quarta-feira, 17 de julho de 2019

Quero ter os inimigos perto









 A extemização da política está a crescer. Sem dúvida que hoje uma frase pode ter leituras diferentes que podem muito levar a ataques pessoais e profissionais. Na melhor das hipóteses o contexto pode levar apenas a tentativa de lápis azul e silêncio da opinião de terceiros. A muito custo o debate deixou de fazer sentido, agora tudo se resolve com um bom pare de ofensas.

Recentemente passei por isso. Por ter comentado de forma negativa uma a opinião de Daniel Oliveira, e por entender que DO tem uma posição sobre os animais que não é a minha, mas principalmente por DO ser ofensivo sempre que aborda quem gosta de animais, não sai daquela caixa de comentários sem uma boa ofensa. Tudo se resume ao meu sentido "fascista" e ao argumento dos dois gatos que o DO tem. O melhor foi a falta de argumentos ter levado a um bloqueio.

O texto de Bonifácio é mau, expressa o preconceito e a superior moral e intelectual de alguém que acha que o tom de pele e a comunidade a qual pertence são características para se inferiorizar outros, é a opinião dela. O facto de a opinião dela ter sido logo acusada de crime demonstra que a tolerância esgotasse nos ideais de cada um. Discordo completamente que a opinião da senhora seja um motivo para queixa, muito menos que se tente silenciar as pessoas que têm a mesma ideia. Ao contrário de muitos que partilham o mesmo espaço ideológico, eu prefiro que as pessoas como Bonifácio tenham espaço para dar a sua opinião. Da mesma maneira que quero que gente como eu use o mesmo espaço para contrapor e retirar a razão a quem pensa como Bonifácio. Não quero censurar os e as "Bonifácios" que por aí andam, sejam eles escritores no Observador, território de muitos, sejam eles os meros artistas que de vez em quando se vão ouvindo ou lendo pontualmente.

 O facto de partilharem ideias bastante antagónicas às minhas, e serem argumentadas com uma espécie de superioridade moral e intelectual, é me totalmente favorável porque posso rebater de forma a desmembrar um por um os argumentos que eles defendem. E se, ao contrário da maioria, lidar sem ironias, ofensas ou parvoíces, torna muito mais difícil que eles mantenham a defesa da sua linha de pensamento. Porque a melhor maneira de lhes quebrar a linha de pensamento não é lhes retirando o direito á palavra, mas lhes retirando a razão.

O conjunto de textos que se seguiram a desmembrar o pensamento da senhora Bonifácio. Textos coesos e com simplicidade suficiente para irritar João Miguel Tavares e o mesmo acabar por colocar os pés pelas mãos em textos desconexos. Esse conjunto de textos da esquerda á direita tornaram visível que o pensamento de Bonifácio não é recomendado no espaço político, e está longe da sensatez da nossa democracia. E eu prefiro assim, prefiro conhecer a Bonifácio, o Tavares e tantos outros, de forma a conhecer o "inimigo" nos olhos, do que lutar contra servidores escondidos algures em qualquer parte do mundo onde são despejadas notícias falsas. Quero poder "partir a espinha" a quem tem "espinhas" na opinião. É essa a essência da democracia.

Não sendo o presidente da minha eleição, não posso estar mais de acordo quando Marcelo afirmou que o extremo deve ser combatido de outra formas, não com extremizar de posições. E até mesmo a sua opinião foi atacada com ofensa pessoais ao Presidente. Mas é essa a posição de muitos daqueles que entendem que o espaço da democracia é a tolerância e o debate democrático.

 Se os mais moderados não aparecerem, estamos sujeitos a tornar a política tão agressiva que acabamos por ter uma opinião de Pacheco Pereira a ser considerada de fascista e preconceituosa. A sensatez na política é cada vez mais necessária.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Não, não tem razão dona Bonifácio








Sobre o texto da Dra. Bonifácio nada vou dizer para acrescentar o que já foi dito da esquerda á direita. Não creio que estejamos a falar de um crime, mas sim de uma opinião que me parece ser tão descompensada quanto um verdadeiro albergue de desconhecimento da realidade. Não foi uma infelicidade da autora, é a sua opinião face ao seu pensamento social, apenas a transmitiu de forma clara.

Neste meu texto vou contrapor um dos parágrafos, juntando a minha experiência profissional á minha opinião sobre as tais "comunidades exóticas". Mas ao contrário de Bonifácio, eu faço com a coerência que se pede a qualquer ser humano que não se alegra apenas com os avanços científicos, mas principalmente regozijo pelo progresso político e social, coisa que a dona Bonifácio parece não ter atingido, ficando a viver nos dourados anos setenta.

A dada altura no texto, a dona Bonifácio salientou que a integração da comunidade cigana era impossível, para tal deu um exemplo infeliz e sem conexão nenhuma com a realidade. O exemplo foi o "comportamento dos ciganos no supermercado". Pois bem, decidi agarrar neste exemplo para demonstrar a senhora Bonifácio que está tremendamente enganada, e longe de uma realidade que é a nossa, do comum cidadão.

Eu trabalho no sector da distribuição Comércio e Retalho á 17 anos. Passei por os dois maiores grupos de distribuição, e em lojas onde as tais comunidades exóticas eram presenças habituais. Mas ao contrário do que a dona Bonifácio lê na sua ideia a realidade é muito diferente.

Durante estes 17 anos de lojas, já atendi milhentas vezes as comunidades que a dona Bonifácio chama de exóticas. Não fui sempre bem interpretado, ou tratado com educação, mas também não fui espancado por ciganos nem ameaçado com uma arma. Já existiu climas de tensão variados com muita falta de respeito á mistura. Mas por mais engraçado que pareça, raramente aconteceu com um "exótico".

Os hipermercados são terrenos férteis de comportamentos pouco civilizados. Além da falta de respeito, ameaças e agressões são prato forte de quem trabalha diariamente nos hiper. Mas a maioria são sempre aqueles cristãos e civilizados caucasianos, líderes dos direitos humanos, uma raça superior, tão superior que exige no atendimento que os mesmos caucasianos inferiores (trabalhadores dos hipermercados) façam a venia  no atendimento

Alguém que pega num produto e coloca em outro local por puro desporto consumista, aborda sem o mínimo de educação, solicita ajuda sem uma salvação ao funcionário, ameaçam e chegam mesmo a tentativas de agressão aos funcionários salvaguardados com a imunidade de cliente, provocam os funcionários desarrumando o que já está arrumado e muitos outros comportamentos que se poderia somar aqui de pura falta de civismo e de educação promovido por maioria dos clientes das grandes superfícies. Maioria em que são muito poucos os casos em que o cliente é "exótico".

Sempre fui abordado com respeito por parte das famílias de etnia cigana. Sejam mulheres ou homens. Com "bom dia" ou "boa tarde" e um "obrigado" no fim. Nunca fui abordado de forma que pudesse dar razão ao comportamento que Bonifácio entende que os "exóticos" tenham nos supermercados. Mas concordo com ela a novecentos por cento quando ela passa uma mensagem de incivilidade e falta de educação que existem nos hipermercados e supermercados, mas tenho de dizer que os protagonistas são os mesmos que pensam da mesma forma que a dona Bonifácio. A mensagem é verdadeira mas o mensageiro é outro completamente diferente.

Não posso partilhar as mesmas visões da Dra Bonifácio, falta-me a empregada caboverdiana para me informar como a sua comunidade exótica vive, mas posso sempre lhe dizer que o exotismo nos supermercados pelo menos é mais respeitador que o caucasianismo perfeito e superior.


Fazer o oposto de Trump

Enquanto activista da TROCA - Plataforma por um Comércio Internacional Justo escrevi um texto que foi publicado no Público.

O texto chama-se Fazer o oposto de Trump e diz respeito ao tipo de clivagem comum no debate público entre aceitar a globalização tal como ela existe (com as suas insustentabilidades a nível ambiental, económico e político) ou defender uma alternativa com pressupostos nacionalistas, xenófobos e anti-ecológicos (a "política de Trump").
O texto propõe uma terceira alternativa: recusar o status quo actual, mas caminhar na direcção oposta à de Trump e construir uma globalização com pressupostos universalistas, solidários e ecológicos.

Assim, a tese principal do texto é a seguinte:

«No entanto, quiçá mais grave ainda do que a contribuição dada para o aumento avassalador das desigualdades e para a estagnação dos salários, tem sido o impacto ambiental insustentável resultante da forma como estruturamos o comércio internacional. O actual nível de emissões de CO2 ou equivalentes (se não for travado) irá dar origem a danos materiais e humanos que em muito superam os sofridos pela Humanidade durante a segunda guerra mundial. No entanto, as alterações climáticas estão longe de ser o único desafio ambiental de proporções planetárias seriamente agravado por esta forma de globalização que vem sendo realizada. É cada vez mais urgente uma globalização muito diferente.

Nos EUA, a frustração com os impactos da globalização foi um dos factores que contribuiu decisivamente para a vitória de Donald Trump. Porém, a política comercial de Trump tem sido verdadeiramente catastrófica. A subida das taxas aduaneiras tem sido errática, precipitada, inconsequente. Pior: subjacente a estas subidas está uma postura de rejeição do multilateralismo; uma crença na ideia de que o comércio é um jogo de soma nula em que uns países ganham à custa dos outros, sem que ambos possam perder ou ambos possam ganhar; e um profundo desprezo pela necessidade de diminuir o impacto ambiental da actividade económica.

Se Trump fez bem em rejeitar o status quo insustentável desta globalização, ele optou por caminhar na direcção precisamente oposta à da defesa do interesse público. Urge fazer exactamente o contrário.

Quando pensamos no comércio internacional entre dois países é fundamental rejeitar a noção de soma nula. Um mau acordo pode prejudicar as populações de ambos os países para benefício de um punhado de multinacionais, mas um bom acordo poderia trazer benefícios a ambas as partes. Por esta razão, importa rejeitar pressupostos nacionalistas ou xenófobos e partir de uma perspectiva universalista e solidária. É fundamental combater o progressivo esvaziamento da Democracia e empoderar a população e a sociedade civil no delinear da política comercial.»

O texto procura, no espaço disponível restante, concretizar em que é que consistiria uma política de comércio internacional universalista e justa, enumerando propostas relativamente à política aduaneira, à harmonização regulatória e aos mecanismos de resolução de litígios. Em relação a este último assunto escrevo:

«Por fim, em todos os acordos devem ser rejeitados os mecanismos de resolução de litígios (ISDS e semelhantes) que estabelecem um sistema de justiça paralelo ao serviço das empresas multinacionais contra os Estados, com graves problemas de falta de transparência, inaceitáveis conflitos de interesses e gravíssimos prejuízos para a legislação ambiental, laboral, de defesa dos direitos humanos, entre outras.

Os Estados deveriam antes empenhar-se na concretização das propostas do Conselho de Direitos Humanos da ONU relativamente ao estabelecimento de um Acordo Vinculativo sobre empresas transnacionais e cumprimento dos direitos humanos.»

Concluo com o apelo à construção de um mundo mundo mais solidário, mais consciente relativamente aos impactos ambientais e muito mais democrático. O leitor pode contribuir para esse objectivo assinando a petição europeia contra o ISDS.


Texto também publicado no Esquerda Republicana.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A bolha do PS, da gerigonça e do Governo




A campanha eleitoral está á porta. A geringonça preparasse para terminar a primeira coligação de esquerda em tempos de democracia. Os partidos que fizeram parte desta solução governativa vão começar a chamar a si os louros do mérito nas medidas populares e a trocar culpas do muito que ficou por fazer. Certo é que são poucos argumentos que demonstram que os partidos vivem nesta realidade, e muitos os que demonstram que vivem numa espécie de país á parte .

  Os portugueses, excepção de alguns, continuam a viver da mesma maneira e com as mesmas dificuldades que viviam há quatro anos. Na verdade, para o português comum pouco ou nada mudou. O código de trabalho continua a privilegiar o empregador. Para uma pasta onde é exigido uma firmeza na mesa das negociações, António Costa escolheu a cara da incompetência no que toca á melhoria das relações laborais. Vieira da Silva é uma fraca figura de ministro, incapaz de substituir, a sério, duas centrais sindicais antagónicas no seu modelo de pensamento e aos desejos de confederações patronais. Se há CGTP muito se pode acusar por a sua postura de abandono das negociações ou intransigência, a UGT, que é totalmente desconhecida a sua ligação forte ao sector privado, tem funcionado como confederação patronal. Os acordos na concertação social são, por norma, penalizadores para os trabalhadores, e a UGT tem um cunho nessas penalizações. Por tudo isso, e principalmente por ser o PS governo, estamos no mesmo patamar quanto à degradação das relações laborais, sem que se vislumbre uma mudança capaz de devolver aos trabalhadores do sector privado melhor qualidade no trabalho.

  O país da maravilhas que o PS faz questão de falar na página oficial, usando um crescimento de rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem, demonstra a facilidade com que um partido político inebriado nos resultados se consegue tornar vítima dele mesmo. Só por eleitoralismo vaidoso o PS pode publicitar algo que não faz parte da realidade de grande maioria dos trabalhadores por conta de outrem. Apesar de um aumento substancial do salário mínimo, talvez o maior aumento em apenas uma legislatura, ainda está longe de conseguir preencher as necessidades básicas de milhares de trabalhadores.

  Um aumento de salário que não se verificou apenas financeiramente, também o número de trabalhadores que beneficiam do mesmo sofreu um aumento significativo. Num pais com cada vez menos activos, o número de trabalhadores a receber o salário mínimo atinge os 20,4%. E se isso já era preocupante para a sustentabilidade da Segurança Social, mais preocupante é saber que outra grande fatia dos salários pagos no sector privado, também no público, não está longe dos valores do salário mínimo. Muitas empresas optam por aumentos muito tímidos, enquanto outras mantêm níveis salariais há margem do mínimo. Um dos exemplos é as empresas de distribuição onde os salários entre um trabalhador com 20 anos de antiguidade e um trabalhador com 20 dias pode ser apenas umas dezenas de euros de diferença. Enquanto os salários dos novos trabalhadores são actualizados conforme o salário mínimo, os antigos trabalhadores vivem de "compensações" tímidas que variam entre os 2,5€ e os 12€. Apesar de muitas saírem da orla do salário mínimo, não os deixa muito longe do mesmo.

Tal como os trabalhadores do sector da distribuição, muitos são os trabalhadores que cada vez mais vêm o seu salário equiparado ao salário mínimo, mesmo quando os anos de antiguidade já são longos e penalizadores.

 Um salário é baixo, e para uma grande fatia da população activa é incapaz de dar uma resposta às necessidades básicas, como por exemplo a habitação. O valor assombroso, chegando mesmo a ser pornográfico, das rendas em Lisboa e no Porto, que se vai alastrando para outras cidades, é um exemplo que a pasta da habitação não foi tratada devidamente. Não vale a pena tecer acusações ao anterior executivo quando este se imiscui de resolver este problema. É impossível uma família cujo agregado familiar tenha como base dois salários mínimos, se manter a residir numa casa em Lisboa, e até mesmo nos Concelhos limites. Se uma renda de um mero T2 em Benfica pode chegar aos 800€, um T3 em Odivelas chega mesmo aos 1300€ por mês.

  Se a renda é uma opção a não ter em conta, comprar casa então ainda se torna mais impossível. Em primeiro o valor especulativo imobiliário atinge números que são uma verdadeira mentira. Além dos bancos deixarem de parte a possibilidade de financiar os imóveis a 100%. Se para uns o 90% do valor já é demais, outros limitam-se a apenas 80% e uma série de requisitos como empregabilidade fixa. Num país onde a Legislação permite e contribui muito para a precariedade, e onde os salários pouco permitem uma taxa de esforço adequada ou uma taxa de poupança sorridente, comprar casa é algo completamente impossível para o comum cidadão trabalhador.

  E se falar da carga fiscal já é tema de conversa corriqueira, então falar do valor absurdo da mesma e dos serviços publicos completamente devastados é algo que já faz parte do dia-a-dia dos que vão para a fila de espera por um cartão de cidadão que o garrote do Governo obriga. O mesmo governo que confunde a depauperados serviços públicos que ele nos presenteia, com a culpa do cidadão ter de estar á espera desde as cinco da manhã para conseguir uma vaga, das poucas, para actualizar o seu cartão.

  Já para não falar na saúde, a quem Mário Centeno diz não fazer qualquer cativação, mas que teima em estar a entrar em colapso devido á falta de pessoal. Sim, faltam enfermeiros, médicos e auxiliares. Mas para Mário Centeno, doentes oncológicos que morrem á espera de exames, é uma situação pontual, a saúde está bem e recomendasse. Talvez para o Governo, como as filas para renovar o Cartão de cidadão são culpa dos utentes, talvez a culpa da saúde seja desta malta que teima em ficar doente, quando o país até está numa rota de crescimento exemplar.

  Á esquerda do Partido Socialista existe a expressão "se não fosse o BE (...)". Ainda na apresentação das listas pouco faltou para dizer que só não estamos a ter mais calor porque o BE tem travado fortemente a vaga. Já o PS "fomos nós que (...)". Mas estamos todos a contar os mesmos troços que contávamos no passado, mas com serviços públicos mais degradados e sem sorriso no futuro.

  Estamos na mesma, mas com Mário Centeno a fazer uma carreira brilhante para a Europa.





































segunda-feira, 1 de julho de 2019

O estado social é socialista, mas os países nórdicos não...


Já vi esta discussão (e esta contradição) tantas vezes....




Post também publicado no Esquerda Republicana

terça-feira, 11 de junho de 2019

Três notícias à atenção dos mais distraídos

sábado, 8 de junho de 2019

Sobre a suposta infabilidade da medicina convencional...











Antes demais gostaria de referir que sou um racionalista e defensor da medicina convencional mas que também não nego que muitas das chamadas medicinas alternativas/tradicionais (que chamarei não convencionais) tem efeitos muito positivos no equilíbrio corporal e psicológico humano.

O problema é que muitos cientistas adoram vir a público declarar a medicina convencional como infalível, o que não sendo muitos destes crentes e/ou até ateus, é espantosa esta sua fé em algo que só pode ser considerado como um ato de pura arte mágica!!!

Mas se muitos cientistas adoram clamar que a medicina convencional é infalível, o problema é que muitos médicos não o fazem. E porque não o fazem? Porque ao a praticarem veem todos os dias a sua falibilidade.

E quando falamos de falibilidade não falamos de negacionismo científico, falamos é de não extremismo crente em algo baseado num método científico que é tudo menos infalível, aliás a existência do método científico implica que sempre se questione o que se descobriu para se poder aperfeiçoar o que é praticado.

Por isso muitos cientistas considerarem todas as medicinas não convencionais como charlatanismo puro e porem os químicos como o único método de cura é à partida absurdo e até pouco lógico, pois as bases das receitas dos remédios farmacêuticos são plantas naturais em que foi a sua mistura afinada ao longo dos tempos que levou à descoberta de muitos dos componentes químicos, hoje tão endeusados por esses supostos cientistas médicos, como os únicos capazes de serem a cura para todos os males e a panaceia de todo o bem, ato médico e/ou remédio milagroso, lamentamos mas é outro achismo.

Eu percebo este tipo de cientistas, alguns não passam de mercenários sectários contratados pelas grandes farmacêuticas, que desenvolvem produtos químicos de resultados mais que duvidosos mas muito caros e/ou de lobbys de sectores económicos que desenvolvem máquinas de diagnóstico cada vez mais complexas, caras mas muitas com razoáveis deficiências para os campos que se destinam!!! Outros, talvez sejam seres humanos preocupados com os efeitos nocivos que a desinformação e a prática de charlatanices - já agora também vinda de médicos e cientistas seus colegas - estão a provocar ou podem provocar na saúde humana.

Em relação aos primeiros o que poderei dizer é que são iguais aos charlatães que visam combater, pois um mercenário pouca credibilidade tem, aos segundos gostava de lhes referir o seguinte:

1.º A pertença superioridade moral e cientifica de nada lhes serve, só afasta as pessoas que têm desconfianças em relação à medicina convencional e os põe nos braços dos charlatães de serviço e também aprofunda a sua descrença na ciência em geral;

2.º A ofensa gratuita aqueles que estes chamam de quimofóbicos é absurda pois em vez de explicarem e tomarem uma posição explicativa e educativa que, as plantas que os defensores de medicina não convencional tanto se agarram - entre eles muitos de boa índole e com desconfianças que se vieram a sedimentar racionalmente e não baseadas em crenças - são estas a base dos remédios da medicina convencional, isto com exemplos claros, talvez conseguissem chegar a esses que agora ofendem e até encontrar pontos/pontes de entendimento. Agora a ofensa gratuita pela ofensa gratuita, dá-lhes nula razão!!!

3.º O rotular de que quem é dirigente, militante e/ou votante no PAN, e/ou de alguém que é contra a caça ou contra as touradas, que defende os animais, ou é defensor de um modo de absorção de alimentos que não inclua carne ou outro tipo de alimento proveniente de animais é uma besta quadrada irracional e defensor de um nazismo de hábitos e por isso anti científico e irracional apenas me faz pensar em devolver os atributos imputados a quem os faz!!!

E aqui entramos naquilo em que estes supostos cientistas erram no alvo, pois existem muitos vegetarianos/vegans que assim se tornaram por ideologia política e de sustentabilidade ambiental futura, tal como foi pela racionalidade que decidiram ser contra hábitos bárbaros e sem sentido nenhum numa sociedade moderna, como a caça ou as touradas, também por arrasto e como seres racionais começaram a defender os seres animais que não se podem defender da irracionalidade humana e por fim e como culminar muitos começam o olhar e a votar no PAN (pois e apesar de algumas propostas no passado, muito poucas, menos racionais) é o único partido ecologista político português em todo esse amplo sentido do termo.

E se estes seres humanos fizeram todas estas opções de forma racional e com uma opção racionalista e científica clara por detrás, que se chama sustentabilidade ambiental, ecologismo político, defesa de seres irracionais e evolução da sociedade, então como é que esses supostos cientistas racionalistas podem imputar a quem chegou a estas opções apenas por questões racionais de estes últimos não o serem?!?!?

Talvez um ser racional humano como esses supostos cientistas médicos me possam explicar isto?

É óbvio que estes charlatães e extremistas da racionalidade científica adoram rotular os seus adversários como rotulam elementos químicos, o problema é que os elementos químicos são finitos e provavelmente até não estão todos descobertos tais como os rótulos que eu lhes posso devolver por me chamarem o que chamam!!!
 
Existem também charlatães que gostam de ser os pró-peste (designação que um irmão meu numa recente sessão de Loja no G.'.O.'.L.'. intitulou os que são anti-vacinas), a esses só lhes desejo a cadeia pois com essa charlatanice põem em perigo vidas humanas!!!

Tal como desejo a cadeia para aqueles cientistas mercenários que a mando de grandes multinacionais também mercenárias andam por aí a patentear genes naturais e arrogar-se estes e essas multinacionais como donos de algo natural ou proveniente diretamente da natureza como os comerciantes dos O.G.M.'s (organismos geneticamente modificados), pois esta manipulação do que é natural nada tem de inovador, a prova são os processos que essas multinacionais mercenárias põem contra povos indígenas que já usavam/plantavam essas sementes de forma local e o faziam de forma sustentável!!! A questão que se coloca é com que direito o fazem? Esse patentear de genes de plantas é completamente absurdo!!! É como se alguém dissesse que quer patentear algum gene de ADN humano!!! E até há bem pouco tempo era natural essas empresas mercenárias porem redutores de crescimento em plantas concorrentes que mataram colheitas à volta de modo a obterem o exclusivo na região e alargar o seu âmbito de atuação comercial!!! Então porque é que se condena a invasão de espécies de insetos ou outro tipo de espécie animal invasora em ecossistemas que não são os seus, porque é que eu serei impassível à invasão de espécies vegetais manipuladas que depredam - porque eliminam o concorrente - o que naturalmente e naquele território sempre existiu? Porque é científico ou porque é um puro negócio? Serei um racionalista estúpido ao ponto de não perceber que a vida natural não está há venda, ponto final!!! Não serão estes senhores uns miseráveis bioterroristas!!!

Os pró-peste (anti-vacinas) são tão assassinos como os bioterroristas referidos, ambos são criminosos e ambos deveriam estar na cadeia!!!

Então qual a solução para as medicinas não convencionais?

Será que perseguir, ilegalizar ou ostracizar funciona?

Duvido!!!

Não será melhor legalizar, estabelecer regras claras, controlar e verificar bem de perto os abusos para os poder punir de forma exemplar!!! Trazer a complementaridade e o controlo de médicos/cientistas convencionais para o processo?

Mas essa legalização tem que ser de medicinas não convencionais que não sejam charlatanice pura, a homeopatia e/ou venda de água cara seria excluída, tal como a medicina tradicional chinesa baseada nos remédios de origem animal que estão por trás da perseguição a rinocerontes e tigres, para fazer pós milagrosos com os seus cornos e ossos!!! Mas porque é que a acupuntura ou a aromaterapia não podem ser legalizadas e controladas pela medicina convencional? Serão assim tão nocivas? Se forem estabelecidas normas claras que estas não se substituírem nunca à medicina convencional, qual o mal?

Aliás é o que se passa em parte com o atual quadro legislativo. Fazendo um resumo histórico, a Lei 45/2003 de 22 de Agosto que foi votada por unanimidade na Assembleia da República sob proposta do Bloco de Esquerda e que reconhecia seis terapêuticas não convencionais: acupuntura, homeopatia, osteopatia, naturopatia, fitoterapia e quiropráxia. Esse reconhecimento ficou pendente da publicação de portarias que clarificassem as condições de acesso a estas profissões e à respetiva cédula profissional, bem como o que poderiam ou não fazer os profissionais destas terapêuticas, as condições obrigatórias dos locais onde são exercidas. Em 2013, o governo da direita apresentou um novo projeto, aprovado com os votos do PSD, CDS e PS e com a abstenção do Bloco, do PCP e do PEV, a nova Lei 71/2013 de 2 de setembro - que reconhece as seis referidas enquanto terapêuticas não convencionais e acrescenta ainda a medicina tradicional chinesa. As Portarias de regulamentação, indicando as condições necessárias para o exercício destas terapêuticas, foram publicadas em junho de 2015 - da fitoterapia (172-B/2015), acupuntura (172-C/2015), quiropráxia (172-D/2015), osteopatia (172-E/2015) e naturopatia (172-F/2015), em falta ficaram as portarias de regulamentação da homeopatia e da medicina tradicional chinesa, estas duas foram objeto da insistência da regulamentação da sua prática de novo pelo Bloco de Esquerda nesta legislatura até agora estas duas práticas não foram regulamentadas e não têm por isso cobertura legal nem são objeto de desconto em impostos e/ou aceites pelo estado e/ou o seu SNS.

Já agora não se nota onde é que o PAN, objeto obsessivo desses cientistas charlatães racionalistas acompanhados pela clique jornalista dependente dos lobbys da tourada e da caça, teve ou tem alguma influência nesse processo todo, visto que só a partir de outubro de 2015 é que este partido teve representação parlamentar, e apenas em maio de 2016 pediu um reforço na regulamentação da prática dessas seis terapêuticas não convencionais já aprovadas e em que demonstrava a sua preocupação, tal como eu e todos, que houvesse uma prática não controlada das duas práticas ainda não regulamentadas, a homeopatia e a medicina tradicional chinesa. O limbo onde estas se encontram é de todo absurdo e eu como racionalista até defendo que estas sejam retiradas da Lei 71/2013 de 2 de setembro, proposta pelo PSD/CDS-PP, pois uma a da água cara e/ou homeopatia é charlatanice pura e a segunda, a medicina tradicional chinesa, é negativa para os animais e a natureza em geral pois muitos dos seus remédios alimentam negócios à volta de animais em vias de extinção, como o Tigre e o Rinoceronte!!!

Ser extremista é que é ser errado, e aos cientistas extremistas, mesmo médicos, deixo um conselho, tentem perceber porque se descredibilizam e porque é que o anti cientismo chegou, foi também e muito por sua culpa e destas atitudes de charlatanice científica - de que a ciência é o alfa e ómega e que todos os outros são cretinos - e não só por culpa dos outros!!!