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quinta-feira, 10 de março de 2016

Defender a Mulher, é defender a democracia!


   Em plena democracia festeja-se um dia muito especial, o dia da mulher.  Representa as mulheres, da esquerda à direita, mães, trabalhadoras, lutadoras diárias e aquelas que não vergam a sua dignidade em nome de qualquer função, preço ou interesse. É o dia que de homenagear todas as mulheres, mas aquelas que são mulheres a sério, que representam este dia, mas diariamente. 
  É o dia que merece o respeito de todos, principalmente de quem generaliza a mulher como objecto ou propriedade do homem, quando ele quer. 
   O dia da mulher nasce de um fatídico acontecimento histórico, tal como o primeiro de Maio, em que inúmeras mulheres perdem a vida devido, essencialmente, as condições precárias de trabalho. Foi um dia que, por cá, apenas pode ser comemorado em tempos de democracia. Até aqui, a mulher era apenas um objecto que não tinha mais que o destino de ser uma propriedade, vivendo ao sabor dos seus "donos".
  Em tempos que ninguém gostaria de viver, a mulher era um artigo como os que compramos no supermercado, que passava de proprietário em proprietário, sem dignidade e direito. O pai era o primeiro proprietário da filha até entregar ao primeiro tipo que lhe enchesse os olhos, bolsos ou nome de família. O marido, por sua vez, tornava-se proprietário da mulher, fazendo o que queria e o que não queria. A mulher era apenas mais um objecto inanimado, sem direito de ter, sequer, opinião. 
   Por outro lado, existiam sempre mulheres livres, que lutavam para ter os seus direitos, que passaram muito para hoje existir o respeito social pela mulher como ser humano. Saiam de casa cedo, fugindo a um casamento e uma cozinha como futuro, e escolhiam os seus companheiros para a vida, não por questões familiares, ou porque o pai assim o decidia, mas por o sentimento que arrebatava.   
     Mesmo nessa perspectiva, a liberdade da mulher era diminuta, o Estado comportava-se como seu dono. Em profissões como enfermeira, professora ou telefonista, o Estado tinha a ultima palavra a dizer quanto ao casamento.
    Em plena democracia a mulher conquistou a sua parcela na sociedade e os seus direitos. Começou a construir carreira profissional, assumiu o seu papel na educação, passando os homens pela esquerda e demonstrando que muitas eram melhores alunas que os homens, coisa quase inadmissível no passado. A mulher conquistou o seu espaço no mercado de trabalho, na Educação, mas principalmente, na sociedade, abandonando o papel mero objecto, tornando-se uma fonte de energia da sociedade.
   Apesar de estar longe da plenitude, e faltar muitos passos necessários a caminho da igualdade, a figura da mulher na sociedade, e a forma dela estar, alterou muito nos últimos 40 anos. 
   É por estes motivos que o dia da mulher deve ser muito mais que uma simples rosa, publicações de flores ou meras homenagens. O dia da mulher tem de ser olhado como um motivo para cada um de nós, tanto homens como mulheres, defender a democracia em nome dos direitos como cidadãos de pleno. 
   Foi a democracia que se construiu a imagem da mulher na sociedade, mas facilmente, é com a queda da democracia que que podemos assistir a regressão de todos os direitos, inclusive da livre participação da mulher na sociedade. 
  Como cidadãos livres, temos o  dever fazer parte na luta pela defesa da democracia, sem procurar apenas os direitos, e incumprindo com os deveres de cidadão perante a sociedade. devemos remar para uma evolução democrática das mentalidades e da própria sociedade, e não requerer uma regressão ditatorial.
    A nossa inércia, amontada em desculpas perniciosas, não pode deixar morrer toda a evolução em direitos sociais conquistados em quatro décadas de democracia. Não podemos continuar a assistir aos inúmeros ataques à democracia e ficar serenos, como nada estivesse a acontecer. Não podemos puxar os tempos da velha senhora, julgando uma sociedade como a de hoje. 
   Defender a democracia é defender as mulheres e os direitos como ser humano, e não como objecto. A banalização é perigosa, os actos de decisão em nome de desculpas como a do "são todos iguais", são a rejeição dos direitos que a democracia nos permite. 
   Defender as mulheres é defender a democracia, e defender a democracia é defender a mulher. Defender a democracia é defender os direitos fundamentais como seres que pensam, que têm opinião, que são livres, e não meras marionetas na mão de um absolutismo politico, ou de um capitalismo desumano. 
    A maior homenagem que  se pode dar a uma mulher vai para além de meras publicações nas redes sociais e ramos de flores. A maior e melhor homenagem que se pode fazer a uma mulher, sem duvida, passa por continuar a lutar pela democracia e direitos, como os da mulher, continuando a ser parte de nós, e parte da sociedade livre em que queremos viver. 
   Defender a democracia é defender o direito da mulher como ser humano, e não propriedade rural ou robô de cozinha. 
  Deixo a minha maior homenagem a todas as mulheres lutadoras, que estejam no trabalho, em casa ou em qualquer lugar, e lutam diariamente por um melhor amanhã para elas, e para os seus. 
   Pois para mim, o dia da mulher é todos os dias em que elas façam parte das nossas vidas, porque elas fazem parte da nossa vida, porque são elas as nossas companheiras de luta. 




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Campanha “Deixem as mulheres em paz”





    Sentem-se que hoje a conversa é sobre mamas.
Quem me conhece sabe que eu sou um zero no que toca a política. Não é por mal, mas simplesmente não tenho paciência para o que me entendia, sou assim, tenho mau feitio pronto. Mas há notícias do foro político que mexem, tocam em feridas profundas e incomodam até às vísceras, e não é preciso ser-se muito inteligente para entender o que alguns dos nossos governantes expressam por aí.
Hoje deparei-me com uma notícia no sitio do Jornal Público, uma notícia daquelas que me irritou profundamente.
    Então, eis que a "Sô" Dona Ana Jorge, ex-ministra da saúde (graças a Deus Nosso Senhor) lamenta que, e passo a transcrever, “cerca de 90% dos bebés saem das maternidades a fazer leite materno em exclusivo, mas nos meses seguintes há uma quebra muito grande”. E vai daí, a Iniciativa Mundial sobre Tendências de Aleitamento Materno (porra, até para mamas e leite há nomes tão chiques) avaliou a aplicação de estratégias e o diabo a sete para se criar um comité nacional para o aleitamento materno, em detrimento, e esta parte então achei maravilhosamente ridícula, do biberão.
   Uma das propostas recomendadas é o prolongamento da licença da maternidade paga até aos seis meses, de forma a facilitar o aleitamento materno.
   Agora, vou aqui destrinçar isto, não como aspirante ou entendida em política, mas como mãe e, especialmente, como mulher que já vai no segundo filho há 3 meses. Minha gente, o que Portugal precisa é de uma campanha de sensibilização para deixarem as mulheres em paz para que elas decidam o que é melhor para si e para os seus bebés.
Esta perseguição exacerbada contra a escolha da mulher em dar leite materno na mama ou no biberão, e até mesmo se dá leite materno ou industrializado, tem que acabar de uma vez por todas. Não venham com "politiquices" de "meia tigela", não venham com descredibilizações para que ganhem as mamas ao invés das latas, por favor, deixem-se de “merdas”.
    Quando o meu primeiro filho nasceu eu amamentei à mama durante 4 meses e, garanto-vos, foi o período mais terrível da maternidade. Eu sentia-me exposta porque as pessoas acham imensa graça em espreitarem se o bebé está a abocanhar bem o mamilo e muitas até quase encostam o ouvido para se certificarem de que a criança está mesmo a engolir leite e não a fazer a mama de chucha. Isto não é piada, é a realidade e eu vivi-a bem de perto. Ora, somando a exposição de uma parte do meu corpo, sim, porque uma mulher ao amamentar não deixa de existir e de ter mamas com uma componente sexual agregada só porque tem um ser frágil a alimentar-se ali, mais o facto de ninguém me ter explicado as posições corretas de amamentar e com isso ter sofrido horrores com gretas e mastites, tudo bem misturadinho, deu-me o passaporte directo para uma depressão pós-parto.
Depois era uma guerra constante entre o querer respeitar a minha vontade em parar de amamentar, pela minha sanidade mental, e a pressão vinda da sogra, da mãe, da vizinha, do cão e do periquito para não deixar de dar mama. Engraçado que a maior pressão e violência vem sempre das mulheres, mas adiante.
   Arrastei a amamentação até aos 4 meses, até que tive que fingir que já não tinha mais leite para poder libertar-me daquilo. Note-se que, naquela altura, ninguém queria saber a minha opinião, ninguém queria saber se eu estava deprimida ou não, o que interessava era se o bebé comia do bom e do melhor, da mama pois claro. Não é preciso ser-se um grande psicólogo para entender que isso só agravou mais a situação porque, inconscientemente, culpei o meu filho pelo que estava a acontecer, que se ele não existisse talvez eu não tivesse que passar por aquilo.
   Portanto, feitas as contas, 4 meses de amamentação exclusiva de leite materno deu-me 1 ano e meio a gastar dinheiro no psicólogo. Isto tudo para dizer o quê? O facto de uma mulher parir não é uma operação aritmética simples em que 1 + 1 = dar mama. O amamentar é algo muito sério, exige muita responsabilidade por parte da mulher mas, sobretudo, da parte de quem a suporta. Não é a fazer pressão que se garante que o bebé é bem alimentado, porque esta coisa do amamentar é muito mais do que físico, é emocional.
Uma mulher, antes de decidir amamentar, tem que ter consciência de que vai ter que se expor seja onde for, sim, porque os putos não têm um relógio certinho nem um botão que os faça esperar até chegarem a casa para mamar, vai ter que perceber que nos primeiros tempos vai doer até os mamilos se adaptarem, mas especialmente não vai poder partilhar essa tarefa com mais ninguém porque mais ninguém produz leite, a não ser ela.
Se depois disso, a mulher decidir não amamentar e passar para o leite industrializado, tudo bem, qual é o problema? E é aqui que as "politiquices" entram. Eu não sei qual é o complexo que esta gente do governo tem com os biberões.
   Quer dizer, a ideia é alargar o período de licença paga para incentivar a amamentação exclusiva de leite materno, mas depois aquelas mulheres que, tal como eu, para quem as coisas não correram tão bem, vão esturrar o dinheiro que recebem a mais no psicólogo. Clap clap clap, que ideia brilhante pá! Dá-se de um lado e perde-se do outro. É uma boa política, sim senhora.
  As mulheres do passado lutaram pela emancipação feminina mas não foi para isto. Basicamente, o estado e a sociedade continuam a violentar as mulheres mas de uma forma subtil, como se ninguém notasse. E para combater isto é preciso que as mulheres, que não tenham medo de o serem, se juntem e batam o pé para darem o “basta”.
   A "Sô" Dona Ana Jorge está muito preocupada pelo facto de 90% dos bebés saírem da maternidade exclusivamente a leite materno, mas que depois disso há uma enorme quebra. Será que ela já se esforçou um "bocadito" para pensar no porquê de isso acontecer? Isso acontece porque nem nas maternidades a vontade da mulher é respeitada. A mulher quando vai parir, parte-se logo do princípio que ela irá amamentar à mama por ser o mais natural. Por isso é que existe uma tão grande quebra, porque depois de saírem da maternidade, quem manda são as mulheres.
   Mas elas deviam mandar sempre, dizem os mais fortes de espírito. Pois é, mas é o país que temos, onde se insiste em estigmatizar as mulheres que se recusem a dar mama.
Uma mulher que se recuse a dar mama e que o assuma perante tudo e todos é logo condenada; porque o "leitinho da maminha" é que é bom, o resto é porcaria; porque é um crime secar o leite materno que é um elixir dos deuses; porque, "badalhoca", não tem coração e ainda por cima é egoísta. Enfim, um foral de etiquetas.
É por isso, necessário, urgente diria, haver uma campanha em Portugal, não para estender a licença de maternidade, não para se evitar o biberão (ainda não percebi o fetiche de erradicar tal objecto, mas ‘tá bem), mas sim para se respeitar a mulher e as suas decisões no que diz respeito ao seu corpo, ao seu bebé, ao que lhe faz feliz.
    E por favor, parem de dizer burrices como “ah mas a mulher deve fazer sacrifícios em prol dos filhos”. Já bastam os que ela faz para aturar as "merdices" da sociedade, mais aqueles que fará naturalmente pelos filhos ao longo da vida deles.
   Como eu costumo dizer, o amor não se come nem se mede pelo tipo de leite que se dá aos nossos bebés, o amor está nos gestos. Por isso, apelo novamente à sociedade e ao governo: deixem-se de merdas.