quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Salário mínimo não chega, é preciso mais

    O aumento do salário mínimo, este ano, atinge os 27€. Como o próprio nome indica, o salário mínimo é o valor que o Estado considera mínimo para subsistência de um trabalhador, mesmo que esse valor esteja aquém da realidade económica do país. No entanto o seu aumento nos últimos dois anos é significativo. anos é significativo. 
   Com esta subida o governo pretende atingir dois efeitos. Por um lado o combate à pobreza e a melhor distribuição da riqueza. Por outro, com esta medida pretende potencializar o consumo interno, e por conseguinte, o crescimento económico. Tornar este crescimento uma medida de alavanca à economia através do consumo. A primeira ideia é correcta, mas a segunda ideia está longe de ter o efeito desejado.
   Procurar o crescimento da economia (que cresce vai dando sinais de crescimento após quatro anos de anemia) através do consumo interno pode ter um efeito (pelo menos inicial) bastante positivo. Mas isso, nos moldes actuais, é acrescido pela continua procura de crédito ao consumo, porque pela base dos rendimentos é quase impossível, principalmente no que diz respeito ao salário mínimo, longe de compensar os custos dos serviços e bens de primeira necessidade. 
   Apesar de uma medida correcta a nível social e económico, tem de se cingir apenas a uma medida social. No que se refere ao impulso económico, não é suficiente para impulsionar o crescimento da economia baseado no consumo. Os valores ainda não são suficientes. Apenas a nível social é uma melhoria significativa no bolso de alguns portugueses, caminhando para uma redução da taxa de pobreza, mesmo que ainda exista um caminho longo. 
   O problema nas contas do Governo, quanto ao crescimento do consumo interno, estão longe de estarem certas, o motivo se deve ao crescimento dos salários acima do mínimo. Os salários médios estiveram durante os últimos anos sem alterações. Aumentos eram reduzidos, e os cortes e impostos excepcionais, apertaram o orçamento das famílias. Mesmo com a devolução dos rendimentos, os preços dos bens e serviços de primeira necessidade estão mais elevados. Além do mais, apenas os funcionários Públicos sentem esse alivio, os funcionários do sector privado mantêm salários mais baixos, e continuam a não sem acesso a aumentos no imediato. 
   Se o Governo procura pela medida do consumo interno, e quiser utilizar essa via como motor da economia, então os salários acima do mínimo são obrigados têm de acompanhar, obrigatoriamente a subida do salário mínimo, mesmo que seja menor percentagem. É nestes salários que se encontra a maior incidência do consumo. Os 557€ servem apenas para um folgo nas famílias, um apoio financeiro, mas não como impulsionador do consumo. 
   Segundo a curva de Engel, o consumo das famílias que auferem o salário mínimo continua a ser muito baixo, o salário continua a ser canalizado, quase na sua totalidade, para as despesas com bens e serviços de primeira necessidade, contrariando, ai, as previsões do governo nesse aspecto.
   As medidas de impulso do crescimento económico, através do consumo interno, têm de  ser pensadas de outra forma, não apenas pelo aumento do salário mínimo, mas fazendo os salários acima do mínimo, acompanhar o ritmo de evolução da economia. 
    Se a política do governo é de devolução dos rendimentos e da melhor redistribuição da riqueza, tem de ser mais agressivo e menos fugaz. Tem de ter uma mão mais pesada nesse aspecto, ou corre o risco das previsões macroeconómicas ficarem aquém do esperado.





  


Jorge Miguel Pires
Livre

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