segunda-feira, 21 de maio de 2018

53 terroristas morrem e o mundo silencia...












Eis o problema desta comunicação social que temos é este, primeiro anuncia-se com grande pompa e circunstância que morreram 60 vítimas civis num dia sangrento de confrontos entre os assassinos judeus e os virtuosos e anjos dos palestianos, quando o movimento terrorista Hamas secundado pela organização terrorista Jihad Islâmica, reclamam que desses 60, 53 - 50 do Hamas e 3 da Jihad Hislâmica - são seus militantes, combatentes e soldados, esta cala-se!!!

Mais de 80% das tais vitimas civis inocentes eram nas palavras das duas organizações terroristas e anti-ocidentais islâmicas, seus combatentes e foram para essas manifestações com armas, disparar contra soldados e invadir o território de um estado soberano mas o anti-semitismo continua a medrar e a ser usado como refugio e a calar-se diante deste facto.

O pior é que para além de jornalistas e populares claramente anti-semitas, que precisam de poucos argumentos para o continuarem a ser, deputados portugueses continuam a ser cúmplices deste silêncio e de forma despudorada continuam a caucionar o que estes dois movimentos representam e o que estas 53 nada inocentes vítimas defendem.

Não são palestinianos desesperados estes militantes, são terroristas que defendem a aplicação da lei islâmica a toda a sociedade, inclusive aos ocidentais. Estes militantes e estas organizações defendem que os homossexuais são seres aberrantes e merecem a morte, que uma mulher adultera e/ou violada merece a lapidação e que as crianças devem, se forem homens, educados exclusivamente em escolas corânicas e, se forem mulheres, nem ler e escrever devem, não vá terem ideias feministas ocidentais.

Das tais feministas pertencentes às organizações radicais de esquerda que a par com os movimentos LGBT´s, se associam a manifestações a pedir a condenação de Israel e o caucionamento ideológico destas pessoas, que se enojam só por os conhecer e que os matam e oprimem nos territórios que governam.

Eis a coerência ideológica de tais seres e organizações, a mesma que rejubila pela reeleição do ditador Nicolas Maduro, na Venezuela, com 60% e alguns, entre 30% e picos de afluência, ou seja menos de 20% do real universo eleitoral. A mesma que aplaude um ditador cubano, agora branquinho e quase americano, até porque esta esquerda conhaque europeia tem aqueles padrões rácicos que não lhes permite cá misturas entre eles e os gentios e se tiverem assim uma pele morena que fiquem longe.

Passa-se isso com os romanis (que por aqui são conhecidos por ciganos) que têm como comunidade o desprezo desta esquerdalha que apenas se cruza com estes em feiras, mas que nutre por estes aquele desprezo e superioridade absurda, nesse aspeto são muito parecidos com a extrema-direita que criticam.

Por isso é que quando se fala com estes deputados e com esses que andam por aí a  manifestarem-se na rua e a indignarem-se pelas redes sociais e se perguntam se eles conhecem a rua árabe e se já foram à palestina livre dos territórios de Gaza e da Cisjordânia, me respondem com aquela sobranceria que não precisam de lá ir para entenderem o que eu por aqui escrevo e aqui apresento.

Condenar sem conhecer a situação e de terem falado com as pessoas que por lá habitam e sofrem não por causa de Israel, mas porque quem os governa, em que se encontram os dirigentes destes grupos de terroristas islâmicos, Hamas e Jihad Islâmica, que vivem do esbulho e da apropriação ilícita dos milhares de milhões de fundos que para lá são encaminhados pela comunidade internacional e milhares de ricos e pios senhores dos petro dólares.

Esse é o problema de muitos destes anti-semitas, culpam a única entidade que lhes dá alguma segurança, pois grande parte da população, da tal ficção da palestina livre, vive com empregos de Israel, ou seja, quem alimenta quem nessas comunidades vive com dignidade, dessa tal palestina livre são milhares de empresas dos tais judeus assassinos.

E já agora, quem os rouba todos os dias e vive deles à tripa forra são os líderes dessas tais organizações terroristas que vivem uma vida de luxo no Líbano e Emiratos Árabes Unidos.

E esses deputados e esquerda conhaque europeia, acompanhados com muitos indignados de sofá, são os cúmplices desta situação, pois exigem aos políticos do seu país transparência total e uma radical modéstia de vida e depois caucionam o oposto aos líderes destas organizações terroristas que defendem em valores o oposto que estes dizem representar nos seus países.

Acabo com uma pergunta, querem mesmo que eu defenda um estado falhado em que a população que lá habita vive para alimentar a corrupção de uns líderes inaptos ou defenda coerentemente que estes territórios e populações devem ser integrados noutros países que sempre os desejaram ter e que talvez estes povos, seja no Egito - a Faixa de Gaza - ou na Jordânia - o que restar da Cisjordânia sem Jeruralém - lá sejam melhor governados?

Acho que a resposta é óbvia, acabem com essa ficção de estado da palestina, isso não existe, é um mito criado por uma esquerda conhaque europeia e mundial anti semita que pouco ou nada percebe da realidade no terreno e por estados árabes que sempre quiseram este território, mas que após ficarem com milhões de refugiados depois das guerras falhadas, que moveram contra Israel, agora querem um estado palestiniano, que muitos que lá vivem não querem, para exportar esses refugiados que foram criados pela sua inépcia, pois a muitos palestinianos moradores dessa ficção a que chamam de estado da palestina ficariam contentes com uma governação sem corruptos e/ou extremistas.

O problema dessas terras de ninguém, a que chamam estado da palestina só existe por culpa exclusiva dos anti-semitas europeus e mundiais e dos países árabes a que lhes convém ter a urbe controlada com um inimigo comum, o problema, é que já nem na rua árabe essa ideia é consensual, acabem por isso com ficções e não façam sofrer terceiros porque querem bodes expiatórios, sejam estes pela sua incompetência, sejam pelo o seu anti-semitismo primário.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Centenas de anos de anti semitismo!!!











Quando ontem se celebrou a proclamação dos 70 anos de independência do estado de Israel, dava-se mais uma vez um golpe de teatro no acicatar do anti semitismo por este mundo a fora com a colaboração sempre prestável de uns órgãos de comunicação social acríticos e sem fontes no terreno e de ONG's de direitos humanos, como a Amnistia Internacional e outras, que apenas contam com os relatos e a propaganda do movimento terrorista e anti semita e anti ocidental Hamas.

O que vimos mais uma vez foi o erguer de milhares de braços mundialmente tal como os nazis o fizeram também de forma encenada em Nuremberga à frente de uma então bem oleada propaganda do III Reich, só que desta vez quem encenou esta propaganda, são terroristas de um movimento anti valores ocidentais e também anti semitas que apaparicados por uma comunicação social acrítica espalha as suas mentiras sem contraditório.

Falam em mais de 50 mortos e repetem o número à exaustão, como uma mantra nazi de estilo sieg heil, mas desta vez não para saudar a vitória nazi mas a vitória da intolerância e do oportunismo, o mesmo faz a Amnistia Internacional e outras ONG's em comunicados histéricos sem nenhum fundamento, e porquê?

Já agora esses números de mortos são baseados em que factos? Em que fontes? Quais os jornalistas e/ou fontes independentes que os viram? Quais os que os podem confirmar? Quais os nomes desses mortos? Quais os testemunhos desses familiares? Serão válidos esses testemunhos? Os médicos que declaram o óbito como se chamam? Quais as causas da morte destes declarados mortos? Em que hospitais e/ou clínicas ocorreram? Quando e onde foram enterrados?

São perguntas legítimas às quais nunca vejo ser dada nenhuma resposta!?!?!

Num qualquer artigo de jornal vejo o nome das vitimas, aqui nada é preciso, apenas se atira a atroada, porque de certeza que pegará!!!

Nenhuma destas ONG's tem observadores independentes no terreno, e os jornalistas que por lá vemos nenhum é não habitante, ou seja palestino terrorista alinhado com o Hamas (relembro-vos que os membros da Fatah foram expulsos e massacrados à uns anos, por isso nem essa facção política está no terreno), os outros que lá estão de fora são convidados autorizados a lá estar e têm que ser simpatizantes da causa do Hamas.

Vemos sempre as mesmas imagens de alguém atingido, não se sabe se por uma bala de borracha, por uma granada de gas lacrimogéneo ou a sua inalação, ou até, e porque o mais provável, por uma pedra mal atirada dos que atrás destes usam fundas que pouco mais de dezenas de metros têm de alcance. 

Mas a dedução óbvia e imediata é que se este sai assim caído, é porque sai morto e que os carrascos são os maléficos judeus, esses seres asquerosos corcundas que se babam diante do sangue de jovens e puros alvos e anjos palestinianos.

Gostava de ver uma vez que fosse alguma fonte credível e fiável independente a balizar esses números de mortos, pois o que acontece é que quem fornece esses números são os militantes do Hamas!?!?!

Assim vejamos, eu quero pôr o mundo a meu favor, e vou dizer que quem vimos sair em braços são apenas feridos, claro que sim, então se sou um movimento que defende a lapidação de mulheres, o atirar de homossexuais por um prédio abaixo e/ou o massacre da outra facção política palestiniana, nunca mentiria acerca deste assunto, Allah é minha testemunha, tal como o será quando eu puder atirar nesses ocidentais, que agora me são uns bons idiotas úteis para a frente de uma metralhadora por serem uns kafir, até lá venha a nós a vossa credulidade, pois esta rende-me petro-dólares para eu continuar a financiar os gostos dos meus dirigentes que não habitam na Faixa de Gaza, mas em resorts luxuosos nos Emiratos Árabes Unidos ou no Líbano.

Vejo alguns idiotas de uns editoriais que sem nenhuma fonte credível no terreno repetem à saciedade os tais mortos que ninguém confirma mas que todos assumem que existem serem acompanhados de fotos, de um bebé a ser enterrado em mortalha, de uma foto que é do conflito sírio, e outros de jovens árabes feridos na cabeça de imagens em que estão vivos, que podem ser destes confrontos ou de quaisquer outros, e o anti semitismo a lavrar porque as afirmações que lá se faz nenhum contraditório têm.

E o que é pior é que este histerismo pede aos israelitas clemência aos terroristas que anos antes se explodiram às dezenas por todo o Israel, que assaltavam povoados e degolavam a dormir centenas de famílias e que até à pouco atropelavam, esfaqueavam e atiravam sobre civis em Israel e que ainda hoje enviam foguetes com bombas contra localidades de fronteira da Faixa de Gaza!!!

Será que essa clemência foi pedida após os ataques às torres gémeas para os seus mandantes, ou para aqueles que atacaram a redacção do Charlie Hebdo, ou os atropeladores de Nice, Londres e de Barcelona e para os que se explodiram e metralharam em Madrid, Paris, Londres ou Bruxelas? Será que a polícia e as forças militares hesitaram em matá-los em legitima defesa? 

Porque hesitariam então as Forças de Defesa de Israel de o fazerem contra invasores do seu território e cúmplices dos autores desses actos já referidos? Na Europa persegue-se, prende-se e executa-se em legitima defesa, porque são cristãos, já Israel não pode fazer isso, porquê? Porque são Judeus?

Não eram todos Judeus esses mortos, pois não, eram ocidentais europeus, então porque pedir clemência?

Interessante ver que essa clemência é acompanhada por chantagens psicológicas de que Israel como tem descendentes e/ou sobreviventes da Shoa (holocausto nazi) e por esse motivo não pode nem deve praticar esses actos!!!

Tão absurdo o ridículo que caem, porque desse modo porque é que os que são descendentes dos que praticaram e foram cúmplices com a Shoa têm sequer superioridade moral para atirarem isso em cara de quem sofreu e/ou é descendente de quem a esta sobreviveu?

É como se referirem à barreira de protecção de Israel como um muro que provoca o apartheid, quando quem faz esta acusação sem sentido, pois essa barreira literalmente acabou com os atentados, são descendentes de povos que durante centenas de anos criaram guetos de judiarias onde atrás destes efectivos muros haviam apartheids efectivos que duraram centenas de anos e que resultaram na Shoa.

A história não se julga pois esta aconteceu, não sejam é cretinos ao ponto de pensarem que têm alguma superioridade moral, para chamarem à pedra, os descendentes dos sobreviventes dos guetos de judiarias e da Shoa, que agora pensam que se esqueceram de vós, ó anti semitas desta terra?!?!?

Um anti semita será sempre o que foi, nunca negará o que é seja este nazi ou da esquerda conhaque Europeia, não é por acharem que o vosso ativismo de sofá vos dá alguma superioridade moral sobre quem todos os dias sofre ou é objeto de anti semitismo real que fará baixar a guarda aos israelitas, porque Massada jamais cairá de novo!?!?!

E porque em todos os Shabats se repete, no próximo ano em Jerusalém.

Por fim informem-se e antes de atirarem, 40, 50 ou 60 mortos (e porque não uns milhares), vejam se quem é a fonte da notícia não são os mesmos que com estas lucram em termos de propaganda e de petro dólares.

Tenham ao menos amor próprio, porque serem usados por quem profundamente despreza os valores porque vocês se dizem guiar, é não a uma ironia da história mas o de serem uns idiotas úteis ao serviço desta!!!

terça-feira, 8 de maio de 2018

Caminhos do Brasil

  




    









    Os acontecimentos no Brasil não auguram nada de bom.  O prazo de validade da democracia  esgotou, e entre a justiça cada vez mais tendenciosa e as forças militares afetas a um estado menos democrático, estamos perante a intervenção dos poderes que deveriam manter a neutralidade nas decisões democráticas. Como diria Carlos Fino, o Brasil está num estado de transe que não promove nada de bom para o futuro dos duzentos milhões de habitantes daquele país.

   O impetchmant de 2016 foi o ponto de partida para um estado de coisas que se está a degradar de forma acelerada. A forma como a corrupção se transformou em puritanismo conservador foi o maior ato de hipocrisia numa democracia em pleno século XXI. Não havia provas de qualquer ato de corrupção cometido por Dilma, apenas se cozinhou durante o seu mandato um assalto ao poder por por o maior grupo de corrupção não eleita. Nas ruas, enquanto as notícias destacavam uma "luta contra a corrupção", o grito era movido pelo preconceito. Como é possível uma classe média obsoleta, racista, xenófoba e classicista sair para a rua com a vontade de acabar com a corrupção, e aplaude a corrupção que acaba de subir ao poder? Porque é que se silenciaram os bombos da justiça após Temer subir ao poder? Porque Temer é a imagem de uma classe média, e alta, que vive dos favores da corrupção. 

   Muito do que acontece hoje tem origem nas boas políticas de Lula. A ascensão de muitos dos que viveram acorrentados à pobreza promoveu uma classe média com maior preconceito que misturou com a existente que já vivia sob os piores valores que uma sociedade poderia ter. As bandeiras do apelo a uma intervenção militar em plena democracia, sabendo que um golpe militar é um retrocesso de anos de progressão social e económica, é o desejo de que os piores valores de uma ditadura se atravessem na democracia. 
  
    Os brasileiros apelam a Deus que intervenha com o objectivo de derrubar o direito da igualdade entre cidadãos do mesmo país. Um país que aclama a Deus o direito a negar o acesso a condições laborais, sociais, de educação e saúde a todos aqueles que a vida não promoveu o direito ao berço de ouro, prata ou platina. Um Brasil que se refugia em Deus para salvaguardar o direito de alguns praticarem a corrupção, da justiça tomar o direito a moldar a democracia mediante os interesses ideológicos. Um Brasil tão religioso quanto o tamanho do preconceito que possui.

   Entraram pela porta grande os mandatários do poder popular, homens que se julgam enviados de Deus para acabar com a promiscuidade dos mais pobres com direitos, com a promiscuidade dos moradores da favela com os direitos humanos, com a promiscuidade dos mais carenciados com direito a uma bolsa que sobrevive em condições mínimas de vida. Eles são pastores, anciãos e portadores da palavra de Deus que vêm combater direitos humanos, direitos de uma vida digna e direitos em serem seres humanos. O direito à homofobia, ao racismo, ao preconceito de classes, e principalmente o direito à casta de corruptos que se vai alongando no tempo e na história do Brasil.

  Dilma e Lula foram as primeiras vítimas, seguiram outras tantas vitimas como os recentes assassinatos de Marielle e Anderson, . É o direito de assassinar os direitos que promove a subida do homens de Deus, dos corruptos e da ambição de classes sustentadas com os prazeres da moralidade imoral. A seguir a tantas vítimas de golpes e assassinatos, que tiveram a ousadia de enfrentar os vícios instituídos, as próximas serão certamente o povo brasileiro que vai ser esmagado com o pior de um sistema. Basta observar Temer e companhia, Bolsonaro, entre outros, para ter a ideia que o Brasil vai ter de enfrentar o maior crime que um país pode sofrer. A tentativa de derrubar uma democracia, a tentativa de calar o direito da maioria decidir o seu futuro como país.

Estamos a assistir, em directo, à tomada da democracia por uma religiosidade imoral, pelos interesses do preconceito e pela casta mais corrupta que o Brasil já assistiu. E todos eles vêm em nome de uma religiosidade  pouco crente nas palavras igualdade, respeito, democracia e direitos humanos. E todos eles vão subindo com a ajuda do maior e melhor elevador social e político, daquele que todos julgam que não pode estar em causa, a Justiça.
Brasil em transe? Não, Democracia em perigo!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Poderá uma monarquia ser democrática?













"Monarquia constitucional ou uso de um termo infantil para se explicar uma ditadura encapotada" este poderia ser o título lógico, mas que não cabe nos cânones virtuais deste artigo.

Habitua-mo-no a olhar para as chamadas "monarquias Constitucionais" e a apelidar esses sistemas de governo como fazendo parte dos sistemas democráticos de governo.
Como contestar que vários países nórdicos sejam monarquias constitucionais e sejam muito desenvolvidos e que essa seja a justificação para balizar uma forma de governo e desse modo aceitá-la.

Primeiro vamos lá desmistificar algumas coisas, nem todos os países nórdicos são monarquias, a Finlândia ou a Islândia são exemplos claros, e essas continuam a ser tão desenvolvidas como as que o são.

O desenvolvimento nada tem a ver com o regime político, monarquia, mas com a região em que se inserem, que lhes dá/deu uma relativa paz. A sua fraca demografia também ajuda o que é compensado com territórios amplos, com também amplos recursos, quer naturais quer outros como os educativos que têm disponíveis, por fim, o modelo social assente num estado forte, com um contrato social muito bem definido entre o que o cidadão paga e o que este recebe em troca. Outro fator muito importante, quase decisivo é, o climático, que provoca um foco razoável e uma resistência física e psicológica muito importantes para a adaptação em regimes económicos de serviços e/ou capital intensivo que hoje vivemos. Por fim e não menos importante, o protestantismo, dá uma mais valia cultural importante neste sistema económico porque incute a modéstia e a simplicidade em todos os níveis sociais, sem fatalismos e com uma crença absoluta no livre arbítrio humano em vez no que o destino religioso dará.

Reparem que eu não referi que estes sistemas são perfeitos apenas o são para uma economia baseada em serviços e em capital intensivo, se por exemplo, vivêssemos numa economia fabril, estes países eram secundários, aliás como o foram até ao advento da economia de serviços e do conhecimento que hoje vivemos.

E outro problema tem a ver com a aceitação das desigualdades, estes países estão longe de serem um modelo de tolerância face ao outro, são sociedades muito fechadas e com relações muito dúbias quando falamos desse tópico. Se for em relação aos seus, e aí depreende-se quem fala a sua língua e segue as suas regras, tudo bem, são deste modo sociedades de assimilação forçada, aliás nisso os portugueses e os irlandeses são muito parecidos (poderei falar na vantagem competitiva ou não que isso representa noutro artigo), mas a diversidade nessas sociedades deixa muito a desejar, em muitos campos condena-se a diferença e não existem ou são raros os módulos híbridos, nota-se isso no esforço que se faz para se tentar compreender o outro, mas para a sua assimilação e não para a sua aceitação como ele é, já nisso os portugueses e os irlandeses estão bem melhor que estes e a nossa evolução é bem mais pela tolerância do que pelo fechamento social. Em Portugal ou na Irlanda, partidos reacionários pró-desigualdades e populistas racistas como o Sverigedemokraterna (Democratas Suecos), Fremskrittspartiet Framstegspartiet (Partido do Progresso no poder na Noruega), Dansk Folkeparti (Partido Popular Dinamarquês que apoia parlamentarmente a atual aliança conservadora de direita no poder) ou o Partij voor Vrijheid (Partido para a Liberdade na Holanda), são difíceis de ter a força que têm nesses países. E tudo porque aceitam desigualdades naturais, a desigualdade por nascimento é uma delas, que culmina, na naturalidade da origem e deste modo é natural nessas sociedades por razões históricas, societárias e até identitárias essa aceitação e tem a ver muito com a realidade ambiental, histórica e de vizinhança que sempre foi conturbada e exigiu uma estratificação muito forte para que não houvessem duvidas de ação nas alturas extremas que eram constantes e que punham quase sempre a questão da sobrevivência como fator eliminatório.

Mas vamos ao problema que eu levantei: Será que uma forma de governo ditatorial como a monarquia, tenha esta o carimbo de constitucional, é democrática?

Vejamos a Democracia é o sistema que depreende entre outros valores que todos os cidadãos elegíveis podem ser candidatos, sob determinadas regras, igualmente em todos os órgãos de poder.

Podemos excluir por essa ordem de razão que o, representante máximo, aquele que é precisamente o que determina se o equilíbrio de poderes está a ser cumprido?
Será democrático um sistema que aceita que quem está há frente de um órgão que é, só por acaso o máximo, deve o ocupar não por ter sido candidato a esse e por isso ser um interpares, mas por ter nascido de quem nasceu e não ter tido nenhum mérito para estar e ocupar o lugar em questão?

Aliás o que há de democrático nessa aceitação e/ou nessa suposta aclamação!?!?!
Existem outras hipóteses a considerar, num regime monárquico, que não aquela que está ali, que é de apenas haver um cidadão candidato a um determinado lugar, porque nasceu por acaso daqueles cidadãos, que há partida são desiguais, pois nada de comum têm com os restantes?!?!?

Qual o nome que se dá a quem não é igual e se perpetua no poder sem opção de escolha em contrário porque se assume que a sua desigualdade é um fim em si mesmo e não algo renovado de forma regular e democraticamente?

Se responderam, Ditador, estão corretos, se responderam, Monarca, estão incorretos, e porquê?

Porque um Monarca, é sempre um Ditador, e a monarquia é uma forma de governo que assume um Ditador incontestável, esse Ditador passa o seu poder incontestado para o outro Ditador, só porque nasceu e/ou é descendente da uma família, que é a deste.

E o problema é que vejo muitos a criticar a forma de governo da Coreia do Norte e a esquecerem que a forma de governo que eventualmente defendem, a monarquia constitucional, nada difere desta!?!?!

E a pergunta que me poderão colocar é: Mas se são economias avançadas, algumas dessas monarquias e até democracias supostamente avançadas, porque é que referes que estas são uma Ditadura e não uma Democracia e fazes essa comparação com regimes tão atrasados economicamente e totalitários como essa Coreia do Norte?
Porque o princípio de governo é o mesmo, olhar para os méritos e demérito de uma economia é ter em consideração os problemas que esta tem, não quem e a forma de governo que esta detém. 

Por esse motivo e na Coreia do Norte, funciona um sistema puro e ditatorial monárquico, tal como por exemplo no Reino Saudita ou num país monárquico da Europa Ocidental, como o Reino da Noruega ou o Reino da Suécia.

E se pusermos em cheque a economia, podemos estabelecer uma comparação, será que o Nepal que é um país pobre e era ainda mais pobre quando era uma monarquia dita de constitucional, não sofreu económica e socialmente por ter tido reinados autoritários? Qual era a sua vantagem económica quando era uma monarquia constitucional? É que é, e usando este caso, o Ditador que muitas vezes tem uma função aparentemente decorativa que detinha realmente poder, no caso do Nepal os ditadores assumiram poderes reais e puseram a esmagadora maioria da população contra si, sendo derrubados violentamente em 2008. A linha que separa um ditador/monarca autoritário de um ditador/monarca menos autoritário não é cultural, nem regional nem sequer económica e/ou social, mas de virtuosismo hipotético de quem assume essas funções, porque por exemplo e num país vizinho ao Nepal, o Butão em que o sistema era ditatorial puro e com um rei autoritário, também em 2008, o detentor do cargo instituiu um sistema de monarquia constitucional, ou seja, uma ditadura menos autoritária, e se formos comprar, religiosamente, culturalmente, socialmente e regionalmente são países muito similares, em termos económicos pouco diferem, conquanto a relativa pacificação devido ao isolacionismo até aí existente do Butão criou uma ligeira superioridade económica deste último em relação ao Nepal, tudo dependeu do virtuosismo hipotético do ditador/monarca no poder.

Mas será que estarmos dependentes do virtuosismo de um ditador/monarca e/ou da sua família é arriscado? Como vimos com os exemplos referidos e antagónicos de evolução da evolução do Nepal e do Butão, claro que é!?!?!

Na Europa há países muito desenvolvidos economicamente que nunca foram monarquias, a Confederação Helvética é um exemplo claro e desde 1874, que é uma república democrática como hoje nos é apresentada e nunca foi uma monarquia, era até então uma república censitária (os eleitores detinham determinado rendimento e/ou ascendência), qual é então o virtuosismo desta forma de governo em relação à monarquia/ditadura seja esta constitucional ou não? 

É que nunca estará dependente de um eventual virtuosismo continuo de um eventual sucessor de alguém que não acedeu ao cargo naturalmente por nascer de outro e não por mérito.

O mesmo se passará com Portugal e outras democracias sem distorções, ou seja dependentes do eventual virtuosismo do ditador/monarca que ocupa o cargo máximo para que foi guindado sem nenhum mérito e que tem na sua mão a permissão para que esta forma de governo subsista. 

Se hipoteticamente um monarca/ditador dos ingleses assumisse o poder, o que o impediria, e a hipótese não é meramente hipotética, ocorreu no passado e a guerra civil foi a resposta, e no século passado no tempo da segunda guerra mundial, esta hipótese esteve a um passo de ocorrer e um golpe palaciano afastou o ditador/monarca com tendências mais autoritárias e grandes simpatias por Hitler, o então ditador autoritário alemão, por um ditador/monarca com tendências menos autoritárias e mais patriota/nacionalista/isolacionista, que serviu então não o nego de forma virtuosa como baluarte de resistência ao autoritarismo ditatorial que se impôs mais ou menos pela força na restante Europa continental

O recente autoritarismo de estado que vemos em Espanha, tem tudo a ver com a monarquia, a esmagadora maioria dos castelhanos, ou seja, habitantes das duas castelas e da capital desse estado federal ferreamente controlado pelos castelhanos e que aceitam naturalmente um regime autoritário, não tivesse sido nesta identidade nacional ibérica em quem o ditador autoritário, Franco, se apoiou para esmagar as restantes identidades nacionais ibéricas ocupadas por estes, num nacionalismo bacoco e identitário centralista. Já as restantes identidades nacionais ibéricas não aceitam a monarquia, pelo que o ditador castelhano, a que agora chamam de Felipe VI e já não de Franco, governa para os castelhanos que se revêm neste, para as restantes identidades nacionais ibéricas ocupadas, só uma minoria cada vez mais pequena é que apoia esta ditadura/monarquia, os choques são assim inevitáveis.

Por isso uma Monarquia nunca poderá ser democrática, e é legítimo no culminar da defesa de um estado democrático e/ou da implantação de uma democracia sem distorções que se afaste a família do ditador por qualquer meio, mesmo o violento, porque como já verificamos dependemos apenas e só de um eventual virtuosismo eventual desse ditador, o que por exemplo em Espanha, está a descarrilar para a inexistência desse virtuosismo e para o culminar de um estado cada vez mais musculado que não respeita a vontade política popular e se esconde atrás de um poder judicial que depende do ditador e que tem nula autonomia processual.

sábado, 14 de abril de 2018

Mais mitos desmistificados

Bem a propósito da manifestação de hoje, mais um excelente vídeo de Potholer54.


 


Post também publicado no Esquerda Republicana.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Não ao furo!

É já amanhã, às 15h no Largo Camões:

«A ameaça de furos de petróleo paira sobre nós. Adiamentos, prorrogações, avaliações de impacto ambiental, renegociações... É hora de acabar de vez com as ameaças de furo de petróleo em Portugal. A força das populações, movimentos e autarcas, unidos a uma só voz para dizer não, para dizer que um furo de petróleo é uma guerra, será ouvida.

Porque precisamos de deixar de consumir combustíveis fósseis, de parar de investir numa indústria obsoleta que nos empurra a todos para o abismo, dizemos não. Porque precisamos de preservar o nosso litoral e o nosso interior, salvaguardar a sua biodiversidade da poluição catastrófica que significa o petróleo e o gás, dizemos não. Porque respeitamos as populações, actuais e futuras, dizemos não. Porque temos de travar as alterações climáticas e só o faremos se pararmos definitivamente de explorar e queimar hidrocarbonetos, dizemos não! Vamos enterrar de vez este furo, acabar com todos estes contratos e correr de vez para as energias limpas, rumo ao futuro.

Dia 14 de abril marchamos, desde o Largo de Camões até à Assembleia da República. Marchamos, vindos do Norte e do Sul, do Algarve, do Alentejo, de Peniche, do Porto, da Batalha e de Pombal. Marchamos pelo futuro. Vamos enterrar de vez este furo.»


Post também publicado no Esquerda Republicana.

quarta-feira, 7 de março de 2018

E afinal o que é o Movimento 5 Estrelas em Itália?










Será mesmo populista?

Será mesmo anti-europeu e/ou euro-céptico?

Será mesmo isolacionista?

Uma coisa é o que nos vendem, outra é o que está publicado e também outra foram as suas atitudes até agora. Algures no meio encontra-se o que será a sua actuação num futuro governo, isto é se o conseguir ser.

Antes demais vamos ao o que é o M5S (acrónimo da palavra italiana: Movimento 5 Stelle), como é chamado e como a partir de agora me referirei a este.

O M5S começou como um partido de protesto, ou um não partido (como estes se referem a si próprios), o seu fundador e que ainda tem algum relevo mas pouca influência ideológica, como veremos mais à frente, é o antigo comediante e palhaço, Beppe Grillo, daí se chamarem na gíria política italiana aos seus militantes e dirigentes como os grillistas. O M5S apareceu como um movimento anti-partidos, mas vamos lá compreender a realidade política italiana para percebermos este anti-partidarismo.

Quando apareceu, tanto os partidos de direita, como algumas personalidades políticas de esquerda (nessa altura os antigos PSI e PCI já se tinham fundido no Partido Democrata), eram assaltados de escândalos frequentes que iam desde: compra de votos por entidades de interesses criminosos e/ou obscuros; escândalos de corrupção frequentes; benesses dos deputados, senadores e políticos italianos que na generalidade eram uma afronta ao comum dos italianos que lutava para sobreviver.

Reformas impopulares de governos de centro-esquerda prosseguidas por governos de centro-direita e por fim e de novo pelo centro-esquerda e que serviram para salvar instituições financeiras e grandes conglomerados empresariais que foram objecto de saque com a complacência, quando não com a cumplicidade de muitos políticos e respectivos partidos, fizeram o resto. Não havendo, em Itália, intervenção da Troika, houve uma austeridade que o comum dos italianos não aceitou a bem, pois não percebiam porque é que tinham de pagar pelos erros e pecados de grandes industriais, empresários e banqueiros, que muitos deles iam para a política (quase sempre para os partidos de direita) para ganhar imunidade face aos seus crimes de colarinho branco.

O M5S de Beppe Grillo, assume desta maneira a posição, não a de anti-partidos tradicional histórica, ou seja, como os movimentos fascistas de direita e/ou de esquerda comunista que os queriam destruir para implantar a sua forma de visão do mundo totalitária, mas como reação contra estes partidos e estes políticos do seu país, a Itália.

E isto é fundamental para perceber três coisas basilares neste movimento e que influenciam alguns dos eventos e da sua ideologia contida nas suas ações e no seu programa de governo.

Primeiro é um movimento pela dignificação da política, ou seja, os seus candidatos eleitos só ganham aquilo que ganhavam na sua profissão anterior (mais ajudas de custo se forem de longe de Roma e lá se tiverem que instalar), assim um mecânico de automóveis candidato ganhará lá o mesmo do que quando era mecânico de automóveis, o mesmo se passando com outros, sejam estes empresários, profissionais liberais, funcionários públicos, funcionários por conta de outrem e reformados (sinceramente não investiguei a possibilidade de se um candidato não tiver rendimentos, mas julgo que deverão ter estabelecido alguma quantia base). A ideia central é que um político é um cidadão comum e para lá voltará quando servir o seu povo no órgão para que for eleito, devendo ficar com o mesmo património com que entrou e não ser prejudicado por isso, mas e isto é importante, também não ser beneficiado. Dentro desta lógica, da dignificação da vida política, defendem que quem tiver algum delito no seu registo criminal, não pode ser candidato e levam isso tão à letra que o seu líder carismático, Beppe Grillo, já não pode ser candidato pois tem uma infração criminal por ter estado envolvido num acidente de automóvel que provocou uma morte, tendo uma condenação por esse facto. Também se batem pela redução de todas as grandes benesses ainda existentes e de que beneficiam todos os políticos de todos os outros partidos, com estes a serem a única excepção. Por fim e por causa disso são contra todas as subvenções estatais e privadas não singulares de apoio à sua actividade partidária e recusam beneficiar destas e do remanescente dos seus ordenados, tendo devolvido todas essas verbas ao estado, financiam-se exclusivamente por pequenas doações dadas regularmente pelos seus mais de 100 mil militantes ativos, não podendo haver doações acima de um determinado montante.

Segundo é um movimento pela democracia directa e superação da democracia representativa, construíram para o efeito uma plataforma, que chamam de Rosseau (até esta havia recorrentes polémicas sobre a justeza do apuramento dos resultados de vários referendos internos) deste modo muitas decisões são tomadas por e-democracy, essa plataforma que agora está relativamente bem construída, serve para que os seus inscritos participem dando propostas e votando em alternativa os seus programas de candidatura. Por exemplo, o programa de governo destas últimas legislativas, foi discutido e votado por mais de 80 mil cidadãos, através desta plataforma. Os candidatos a candidatos que se apresentem têm que ser aprovados em primárias e votados pelos seus militantes, da autarquia, da região, do círculo respectivo uninominal nacional ou em lista para as assembleias locais, regionais e/ou nacionais. Essas candidaturas são espontâneas e não pode haver por cima nenhuma influência. No M5S são defensores do mandato imperativo e/ou mandato vinculativo, que é a teoria que refere que os seus eleitos estão vinculados e imperativamente têm que cumprir os programas porque são eleitos e as decisões entretanto tomadas colectivamente e por referendo pelo seu colectivo militante, seja este nacional, regional e/ou local, que está sempre acima da opinião pessoal de quem for eleito.

Terceiro, é um movimento ecologista de base, ou seja, as bases mais ideológicas políticas e éticas do movimento saíram de organizações ecologistas locais e defensoras de um decrescimento económico sustentável, passo a explicar o que é isso: esta teoria bioeconómica defende a tese de que o crescimento económico, entendido como aumento constante do Produto Interno Bruto (v. PIB), não é sustentável pelo ecossistema global, esta ideia é oposta ao pensamento económico dominante, segundo o qual a melhoria do nível de vida seria recorrência do crescimento constante do PIB e portanto, o aumento do valor da produção deveria ser um objetivo permanente da sociedade, a questão principal, segundo os defensores do decrescimento, é que os recursos naturais são limitados e portanto não existe crescimento infinito, devendo a melhoria das condições de vida ser obtida sem o aumento do consumo, mudando-se o paradigma dominante. Para os teóricos do decrescimento económico sustentável o PIB é uma medida apenas parcial da riqueza e, se se pretende restabelecer toda a variedade de riquezas possíveis, é preciso deixar de utilizá-lo como bússola, neste sentido, defendem a utilização de outros indicadores tais como o índice de desenvolvimento humano (IDH), a pegada ecológica e o índice para uma vida melhor (índice da OECD).

E agora vamos analisar os pontos de vista iniciais, do M5S, de dois assuntos que se tornarão polémicos no futuro, os refugiados e a sua relação com as instituições europeias. Não havia posição muito definida inicialmente sobre os refugiados porque sendo um problema na altura da sua criação não o era tão grave e/ou preponderante como agora, pois a Itália era então e apenas, um país de passagem e pouco acolhia. Sobre a União Europeia as críticas iniciais baseavam-se então em três assuntos: 
  • As benesses dos deputados europeus e a falta de transparência do Parlamento Europeu e das restantes instituições europeias; 
  • A falta de democracia nas decisões da União Europeia, pugnando por um peso maior e único, na tomadas de decisões do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais, sendo que o primeiro deveria ter uma reforma muito grande e contar com mecanismos europeus de democracia direta; 
  • Por ter base ecologista eram contra acordos como os TTIP/TAFTA e o TPP (ou semelhantes) pois acham que assim limitam a influência de multinacionais poluidoras, canibalizadoras (eu diria terroristas), anti ambientais e contra a natureza.

E agora vamos lá às evoluções futuras que determinaram algumas acusações fundadas ou não de anti-europeismo e de anti-emigração.

Sobre a União Europeia, e após as eleições de 2014, em que teve mais de 5 milhões de votos, o M5S elegeu 17 deputados e foi excluído e empurrado literalmente para os braços do UKIP e dos populistas anti europeus britânicos. E porquê?
Primeiro foram bater à porta dos grupos a que queriam aderir e pelo o qual tinham mais apetência que eram os da GUE/NGL (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde) e os G-EFA (Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia), mas estes literalmente fecharam-lhes as portas com o argumento de que eles não eram ecologistas, o que já vimos que é uma valente parvoíce, mas infelizmente foi a decisão mais dos partidos italianos de esquerda do primeiro grupo e dos outros afiliados a estes partidos do que dos verdes nórdicos ou dos verdes, que tinham e continuam a ter muita simpatia por estes no plenário do Parlamento Europeu. 
Segundo e após estes dois grupos fecharem as portas, o M5S, foi bater à porta em Janeiro de 2017, do ALDE (Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa), que após avanços e recuos internos vários lhes também fechou as portas, o motivo foi que estes não eram europeístas suficientes, querendo que estes abandonassem as suas reservas contra as instituições europeias, que não o Parlamento Europeu, e que mudassem a sua posição contra as benesses que os deputados italianos tinham neste órgão, como é óbvio estes não o fizeram.
Por fim e em terceiro lugar, o UKIP (que está de saída do Parlamento Europeu) propõe-lhes a entrada e recriação de um grupo político com base nos seus aliados, ou seja, uns gatos pingados tresmalhados de outros grupos que nunca conseguiriam formar um grupo no Parlamento Europeu sozinhos, pois estes afastaram-se do grupo dos partidos fascista da direita europeia, pomposamente denominado de ENL (Grupo Europa das Nações e da Liberdade), é assim fundado o EFDD (Grupo Europa da Liberdade e da Democracia Direta) e que conta com 45 deputados e no qual os seus 17 deputados gozam de grande autonomia e votam a quase totalidade das vezes pelas posições dos dois primeiros grupos de onde foram impedidos de entrar. 

Absurdo, pois?!?!? 

Mas é daí que pelos vistos vem o seu carimbo de anti-europeistas e/ou euro-cépticos. Se lhes fecham as portas e os enviam literalmente para os braços de quem está de saída do Parlamento Europeu. Só espero que alguns dos Grupos dos Verdes ganhem juízo e os autorizem na próxima sessão do Parlamento Europeu a aderir a algum destes grupos onde são patente nas suas votações constantes conjuntamente com estes, a consonâncias das suas opiniões com área ideológica verde deste Parlamento, aliás explicarei isso com mais detalhe mais à frente.

Sobre a posição em relação aos refugiados, podemos pegar, no seu programa político com que se apresentou neste tema ao eleitorado, intitulado: Parem com o Negócio da Imigração. E podemos ver que o que estes exigem é uma real solidariedade entre os europeus para aceitar mais refugiados, aliás a posição destes em momento algum refere algum tipo de posição isolacionista, é só ler o seu programa e vemos que pugnam por uma política de acolhimento mas que acham, e bem, que a União Europeia está a ter uma atitude pouco solidária e a passar o ônus total desta questão para os países que como estes, a Itália, ou seja, a Espanha, Grécia e Malta acolhem milhares de refugiados. Referem claramente que vão tomar atitudes se estas políticas de falta de solidariedade se mantiverem, como a denúncia do acordo Schengen e o não recolher mais refugiados, porque se os restantes países da União Europeia não são solidários seja no acolhimento de mais refugiados seja no apoio financeiro e na gestão destes fundos de forma transparente, porque é que estes têm que arcar com quase mais de um milhão de refugiados que têm e que lhes trazem variados problemas. Pois muitos destes refugiados recusam a sua integração pois alegam que querem sair de Itália. Também pugnam por uma política mais transparente no uso dos fundos internos e da União Europeia que estão destinados a estas ações, daí o título ser um trocadilho entre os negócios e o dinheiro pouco transparente que é usado neste âmbito. Parte desta posição já a tinha Mateo Renzi, antigo PM eleito pelo Partido Democrata e líder da coligação de centro-esquerda que governou até estas eleições. Já em relação à gestão de fundos o seu governo nunca foi muito transparente no seu gasto e este era a crítica central do M5S ao governo do Partido Democrata e aos seus aliados de centro-esquerda. O carimbo de anti-refugiados e racistas e populistas neste assunto é por esse motivo absurdo e deixa-me a interrogação se alguém leu as miseráveis 8 folhas do programa do M5S acerca deste assunto? 

O problema parece ser a decisão original tomada nos inícios do M5S de defesa do direito de ius soli, ou seja, da defesa da nacionalidade apenas atribuída em função do nascimento no país e não da origem dos pais, posição essa que foi votada e aprovada em referendo interno, o mesmo se passou com outra polémica ocorrida em outubro de 2013, em que dois Senadores apresentaram uma emenda destinada a abolir o crime de clandestinidade, ou seja para estes os refugiados serem clandestinos era um absurdo, Beppe Grillo, contestou essa decisão e pôr isso à consideração do colectivo, em referendo interno e após muita discussão, os membros do M5S rejeitaram a posição do seu líder e fundador e aprovaram a decisão dos Senadores. Tornando desta maneira o M5S um partido que se opõe oficialmente à criminalização da clandestinidade dos refugiados. Sendo uma posição progressista porque é que se apelida este partido de racista em relação aos refugiados e emigrantes?  

E agora analisemos algumas decisões e/ou polémicas e outras menos polémicas que estes tomaram:
1. Aprovaram em referendo interno a legalização do casamento entre casais do mesmo sexo, mas recusaram, também em referendo interno, a possibilidade de adoção por casais do mesmo sexo;
2. Um deputado seu, agora não recandidato, teve algumas intervenções conotadas com atitudes fascistas e saudosistas, foi após estas desautorizado por Beppe Grillo bem como pela esmagadora maioria dos seus pares, que se sentiram muito incomodados, alguns chegaram a pedir a sua demissão, coisa que não aconteceu;
3. O programa com que se apresentaram nas anteriores eleições era minimalista em muitos assuntos, e alguns importantes como a Saúde ou a Segurança Social, deste modo não era raro os deputados e senadores então eleitos terem liberdade de voto, o que gerou muitos conflitos internos. Com a aprovação de um programa mais extenso e definido em muitas áreas com que agora se candidataram, nestas eleições, tentaram que isso acontecesse menos. A título de curiosidade, nas eleições anteriores de 2013 tiveram 109 deputados (26% nos resultados eleitorais) na Câmara de Deputados (sendo a maior bancada de um só partido) e 54 senadores (24% dos resultados eleitorais) no Senado;
4. Foram em alguns momentos suporte da maioria de esquerda e votaram muito mais vezes pelo e com o Partido Democrata e restantes forças minoritárias de centro-esquerda que suportavam o governo do que com a oposição de direita;
5. Nem tudo foram rosas, e no decurso da anterior legislatura foram expulsos ou se demitiram 18 deputados e 19 senadores eleitos, que passaram para o Grupo Misto, por vários motivos, ou porque apoiaram as posições do governo com maior ênfase, ou porque não devolveram as verbas que deveriam devolver, ou porque discordaram de posições tomadas em referendos internos, violando o principio do mandato imperativo e/ou mandato vinculativo, tendo alguns formado um colectivo informal conhecido como GAPP (Gruppo Azione Partecipazione Popolare);
6. O seu então líder e fundador, Beppe Grillo, tomou muitas vezes o partido de posições que acabaram derrotadas em referendos internos, como a referida no ponto um por exemplo ou uma política mais populista em relação aos refugiados e que votações já aqui referidas derrotaram;
7. No Parlamento Europeu, perderam também dois deputados um que se juntou à Liga Norte e ao Grupo Europa das Nações e da Liberdade e outro que aderiu como independente ao Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeiamas os seus parlamentares europeus destacaram-se entre outros assuntos
  • Na defesa dos direitos humanos e das minorias; 
  • Na defesa dos direitos das mulheres; 
  • Nas múltiplas propostas sobre assuntos ambientais; 
  • No reforço do papel deste parlamento face às restantes instituições europeias; 
  • Como críticos aos gastos que este parlamento tem por ter duas sedes e dois plenários; 
  • Como muito críticos aos poderes excessivos da Comissão Europeia; 
  • No relatório da responsabilidade social das empresas, de que foram os grandes dinamizadores. 
A pergunta que fica será que estes assuntos são de extrema-direita populista e euro-céptica?

Diante destes factos como é que poderemos encosta-los à direita populista, euro-céptica e fascista, será que os correspondentes jornalistas italianos e do parlamento europeu não sabem ler italiano e/ou perceber com o seu sentido de voto no plenário do Parlamento Europeu com quem mais estes se identificam?

Por fim olhemos para os candidatos a Ministros, que foram propostos pela sua direção e sufragados em primárias internamente, como aliás foi o seu actual líder e candidato a Primeiro-Ministro. Luigi Di Maio, analiso apenas daqueles que considero mais sensíveis:

  • Emanuela Del Re, como candidata à importante pasta dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, o seu Currículo está cheio de experiências como professora em Universidades Europeias e são conhecidas as suas posições pró-europeias mas de crítica à falta de poderes do Parlamento Europeu;
  • Paola Giannetakis, descendente de gregos, como Ministra do Interior e especialista em psicologia criminal forense, sendo alguém que defende a reinserção dos criminosos na vida ativa; 
  • Alfonso Bonafede, especialista em direito, para Ministro da Justiça, o seu maior mérito foi ter proposto e conseguido unanimidade nas duas Câmaras, a de deputados e a senatorial, da emenda de uma lei popularmente intitulada de princípio e/ou ação de classe que era um flop até esta alteração legislativa se verificar e que deveria proteger as associações de consumidores e pequenos accionistas/consumidores contra as fraudulentas ações das grandes empresas, dos bancos e instituições financeiras. O último caso com relativo sucesso foi a ação interposta pelos donos de carro contra a Volkswagen em 2016;
  • Elisabeta Trenta, militar e antiga conselheira militar do contigente italiano da operação de paz no Líbano e do Afeganistão, e política da operação do contingente italiano do Iraque, professora universitária e candidata a Ministra da Defesa, pró-NATO e membro de vários grupos de discussão internacionais de Defesa e especialista em ciência política e geo-política militar e de defesa. Já agora em 18 ministros propostos, 4 são mulheres e tal como esta cheias de mérito e em pastas centrais;
  • Andrea Roventini, candidato a Ministro da Economia e das Finanças, professor de economia da Universidade de Santa Ana de Piza, membro e professor convidado de muitas instituições francesas, italianas e dos Estados Unidos da América e conselheiro da Comissão Europeia, é considerado pelos meios académicos um neo-keynesiano.
  • Sergio Costa, general de brigada da polícia florestal italiana da Região da Campânia, e candidato a Ministro do Ambiente da Tutela do Território e do Mar, sendo formado e mestre em ciências agrárias, florestais e ambientais e um dos principais opositores ao uso de resíduos tóxicos e nucleares e defensor do fecho das centrais nucleares italianas.

Se repararmos temos, nesta e noutras pastas pessoas académicas com vasta experiência profissional e académica nas suas pastas e insuspeitas de ser quer extremistas, quer populistas quer até ligadas à extrema-direita, então quais os receios?

Analisando este texto existem muitos problemas de interpretação e de entendimento do que é o M5S, não fui de todo exaustivo, mas por esta resenha, refuto interpretações absurdas de simplismos jornaleiros que carimbam este movimento de diversas coisas que não são de todo verdade nem defensáveis à luz do que se conhece sobre estes. 

A Itália não virou à direita ou populista, apenas se cansou dos seus políticos e votou massivamente num partido, ou num não partido, que eles consideram mais transparente e sincero.