Mostrar mensagens com a etiqueta trabalhadores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trabalhadores. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Os três inimigos do CETA






   







  
  São inimigos do CETA todos os que amam o Planeta e o meio Ambiente. O CETA é um acordo que favorece a indústria extractiva e dificulta as lutas das populações em defesa do património natural, garantindo indemnizações milionárias caso as autoridades impeçam a extracção – mesmo antes de ela ter início. O CETA é um acordo que promove um aumento do transporte de mercadorias de baixo valor acrescentado, caminhando no sentido oposto ao da descarbonização da economia que se impõe como urgência civilizacional. O CETA é um acordo que vem por isso agravar os riscos de aquecimento global, entre várias outras ameaças ambientais que agrava. É também por esta razão que a Geota, a Liga para a Protecção da Natureza, a Quercus e a Zero, entre muitas outras associações de defesa do meio ambiente, se pronunciaram contra o CETA.

   São inimigos do CETA todos os que amam a Igualdade. O CETA é um acordo que vai aumentar a pressão para deslocalizar a produção para onde as protecções laborais forem menores. É um acordo que acentuará as desigualdades salariais e mais ainda as desigualdades de riqueza e património. O CETA também favorecerá as grandes multinacionais face às pequenas e médias empresas, em parte pelo acesso privilegiado que têm às comissões regulatórias, acesso esse que tem preocupado as associações de defesa do consumidor, e muitos outros organismos. É também por estas razões que a CGTP-In, a DECO, a CNA e a Ordem dos Médicos, entre muitos outros sindicados e associações da sociedade civil, se pronunciaram contra o CETA.


   São inimigos do CETA todos os que amam a Democracia. O CETA promove uma mudança sistémica na ordem jurídica para permitir aos investidores externos contornar os Tribunais portugueses, apelando a um tribunal arbitral enviesado a favor dos queixosos, ao qual nenhum investidor doméstico pode apelar sem ter esgotado todos os recursos, e que está vedado ao Estado ou aos cidadãos e associações da sociedade civil que se sintam lesadas pelo investimento externo, criando assim injustiças inaceitáveis. Por esta via, o CETA manieta a possibilidade de legislar em matérias como a protecção social e a regulação laboral, sanitária e ambiental. Por fim, o CETA inclui uma série de compromissos associados à partilha de dados entre o Canadá e a União Europeia e ameaça por essa via a privacidade dos cidadãos europeus, diminuindo-lhes as protecções de que até agora gozavam. É também por esta razões que a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, o Sindicato dos Magistrado, a Academia Cidadã e a Comissão Nacional de Protecção de Dados, entre muitas outras associações que também defendem direitos liberdades e garantias fundamentais, se pronunciaram contra o CETA.

Importa perguntar como é que um acordo que coloca ameaças tão sérias está quase ausente do debate público. De facto, foi aprovado, no Parlamento, o Projeto de Resolução n.º 606/XIII/2ª, que recomenda ao governo a promoção de um «debate alargado com a sociedade civil, nomeadamente com as organizações não-governamentais, sobre o Acordo Económico e Comercial Global (CETA), antes da votação deste no Parlamento Português de forma a proporcionar um maior esclarecimento dos cidadãos relativamente aos impactos económicos, sociais e ambientais da aplicação do tratado transnacional». De forma contrária ao que foi deliberado na Assembleia da República, não se verificou um amplo debate sobre o CETA e o esclarecimento dos cidadãos e este respeito é quase nulo.

Mas isso não nos pode deter. Porque faço parte destes três grupos, rejeito o CETA. Qualquer Acordo de Comércio tem de ter preocupações de justiça, sustentabilidade ambiental e equidade social, não como palavras vazias no meio de um conteúdo que as nega, mas como uma prioridade que seja reconhecida como fundamental.


Dia 20 o CETA vai ser votado na Assembleia da República, e dia 18 será o debate correspondente. É a última oportunidade para fazer os deputados ouvir os cidadãos que se opõem ao CETA.
É por isso que está agendado um protesto denominado «Contagem Final contra o CETA» para dia 18 de Setembro.
Convido o leitor a confirmar a sua presença, para dar força a este protesto, e fazer com que a comunicação social finalmente dê algum espaço a um assunto tão importante e fundamental.

Post também publicado no Esquerda Republicana. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

As tretas do CETA bem explicadas












No blogue Que Treta! o Ludwig Krippahl explica o que é o CETA e porque é que é muito importante fazer tudo para que não seja aprovado.
Eis alguns destaques do seu texto:

«O Comprehensive Economic and Trade Agreement (CETA) é um tratado entre a União Europeia e o Canadá que, alegadamente, visa promover a colaboração económica permitindo o acesso pleno a todo o mercado das partes signatárias (1). À primeira vista, parece bem levantar obstáculos ao comércio. Infelizmente, a abordagem é injusta, prejudicial e ilegítima.

Estes tratados facilitam a circulação de capital sem remover barreiras à circulação de pessoas. Se o CETA for ratificado, um investidor português poderá montar restaurantes em Toronto como em Lisboa. Assim, o CETA beneficiará directamente aqueles, talvez uns 0.1% da população, com o capital necessário para aproveitar esta liberdade de investimento.[...]

O CETA também é problemático em muitos detalhes. Compromete os signatários a criminalizar a gravação não autorizada de espectáculos ou a remoção de identificadores incluídos em músicas ou filmes para gerir o DRM. Prevê um fórum onde a UE, o Canadá e as empresas interessadas coordenem a regulação de bens de consumo e alimentos. Assim, em vez do exportador se adaptar às exigências do mercado para onde exporta, será ainda mais o interesse comercial a ditar o que permitimos que se comercialize e em que condições. O CETA prevê até um tribunal arbitral que permita aos investidores processarem directamente os Estados por legislação que frustre as expectativas criadas pelo CETA. Se bem que não seja má ideia haver tribunais com autoridade para sancionar Estados – como o Supremo Tribunal dos EUA ou o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos – estes tribunais arbitrais são fundamentalmente diferentes. Primeiro, permitem aos investidores processar Estados por violação de um tratado que Estados celebram com outros Estados. Só Estados é que teriam legitimidade para processar por violação deste tratado. Além disso, a legitimidade de um tribunal vem de fazer cumprir leis criadas pelos cidadãos, ou por referendo ou por meio de representantes eleitos. Este tribunal arbitral não teria essa legitimidade, ficando à margem de qualquer legislação europeia ou canadense. É inaceitável que se crie um tribunal ao qual só os ricos têm acesso e cuja função é subordinar o poder legislativo dos cidadãos aos interesses económicos dos investidores. Isto são apenas alguns exemplos de muitas medidas inaceitáveis que o CETA impinge como parte daquilo que, fundamentalmente, deveria ser um tratado acerca de taxas aduaneiras e licenças comerciais.

E este é outro grande problema do CETA. O processo legislativo tem de ser transparente e permitir a participação de toda a sociedade. Para isso, as medidas propostas têm de ser específicas, bem circunscritas, e sujeitas a discussão pública. A negociação do CETA não foi nada assim. Decorreu à porta fechada, entre burocratas e investidores, e só se foi sabendo o que combinavam quando havia fugas de documentos. Ao longo do processo foram colando ao CETA artigos sobre tudo o que lhes pudesse interessar, desde taxas alfandegárias a patentes sobre plantas, de regras de segurança alimentar à vídeo-gravação de espectáculos, da autorização de serviços de telecomunicação a legislação laboral e imensas outras coisas. São quase 1600 páginas de artigos, tabelas e apêndices – doze vezes o Código Penal Português – que agora pedem ao Parlamento Europeu que assine de cruz, sem discussão nem possibilidade de alterações. A maioria destas medidas dispensa até ratificação pelos países da UE. Isto não é uma forma democrática de legislar.

[...] É um tratado enorme, com muita coisa má, negociado às escondidas no interesse dos investidores e que, se for aprovado no próximo dia 15, será imposto em bloco a toda a UE. Não haverá possibilidade de discutir ou corrigir qualquer problema. A quem concorda que a democracia não devia funcionar assim, apelo que contactem os eurodeputados que nos representam e que ainda não se comprometeram a votar contra o CETA. O site CetaCheck tem um formulário prático para isto e outros contactos para se quiserem exercer uma pressão mais personalizada. Penso que é importante bloquear este mecanismo pelo qual quem tem muito dinheiro consegue contornar os limites democráticos do poder. »

Post também publicado no Esquerda Republicana.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Os Estivadores e os outros trabalhadores….


  Fala-mos dos estivadores, mas na realidade poderíamos alargar o leque e falar de uma grande parte dos trabalhadores. Falta de direitos, salários baixos, pressões e ameaças da entidade patronal, falta de empregos dignos e permanentes. Tudo isto resumido numa única palavra, precariedade.
A greve dos estivadores perdura desde 20 de Abril, estando os estivadores a realizar os serviços mínimos, mas recusando-se trabalhar além turno, fins-de-semana e feriados. Processos disciplinares, despedimento coletivo, pressão psicológica, resume bem as intimações a que estiveram sujeitos ao longo dos anos os estivadores.                   
A luta mantém-se pelo término do trabalho temporário nos portos e pelo término da formação de empresas paralelas. Estas são uma forma de insolvência daquelas que laboram no presente, abrindo espaço a novos trabalhadores, a novos sindicatos, despedindo aqueles que estavam a lutar pelos seus postos de trabalho, com condições.
       A empresa Porlis empresa criada paralelamente à actual, trás consigo mais um sem número de trabalhadores precários. Esta empresa é, nem mais nem menos, que uma concorrência à empresa existente, e que em caso da existência de greve, como está a acontecer, estes sejam “substitutos”, despedindo quem pertence à empresa vigente.
Sem acordo relativo ao encerramento e ao contrato colectivo de trabalho, estes trabalhadores foram ameaçados de despedimento colectivo, parecendo assim que o direito à greve, consagrado no 57º artigo da Constituição, deixou de estar patente para muitos, porque deixou de interessar.
A Lei do trabalho portuário patente na lei nº3/2013, começa logo também por ser suis generis no artigo 7º, onde aborda o regime especial do trabalho portuário, que aborda no ponto nº1 e 2, que “(…) não podendo a duração total de contratos de trabalho a termo de muito curta duração celebrados com o mesmo empregador para a atividade de movimentação de cargas exceder 120 dias de trabalho do ano civil”. Depois para além disto, diz que “O contrato de trabalho para o movimento de cargas pode ser celebrado por prazo inferior a seis meses (….)”.
Aqui está bem patente que o conjunto de trabalhadores, que realmente possuem aptidões e qualificação profissional adequada à profissão, desenvolvem-na à luz e ao abrigo da entidade patronal, sendo uns subjugados às suas decisões. 
É importante perceber que ao ataque generalizado aos direitos dos trabalhadores se associa esta legislação, que tem de ser revogada.
Para além disto, neste último dia o Porto de Lisboa encontrava-se cercado pela PSP, com o corpo de intervenção. Realmente também só vê-mos a atuar estas e outras forças de segurança em casos como estes, em prol de alguns, pois no seu dia-a-dia e olhando para a sua função de base, estes não agem em prol da sociedade.
Até 16 de Junho perspetiva-se que se prolongará a greve, existindo nesse mesmo dia uma manifestação contra a precariedade, no Cais Sodré, Lisboa, organizada pelo Setc- Sindicato dos Estivadores. É imperatório a união nesta luta de todos os trabalhadores, que sofrem na pele com neoliberalismo e com a precariedade.
Ao sindicato dos estivadores, como qualquer outro é fundamental agir em prol duma classe trabalhadora, que assenta numa sociedade de exploração. A luta passa pelo combate perpétuo para atenuar a forte pressão da exploração e para aumento dos salários, aumentando a força e conquistando assim o domínio da sociedade, para derrubar o capitalismo e instaurar um novo sistema.