segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sanções a um sentimento Europeu.

 Da Esquerda à Direita, Europeístas e Eurocépticos estão dentro do barril de pólvora argumentativa sobre a União Europeia. É uma guerra que está longe de acabar. A lógica da União Europeia não é consensual entre os portugueses, nem mesmo entre os Europeus. As sanções atacaram forte o sentimento europeísta dos poucos lusos que ainda acreditam numa União de povos no continente Europeu.
    À esquerda o sentimento europeísta do PS é isolado, sobram os partidos fora da representação parlamentar. O Bloco e PCP têm raízes eurocépticas. Os seus argumentos apontam uma união europeia desinteressante, que não respeita as democracias legitimadas nas urnas e as atitudes dos seus burocratas torna-se um problema e não parte da solução. Argumentos que acumulam de ano para ano dão razões suficientes para ambas as forças politicas manterem o cepticismo em relação à Europa, acabando com apoio nas urnas.
    À direita o sentimento europeísta é enorme, outra coisa não seria de estranhar. Grande parte da Europa é governada pela da família PPE, ou por governos, mesmo socialistas, aplicam as politicas apoiadas por conservadores e liberais. É uma Europa feita para a direita governar sem espaços para alternativas, que digam os gregos e os portugueses. É no seio do PPE que existe o problema. As politicas de austeridade, a derrocada das economias e o nascimento dos nacionalismos duros como o Reino Unido tem feito transparecer.
     Os europeístas nacionais tremeram pelas consequências sociais das sanções, hoje respiram de alívio. No entanto não deixa de existir uma reflexão forte sobre o assunto. O medo e a pressão politica teve impacto. Mesmo que os média tenham feito o trabalho "sujo", como costume, não deixa de existir uma sensação estranha que a Europa nos quis enxovalhar porque o governo português apostou numa politica diferente da maioria pouco silenciosa.
    Os Eurocépticos acabam por ganhar terreno. São eles que com ou sem sanções acabem por afirmar que tinham razão. O discurso anti Europa funciona, e por culpa da mesma Europa cega. A demonstração que a única política é a da União, deixa alternativa para o crescimento do sentimento anti Europeu, e com isso, os partidos Eurocépticos vão crescendo de eleição para eleição. Não existe terreno mais pantanosos que o Europeu para partidos pró Europa, enquanto os discursos anti-Europa crescerem, com eles vem a xenofobia e todos os sentimentos negativos sobre a emigração, são curtos os caminhos que separam dois sentimentos, Eurocepticismo e xenofobia.
    Analisando os vários lados de um tabuleiro de xadrez emaranhado acabamos por perceber que o sentimento Europeísta tem vindo a desvanecer. Acreditar que a União Europeia tem salvação sem mudar o seu modelo actual é ter fé em algo oco. Não é possível manter uma União que choca com as democracias, com a legitimidade democrática e que a única coisa que consegue é absorver o medo que cria através da ditadura financeira.
    Uma União ligada às máquinas, a sua sobrevivência é de prognóstico reservado. As sanções é mais um sintoma de uma doença que vai matando as democracias nacionais e cria o sentimento Eurocéptico a cada cidadão descontente. As matastes xenófobas alastram pela Europa, e o sangue europeu já está contaminado pelo eurocépcismo. Mas a doença é um mal do próprio paciente. Um paciente que injectou um medicamento Neoliberal, pretendendo servir os interesses financeiros de grandes bancos. Um medicamento que teima em querer acabar com os países mais frágeis, aceitando que sejam os mais fortes a mandar num espaço igualitário de povos.
   Os europeístas, por mais contentes que possam se sentir, e aliviados que possam estar, estão esquecidos que sanções são sanções, sejam elas 0 ou 0,2. Só apenas o facto de estarmos a ser sancionados por falhas políticas apoiadas pela Comissão e BCE, é o suficiente para quem tanto fez sacrifícios ter direito a ser Eurocéptico convicto.
  neste momento não interessa o europeísmo, interessa sim, a reflexão se é esta União Europeia que queremos.

Texto de Jorge Pires


 

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