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quinta-feira, 24 de março de 2016

Birra laranja ao interesse comum





 O professor Marcelo chamou à atenção do bom aluno europeu, que amuado, comporta-se como mau aluno por cá. Passos Coelho, e toda a sua turba do PSD, decidiram ser oposição por oposição, mesmo em causas que mereciam mais respeito de um ex primeiro ministro.
    A causa do "puxão de orelhas" de Marcelo Rebelo de Sousa, estão as declarações de Passos Coelho sobre uma suposta intervenção do actual Primeiro Ministro, António Costa, no sistema bancário. Uma reunião com Isabel dos Santos, e uma noticia do Expresso, atiçaram a ira dos Liberais radicais, encapados de sociais-democratas.
     Passos Coelho, para além de se comportar como o líder rebelde fora da idade, continua, depois de quatro anos de acção governativa, a  desconhecer, e sem aprender, o significado da expressão "interesse nacional". Entende, na sua óptica ideológica, que o Estado não deve interferir nos negócios entre privados, mesmo que a falta de intervenção possa, no futuro, lesar o país.
     O sistema bancário é um dos mais importantes elementos no funcionamento regular de qualquer economia. Devido a tamanha importância que possui, o Estado acaba por ter de intervir no sistema depois dos diversos ruinosos negócios praticados que desencadearam uma das mais graves crises financeiras e económicas, quer na Europa, quer no resto do mundo.
     É no sistema bancário que está o centro da economia, e de muita da liquidez do tecido económico. É no sistema bancário que está a dependência da normal movimentação do circuito económico e financeiro. Uma quebra pode significar um desastroso colapso financeiro do país. Por todos estes motivos, e muitos outros, a actuação do Governo português, face à concentração dos mais importantes bancos em Espanha, leva a que em nome do superior interesse nacional o governo deva intervir, sem movimentar as peças, mas evitar que o país sai prejudicado. Por isso, o Primeiro Ministro e o Presidente da Republica mantenham os receios quanto ao caminho da banca, e obrigue a que o Primeiro Ministro tenha posição sobre os negócios privados do sistema bancário.
     Não poderia existir melhor pessoa que Pedro Passos Coelho, para opinar sobre as intervenções do Primeiro ministro, expressando frases pouco inteligentes como - "intromissões do governo na esfera privada". Passos Coelho é mais que um verdadeiro desconhecedor do significado de "superior interesse nacional". Pedro Passos Coelho, e a tuba de Sociais-Democratas, contrariados por sair do governo, apenas conhecem a função governativa como vender e privatizar os pólos estratégicos do país, numa onda de custe o que custar, defender o país não consta no ADN da capitania laranja.
    A verdade é que o papel do PSD, como elemento legislativo, para além dos lapsos de esquecimento à moda de Zeinal Bava, não tem serventia qualquer no parlamento. A sua marca negativa de oposição, não construtiva, para tudo o envolva interesse nacional, demonstra a inutilidade democrática do PSD de Passos Coelho. 
   Ao fazer afirmações sobre a interferência indevida do actual governo nos negócios da banca, Pedro Passos Coelho demonstra a sua visão do que é o interesse nacional, nada, e para que serve um governo. Para Passos, o interesse partidário e ideológico ,desde que o governo não interfira na esfera privada, está à frente do interesse da comunidade, mesmo que seja essa comunidade no futuro, a pagar a factura de um projecto ideológico desconectado com a realidade. São as empresas e as famílias a pagar a factura das inspiração divina do respeito por o privado. E depois, existe o Estado para intervir, se tudo der para o torto, e mais um quinhão de lesadas da banca aparece, que por inspiração divina da oposição, deixou de ter o seu centro estratégico no país. O BANIF é o exemplo forte da fé de Passos na ideologia radical. 
   A forte exposição da economia portuguesa a Espanha, através dos agentes financeiros, os bancos, tende a  ser danoso para o crescimento e estimulo da economia portuguesa. Os centros de decisão transitam para o país vizinho, deixando de estar junto ao mercado onde actuam, fragilizando as decisões sobre o financiamento da economia. 
   A interferência de António Costa, apoiada por Marcelo Rebelo de Sousa, é demonstração daquela que deve ser a principal função de um governo, quer em Portugal, quer no Burkina Faso, a defesa do interesse nacional, da estratégia da economia e dos direitos dos cidadãos, algo que o PSD dos últimos anos não entende, de forma coerente. 
   O PSD, representado por Passos Coelho, começa a entrar em colisão com os interesses do país. Não foi apenas o seu governo que afastou as decisões do país, cedendo de mão beijada os sectores estratégicos da economia ao interesse de outros estados, fundos ou agentes privados, agora comporta-se como uma claque de meninos mimados, que declaram guerra à gestão do país e aos interesses estratégicos e económicos, apostando numa agenda que configura apenas o "contra", finca pé, criancice e desnorte partidário como medidas a ter.
    Resta ao país esperar que surjam alguns dos sociais democratas mais sérios, e que compreendam que assuntos sérios, como o sistema financeiro, não podem ser tratados como uma guerrilha partidária ou birra parlamentar. O que está em causa é a economia nacional, as pessoas e o supremo interesse de todos nós, sem excepção.
   Este PSD não consegue ter homens à altura dos momentos em que o país pede mais responsabilidade aos agentes políticos. Nos momentos em que esses agentes devem ser mais sérios e construir mais pontes de entendimento. Mas se o PSD não sabe o que é isso, então está na altura do eleitor comum repensar se a existência do mesmo é, tão, necessária no futuro. É necessário repensar se um PSD contrariado pode ser alternativa a alguma coisa, se não, a ele próprio. 
   Já chegava a rapaziada do CDS a comportar como meninos "tresloucados", era pedido ao PSD um pouco mais de responsabilidade em vez de fazer parte da "escolinha" do Baião.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Banca, a força de intervencionar




   O sistema financeiro português está “doente”, e não pode continuar o tratamento com o dinheiro dos contribuintes, que tem servido como medicamento para os sucessivos Bancos falidos. A Troika, que tinha chegado ao aeroporto da Portela com o objectivo de “curar” a doença do país, incluindo a Banca privada, atacou os salários, o mercado de trabalho, o Estado social, e arrastou o país para um cenário macroeconómico pior que o que tinha encontrado. No entanto o sistema bancário continuou “como nada se passa-se”, ignorando os sinais dos vários Bancos semi-falidos.
   O Governo de Passos e Portas também ignorou o sistema financeiro, não tratou o problema a sério, a supervisão limitou-se, desde Victor Constâncio, a observar o caos que se foi gerando nos Bancos privados. O lamaçal é o contribuinte que paga, com os salários cortados, com o SNS deteriorado e a Educação a funcionar limitada.
   Os acontecimentos negativos no sistema bancário não são novidade neste país. Durante o período de “guerrilha interna” no BCP, foram descobertos problemas que fizeram cair o maior banco privado na bolsa. Até hoje o BCP continua a não conseguir recuperar a má imagem que Jardim Gonçalves deixou, e o problema financeiro que alimentou. Este caso não só prejudicou o Millennium, que cedeu o seu lugar de principal Banco privado aos Espirito Santo, como demonstrou que os Bancos escondiam muito “lixo por baixo do tapete”.
   Com o rebentar da crise mundial, o BPN e o BPP revelaram que a falha na supervisão. Os dois bancos foram vítimas de má gestão nas "barbas" do  Banco de Portugal, que não cumpriu a função para o qual está mandatado. O governo do PS nacionaliza o BPN e entrega o país nas mãos de uma das maiores crises financeiras que atravessou. Mais tarde, o BPN acabaria por ser vendido ao BIC por o valor irrisório de dois milhões de euros, quando o Estado, que assumiu os prejuízos, injetou milhares de Euros no Banco.
   Estes dois Bancos seriam a antecâmara para a queda ainda maior, o colapso do BES, que assegurou durante muito tempo o grupo da família Espírito Santo, não resistindo a queda da Holding, Rio Forte, arrastando consigo empresas como a PT, deixando um conjunto de lesados. Mais uma vez a Supervisão desapareceu, e um banco é intervencionado pelo Estado, ou seja, pelos contribuintes, ainda não conhecemos, com transparência, qual será a verdadeira dimensão do problema BES, após uma resolução que não agradou.
   Agora foi a vez do Banif, que cai sem que o Banco de Portugal tenha tido alguma cautela após os primeiros sinais. Os contribuintes são chamados, mais uma vez,  a intervencionar mais um banco com cerca de 3 mil milhões de euros, enquanto é vendido por apenas 150 milhões de euros. Com este colapso, Carlos Costa empurra para o anterior governo, e o anterior governo, pela voz da sua ex ministra das finanças, acusa falhas no Banco de Portugal. Os produtos tóxicos, como sempre, ficam com o Estado, os privados, como sempre, ficam com o lucrativo negócio bancário limpo, neste caso, o Santander Totta.
O Banif não será o ultimo a poder dar problemas, o Montepio apresentou algumas “dores” nas sua actividade bancária, que tem passado despercebido, mas já é alvo de guerras internas. Se a supervisão olhar da mesma forma para o Montepio, como olhou para os quatro Bancos colapsados, julgo que vamos ter mais um percalço no sistema financeiro.
    O sistema financeiro português apresenta a cada banco, milhares de milhões em buracos financeiros  deixados ao acaso, que depois o contribuinte paga, muito por culpa de gestões danosas. A Caixa Geral de Depósitos assegurou grande parte do financiamento público a essas “crateras” financeiras, o que levou ao seu prejuízo. Os accionistas, parte culpada do problema (são eles que escolhem, e asseguram, as má gestões) “fogem” para outros lados mais lucrativos, e os obrigacionistas assumem-se lesados,
   O caso Banif não teve a melhor resolução, mas também não foi a mais danosa, foi a que deu para fazer a quinze dias da sua liquidação, que seria a solução mais gravosa. A situação do Novo Banco, que ainda não é o transparente o suficiente para respirarmos de alívio quanto a uma intervenção feita com dinheiros públicos, pode ser ainda mais grave. A supervisão contínua impune ao assunto, sendo muitas vezes a CMVM (como no caso do Banif) a assegurar que as proporções em Bolsa não sejam mais danosas.
     Podemos estar em frente a um buraco gigantesco no sistema financeiro, que tem sido tapado com a deterioração do Serviço Nacional de Saúde, e com o orçamento da Educação. Decerto que o convite é para uma saúde mais pobre, uma educação mais miserável, e um sistema financeiro mais esburacado. O contribuinte, por mais que a ganancia deseja, não pode continuar a assegurar os problemas do sistema financeiro.