quinta-feira, 3 de março de 2016

O Passos e o Calimero

   


"Afinal, quem deseja o bem dos portugueses? Esta direita, com cobertura mediática constante, que enterrou a classe média e desviou milhares de milhões de euros para os seus fieis servidores? De entre estes beneficiários encontraremos, certamente o poder financeiro, em Portugal e no estrangeiro, e outros agentes, muito provavelmente, integrados nos partidos de direita, alguns elementos de direita mas que integram o PS, minando a sua aliança à esquerda, ou na comunicação social que ao longo dos últimos anos apetrechou os serviços de informação com gente da direita, ressabiados e oportunistas, que apenas desejam denegrir os esforços duma alternativa credível, tentando destruir a construção dum futuro mais radiante e sonhador que a miséria deixada pelo anterior governo."
   

  Na minha infância o Calimero era o meu ídolo porque lutava, persistia e tinha uma enorme força de vontade apesar de tudo lhe correr, normalmente, mal. Mas ele não descansava enquanto não atingisse os seus objetivos. Ao longo da vida aprendi que uma personagem como esta seria assombrosa, tal e qual uma personagem principal kafkiana, doentia, porque sempre perdedora, e masoquista, porque insistia sem nunca conseguir avanços, o que na realidade nos poderia fazer baixar os braços face às constantes adversidades.
   Passos ainda não caiu na real, ainda não acredita que não venceu as eleições e tem na comunicação social uma aliada esquizofrénica que também quer a todo o custo frustrar a aliança da esquerda, e deixar a Passos, o papel principal, mostrando Costa como o inimigo público, número um, a abater.
   Afinal, quem deseja o bem dos portugueses? Esta direita, com cobertura mediática constante, que enterrou a classe média e desviou milhares de milhões de euros para os seus fieis servidores? De entre estes beneficiários encontraremos, certamente o poder financeiro, em Portugal e no estrangeiro, e outros agentes, muito provavelmente, integrados nos partidos de direita, alguns elementos de direita mas que integram o PS, minando a sua aliança à esquerda, ou na comunicação social que ao longo dos últimos anos apetrechou os serviços de informação com gente da direita, ressabiados e oportunistas, que apenas desejam denegrir os esforços duma alternativa credível, tentando destruir a construção dum futuro mais radiante e sonhador que a miséria deixada pelo anterior governo.
  Já não suporto a “nossa” RTP, nem a SIC, nem a TVI, nem a maioria dos jornais diários portugueses que nada têm a diferenciá-los. Estarão todos eles já comprados? Será que já não sabem o que é isenção? Será que abriu um grande mercado para um canal de notícias isento? Peço a atenção dos investidores, nacionais e estrangeiros: Existe um grande espaço para a criação de um canal de notícias que não seja subornado e viciado. Em casa quero mudar de canal e… bolas... tenho de ver informação estrangeira porque por cá são todos cópia uns dos outros. Futebol, telenovelas, informação não isenta e reality shows são o nosso diário triste fado.
   Passos tem, na sua essência, o pior do Calimero e nem sequer possui as virtudes desta personagem. Há já vários meses que parece um coitadinho, dizendo que está preparado para governar, definhando, dia após dia, até à exaustão, em tudo o que é canal noticioso em Portugal. Espero que, quando estas personagens aparecem, todos mudem de canal, tal e qual eu faço, de modo a que as audiências mostrem inequivocamente, à comunicação social, quem efectivamente perdeu as eleições.

  Contra tudo e contra todos, se a nossa esquerda for inteligente, ou mais inteligente e menos sádica que o anterior governo, o que é perfeitamente exequível, verificaremos que cresceremos e ficaremos bem melhor do que com a receita venenosa que nos foi aplicada cujo genérico se chama de austeridade.
   O nosso PS aprendeu que não podia seguir as pisadas do PASOK apesar de todo o ambiente adverso que o rodeava. Esse mesmo ambiente dificultou, dificulta e dificultará os entendimentos da esquerda senão vejamos o que tem sistematicamente acontecido em Portugal, na Grécia e em Espanha.

     Em Espanha o PSOE não parece inclinado para a receita do PS. Tudo se conjuga para que, o PSOE, ao seguir uma mistela nem PASOKiana nem portuguesa, não venha a PASOKar mas venha a perder o suficiente para dar mais força ao Podemos que tudo fará para evitar um Bloco Central. O seu preferido Cidadãos irá ter um tombo semelhante ao seu pelo que não será alternativa. Quanto ao PP, mesmo ganhando força produzirá mais alguns Calimeros, na sua pior essência, nesta nossa Península Ibérica.







Luís Figueiredo
Grupo de Coordenação Local do Distrito de Setúbal do LIVRE