, mas ter criticas ferozes  é que não percebo. De desculpas em desculpas lá vieram os argumentos gastos, família e a despesa. Tive de perguntar - "Mas a despesa é sempre má?"- entupiram, não me souberam responder, apenas escuto um volte-face à conversa - "Agora estamos bem, o Ricardo Leão mudou o PS em Loures" - estranhei! O PS em Loures continua o mesmo, as mesmas caras, principalmente aquelas que ganharam protagonismo com Carlos Teixeira, e pelo que percebi, o Ricardo Leão também é o mesmo, o que foi  vereador. Mudou? Não percebi onde.
   Não percebo as desculpas em torno da dívida,  família,  gato e  cão. São pouco construtivas e dão um ar de desmérito do trabalho feito à pessoa que durante 12 anos foi Presidente do Concelho e protagonista do maior desenvolvimento do município. Talvez tenha encontrado alguém que se tenha esquecido do quão rural era Loures à entrada do século XXI, e quanto desenvolveu e se tornou um Concelho estratégico. Mas Carlos Teixeira falhou? Óbvio, mas político que não falha não é político, é uma almofada sem ideias. Medina falhou, Costa falhou, e não é por esse motivo que perderam o mérito de serem pessoas capazes, tal como Carlos Teixeira o foi.
   Falar sobre a família e a dívida? Perdão! Prefiro falar sobre trabalho, porque se falarmos sobre família, Carlos César tornaria-se o centro do assunto. Mas se insistem, falemos de profissionalismo. Dívida? Em que parte do mundo vivemos? Um concelho que saltou para o mapa pelas melhores razões, não por as afirmações dos Andrés Venturas desta vida, é porque tem um curriculum de trabalho feito. Sem dúvida quem criou o que é Loures é hoje, um concelho moderno, urbano e citadino foi Carlos Teixeira. A dívida é o que tinha de ser, ou agora temos "experts" que conseguem tirar um concelho da ruralidade do século 19 e tornar atrativo para negocio, para viver e trabalhar é feito em sonhos?
  O partido socialista só tem razões de sobra para se orgulhar do trabalho de 12 anos, mas prefere deitar fogo ao passado no jogo da culpabilidade alheia. Tornar Carlos Teixeira em uma espécie de "Persona Non Grata" no passado do partido.
   Podemos falar de familiares, fazer uma reflexão sobre eram ou não qualificados para talhar a sua função. Talvez aí possamos ter uma ideia mais alargada sobre o que convenceu a recrutar, talvez. Talvez nem seja como pintaram. O que ficou então de trabalho? Muito! Será então que o dinheiro foi bem gasto? Talvez sim, talvez não. Mas que Loures apareceu no mapa com mérito, apareceu. Foi ético colocar um familiar? Em princípio não, mas foi ilegal? Não! Mas então e ocupar três cargos, mesmo com a legitimidade democrática? Não será também pouco ético? Talvez, mas também não é ilegal. O que permite a qualquer outra pessoa ter uma leitura Kantesiana sobre os valores éticos na sociedade, que se transferem para a política.
  Pois é, já que afirmam as vozes da existência de falta de ética de Carlos Teixeira, então resta relembrar os meus amigos socialistas que outras formas de não partilhar a ética existem,  exemplo esparramado o PS ter um presidente da Concelhia,  também Presidente da Assembleia Municipal de Loures,  também é Vogal na Junta de Freguesia de Sacavém que por sua vez, por acaso, também deputado na Assembleia da República. Não é ilegal, mas não será falta de ética e motivo para que a política seja vista de forma menos adequada? Óbvio que sim! Porque das duas uma, ou estamos perante uma brilhante figura política, o que não discordo dada a experiência "profissional", ou estamos perante alguém que entende que a sua Concelhia não está munida de gente capaz, e por conseguinte o país. Não vislumbra ninguém melhor que ele para ser em si a soma de todos os cargos. Poderíamos, eventualmente,  chegar a uma terceira possibilidade, mas seria tirar o mérito à figura em questão.
  Portanto, se os socialistas têm por muito se queixar do legado deixado por Carlos Teixeira, a quem muito deve Loures, então muito se pode queixar da má imagem de Leão. Porque pode não ser pago a 100% por as funções partidárias, na Assembleia Municipal e Vogal na JF, até pode ser um brilhante político, mas não deixa de ser pouco ético perante um país que vive constantemente a criticar os seus políticos. Enquanto isso Carlos Teixiera, apesar de ter sido candidato a Lisboa, de forma independente, mas continua a fazer a sua vidinha sem correr atrás de Vaga.
  Deu-me uma tremenda vontade de voltar a escrever. Um abraço à equipe.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Science e um modelo laboral


  Se há coisa que faz sorrir o meu miúdo são os brinquedos didácticos da Science4you. Educativos, imaginativos e acessíveis no preço quer e na utilização. Uma  forma criativa de aprender ciência de forma espontânea. É essa a oferta dos brinquedos da Science.
   Uma empresa que marcada pela era do empreendedorismo e da crise. Um jovem empresário decide criar uma industria de brinquedos que misturam a diversão com aprendizagem. Um novo modelo empresarial em expansão, de negócio único na Europa, acompanhado mais tarde pela Clementoni. Excelente ideia, sem duvida, uma marca nacional.
     O problema com a Science não está nos brinquedos que produz, é a sua relação com trabalhadores e a legislação laboral. Nesse ponto a Science não surgiu como empreendedor, muito pelo contrário, está na linha do provincianismo do patronato português.
    Tudo se inicia com a preparação da época de Natal, a Science4you inicia um processo de recrutamento no inicio do verão, entre Junho/Julho, meses preferenciais para adquirir mão de obra necessária para o crescimento da empresa. Processo acompanha o aumento das vendas da empresa e as possíveis metas no futuro . A sua forma estranha de lidar com os recursos humanos é que não encaixa num modelo adequado de uma empresa em crescimento, seja no mercado português, pouco agressivo, seja nos variados mercados externos, mais agressivos. 
   Dois capitães, inicialmente, não têm capacidade criar um plano estratégica para os recursos humanos disponíveis, para isso, sem qualquer motivo serio, ascendem mais dois ou três colaboradores ao estatuto temporário de capitães, dependendo o numero de funcionários. Esse mesmo capitães temporários, por motivos pessoais, limitam-se a tornar inoportunos durante o período de actividade da empresa criando mau estar e mau ambiente no seio das diversas equipas. Mais estranho, e pouco esclarecedor é o motivo que leva à escolha dos responsáveis temporários, quais são os critérios e curriculum dos candidatos? Afinal vão ser pessoas que assumem, mesmo temporariamente, a responsabilidade de gestão dos recursos humanos.
   De quinze em quinze dias o coração aperta para os funcionários da Science4you. Aqueles que entram para reforçar a equipa já existente, andam de coração nas mãos. Qualquer funcionário pode estar na iminência, com ou sem critério plausível, de ser mandado embora. 
    A equipa é reforçada com um número significativo de funcionários, quinze dias depois, alguns desses funcionários são enviados para o desemprego, e contratados outros funcionários. Os critérios das escolhas, pouco se sabe, apenas se sabe que são trocados como fossem material, se vão cinquenta embora, vêm cem, e assim sucessivamente. 
    É aos ditos "capitães" que cabe gerir os recursos humanos, mas os mesmos não dão garantia de um gestão com qualidade. Em seu suporte está uma área de Recursos Humanos pouco eficiente, lamentavelmente inerte e incompetente, no entanto fazem parte dos poucos funcionários que não podem ser demitidos.
    Durante o período do Natal a Science é uma porta giratória de funcionários. Entram e saem quinzenalmente de forma desordenada sem que possam ser reaproveitados para diferentes tarefas dentro das instalações. São chamados abruptamente durante o períodos em passe mais despercebido aos restantes colegas, rescindem o contrato sem que possam regressar para se despedir dos restantes colegas, e são postos literalmente no olho da rua. Desaparecem num ápice enquanto o dia de trabalho corre normalmente. Os contratos de trabalho permitem este tipo de atitude. São contratos de trabalho a termo incerto, que se adequam à estratégia laboral da empresa. Empresa já sofreu uma multa e advertências pelo ACT, por não funcionar de acordo com a legilação laboral. 
   Qualquer funcionário está sujeito a ser mandado embora num abrir e fechar de olhos, sem que o contrato assegure qualquer direito. Assim funciona a empresa até ao mês de Janeiro. A Science, ao mesmo tempo que faz brinquedos didácticos, brinca com pessoas, utilizando precariedade como peça.
   Durante o ano de 2015, a Science demitiu e contratou centenas de pessoas, chegando a protagonizar uma foto com a "família Science" e o senhor Presidente da Republica, Cavaco Silva. Nesse dia a empresa apresentava uma enchente de funcionários de várias cores (várias equipas). Uma foto gigantesca para inglês ver demonstrando ao, comum cidadão, que a Science era uma que empregava muita gente. Mas  após a visita essa grande enchente de funcionários foi esvaziando e saindo pela porta dos fundos, ao magote e diariamente.
    Até à chegada do mês de Janeiro, existiram funcionários que criaram uma grande expectativa na sua manutenção na empresa, muito poucos, foram os que ficaram. Alguns ainda tiveram o cheiro de ficar, mas a incompetência quando é muita e a matemática parece ser madrasta, as contas batem errado, e minutos depois de um grupo se ir embora, são enviados os restantes. Ainda sobraram alguns, quase nada. 
   Há pouco tempo, entre portas e travessas, fiquei a saber que os funcionários que ficaram depois de Janeiro, que assinaram um contrato de seis meses, foram enviados para o desemprego, sem que o contrato tivesse terminado. Mais uma vez a Science adquiriu o estatuto de ré no ACT, mais uma vez por más práticas laborais.
  O que aqui está em causa é um projecto inovador, que possui tudo para crescer. Um projecto sustentável a nível financeiro, que pode criar novos mercados e proporcionar um crescimento da marca Portugal no mundo. Mas nada que é inundado com más práticas e má gestão pode sobreviver a este misto de incompetência, quer financeira, quer de Recursos Humanos. A Science não se pode tornar um mero veiculo de pessoas, que por um ou outro nada, são mandadas embora como mercadoria. O respeito não pode ser precário. 
  Se assim for, e se este patrocínio às más práticas laborais e ao desapego da gestão continuar, então a coisa promete uma empresa com prazo de validade, quando tinha tudo para dar certo. 

(este texto foi escrito através de depoimentos de ex funcionários da empresa)

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Uma atenção, Educação não é pressão!


   Senta-te! Coloca o cartão de cidadão em cima da secretária e aguarda, de forma serena, que dê um segundo toque. Aguarda, com toda a pressão, que chegue a tua folha, que saia a matéria que tu estudas-te, que termine o exame e quando acabares, espera até o primeiro toque, se entretanto acabares depois do primeiro toque? Espera mais 30 minutos para o segundo. Estás proibido de falar e de sair da sala de aula, só te podes mexer se não fizeres barulho. Não podes sentir mal.
   Bem-vindo aos exames nacionais, ao stress e a pressão que a que estão submetidos os alunos, ao folclore desproporcional que rege todo o período dos exames e ansiedade até à saída das notas.
   Não vou discutir a sua necessidade, os exames são elementos essenciais para uma avaliação mais a fundo sobre o que foi a aprendizagem do aluno. É necessário reconhecer o aluno sobre o conhecimento obtido, em determinadas matérias, durante o período do ensino elementar. Vou ser crítico é a todo ritual praticado antes e durante os exames. São poucos minutos, mas onde os alunos estão expostos a uma pressão descontrolável. Será isso necessário para avaliar um aluno? Óbvio que não!
  Quando falamos nos alunos dos exames nacionais, falamos de adultos. São jovens que terminam uma longa jornada de 11 a 12 anos de aprendizagem continua e ininterrupta. Apesar da sua idade, o ambiente envolvente, no que toca aos exames, é de uma pressão agressiva. Não por o exame, são jovens habituados aos exames contínuos, anualmente, é todo o aparato que isola o aluno num stress agressivo. Não é o tradicional chegar, sentar, fazer, entregar e sair, utilizando a sua memória fresca, sem que algo atrapalhe, é o chegar e esperar sórdidos minutos, ter todo um espalhafato para fazer um exame. É o desconhecimento total da matéria, é o frenesim que antecipa e fecha o período.
  Se os exames fazem mossa num adulto, imaginemos a pressão em crianças que tem apenas quatro anos de uma aprendizagem ténue? Que exigência é esta que atira crianças para a pressão e stress dos exames? Será isso necessário para a evolução educativa? É óbvio que não, apenas antecipa uma série de problemas nervosos a crianças que nem aos dois dígitos de idade chegaram.
   O progresso educativo deve se estabelecer num percurso escola estável, com ofertas educativas adequadas ao que são os alunos de determinado estabelecimento. Não podemos continuar a ajustar o ensino à prática da “extrema exigência”, que apenas se baseia num determinado conjunto de testes e exames, que enriquecem o aluno. É preciso um ensino diversificado que origine um conhecimento sólido nas diversas áreas, flexível, e que ofereça matérias escolares, sociais e económicas, e não o despejo de matéria entre os testes, que limite o conhecimento ao temporário.
   É necessário é criar hábitos que elevem o conhecimento, como a leitura e a cultura do estudo. Reunir com os professores, e cada escola ter uma autonomia de ensino dentro das diversas matérias essenciais ao conhecimento. Dar ao aluno um leque maior de áreas em que se possa encaixar melhor. Depois disso tudo, que venham os exames, mas que se vá o aparato desnecessário.
  Apesar de a direita apontar o fim dos exames da quarta classe ser uma medida ideológica, e não uma medida de bom senso, creio que a opção ideológica é o facto de o Ensino estar, ainda, com o cheiro pestilento ao tempo da “velha senhora”, que o ex Ministro da Educação, Nuno Crato, se lembrou de retirar a lavanda que ainda atenuava o cheiro, e abriu a “exigência” despropositada que o ensino não necessitava. Nunca esteve em causa a exigência, ou um forte combate ao facilitismo, foi apenas um clique ideológico, e um saudosismo dos exames, que em tempos, dividiam a crianças pela classe social. Não porque os mais pobres não tivessem capacidade de lá chegar, mas sim porque dada a pobreza, não conseguiam lá chegar.

  O Ensino precisa de uma reforma urgente, não de paternalismos de exigência, não de cheiro a mofo ou a humidade de tempos em que a educação era destinada apenas a quem o regime favorecia. A necessidade é uma Educação melhor, mais acessível, e menos folclórica. 


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A voz aguda dos grossos candidatos




   Cândido Ferreira, candidato às Presidenciais, está ressabiado. A escassez de protagonismo começou a revelar o pior que existe na sua personagem politica. A corrida a Belém, torno-o capaz de atingir os adversários, nomeadamente Sampaio da Nóvoa, com afirmações sustentadas em demagogia e populismo barato. Tudo vale a pena para Ferreira.
    Não coloco a moralidade do senhor em causa, desconheço o seu curriculum e o seu passado, mas tornar o jogo eleitoral mais importante que a ética e o debate de ideias é o pior exemplo que poderia dar para convencer alguém a lhe dar confiança no rumo a Belém. Para Cândido vale tudo, os fins justificam os meios, e as suas afirmações, quanto a Sampaio da Nóvoa, garantiram o protagonismo que tanto almejava, apesar de ter saído machucado na imagem.
    Se o candidato julgou que tinha moralidade suficiente, com as afirmações que teve, apenas mostrou que perdeu toda a ética e relevância que um candidato poderia ter. Cândida não passa de um jogador nestas eleições, que usa argumentos sujos para conseguir votos, mesmo que saiba que a sua falta de firmeza só o torna patético. Limitou-se a por em causa os registos do ex. Reitor da Universidade de Lisboa. Limitou-se a criar burburinho estúpido e sujar a imagem de um homem que tem trabalho feito.
    A este assunto, em que as questões morais políticas faltam, nada poderia ser de pior que um pasquim tomar de “assalto” as afirmações de Cândido Ferreira, e lançar a suspeição na base de “fontes” tão fidedignas quanto um carro pegar à primeira depois de 6 anos parado. O Correio da Manhã, que representa a existência do pior jornalismo e falta de ética, apressou-se a ir ao “arco-da-velha” retirar valor de verdade às afirmações de Cândido Ferreira, e trazer a lume o tipo de acusações mesquinhas que faz aos seus visados.
    Na verdade,  a disputa eleitoral perdeu o interesse. Os argumentos são esgrimidos de forma falaciosa e ofensiva. Os candidatos sobrevivem no ataque pessoal, mantendo-se à tona com expressões infelizes. Exemplo de Cândido Ferreira, exemplo de Jorge Sequeira e a forma que se expressou sobre Marisa.
   Para além das semelhanças que esta campanha tem com as autárquicas, os candidatos mais fracos têm comportamentos tristes, até mesmo Maria de Belém. Isto deixa o jogo aberto entre Marcelo e Sampaio da Nóvoa, que me parecem ser os mais fortes a uma segunda volta. Se assim for, que seja Sampaio da Nóvoa.

   Quanto aos restantes, Marisa Matias parece-me ser a que melhor desempenho produziu. Os restantes, lamentavelmente, só serviram para preencher vagas e discursos frágeis. Trouxeram para as presidências a demagogia e o populismo. Nada mais pode ter que os seus cinco minutos de fama, o resto é esquecimento. 






      quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

      Porque eu voto Sampaio da Nóvoa?


      Contrariando os inúmeros candidatos presidenciais que se multiplicam em discursos de ambidextros ideológicos, a demagogia e o populismo agoniante, Sampaio da Nóvoa apresentou-se como um candidato que possui a postura, discurso e coesão necessária para ser Presidente da Republica. Um Presidente que responda, dentro do quadro de poderes presidenciais, com lucidez e promova a necessária estabilidade governativa que o país precisa.
         A um vencedor, marcado por uma imprensa que o apoia, e o curriculum pouco transparente de Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa é o único a apresenta as condições solidas para uma alternativa depois de 10 anos de Cavaco. É o único que representa de forma séria, os votos que lhe são confiados.
         Uma candidatura que emerge da cidadania, que não possui claque contínua, mas uma inúmera legião de apoiantes. Sampaio da Nóvoa procura esclarecer, sem utilizar discursos desadequados idênticos a qualquer um candidato a Presidente da Câmara, tentando passar uma mensagem de mudança na vida politica. Não quer fazer o lugar de primeiro-ministro, nem quer utilizar o poder concedido nas urnas para jogos políticos.
         Entre as ameaças desestabilizadoras de Maria de Belém, formato nossa senhora, e Marcelo, o candidato sem ideologia, a disputa das eleições vai se tornar uma espécie de “saca eleitorado”, com um à procura de ficar mais à direita e outro à procura da esquerda. Sampaio da Nóvoa não procura eleitorado por as suas características, procura confiança no voto, e não nas crenças, nem no comentário.
          A Presidenciais não são o espaço de Psicologia motivacional, de demagogias e discursos feitos sobre a corrupção, sobre o carácter e as crenças religiosas, não é o espaço de revanchismo da imprensa e de constantes ataques a livre escolha democrática em torno do comentário. Estas presidenciais é o espaço de democracia, é o espaço do diálogo e da esperança de um Presidente com capacidade de gerir os conflitos, e só Sampaio da Nóvoa tem esse perfil.
        Eu voto na mudança, na postura, na coesão e na necessidade de promover novos tempos. Eu voto Sampaio da Nóvoa.








        terça-feira, 29 de dezembro de 2015

        Charlatões da indignação, até quando?

          



          







            As redes sociais são inundadas, diariamente, por um conjunto  de supostas notícias, que têm origem em páginas autoproclamadas de “informativas”, a quem ninguém conhece, de forma transparente, quem são os seus autores, jornalistas ou meros publicadores e qual é o objectivo, se informar ou apenas gerar a indignação. Das suas noticias desconhecemos tudo,  quais provas possui o "jornalista" para lançar a noticia, se é de forma honesta ou pretensiosa
        Não são blogs, nem tão pouco espaços de opinião ou informação,  apenas páginas de “chinfrineira” , que se limitam a divulgar noticias cuja veracidade é tão questionável como quem a publica. 
          Não entendo o seu o verdadeiro objectivo, nem  de quem está por detrás deste esquema de páginas, muito menos entendo o motivo pelo qual envenenam a opinião publica. A sua partilha imensa nas redes sociais é conseguido pela forma demagógica que se apresentam, e por o descrédito que se acumula na classe politica. Mas os limites da falta de honestidade são ultrapassados por um conjunto de "noticias" que têm o objectivo de indignar o leitor, onde  a veracidade e a transparência não existem.   
          Talvez por "likes", partilhas,  publicidade ou a criação de estados de indignação, fruto da imaginação de pessoas desocupadas, estas "noticias" têm tido a publicidade desejada.
        Não dou nenhuma credibilidade a quem escreve, nem o que escreve. 
          Não são jornalistas, nem possuem competências, apenas "falsos profetas" da informação, que se limitam a centrar o debate politico da sociedade à volta de noticias sem um fundamento de verdade. 
        Na sua maioria, as noticias são antigas, retiradas pontualmente de jornais de referencia, e publicadas após uma deturpação que dê a noticia valor de verdade suficiente para criar estados imediatos de indignação, e em seguida partilhadas de forma mais indignada. Outras aparecem do nada, retiradas do nada, sem qualquer base de investigação, apenas um conjunto de alusões referentes a actores destacados da vida politica nacional, ou assuntos que sejam, no momento, motivo de calorosos debates. Dou como exemplo os refugiados, quantas noticias não foram partilhadas sem se conhecer ainda qualquer informação verdadeira sobre o assunto. As rejeições financeiras, que nunca foram previstas, a recusa do apoio que nunca foi dado. A isto, basta misturar "ultima hora". 
          Entre supostos “escândalos” e “últimas horas”, as deturpações que estes "pasquins", feitos Observador low cost, tornam o Correio da Manhã um jornal sério. Do Luso Jornal ao Vamos lá Portugal, passando por o tal Blog da Direita, Blasting News e Portugal Glorioso, entre outros do mesmo "ramo informativo", o aproveitamento do descontentamento, e alguma ingenuidade, por parte dos cibernautas, é vergonhoso. Apenas difamações e "noticias", algumas merecendo considerações criminais. 
           Os ataques pessoais desferidos a Mário Soares (Blog da Direita) associando ao assassinato de Sá Carneiro e Amaro da Costa. Acusações feitas a Paulo Portas de atentado ao pudor, acusando, pelo meio, Passos Coelho, associando o ex- Primeiro Ministro a um passado de toxicodependência e violência domestica (Luso Jornal).  (Jornal Q) Acusações a António Costa por corrupção na Câmara Municipal de Lisboa, e referências a José Sócrates e a casos homossexuais que teria tido. Sem respeito pela dignidade dos agentes políticos, uma devassa, não provada, da vida privada de cidadão, que mesmo tendo funções publicas, não deixam de ter a sua privacidade. O dever do respeito dever ser preservado, gostemos ou não do cidadão ou politico. 
          Dos seus autores nada se sabe, nem quem o são, nem o que fazem. Os autores, num gesto de cobardia, também se recusam a apresentar. Escondem-se cobardemente por detrás destas página, afirmando ter receio de represálias, o que não corresponde à verdade, quando muito se escondem apenas para agir com a liberdade que o têm feito, sem que exista qualquer barreira judicial a comprometer
           Todo este espaço mediático que é cedido a estes "charlatões" se deve à forma como os média têm actuado. A decadência da comunicação social nas suas estratégias informativas, patrocinando mais um lado ideológico (maioritariamente à direita), através de comentadores adquiridos a esses espaço ideológico, e a forma tendenciosa como têm agido a imprensa, leva ao leitor que queira mais e melhor informação, a colocar em causa a falta de honestidade e veracidade destes espaços. 
            Gostava, e muito, de saber  quem está por detrás destes espaços, esperarando que expliquem as motivações e a forma como acessão a tanta informação desconhecida do publico. Gostava de conhecer as provas  do que publicam, apenas pela curiosidade de leitor. 
         Espero que a comunicação social reparar as suas falhas, faça o seu trabalho de forma honesta e isenta, caso contrário, com o aumento de forma explosiva destes espaços, creio que a informação corre um grande risco de se tornar foco de descrédito.





            domingo, 13 de dezembro de 2015

            Tem calma Bernardo Ferrão, calma...




               












              Ao ler um texto de Bernardo Ferrão no Expresso, cheguei a uma conclusão imediata, " ele está nervoso", de certa forma, incomodado com toda esta situação politica que o país vive. Bernardo Ferrão não está bem, não é para menos, tanto se esforçou para que o PS fosse o derrotado no dia 4 de Outubro, tanto sorriu quando esse fenómeno aconteceu, que sentiu-se traído pela democracia, e agora é obrigado a ver o PS no governo. Bernardo sente que o seu trabalho foi todo por agua abaixo, que em nada serviu atacar o PS. Não é justo para o Ferrão, não é justo para o Expresso.
               Bernardo Ferrão correu atrás do prejuízo das sondagens quando elas ainda favoreciam o PS. Ele mostrou o quão importante era a interferência da imprensa nas eleições para uma vitória à coligação de direita. Ás suas notícias bastava dar um pequeno toque da sua tendência e visão politica. Às suas analises politicas era simples, bastava atacar o PS e favorecer a Coligação, era meio trabalho feito. O esforço de Bernardo Ferrão foi mais longe, chegou mesmo a quebrar o seu sentido ideológico, e atreveu-se patrocinar o Bloco de Esquerda com excelentes noticias. Bernardo queria que o eleitorado de esquerda do PS fugisse para o Bloco.
               No dia 5 de Outubro, Bernardo Ferrão sentiu-se bem pela manhã, a alegria das suas conquistas através da má prática do jornalismo foram concretizadas. Bernardo Ferrão conseguiu, em conjunto com muitos dos seus camaradas de profissão, aquilo que era impensável, levar a Coligação à vitória. 
              Tal como uma refeição, às vezes são tão boas que azedam no fim, as boas noticias também não perduram. Bernardo Ferrão sentiu a forte azia quando Cavaco, torcido e mal humorado, decidiu dar ao PS o governo, suportado por uma maioria parlamentar de esquerda. Foi um amargo de boca para o Bernardo Ferrão. Ele não queria, ele tanto fez e tanto trabalhou para que isso não acontecesse, e eis que Ferrão… deprimiu.
               Enquanto o Governo Socialista estiver no poder, Bernardo Ferrão vai celebrando os momentos em que a direita se comporta com a "infantilidade" que nos tem habituado após a sua queda. Mais não se pode pedir, afinal Bernardo Ferrão sente a ressabia e o fedor a derrota, que tanto trabalho deu para evitar. Hoje, os seus títulos das crónicas no Expresso, ou as noticias que assina, têm ainda um forte cheiro de desgosto e agressividade. 
               Certo é que Bernardo Ferrão ficou perdido no seu mundo, agora só resta atacar o Partido Socialista, sempre que houver oportunidade, dar às noticias um ar de "eu avisei", e azedar a coligação à esquerda fazendo-se passar por … jornalista. Eis o futuro do Expresso, eis Bernardo Ferrão. 







            quinta-feira, 26 de novembro de 2015

            Ilegitimidade de alguém que se acha legitimo de alguma coisa

              

                Estou, sinceramente, esgotado de ouvir os murmúrios da Direita, disfarçado em choro, sobre a ilegitimidade do Governo PS. Estou cansado de “birras” constantes e do “berreiro” ensurdecedor das bancadas dos bons costumes, que se comportam como arruaceiros. Já chega da história do “governo que saiu das eleições”, ou da “força que ganhou legitimamente”, ganhem juízo e comportem-se como adultos, o Brinca Brincando já não passa na TV2.
               Um governo ilegítimo? Então e a Coligação com o CDS é legítima? Não foi Paulo Portas que mencionou que as maiorias são feitas por deputados, e não, por vitória nas eleições? Talvez a Constituição nas escolas não seja mal pensada, talvez a coligação não ficasse surpreendida por a democracia existir, nem cometia, por 13 vezes consecutivas, inconstitucionalidades.
            Vamos então falar de ilegitimidade. Em 2011 Passos Coelho mentiu. Não é ilegítimo mentir? Para a direita não, como diz João Almeida, até afirma que se deve fazer. O comum cidadão foi enganado quando votou em 2011, e não agora, quando votou por Passos Coelho. Passos foi ilegítimo, porque conseguiu vencer as eleições mentindo aos portugueses.
                A coligação cortou nas reformas de quem já tinha descontado para elas, é um roubo, não é ilegítimo? Cortaram salários de quem trabalha, mas aumentaram a riqueza de que vive à sombra de negócios com o Estado, não é ilegítimo? Retiraram financiamentos aos hospitais públicos e deram aos privados, retiram financiamento das escolas públicas para dar às privadas, não é Ilegítimo? Não é ilegítimo fazer das empresas públicas objectos de negociatas, como o caso da TAP? Não é ilegítimo vender uma empresa quando já o governo era de gestão? As privatizações e concessões não são ilegítimas? Alguém deu legitimidade a Passos para dar “novos donos” a empresas lucrativas?
               Com que audácia um grupo de “delinquentes” políticos faz o que faz e chama ilegítimo um governo suportado por a maioria? Se sabiam que não conseguiriam governar, porque o PS foi firme a dizer que não viabilizaria um governo da Coligação, o que estava por detrás do desejo ganancioso de governação? Qual seria o motivo forte para se manterem no governo?
               Não será ilegítimo, ilegal e prepotente ameaçar o país como fizeram nos últimos quatro anos? Não será ilegítimo ameaçar o Tribunal Constitucional? Não será ilegítimo utilizar a Sobretaxa do IRS na campanha, repetindo as mentiras de 2011? Não será ilegítimo fazer uma campanha eleitoral suportada por uma comunicação social suja e tendenciosa? Que legitimidade tinha Passos para utilizar as páginas do governo como fonte de campanha?
            A legitimidade foi dada pela maioria dos deputados, tal como a Constituição indica. Nunca existiu golpe de Estado, só nas palavras de Passos Coelho, que sempre viu a constituição como o “bicho papão” e pretendia revê-la para abocanhar o poder. A democracia faz mal à direita, quando fala do comunismo de forma preconceituosa, esquece que foi da direita que saiu a solução do governo de Salazar.
               A coligação está ressabiada, histérica, perdeu a vergonha e não consegue controlar o insulto. Sim, insulto, porque insultam quando falam em nome dos portugueses, insultam quando dizem defender os direitos dos trabalhadores, insultam quando dizem que defendem o Estado social, e agora cheira a azia.
            Ilegitimidade cometeu a Coligação, quando transferiu dinheiro dos trabalhadores para criar mais ricos, quando achou que as conquistas dos primeiros anos da democracia eram lixo. Ilegitimidade é governar contra o contrato social, que deveria pautar a governação de qualquer governo, que legitimado pela maioria dos deputados, não pela “vitória”. A coligação perdeu a vergonha na cara.





            terça-feira, 17 de novembro de 2015

            Passos e o respeito (in)Constitucional pela Democracia



              A queda do Executivo minoritário trouxe um novo Passos, perdeu o bom senso democrático, ofendeu a Democracia e a escolha maioritária dos eleitores. Passos perdeu a cabeça, e para tomar o poder age como desesperado, procura numa Revisão Constitucional garantir o poder para a direita, como fosse o el dourado.
              A Constituição foi obstáculo para Pedro Passos Coelho, durante a governação. Por treze vezes foram decretadas medidas inconstitucionais, aprovadas em concelho de ministros e na maioria de direita que suportou o governo. Hoje a governação de Passos Coelho é impedida por a mesma Constituição, e pela Democracia.
              A queda do Executivo minoritário trouxe um novo Passos, perdeu o bom senso democrático, ofendeu a Democracia e a escolha maioritária dos eleitores. Passos perdeu a cabeça, e para tomar o poder age como desesperado, procura numa Revisão Constitucional garantir o poder para a direita, como fosse o el dourado.
            A origem de todo problema provêm da expressão, e pensamento, de que “quem ganha governa”. Nuno Magalhães e Luís Montenegro apelidam de “tradição”, sobrepondo a “tradição” aos resultados eleitorais, que expressaram a vontade dos cidadãos, de quatro de Outubro. Paulo Rangel, a face de um desespero mais agudo, deixa o bom senso de parte e dá a “tradição” o pomposo nome de “Adenda Constitucional”. Na verdade o que aconteceu foi a normalidade democrática, e não, como a coligação afirma, um “golpe de Estado”.
            A Constituição é explícita face aos argumentos desorientados do “New Tea Party” Luso. Cabe à Assembleia da Republica, onde se encontram os deputados eleitos pelos cidadãos, encontrar um governo, que deve ser suportado por maioria dos deputados. A força politica, ou forças, que tenham maior representação parlamentar, é que devem formar governo, e não o partido que venceu as eleições, se não conseguir a maioria. Não existe nem nenhuma adenda, nem obrigação de cumprir uma tradição.
            O argumento da Coligação, para quebrar o valor Constitucional da alternativa, é que as três forças políticas não informaram o seu eleitorado da possibilidade de uma coligação coligação, o que os torna “golpistas”. Passos Coelho e Paulo Portas esqueceram as afirmações de António Costa – “procurarei, dentro do quadro parlamentar existente, todas as soluções possíveis para uma maioria estável”. E António Costa, se bem se lembram, descartou qualquer possibilidade de entendimento com a Coligação, quando disse que não viabilizava um governo minoritário da Coligação.
            Ao argumento da Coligação também falta um pormenor histórico, mas recente. Em 2011, além de Passos ter mentido aos eleitores quanto ao que não iria fazer, e fez, não afirmou que procuraria entendimento com o CDS se não tivesse maioria absoluta. Mesmo que fosse natural esse entendimento, Passos não o fez.
            Seguindo o raciocínio da Coligação, que escasseia a cada dia que o poder lhe foge das mãos, de que alguns eleitores do PS não aceitam uma maioria à esquerda, talvez seja necessário relembrar que a Coligação não foi bem vista por eleitores do PSD e do CDS, no entanto avançou.
            Os eleitores que votaram, cederam às forças politicas o direito de escolhas dentro do melhor cenário, e o voto do povo foi respeitado, porque a maioria votou nos três. Se a Coligação não teve maioria, e se a esquerda tem essa maioria, conclui-se que a maioria dos eleitores não quer a Coligação como Governo. E essa maioria de deputados, que procura o consenso para forma uma alternativa estável. O respeito está nos 51% e não nos 38%. Esperar que o PS desse aval a um governo minoritário da Coligação, foi falta de respeito pela autonomia do partido Socialista, pelos eleitores que votaram no PS, que não queriam um Governo da PàF, e principalmente pelo Secretário-Geral do partido, e toda a direcção. As decisões do PS são tomadas pelo PS, pelos seus órgãos, e não por a Coligação.
            O Apelo para uma revisão Constitucional, feito por Passos, só demonstra a sua sede de poder, e desespero para manter a linha ideológica que tem destruído o país. A sede de poder está de tudo, da Constituição, dos eleitores, dos partidos, e do respeito. Ai sim, Passos não respeita o voto dos portugueses, porque 38% não podem decidir a vontade de 51%.

            Portas, em 2011, pensou da mesma forma. O alarido da Comunicação Social foi menor e a direita aceitaria a lógica de Portas. Hoje o problema está na esquerda e não na forma que se faz governo. E mais uma vez, Passos Coelho ataca a Constituição, onde julga residir todos os males do país. Quando a sede de poder turva a visão da realidade, então podemos ter alguma cautela quanto ao perigo de certos e pensamentos políticos futuros.



            quarta-feira, 11 de novembro de 2015

            Imprensa e a Coligação

             


               Por a sua sobrevivência, a imprensa é obrigada a tomar sempre partido de tendências. A desportiva, querendo ou não, tem uma tendência mais vermelha. O número de adeptos e simpatizantes do Benfica leva à venda de mais exemplares, ao contrário do Sporting ou Porto. No que diz respeito à actividade politica, não é diferente. Não pelo número de vendas, mas pelas tendências políticas de alguns jornalistas, accionista ou da própria Direcção. Ao contrário dos jornais desportivos, que a tendência tem por objectivo as vendas, os jornais diários, ou semanais, é uma tentativa de levar o leitor a ceder às suas tendências políticas, acreditando palavra a palavra, frase a frase, sem questionar. Em Portugal, essa forma de fazer jornalismo tornou-se mais óbvia perante o cenário da Coligação perder as eleições, durante a pré e campanha eleitoral.
                Capas de jornais e colunas de opinião mera propaganda à Coligação, homenageando os feitos de um executivo forte com os fracos, e fraco com os fortes, e de forma agressiva, atacam o PS. A Coligação montava uma multidão artificial, e lavada em ombros chega para um título artificial do Expresso – “PàF em ombros”. O PS, pelo contrário, sofria ataques constantes. Ao líder, ao programa, à campanha. A Negrito e vermelhas, títulos visíveis à distância, e bastante aclamativo, o PS atacado por diversos títulos agressivos, Capas que anunciavam o clímax, desmentidas por textos vagos e sem argumentação forte. Não havia duvidas, a ideia era simples, derrubar o PS, no custe o que custar, doa a quem doer!
            Os acontecimentos de Braga foram sanados de forma eficaz. A imprensa fez crer que os manifestantes eram, simplesmente, lesados do BES e o sindicato dos professores. Não valia a pena ver a reportagem na totalidade, as personagens alteram-se, a peixeira que se recusou a cumprimentar Passos, era lesada do BES, e não alguém que tem dificuldades, o homem da bancada da fruta, era sindicalista, e não o homem que viu o filho partir, a convite do Primeiro-ministro, e o casal que gritava – “vai te embora chulo” – eram professores, e não reformados com cortes nas reformas. A história ajusta-se de forma simples, enganando o leitor. Os jornais queriam-nos fazer querer que o povo estava com Passos, e aqueles rufias eram apenas mandriões dos professores e dos lesados do BES, até gente do Partido Socialista, quem sabe, nada mais. Ao contrário, a imagem de Costa era destruído dia para dia. Não haveria espaço para uma vitória do PS, é necessário atacar António Costa e atacar os socialistas. Entre as sondagens, firmemente criticadas, as noticias e o caso Sócrates, tudo, era motivo para levar o PS a uma derrota, e a imprensa sair vitoriosa. É ai que aparece o Bloco de Esquerda. Os miúdos lá do “canto” são bons, podem dar uma coça no PS.
                A Catarina Martins foi dada a mediatização necessária para a fazer crescer a for do Bloco à esquerda. Catarina dominava, maltratava, atacava e ganhava os debates. Catarina enchia os auditórios, as praças, Coimbra e muito mais, Catarina era a gigante entre os lideres partidários. O mundo estava aos pés de Catarina Martins. O objectivo era que o Bloco impedisse o Partido Socialista de vencer, para que tal acontecesse, o desvio do seu eleitorado mais à esquerda do PS tinha que acontecer, e não só. O Livre foi o único partido à esquerda do PS que assumiu a sua vontade de se coligar, se houvesse capacidade eleitoral. O Livre pagou muito caro por esse sinal. Se aparecia era pouco, ou quase nada, o Livre foi varrido da comunicação social. Era tempo de salvaguardar o Bloco, acreditando que este nunca negociaria uma coligação, qualquer que ela fosse, com o PS. Já a Jerónimo de Sousa era dado o tempo de antena suficiente, a história e a clivagem entre PS e PCP falava por si, com o “novo comunismo” não era necessária preocupação. Bastava abrir um, ou outro, telejornal, com as críticas de Jerónimo de Sousa ao PS, e ficava resolvido.
               Jerónimo e Catarina “traíram” a comunicação social, abriu-se a possibilidade de um acordo amplo à esquerda, porque é na esquerda que reside maioria absoluta. Jerónimo de Sousa no dia cinco de Outubro, dá um murro no estômago da imprensa. Depois de duas vitórias, a derrota do PS e a não eleição do Livre, a imprensa olha para uma negociação à esquerda que complica as contas da Coligação PàF. Não podia ser, mas o alívio vinha da Rua da Palma, nas redacções acreditava-se que o Bloco não iria alinhar nisto, até chegar a dia seis. O Bloco coloca em cima da mesa um entendimento possível com o partido Socialista. Cai por terra a luta desenfreada da comunicação Social, que tanto fez para que o PS não conseguisse atingir a possibilidade de governar, apoiou a PàF e os partidos à esquerda do PS, trouxe Sócrates para a campanha, atingiu o PS em todos os seus flancos, mesmo assim o PS tem possibilidade de chegar a governo?
                Retiram-se comentadores de esquerda, fala-se num acordo frágil e sem possibilidades de vingar. A Catarina passa de a Grande, para a extremista, renasce os mitos pós Abril, como a história dos comunistas querem comer as criancinhas. Nuno Melo e Paulo Rangel são chamados de canal em canal, o Observador ganha espaço em todos os programas onde a politica seja o assunto, e em todos os canais. De David Diniz na TVI a Helena Matos e José Manuel Rodrigues, todos eles têm espaço mediático. A esquerda, mais representativa, perde o espaço de debate. Fala-se de mercados, dos parceiros Europeus, do cumprimento do tratado orçamental. Ameaça-se o eleitorado, cria-se o pânico. A comunicação social será, sem dúvida a maior oposição a uma negociação entre a esquerda.
               Do caso Sócrates aos ataques furiosos sobre o programa Socialista, passando pelo apoio à esquerda do PS, os truques da imprensa tiveram efeitos negativos durante a campanha, a democracia foi limitada por capas de jornais e opiniões sucessivas. As redacções serviram de sedes partidárias à Coligação, os jornalistas distribuíam propaganda em versão noticia e opinião, escrita e falada. A imprensa entrou nas eleições não em modo idóneo, foram ao limite da tendenciosidade da linha política da Coligação. Perderam, e não por “poucochinho”.
               Com um possível governo PS suportado por a Esquerda, prepara-se o maior raíde de notícias. Ataque cerrado contra o Largo do Rato, contra os Ministros, e contra os partidos da esquerda. A imprensa vai minar o terreno entre o PS, Bloco e PCP. Está em curso um PREJC (processo revolucionário jornalístico em curso). As redacções deixam de ser sedes da PàF e tornam-se o seu “braço armado”. As armas são notícias, as letras balas, e vão atingir até próximo executivo cair. A imprensa prepara-se para o maior ataque a um governo em democracia, eleito de forma democrática, e com toda a legitimidade de governar, e não vai baixar enquanto não conseguir derrubar. 





            segunda-feira, 2 de novembro de 2015

            O inferno das Grandes Superfícies












                
                Nada como trazer à ribalta um dos locais onde os direitos têm sido extintos e as relações laborais têm vindo a deteriorar ano para ano, do local onde os aumentos salariais são esmolas, onde as leis são para guardar na gaveta e onde o ambiente de trabalho já é ar irrespirável. Falo das grandes superfícies, e da política interna que remete a lei e as relações laborais para o lixo.
              Encontrar um sorriso e toda a atenção, provavelmente só nos anúncios de televisão imparáveis de promoções e cupões. É a ideia com que ficamos dos funcionários, que nos dão fruta para cheirar, e um sorriso para agradar. Quando ficamos a saber a realidade, cai por terra a ideia de ambiente familiar e trabalho digno. As grandes superfícies são, definitivamente, locais onde o ambiente mais piorou durante o período da crise. Empresas que gerem os recursos humanos de forma ineficaz, devendo-se ao facto da política de pessoal ser regida pelo medo e pelo combate aos direitos de trabalho, outras deve-se ao facto de inúmeros quadros de outra empresa terem acedido a postos maiores.
            As grandes superfícies já eram facto de queixa entre as autoridades para a regulação do trabalho. O ACT, afastado por o Governo PSD/PP de fazer fiscalizações no terreno, é testemunha do número exagerado de queixas de trabalhadores que não aceitam a supressão dos direitos. Os abusos constantes de chefias responsáveis de qualidade intelectual duvidosa, conseguem tornar o local de trabalho num verdadeiro campo de batalha, direitos contra abusos. Chefes de equipa, ou de secção, atacam os trabalhadores de forma continua, principalmente os que mais importunos, aqueles que teimam em fazer valer os direitos do trabalho. A ideia é deteriorar o ambiente, tornando o ambiente, mais ou menos, chinês, aproximando as relações laborais com o modelo Chinês, baixos salários, laivos de escravidão, e mão-de-obra rotativa.
            A profissionalização do sector fica guardada na gaveta de governo para governo, poderia virar o tabuleiro do jogo em que os trabalhadores saem sempre derrotados. Significava o fim dos baixos salários e dos aumentos salariais reduzidos, ou inexistentes, o Sindicato ganharia outra força negocial perante as empresas de distribuição. Seria um desenvolvimento em matéria de condições de trabalho, e desenvolvimento dos trabalhadores no campo da defesa dos seus direitos. Infelizmente, esta situação triste, não será apenas culpa do governo, mas também a nível dos trabalhadores, que são cada vez mais prejudicados, e cada vez mais se encostam a comentários negativos, nunca procurando, de sector em sector, de equipa a equipa, resolução rápida daquilo que é a sua dignidade profissional. Claro que existem as meninas da caixa, ou a das prateleiras, que vendem a dignidade em troca de um cargo ou uma responsabilidade qualquer. Que são escolhidas tendo em conta os critérios que a chefia acha importante, falta de carácter, hipocrisia e lealdade perante o chefe.
            As chefias, em que na sua maioria são empossadas por compadrio, sem qualquer verificação de capacidade ou competência para exercer o cargo, são diagnosticadas cada vez mais arbitrariedades que demonstram, e muito, a capacidade de contornar a lei a benefício próprio. Já lá vai o tempo que seria o trabalho o motivo de prémio. Se as chefias recebem prémios por produtividade alheia, os quadros de gerentes e diretores, no início da crise, são premiados por o elevado número de despedimentos que conseguem fazer, principalmente os que esvaziam o quadro de efetivo. Em muitos desses despedimentos, a ilegalidade, até mesmo o crime, ocorre com frequência. Velhos hábitos que são promovidos por motivações pessoais. As chefias usam o estatuto para fazer da empresa algo seu, decidindo conforme as suas opções ou gostos pessoais, transformando um inferno para uns e um paraíso para outros, mas acima de tudo, utilizando a empresa como um escudo protetor para os atos de prepotência descabida. A realidade é que o modelo de chefia, é estar ao lado dos trabalhadores, defender as equipas, e ser o líder do trabalho, como dizem na gíria da distribuição – “puxar paletes”-  o que nunca acontece, na verdade, a grande maioria das chefias têm o seu local favorito, os opens espaces com ar condicionado, não os armazéns entregues ao calor desumano no Verão e ao frio no Inverno. O líder não existe, nas grandes superfícies o chefe ganha a figura de carrasco.
            Talvez sejam os funcionários os principais culpados do momento que atravessam, mas isso não desculpabiliza a arbitrariedades desproporcionais que as grandes superfícies têm a nível interno. Eu abandonei à cerca de dois anos uma grande superfície, ainda assim continuam-me a chegar centenas de emails com referência a abusos dentro das instalações, de ameaças, ofensas a acusações de roubo, feitas principalmente por chefias movidas a interesses pessoais, agindo a seu belo prazer. Talvez esteja na hora dos legisladores pararem de correr atrás das empresas, e do trabalhador poder impor processos judiciais aos cidadãos, que ocupam lugares de chefia, utilizado esses cargos para fazerem ajustes com trabalhadores,. Talvez assim, quem sabe, o ar dentro daqueles espaços fique respirável, e quem sabe, as chefias se tornem, acima de tudo, gente.
            Certo é que o período de crise sequestrou a lei favorecendo as empresas, em detrimento dos trabalhadores, e a APED, nem os compromissos que fez em troca da abertura aos domingos e feriados, na totalidade do horário, cumpriu. Talvez esteja na altura do regulador tratar disso.