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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Religião e Generosidade













A ideia de que a religião promove a generosidade carece de fundamento empírico. Os indícios que existem a esse respeito vão no sentido contrário, o de que existe uma correlação negativa entre religiosidade e generosidade.

No entanto, e isto serve para outras questões científicas e não apenas para esta, um estudo isolado não justifica convicções fortes. Antes de concluir com segurança o que quer que seja a respeito da relação entre a religião e generosidade deve esperar-se pela replicação deste estudo, outros estudos relacionados, e meta-estudos que os enquadrem.
Até lá, os fundamentos para dizer o que quer que seja sobre esta relação são insuficientes.

Post também publicado no Esquerda Republicana

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Porque é que os ricos são menos filantropos








Um excerto deste texto denominado «Why the Rich Don't Give to Charity»:

«One of the most surprising, and perhaps confounding, facts of charity in America is that the people who can least afford to give are the ones who donate the greatest percentage of their income. In 2011, the wealthiest Americans—those with earnings in the top 20 percent—contributed on average 1.3 percent of their income to charity. By comparison, Americans at the base of the income pyramid—those in the bottom 20 percent—donated 3.2 percent of their income. The relative generosity of lower-income Americans is accentuated by the fact that, unlike middle-class and wealthy donors, most of them cannot take advantage of the charitable tax deduction, because they do not itemize deductions on their income-tax returns.

But why? Lower-income Americans are presumably no more intrinsically generous (or “prosocial,” as the sociologists say) than anyone else. However, some experts have speculated that the wealthy may be less generous—that the personal drive to accumulate wealth may be inconsistent with the idea of communal support. Last year, Paul Piff, a psychologist at UC Berkeley, published research that correlated wealth with an increase in unethical behavior: “While having money doesn’t necessarily make anybody anything,” Piff later told New York magazine, “the rich are way more likely to prioritize their own self-interests above the interests of other people.” They are, he continued, “more likely to exhibit characteristics that we would stereotypically associate with, say, assholes.”»

Post também publicado no Esquerda Republicana.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um país diferente






   








   Portugal é conhecido aquém e além-mar por ser o país dos descobrimentos, o país da revolução dos cravos e o país do fado. É interessante esta mistura… que diz bastante acerca deste povo.
   Por um lado verifica-se que este povo gosta de descobrir, inventar, inovar… ou seja… é pioneiro nas aventuras e nas ideias. Depois verifica-se que é comodista, masoquista, invejoso e egoísta, ou seja, gosta de… sofrer, ser enganado, olhar demasiado para o seu umbigo, não gostar de ver os seus amigos e parentes bem na vida, gostar de viver na ilusão, achar-se melhor que os outros, idolatrar chico-espertos e pouco fazer para melhorar a sua situação. Há gentes que chegam mesmo a preferir o mal dos outros ao seu próprio bem. Ainda podemos ver que… quando salta a tampa somos brandos e ingénuos, julgando que todo este povo se comporta com a mesma espécie de valores. Como podem ser estas gentes, aparentemente tão diversas, serem o mesmo povo?
    Há algum tempo ouvi dizer que este não é um país de aventureiros… pois que esses não ficam cá… foram-se embora durante os descobrimentos e continuam a ir nas várias vagas de emigração… No entanto, eu acrescentaria que Portugal produz, com demasiada frequência, gerações de insatisfeitos, inconformados e aventureiros... que se vão embora, ficando cá, generalizadamente, aqueles que não conseguem acrescentar dignidade ao nosso povo. É o nosso triste fado!
  Portugal é um país de contrastes. Foi dos primeiros países a ter independência e… atualmente não a comemora, a abolir a pena de morte e… a deixar as pessoas morrerem por falta de assistência médica ou social, a ter maior número de patentes per capita e… a exportar os seus inventores. E o fado continua… porque… o futebol é mais importante.
   Enquanto em Portugal se conseguiu silenciar os partidos novos, que traziam novas ideias e algumas soluções, na Grécia apareceu o “Syriza”, em Espanha o “Podemos” e o “Cidadãos”, na Islândia prenderam os banqueiros, na Alemanha, e novamente Grécia, prenderam os corruptos do caso “submarinos”. Em Portugal… emerge a censura, a corrupção, a proteção dos bancos e o tráfico de influências, mas também, aparentemente, uma espécie de regresso de D. Sebastião pretendendo renovar alguns votos de Abril. Salvemos D. Sebastião que esperemos não traga mais da chico-espertice que grassa na sociedade portuguesa. Por outro lado o pior inimigo é aquele que se faz de amigo, pelo que esperemos que o bom senso prevaleça porque o caminho faz-se pelos pequenos passos dados, desde que estruturados, racionais e sustentados.
    Deixemo-nos de olhar para os nossos próprios umbigos e construamos uma sociedade de progresso em que todos tenhamos direito a ser dignos, pagando os nossos compromissos para com ela e usufruindo dos direitos que ela nos concede. E… quando falo em compromissos e direitos não estou a falar apenas de dinheiro… digo-o principalmente no campo dos valores morais, éticos, sociais e ambientais.
     Espero que 2016 chegue com renovados votos de um país mais digno em que… a Constituição da República Portuguesa seja respeitada, os tribunais sejam isentos, as leis mudem no sentido de se tornarem mais justas, diminue a corrupção, deixemos de ser ingénuos, invejosos, egoístas e masoquistas, a esperança renasça e que o triste fado… apenas seja ouvido e não vivido.