segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Eu sou IRA e você é cumplice?











Nas últimos semanas e a propósito da polémica do IVA das Touradas foram efetuadas várias reportagens encomendadas sobre o movimento IRA, acrónimo das iniciais de Intervenção e Resgate Animal, que é um grupo informal de cidadãos que inclui para além do seu líder, dono de um ginásio da margem sul, polícias, seguranças privados, técnicos administrativos e contabilistas bem como a colaboração ativa de centenas de policias da PSP, GNR e Municipais bem como muitos veterinários municipais e privados.

Este grupo muito ativo na Região de Lisboa e Península de Setúbal, atual Região Metropolitana de Lisboa, é inteiramente privado e funciona sem donativos nem o apoio de outros interesses financeiros subjacentes à sua atividade, que é, em caso de não intervenção das autoridades e organismos públicos responsáveis o resgate de animais maltratados sejam estes de companhia, de guarda e/ou trabalho.
O IRA - é mais fácil tratá-los por este acrónimo - e os irados - como chamarei também daqui em diante aos membros ativos do grupo que assim também assim se auto-denominam - animam uma página do Facebook que é seguida e tem como apoiantes mais de 180,000 perfis desta rede social.

Nesta página demonstra-se claramente e sem nenhum problema o que fazem e como o fazem, e tal como demonstram algumas declarações dos irados o seu intervencionismo animal e que este é focado em casos limite de maus tratos, focando-se quase sempre em resgate de equídeos - cavalos, burros e mulas - canídeos e felinos e muito raramente noutro tipo de animais.

Eu tal como referi sou membro da Greenpeace Internacional e fui ativista desta e nessa atividade colaborei e várias ações de forma ativa e intervim em prol das causas que esta defende, ou seja a defesa dos oceanos e do ambiente em geral.

Qual é então a minha diferença em relação a estes camaradas de armas?

Nenhuma a não ser que tenho uma organização gigante por detrás que tem mais de cinco milhões de sócios tendo o IRA e até para o tamanho do grupo, cerca de quatorze pessoas, bastantes apoiantes - se quisermos fazer o rácio apoiante do Facebook/elemento ativo do grupo dará 12.857 apoiantes por cada irado - e isso torna-os até muito mais iguais a mim e a outros que nas nossas atividades como ativistas não fizemos tudo de acordo com a lei.

Ir para a frente de um navio baleeiro japones, que tem autorizações de pesca, para evitar que cacem as baleias. É o quê, legal?

Subirmos a chaminés de centrais nucleares e/ou termo-elétricas e/ou taparmos os seus afluentes descarregados legalmente num rio. É o quê, legal?

Efetuarmos a entrada numa área de testes nucleares, que é militarizada e de um estado, de molde a evitarmos que estes se realizem. É o quê, legal?

Evadirmos uma plataforma petrolífera no Oceano Pacifico, de nome Brent Spar, propriedade da Royal Dutch Shell e que esta iria afundar com inúmeros resíduos que iram poluir de forma permanente o oceano e de molde a evitarmos o seu afundamento. É o quê, legal?

Levarmos escorias de aluminio de uma propriedade privada de uma empresa privada no Vale da Rosa em Setúbal, em 1991, e com isso chamar-mos a atenção que uma empresa suíça as importava para Portugal através de uma subsidiária portuguesa e já tinha acumulado 22.000 toneladas sem controle nessa localidade. É o quê, legal?

Como vimos por estes exemplos, a Greenpeace Internacional, age no limbo da legalidade, quando não de forma ilegal, mas se o faz, fá-lo em nome de um bem maior de um objetivo amplo de proteção das espécies marítimas, dos oceanos, do ambiente no geral e já agora do ambiente e da saúde pública em especifico no caso das escórias de aluminio de 1991.

Nada do que a Greenpeace Internacional faz ou fez é diferente do IRA e das intervenções diretas dos irados, apenas temos mais recursos, mais advogados e mais influência e peso em lobby na União Europeia e nas suas instituições.

A campanha contra a venda de animais a crédito conduzida pelo IRA e os irados que teve como alvo o El Corte Inglês em nada se distinguiu da campanha mundial de boicote que fizemos contra a Royal Dutch Shell e a forçar a esta desmontar a plataforma petrolífera Brent Spar em vez de a afundar, a diferença foram apenas o âmbito mundial que esta assumiu e os meios que usamos.

Deste modo porque é que julgamos uns e levantamos falsos testemunhos, de que estes estão a ser investigados pela PJ e, com outros os elevamos à importancia mundial da Greenpeace Internacional, uma ONGD influente, mas que tem exatamente os mesmos métodos do IRA e dos irados.

Eu sou IRA e um irado porque estes não são cúmplices com os maus tratos gratuitos a animais, eu não sou cúmplice com esse mau trato gratuito permanente e constante e não controlado pelas autoridades, e você é?

domingo, 2 de dezembro de 2018

Os "gilet jaune" ou quando os extremos se atraem...











É conhecido que não gosto de Emanuel Macron, aliás acho-o um aventureirista demagogo que se enquadra naquele tipo de políticos que dizendo que não são nem de esquerda nem de direita, são piores do que os ideologicamente referenciados.

Aliás é esse o meu grande problema com o PAN - Pessoas-Animais-Natureza, por aqui em Portugal, pelo qual nutro uma simpatia genuina em muitas ideias mas que dizendo-se acima das ideologias, são eles próprios promotores do pior que pode existir no ser humano, que é a inexistência de pensamento critico e bem pior que essa inexistência que a mesma leve ao vazio de posicionamento que tanto poderá apoiar a Liberdade ou o seu contrário. E isso é o começo para todo o tipo de fascismos e totalitarismos. E por isso é que conheço pelo menos duas pessoas de extrema-direita que votam PAN, pois o não posicionamento ideológico deste partido leva estas duas alminhas a pensar que serem amigos dos animais mas nada referirem em relação às liberdades de afirmação sexual ou à descriminação racial que, este partido comunga com as suas opiniões plasmadas em diversos Fóruns e postagens no Facebook de que os branquinhos e lourinhos que lideram o PAN defendem a higienização social em relação a não brancos e que deverá ser contra a ideologia de género, outro nome dado aos homófobos e cretinos conservadores e extremistas marialvas que também existem no PS como Manuel Alegre e companhia limitada, aliás esses seres não ideológicos também existem na bancada do PS e para grande pena minha não acham que são eles que estão mal, mas sim a grande massa militante e votante do PS que é na sua maioria social-democrata e de esquerda moderada é que está mal.

E agora não só poderemos reproduzir este tipo de critica em relação a Emanuel Macron, que é bem mais definido em relação ao racismo e à liberdade de afirmação sexual, que por exemplo o PAN por cá, mas que em termos económicos e sociais quis ser o melhor dos dois mundos e o problema é que as opções económicas e sociais são e estão muito bem definidas à partida nos dois campos ideológicos, sejam estes de esquerda ou de direita, e até a social-democracia que é uma ideologia mais centrista de esquerda põe linhas vermelhas nalguns desses aspetos, por exemplo não se pode defender o liberalismo económico sem o defender nos apoios sociais até porque fica-se sem dinheiro para os manter, é esse aliás o problema de Macron como veremos.

Esse foi esse o motivo que me fez nunca mais votar no PS para as eleições Europeias e a partir das ultimas eleições escolher os partidos e/ou candidaturas que se filiem o mais próximo possível dos Verdes Europeus, pois o PS ao se filiar e apoiar na UE um partido europeu que subscreve o chamado Tratado Orçamental deixou de ser social-democrata no Parlamento Europeu, pois ao defender restrições liberais ao seu Orçamento e tentar manter apoios sociais, nunca o conseguirá fazer, essa contradição insanável dentro do PS português e europeu é uma contradição com o que este internamente aplica e que na Europa contradiz, mas esse será outro debate que teremos no momento próprio.

Assim Emanuel Macron ao agir demagogicamente conseguiu fazer a proeza de governando economicamente à direita e tentando governar socialmente à esquerda, de pôr quer a direita contra este, quer o eleitorado de esquerda mais moderado que tolerando-o pensava que este iria não os lixar na área do aumento dos impostos, que representam em França quase 50% do rendimentos da famílias - enquanto por aqui em Portugal pouco ultrapassam os 35% - mas isso como já vimos foi o problema, é que e de forma definida, a Direita abomina impostos para os seus negócios, segundo a capa do liberalismo económico e a farsa de que o estado é mau em relação à cobrança de impostos mas é bom para lhes dar prebendas para que estes enriqueçam sem nada fazerem e sem para isso se esforçarem, mas um liberalismo económico tentando manter os apoios sociais, e Macron precisando de ir buscar verba para os manter para ver se cala a esquerda moderada e os anestesia, decidiu subir os impostos aos particulares e com isso destapar os pés, ou seja, ao reforçar os impostos nos combustíveis e criar uma nova taxa de carbono. E este não está a ir em favor do ambiente - como anda por aí a propalar - mas a evitar taxar de forma forte os grandes poluidores franceses e que são por sua vez também os grandes utilizadores de combustíveis, sim os patrões das grandes transportadoras e da distribuição em geral, que têm gasóleo fortemente subsidiado para ver se não paralizam a França como já o fizeram noutras alturas.

Assim um demagogo não definido ideologicamente apenas prova o seu próprio veneno e pouca pena tenho naquilo que lhe acontecerá nas próximas eleições presidênciais em que espero que a opção não seja entre um candidato de extrema-esquerda e uma candidata de extrema-direita, ou seja entre Jean-Luc Mélenchon e Marine Le Pen.

Ambos anti-semitas, ambos racistas sociais, ambos extremistas, ambos defensores de uma ditadura, seja esta proletária ou conservadora de partido único, ambos com um ethos polítiko comparados a Josef Estaline ou a Adolf Hitler.

E o que é que isso tem a ver com o movimento dos coletes amarelos e/ou gilet jaunes em francês?

Pois bem várias vezes Jean-Luc Mélenchon veio apelar à revolta popular contra o demagogo do Macron, o líder do BE lá do sitio até o fez até à bem pouco tempo de uma maneira bastante explicita o apelo à violencia, aliás apenas e após os primeiros incidentes é que veio falar da transformação deste movimento de puro protesto em Assembleias Populares, mas como foi notório desde os primeiros tempos quem apela à revolta popular não quer cá manifestações pacificas mas sim barricadas e violencia gratuita. Os revolucionários de pacotilha normalmente acobardam-se quando vêem que a sua revolução não chega a bom porto.

Mas o problema nem foi este fascista de esquerda que pouco influência eleitoral tem nas origens regionais dos principais cabecilhas deste movimento, mas sim a fascista de direita, Marine Le Pen, e à sua refundada União Nacional - que substituiu a extinta Frente Nacional mas de má memória por uma aparente mais moderada UN - que essa sim tem uma influência considerável nas bases desse movimento, que talvez se reunirá nas próximas semanas em congresso nacional, é aliás deste partido a ideia dos bloqueios de estrada e vem deste partido e de figuras ligadas a este a maioria dos seus líderes, aliás tal se verá nesse Congresso, isto se ele se reunir, pois após os confrontos violentos de Paris onde estes fascistas de direita e esquerda associados destruíram centenas de automóveis e negócios privados demonstrando ao que vêm e que respeito têm pela população que dizem representar!!!

Aqui os extremos unem-se mas a tendência como aliás referi é dos extremistas de extrema-direita que foram os grandes ativistas dos tais incêndios e reações violentas contra as autoridades. Estas ações têm aliás um objetivo instrumental muito claro que é atirarem à cara do demagogo Macron que este não tem mão na violência de rua de que estes foram os principais dinamizadores - papela que os grupos de extrema-esquerda tomam sempre e de bom grado o papel de idiotas úteis - e que esta, Marine Le Pen e a sua União nacional são os salvadores da pátria que restabelecerão a lei e a ordem no caos que estes criaram.

Esta estratégia do fascismo de direita tem aliás fundamentos históricos, foi assim que Benito Mussolini, Oliveira Salazar e de Adolf Hitler que subiram ao poder, através de golpes de mão violentos, suprimindo após as suas tomadas de poder eleitoral as liberdades civis e impondo os seus vários totalitarismos.

Foi aliás essa a estratégia de Jair Bolsonaro e dos militares brasileiros e bancadas conservadoras, dos interesses dos grandes fazendeiros e industriais e restantes fascistas que lhes estão associadas e veremos que a Constituição da República Federativa do Brasil, pouca influência terá quando este começar a ser contrariado, quem tem o poder das armas pouco ligará a pormenores escritos em papel, foi assim com Hugo Chavez no espectro do fascismo de esquerda será assim com o futuro ditador brasileiro.

E por fim é essa aliás a estratégia de Mário Nogueira e de Ana Rita Cavaco com os professores e enfermeiros em Portugal. O primeiro instrumentaliza uma classe profissional para fins de caos total aliando-se à Bastonária da Ordem dos Enfermeiros nos motivos políticos e tentando ambos destruir os sistemas de educação e saúde universal e gratuito de modo a poderem entregá-los a interesses privados, é aliás esse o principal motivo dos seus silêncios em relação às condições miseráveis seja de trabalho seja de salários em que vivem os profissionais que estes também deveriam representar nos estabelecimentos privados mas que abandonam à sua sorte por cumplicidade clara com o patronato desses estabelecimentos privados. O problema deste lideres fascistas de pacotilha é que somos uma sociedade pequena e já lhes topámos os golpismos reacionários que representam. É aliás destes interesses privados de saúde que vieram os mais de 300 mil euros que patrocinam as ultimas greves dos enfermeiros que prometem matar utentes nos estabelecimentos públicos de saúde nas próximas semanas de molde a criar o caos no ano eleitoral de 2019 e tentar que uma Aliança e os interesses privados que a financiam tenha o seu lugarejo para influenciar algum PS mais enfraquecido eleitoralmente, O problema dessa tal Ana Rita Cavaco é que se esta for a responsável direta dessas mortes dificilmente escapará impune, como aqui já referi somos uma sociedade pequena em que mediaticamente uma atitude desta cretina escapará impune!!!

Gilet jaune em Portugal, dificilmente existirão até porque o extremismo de direita e de esquerda em Portugal seria combatido pelos partidos moderados de esquerda e de direita, que felizmente são a esmagadora maioria do eleitorado e, a recente experiência fascista quer de 40 anos de ditadura de direita quer a tentativa fracassada de ditadura de esquerda após essa ditadura de direita fariam faracassar qualquer aventureirismo nessa área. Acrescento que existem pessoas e organizações vigilantes a esses campos, não pensem que facilitaremos como outros facilitaram noutros campos por esta Europa fora, e acaba-se de raiz se meterem a cabeça de fora, será simples, indolor e rápido.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Sobre as incongruências de uma certa direita











É conhecido que sou alguém de centro-esquerda e bastante moderado em certos temas e até me oponho a alguma certa esquerda - que eu denomino de conhaque - em assuntos como Israel e/ou em certos histerismos ligados a valores mais fraturantes, mas dentro desse meu distanciamento o problema não são as bandeiras em si mas a forma como as abordam.

O problema de muita gente que se diz de esquerda chama-se a ideoligicização e/ou a teorização que não é baseada em factos históricos mas sim em certos pontos mais emocionais, ao encararem certos direitos e deveres como ideais sem ter em conta contextos históricos é no meu entender um absurdo!!

É que ser progressista e radical, como eu sou, não é uma contradição quando se tem sempre em conta esta perspetiva, o que eu nunca poderei ser é alguém utópico e/ou negacionista da história como certos ismos que foram e são realmente ditatoriais quando a sua realidade os impôs ao curso dessa mesma história.

Ser marxista para mim é a nível utópico interessante, mas alguém ser marxista estalinista é para mim esse alguém ser apoiante de uma ditadura de Estaline que supostamente aplicou um marxismo, daí que tenho mesmo um problema com os ditos marxistas qualquer coisa e/ou se quisermos ser mais específicos com os Leninistas, Estalinistas, Maoistas e essa ista toda e companhia limitada etc e tal...

Assim sou progressista porque sou defensor de uma nuance do marxismo muito moderada, e de que até o próprio marxismo se afastou e, que é chamada de social-democrata, mas e até se quisermos ser fidedignos esta nuance deve mais a sua paternidade aos socialistas utópicos do que aos marxistas.  Sou também radical na maneira como defendo esses valores, aliando a ação à ideologia a não ficar-me pelo sofá e/ou pelas utopias vazias sem consequência e que quando confrontadas com a realidade de nada valem e para nada servem. Por fim insiro-me dentro do movimento ideológico político verde e/ou ecologista, aceção esta que daria pano para mangas e que por isso me fico por aqui nesse resumo.

E se faço essa distinção à esquerda o que direi em relação à direita, entre as incongruências de certa direita portuguesa que são aliás extensíveis à direita mundial.

É lógico que sendo de esquerda moderada mas radical, serei anti-direita, sim é melhor pôr a designação, anti do que contra, ser contra pode se ser moderadamente contra, eu sou mesmo violentamente contra e por isso mais enquadrado no anti.

Mas antes posso esclarecer uma coisa, para mim é claro e deve-se distinguir esses campos ideológicos, não o faço por maniqueísmo - palavra que expressa a ideia de que o dualismo é a regra - mas porque quem se afirma pós esses conceitos tem muito que se lhe diga até no enquadramento das medidas que tomam e são esses pós qualquer coisa que levam ao afastamento dos cidadãos dos atuais políticos pois o facto de serem ambíguos leva a que não tenham nada em conta a não ser o seu puro interesse pessoal, escapando-lhes o interesse da sociedade enquanto coletivo e pior o enquadramento ideológico para a aplicação das suas ideias. Daí os populistas serem tão atrativos hoje em dia, pois não são pós qualquer coisa, mas sim alguma coisa.

E muita da atual direita gosta de se auto-denominar de pós qualquer coisa e que está acima desse conceito de direita vs. esquerda, lamento serão apenas e só lobos com pele de cordeiro, pistoleiros que se movem sob o próprio interesse e que lhes escapa o coletivo, refuto por isso a ideia de que é esse o sentir maioritário de quem vota, apenas é o sentir desse eleitorado porque os partidos e/ou regimes políticos democráticos - com honrosas exceções - se demitiram de nos seus países lançarem nas escolas uma verdadeira cadeira de educação para a cidadania e política, se com a generalização dessa disciplina os cidadãos se dissessem eunucos ideologicamente eu ainda aceitaria que estaria errado, como essa disciplina não existe de forma estruturada no nosso país - nem em quase todos os países do mundo das chamadas democracias - lamento mas continuo com a minha ideia de que estou correto.

Mas falemos das incongruências de certa direita, julgo que foi num programa Prós e Contras da última segunda-feira que surgiu um citrano qualquer que disse umas baboseiras desenquadradas sobre a violência de as crianças serem obrigadas a beijar as pessoas idosas e mais propriamente os avós!!!

Não sei quem é o citrano e não vejo essa espécie de terreiro de luta faccioso televisivo para o lado direito nem tenho sinceramente pachorra para sequer parar para ver nem que seja uns minutos neste ultimo ano, nem faço tensões de o ver, mas soube que esse o fez porque os poucos amigos de direita que tenho o começaram a atacar nas redes sociais, pois o tipo acho que é do PCPT/MRPP - os tais marxistas qualquer coisa a que chamo de esquerda conhaque - e é praticante/defensor do Poliamor, ou seja, é alguém que mantém relações consentidas com vári@s companhei@s.

Antes demais resta-me a talho de foice acrescentar que é bastante mais saudável tal lógica nos relacionamentos do que se ter mulher/companheira e/ou marido/companheiro e se recorrer à prostituição, algo que é característica de um bom chefe de família tradicional e cristão do nosso país, que vai às meninas e/ou mantém alguma.

Depois foi engraçado ver as reações de alguns desses meus amigos com palavras como sou defensor do conceito de família tradicional, tendo essa família que incluir obrigatoriamente filhos procriados segundo a pia lei de D´us de que um macho tem que ter uma fêmea e que um casal só de machos ou só de fêmeas e muito menos com muita confusão à mistura - como são esses do Poliamor - são uma abominação passível da danação num qualquer inferno religioso!!!

Condenações à parte, até porque isso daria um livro da minha parte, vamos ao tal conceito de família tradicional dessa tal direita ligada a um partido político, o CDS-PP, que se diz democrata-cristão e defensor do conceito da família tradicional.

Antes demais para esses senhores o homossexualismo é um crime "de lesa pátria" e que quem o é de forma assumida, pois bem para quem tem como dirigente político um homossexual assumido, o vice-presidente do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes tal não só lhes fica mal como é incongruente. Até porque este teve bem mais coragem do que o gay mais conhecido de Portugal, que foi líder desse partido durante cerca de década e meia e de seu nome Paulo Portas. E não é por homem não dizer que eu sei que o é, mas porque trabalhei num hotel onde este tinha os seus encontros amorosos e que eram conhecidos de todos e por todos.

O problema não está neste ser gay ou deixar de o ser, eu quero lá saber se citrano tal líder de tal partido é gay ou não, mas já me interessa saber e desmascarar citrano tal, líder de x partido que tem militantes que defendem a família tradicional contra os maléficos gays e que ele próprio é gay porque é que nunca o assumiu!!!

Daí que essas incongruências dentro de um partido que agora tem um vice-presidente assumidamente gay e que teve um presidente durante 16 anos que o era, que todos os militantes sabiam que o era, mas que estava e está no armário são de bradar aos céus!!!

Claro que são!!!

A essa direita e a esses militantes, tentem fazer uma coisa:

Perguntar ao Adolfo e ao Paulo, se essa sua opção sexual, põe mesmo em causa essa família tradicional que dizem defender?

É que se não põe, deixem-se de mariquices e, apontem os canhões para outro lado!!!

Críticas Universalistas ao actual Comércio Internacional

Suponhamos que um grupo discute qual deve ser o preço a pagar por um determinado produto. Uma parte das pessoas do grupo defende que o preço deveria diminuir, outra parte defende que deveria aumentar, enquanto uma terceira  parte defende que deveria ser mantido igual ao que era em anos anteriores.

Nesta situação, claro que podemos agrupar os que querem aumentar e os que querem diminuir o preço num grupo dos que querem alterações, em oposição ao outro grupo, o dos que querem manter o valor actual.
Porém, seria profundamente demagógico dar a entender que os que estão no mesmo grupo porque querem alterar o preço do produto (seja aumentá-lo  ou diminuí-lo) querem a mesma coisa, ou sequer algo parecido.

Na verdade, a ideia que apresentei é tão simples e inequívoca, que até me arrisco a ter insultado a inteligência do leitor.
No entanto, quando o assunto é o “Comércio Internacional”, existe quem tente esse rasteiro truque de retórica.

O comércio internacional pode ser realizado de diferentes formas e sob diferentes pressupostos. Em causa podem estar apenas taxas aduaneiras ou/e a harmonização das regulamentações sobre as mais diversas áreas ou ainda a forma de  lidar com eventuais disputas.
Estes instrumentos são diferentemente usados, consoante os objectivos.

Por outro lado, as circunstâncias actuais são muito claras: desde os anos 80 que os salários têm estado estagnados, as desigualdades têm aumentado de forma violentíssima, os direitos laborais têm-se deteriorado e a actividade económica tem exercido uma pressão insustentável sobre o planeta, sendo responsável por fenómenos como as alterações climáticas, o desaparecimento das florestas tropicais e o excesso de plásticos nos oceanos, entre outros. Como estes processos não têm acontecido apenas numa ou outra economia isolada, é possível concluir que a forma como temos gerido a globalização é irresponsável e deve ser repensada.

No entanto, a alteração da forma como se processa o comércio internacional pode visar objectivos e pressupostos completamente díspares.

Pode-se querer alterar o comércio internacional com objectivos Nacionalistas. Encarar o mundo como uma "competição" entre nações e o comércio como um jogo de soma-zero. Pode-se assumir que o prejuízo das indústrias estrangeiras constitui, por si, um benefício para a população nacional. E pode fazer-se  tudo isto num contexto de pouca consideração pelos Direitos Humanos, menorização dos desafios ecológicos globais, rejeição das abordagens multilaterais aos problemas da Humanidade e enorme falta de empatia pelos outros povos.

Mas pode querer-se alterar o comércio internacional com objectivos Universalistas. Ou seja, compreendendo que o comércio internacional pode ser fonte de prosperidade, desde que se evite fazê-lo de forma social e ecologicamente insustentável. Assumindo que o desenvolvimento das outras nações beneficia a nossa, mas que o desenvolvimento implica respeito pelos Direitos Humanos, pela Democracia e pelo Planeta. Defender soluções multilaterais para os problemas globais, mas escolhidas pelas populações ou seus representantes e não pela gestão de topo das multinacionais. Ter empatia pelos outros povos, e recusar contribuir para a sua miséria ou para a destruição do planeta que partilhamos.

Estas abordagens não são apenas opostas nos objectivos e pressupostos. Também diferem radicalmente nos resultados concretos. Tarifas destinadas a prejudicar a importação de painéis solares estrangeiros para beneficiar o carvão nacional, por exemplo, não têm lugar numa política de comércio Universalista, que, consistente com a consciência do desafio civilizacional que o aquecimento global representa, nunca deveria beneficiar a indústria dos combustíveis fósseis.

É por esta razão que, quando não ignorantes, são profundamente desonestas as tentativas de colocar todas as políticas de oposição ao status-quo no mesmo saco. O que Trump e outros nacionalistas querem para o Comércio Internacional é o oposto daquilo porque lutam os progressistas com consciência da insustentabilidade do actual sistema.

Se queremos um mundo menos desigual, mais justo, mais democrático, com respeito pelos limites físicos do planeta e pelos outros seres vivos, não nos podemos conformar com o rumo que a Humanidade tem tomado nas últimas décadas.

Podemos ser a favor do Comércio Internacional, sim, já que um Universalista reconhece no comércio o potencial de ambas as partes serem beneficiadas, e isso é bom duas vezes. Mas só acontece se estivermos perante um Comércio Internacional Justo, com respeito pelo Planeta, pela Democracia, pela Justiça, pelas Pessoas e pelos outros seres vivos.


Post também publicado no Esquerda Republicana.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

As Maçonarias...












Num artigo/postagem anterior que publiquei neste Blog, referi que havia Maçonarias e não uma Maçonaria e assim é o que de facto se passa, este curto artigo/postagem tem a intenção (que será sempre incompleta) de esclarecer o porquê de haverem Maçonarias e não uma Maçonaria, como alguns maçons e/ou historiadores defendem - se bem que minoritários - e a que muitos detratores e/ou conspirólogos - defensores e propagadores das teorias da conspiração - se agarram para a atacar e/ou fundamentar as suas teorias mais ou menos dementes de que somos malditos e de que eu e outros por sermos maçons somos imbuídos de uma imperfeição original.

Historicamente e desde a fundação e primórdios da Maçonaria na sua versão especulativa - que difere da anterior que era operativa, ou seja, formada por trabalhadores/operários de ofícios vários que construíam templos religiosos - que a origem da Maçonaria não é única.

Daí que a Maçonaria sempre foi desde o início um conjunto de Maçonarias, aliás até à consagração de rituais mais ou menos coesos de Ritos, que hoje os maçons reputam de esmagadormente maioritários mundialmente a diversidade quer da origem quer de algumas partes destes é muito diversa e ainda objeto de intensas discussões internas e/ou entre historiadores e pensadores do fenómeno e/ou da história maçónica.

Até entre os Rituais hoje mais praticados mundialmente, a saber, o Rito de York - também chamado de Real Arco - o Rito Escocês Antigo e Aceito - sim Aceito e não Aceite - e o Rito Francês e/ou Moderno existem uma multiplicidade de diferenças que vão desde o pormenor e/ou adaptações pontuais mas próximas - casos dos do Rito de York e do Francês e/ou Moderno - até ao seu contrário absoluto como o do Escocês Antigo e Aceito.

Neste último ponto muitos maçons acham que cada um é que pratica um Ritual que é o superior e/ou o correto quando deveriam era pensar que, não é dessa forma que deve colocar a questão, mas sim que sendo a sua origem diversa bem como quem os pratica também a sua prática terá forçosamente conduzido a diferenças substanciais.

E ainda neste último ponto e, especificamente no Rito Escocês Antigo e Aceito, posso vos referir aquilo que eu pratico, sendo que a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" pratica o Ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito, todo este e bem, foi adaptado para uma versão inclusiva que tem em conta todos os géneros, sim inclusive pessoas com género diferente e/ou sem o mesmo definido, daí o nosso ritual da maioria das Lojas Azuis - células base de todas as organizações maçónicas e que atribuem os três primeiros Graus: Aprendiz; Companheiro; Mestre - ser denominado Ritual Georges Martin em honra de um dos nossos fundadores e de quem também de longe trouxe a parte ritualista do primeiro ao trigésimo terceiro grau - pois o era de onde vinha - do então existente Supremo Conselho de França, assim e mesmo sendo o Rito Escocês Antigo e Aceito, as suas diferenças abismais entre este e os praticados pelas lojas de alguma Obediência dita de regular, fazem com que o Ritual Georges Martin seja felizmente o oposto em muitos pontos fundamentais em relação a essas, a começar pela aceitação de outros géneros que não apenas o masculino e o facto de retirar toda a carga dogmática e crente do mesmo.

E podemos começar por essa distinção fundamental moderna - não falarei das passadas porque nem numa enciclopédia de muitos volumes a conseguiria expor - entre as diferentes Maçonarias, a diferença entre os exclusivamente masculinos e dogmáticos - que se chamam a si de tradicionais - e os liberais e adogmáticos, são várias, as mais importantes:

- Os primeiros aceitam maioritariamente a maternidade directa e/ou indireta da Grande Loja Unida de Inglaterra - United Grand Lodge of England v. UGLE - os segundos embora sem embargo de muitos acharem que é daí a sua origem histórica não aceitam maternidades nem diretas - onde esta tem precedência de facto e/ou ritual - nem indiretas - seguindo apenas algumas práticas desta - da UGLE. É daí que vem o conceito de regular e de irregular, ou seja, os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que eles são "os regulares" porque ou têm o diploma desta Grande Loja ou seguem os rituais históricos que esta emana enquanto que e os liberais e adogmáticos referem que quer os diplomas quer os rituais são absurdos e/ou enquistados em tradições que agora já não têm sentido quer histórico quer social;

- Deste modo os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que seguindo esses rituais que nem mulheres, escravos e/ou seres com deficiência podem ser iniciados e os liberais e adogmáticos contestam e acham que tal conceito é absurdo no mundo de hoje, aceitando mulheres iniciadas, rechaçando a parte dos escravos e achando absurdo a noção de deficiência como exclusão de iniciação;

- Também e baseando-se nos rituais históricos emanados pela UGLE, os exclusivamente masculinos e dogmáticos referem que apenas os crentes numa religião que aceite um D'us e/ou um ente/ser revelado podem ser maçons, já os liberais e adogmáticos não aceitam exclusões de seres humanos com base em terem ou não uma crença, deixando para a sua liberdade de consciência a mesma, podendo estes até não a terem definida;

São estas as três distinções fundamentais entre os chamados dois grandes campos mais antagónicos das Maçonarias e são de tal maneira antagónicos que os exclusivamente masculinos e dogmáticos proíbem que qualquer irmão e/ou irmã do campo dos liberais e adogmáticos participe em qualquer reunião maçónica da sua loja, já o contrário também acontece, mas é normalmente deixado ao critério da Loja que os recebe e, falando sobre a minha experiência pessoal, já me encontrei com alguns irmãos destas Obediências exclusivamente masculinas e dogmáticas em lojas e em trabalhos rituais de Obediências dos liberais e adogmáticos, com quem a minha Federação Portuguesa e Federação Espanhola - da Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" - tem acordos de amizade, que são todas como é óbvio do campo das Obediências liberais e adogmáticas, inclusive em Obediências femininas onde parece que muitas esposas destes são iniciadas, o que se virmos bem parece um contra-senso, mas que não me cabe a mim julgar como maçon liberal e adogmático que sou.

Agora vamos lá analisar estes dois campos separadamente, ou seja, o dos exclusivamente masculinos e dogmáticos e o dos liberais e adogmáticos e o facto de dificilmente e até nestes campos mais homogéneos ideologicamente ser difícil haver uma concentração que leve ao poder único e centralizado que muitos conspirólogos atribuem às Maçonarias a nível mundial.

Vamos ao campo mais fácil de refutar pois é onde as diferenças porque mais fáceis de discernir porque ou são só compostas pelo género masculino, feminino e ambos os géneros multigéneros e/ou mistas e depois iremos ao mais difícil pois é onde as diferenças são aparentemente menos flagrantes até porque apenas têm a ver com pormenores meramente históricos.

Deste modo comecemos pelo campo dito de liberal e adogmáticos, neste campo onde existem obediências masculinas, femininas e/ou mistas existe a primeira obediência que se declarou liberal e adogmática, o Grande Oriente de França (v. GOdF) - antes aceitava exclusivamente elementos de género masculino, tendo agora Lojas Azuis mistas - é óbvio que a mesma foi a inspiração e é de longe quem exerce uma maior atração nas Obediências que se reclamam deste campo, mas não podemos deixar de referir que outras Obediências quer pela sua história quer pelo seu número de membros e influência a nível mundial sobre outras Obediências liberais e adogmáticas também têm um peso considerável, destaco seis (a ordem é histórica e pela sua fundação): o Grande Oriente Lusitano; o Grande Oriente da Bélgica; a Ordem Maçónica do Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraim (também conhecida por Maçonaria Egípcia); a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain"; a Grande Loja Feminina de França.

Se excetuarmos a terceira, que já não existe a original mas que deu origem a uma multiplicidade de outras Obediências com fins semelhantes, todas as outras a par do GOdF ainda existem e prosseguem a sua atividade e uma razoável influência no campo liberal e adogmático. Ao ponto do GOdF, ter sido quem despoletou o chamado Acordo de Estrasburgo, que formou a organização CLIPSAS, que federa uma grande parte das organizações liberais e adogmáticas, já agora, Federar é respeitar a suas diferenças sem nenhuma influência e/ou tutela e/ou de emissão de ordens centrais. O Grande Oriente Lusitano foi a origem das potências brasileiras que agora estando a maioria no campo exclusivamente masculino e dogmático não deixam de reconhecer a sua autoridade histórica e maternidade linguística e ética até porque passou-se o caso único de quando fundado, o então, Grande Oriente Lusitano Unido, ter a patente e/o reconhecimento quer do campo dos regulares e/ou exclusivamente masculinos e dogmáticos quer do campo dos liberais e adogmáticos, ou seja, quer da UGLE quer do GOdF. Já a Grande Loja Feminina de França foi a grande dinamizadora das obediências Femininas a nível mundial, inclusive da de Portugal, formando outra Federação Mundial neste campo - o CLIMAF - que se reúne com regularidade sendo que grande parte destas obediências também fazem parte do CLIPSAS. Por fim a Ordem Maçónica Mista Internacional "Le Droit Humain" pelas suas características únicas e internacionais tem uma influência transversal ao mundo todo, pois está implantada nos quatro continentes - os que o homem pode habitar - e deu origem por diversas dissidências a inúmeras Ordens e/ou Obediências mistas por este mundo afora.

Por este resumo vemos que o campo liberal e dogmático dificilmente será um campo coeso embora se destaquem algumas obediências que têm uma influência, mais ética e de precedência histórica, do que outras, o CLIPSAS aqui referido é um Fórum e/ou Plataforma de discussão que nada vincula nem ordena é apenas e só e quanto muito uma federação de vontades no chamado campo liberal e adogmático, às vezes mais coesa outras nem tanto.

No campo das obediências exclusivamente masculinas e dogmáticas temos que distinguir duas áreas de influência muito definidas, a primeira é daqueles que aceitam sem reservas a maternidade da Grande Loja Unida de Inglaterra e/ou UGLE, a segunda daqueles que aceitam a influência ética e/ou ritual de documentos e/ou práticas emanadas desta, mas que dificilmente aceitam maternidades porque com razão ou sem ela se dizem independentes e/ou precedentes a esta.

Na primeira área, a UGLE federa e organiza de facto grandes encontros internacionais, onde vemos hoje, Eduardo, denominado no Reino Unido de Duque de Kent e Grão Mestre desta à frente destes encontros. Esses encontros, muitos deles organizados fora de Inglaterra, contam com maçons dos quatro continentes embora escape a quem vê essa manifestação interessante de aparente unidade que todas essas obediências são constituídas por membros e estatutos claramente patrióticos e exclusivamente nacionais. Sendo que os dois grandes pesos pesados, pelo número de membros, dessa área têm uma diferença insanável que se chama modo de governo, a UGLE aceita sem discussão a monarquia e as obediências estaduais norte-americanas são claramente republicanas sendo que todas são patriotas e algumas claramente nacionalistas e opositoras quer à monarquia quer à república democrática, como por exemplo, a de Cuba.

Na segunda área, encontram-se duas obediências que não aceitam a maternidade direta da UGLE, mas que aceitam o mesmo conjunto de valores éticos que esta e/ou documentos emanadas desta e/ou com semelhanças rituais fortes, a saber: Grande Loja da Escócia - The Grand Lodge of Ancient Free and Accepted Masons of Scotland´s  - e a Grande Loja da Irlanda. A primeira, com razão, diz que tem precedência histórica sobre a UGLE - as suas Lojas são muito anteriores a qualquer Loja fundada em Inglaterra - a segunda também alega essa precedência, embora sem razão, mas o que a separa da UGLE é bem mais ideológico e tem a ver com a sua independência do Reino Unido e o republicanismo desta última. Ambas atribuem cartas patentes - reconhecimentos de que uma Obediência segue as regras maçónicas e rituais para poder ser Obediência - neste campo e não aceitam qualquer tipo de declaração de maternidade por parte da UGLE. Mas neste segundo campo umas largas dezenas de Obediências que são dissidências da UGLE, destas duas referidas ou de outras que aceitaram a maternidade e/ou tiveram as cartas patentes das referidas. Por exemplo no Brasil temos a COMAB e alguns Grandes Orientes e/ou Grandes Lojas estaduais que enquadrando-se no campo exclusivamente masculino e dogmático não são aceites em encontros da UGLE - é que esta apenas aceita uma Obediência por país e/ou estado federado - o mesmo se passando com inúmeras por esta Europa e mundo fora, que têm um pendor fortemente nacional.

Por esse motivo é que eu refiro e reforço a ideia da existência de Maçonarias e não de uma Maçonaria, essa só existe - ou deveria existir - num campo, o ético e o moral.

Daí que muitos autores, alguns até de boa fé e a grande maioria não maçons que falam sobre maçonaria confundem muita coisa e vou apenas resumir as confusões mais importantes:
- Documentos emitidos no passado, mesmo pelo campo exclusivamente masculino e dogmático podem estar desatualizados e reproduzem opiniões daquele tempo e influências históricas passadas;
- Quando se analisa Obediências maçónicas liberais e adogmáticas tem que se perceber que algumas começaram por não o ser e outras fruto de vários fatores, mudaram de campo várias vezes, um caso paradigmático é o do Grande Oriente Lusitano, pois analisa-se documentos sem ter em conta qual era o campo em que se posicionava naquela altura, e sim este variou muitas e bastantes vezes, às vezes e na mesma década e conforme a Grande Dieta e/ou o seu Grão Mestre esta Obediência era ou mais liberal e adogmática ou mais masculina e dogmática;
- Atualmente os campos estão razoavelmente definidos, mas existem Obediências em que se as formos analisar existe ou uma recusa de escolherem um lado e/ou afastam-se de qualquer rótulo;
- Um Maçon - membro da maçonaria - é quando Mestre - membro da maçonaria com o 3.º grau - um ser livre em loja livre, seja de que Obediência for, não existe para além dos estatutos da sua obediência algum cumprimento e ou obrigação de seguir ordens ideológicas, religiosas e/ou políticas de superiores, deste modo vinco que, a Maçonaria não é uma seita mas sim uma vivência ritual que, como vimos pode ser muito distinta, mas que é uma escolha livre desse Maçon a viver e não uma imposição a esse de a seguir. Deste modo muitos anarquistas encontraram nas diversas Maçonarias um meio ideal de estarem e tal como eles muitos cidadãos das mais diversas vivências sociais, ideológicas e religiosas.
- Os anátemas religiosos que foram emitidos por religiões e/ou o seu clero superior, foram aplicados por estes e não pelos maçons, que a estes foram alheios, e é preciso compreendê-los religiosa e historicamente bem como a sua evolução posterior, ou seja, se estes ainda existem ou não e sejam de facto ou se a sua justificação ideologica de então se mantém atual.

Não existem dogmas maçónicos, queria sublinhar isso, a Maçonaria é uma fraternidade iniciática cujo o fim último é o iniciado com a sua evolução lá dentro ser um melhor ser humano do que era quando entrou.

Quando falo de maçonaria dogmática refiro que este conceito se refere que estas Obediências apenas aceitam membros masculinos que são crentes numa religião e/ou que aceitam um D'us e/ou um ente/ser revelado tal não implica que o D´us seja o conceito hebraico, cristão e/ou islâmico apenas que seja este conceito na generalidade, foi esse aliás um dos fundamentos para as condenações iniciais por parte do clero católico apostólico romano e islâmico à maçonaria e aos seus integrantes quando apareceu, pois esta sã convivência entre crentes era vista com muito maus olhos.  

Alguns convencem-se que esse trabalho está acabado e depois todos pomposos julgam que podem dar lições de moral a terceiros, sejam estes maçons ou não, esses são aqueles - e são muitos acreditem - que dificilmente perceberam qual o objetivo último da Maçonaria. A maioria julga e bem que é um trabalho constante e que são internamente e sempre uns aprendizes, esses são os melhores maçons que podem haver e são muitos desses que se destacando em determinados momentos, voltam para a quietude da sua existência após serem enormes

Precisamos de mais seres desses nos tempos modernos pois esses é que são os maçons que entenderam o papel real de um pedreiro livre...

Acabo com uma ideia, que não é difícil encontrar boa informação por aí sobre esta temática, claro que muita está em Livros, aquilo que muitos hoje em dia se recusam a ler, inclusive muitos jornaleiros de serviço, que investigam páginas efetuadas muitas vezes por dementes conspirólogos que nunca leram na sua vida um livro ou que usam alguns documentos que vão apanhando por aí e que truncam sem terem em conta quer a sua época histórica quer o seu fundamento ritual e ético, muitas vezes com séculos de existência, a esses aconselho-os a ler, é que quando se o faz com regularidade, nota-se logo quando se escreve e na língua que se escreve...é como beijar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A linha vermelha - Exploração off-shore de petróleo











Existem poucos assuntos que me posso declarar como especialista, para quem não sabe o que eu faço e qual foi a minha militância para além da partidária/ideológica, dificilmente poderá compreender o quanto me faz espécie e/ou me mete impressão a abordagem superficial neste assunto, não só porque o conheço profundamente como e até porque a nível de especialidade, de observação e estudo me dediquei às energias e à sua exploração marítima desde que me comecei a interessar por assuntos ligados ao mar e a militar na Greenpeace Internacional.

Um dos atos de coordenação em que participei nesta organização foi o de organizar na Galiza voluntários que chegavam de todo o mundo para a limpeza do Chapapote - palavra que resumidamente descreve o que se limpava nas praias da Galiza, ou seja, alcatrão/asfalto oleoso e/ou crude e que provém de uma palavra índia do dialeto náhuatl/asteca: chapopotli - resultantes do acidente e afundamento do petroleiro Prestige - petroleiro que se afundou em 13 de novembro de 2002 ao largo da Galiza com bandeira Liberiana, mas de uma empresa Suíça - onde estive durante meses não só na organização como na limpeza ativa de cerca de 50 mil toneladas deste elemento das praias da Galiza, mas que afetou também milhares de quilómetros de praias situadas na costa norte da península em quase todo o Mar Cantábrico, ou seja das Astúrias, Cantábria e do País Basco, chegando até ao Golfo da Biscaia e às praias portuguesas do Minho.

Também meti a mão na massa e foi impressionante limpar toneladas de crude e pior, ver que milhares de aves maritímas, peixes e animais de todas as espécies incluindo mamíferos - como golfinhos e pinguins - a morrerem e que centenas de quilómetros de costas rochosas foram afectadas sem que lhes conseguissemos tocar e que milhares de famílias perderam o seu sustento durante anos pois houve uma quebra total em áreas como a apanha de bivaldes e a pesca onde centenas de bancos de pesca e/ou habitas maritimos sofreram perdas que duraram quase uma década a recuperar bem como as explorações de aquacultura então já muito abundantes nas dezenas de baias que a costa atlântica da Galiza detém.

A somar a este desastre podemos juntar outro, mais recente - de 2010 - o da plataforma marítima Deep Horizon que ocorreu no Golfo do México, onde esta exploração petrolífera off shore estava a realizar a fase final da perfuração de um novo poço a 1500 metros de profundidade e que entre 20 de abril de 2010 - data em que esta plataforma explodiu afundando-se 2 dias depois - e 17 de julho de 2010 - data em que alegadamente a BP referiu que pôs válvulas que estancaram o derrame continuo - libertou 780.000 metros cúbicos de crude e/ou 3,2 biliões de barris de crude afetando uma área de 68 mil milhas marítimas  e afetando os recursos pesqueiros e bancos de pesca bem como a biodiversidade marítima por pelo menos uma década.

Os relatórios são esmagadores neste campo, só na área mais afetada haviam 8332 espécies que ficaram seriamente afetadas, morrendo milhões de espécimes e provocando uma interrupção brutal no fluxo de plancton no Golfo do México que continua a afetar as reservas de espécimes marítimas não só devido ao crude libertado como também ao uso dos dispersantes que afetaram esta cadeia.

E porque vos falo destes dois casos, porque são potenciais exemplos do que pode ocorrer futuramente na fase de exploração e transporte marítimo de crude nas costas portuguesas.

É que estes dois casos não são exemplos que nunca existiram nem que foram distantes e/ou impossíveis de se repetirem, são atuais e mensuráveis e infelizmente com condições marítimas atlânticas que são muito similares às da costa portuguesa.

E o problema é que o retorno financeiro desta atividade, um dos fatores que apontam para a defesa da exploração de Petróleo em Portugal está entre o modesto e o ridículo e não acrescentaria mais do que uns miseráveis centésimos de PIB em cada ano, aliás num artigo publicado no DN, por Ricardo Paes Mamede, este afirma:

"O modesto retorno que se pode esperar para o país não decorre apenas da quantidade de petróleo que possa existir. Decorre também das condições previstas nos contratos de concessão em vigor. De acordo com esses contratos, o Estado Português receberia uma modesta percentagem do valor do petróleo produzido (entre 3% e 7%, em função das quantidades extraídas, no caso dos contratos do litoral alentejano), depois de descontados todos os custos de pesquisa e desenvolvimento dos campos petrolíferos e os custos operacionais. Os contratos estipulam também que a contrapartida para o Estado só começaria a ser paga depois de integralmente cobertos os custos de investimento.
Se tomarmos por referência as previsões de médio prazo para o preço do petróleo, as quantidades produzidas em países próximos e os custos standard envolvidos neste tipo de operações, rapidamente se conclui que o Estado português não ganharia mais do que algumas centésimas do PIB em cada ano (já incluindo as receitas de impostos). Mais problemático ainda, as empresas concessionárias têm uma responsabilidade limitada nos custos de eventuais acidentes ambientais, os quais teriam de ser assumidos pelo Estado e pelas populações e empresas afetadas."

Este economista pega neste artigo no segundo ponto que me opõe frontalmente a esta exploração off-shore de petróleo na costa Portuguesa que são as condições de exploração e/ou contratos, não só o retorno financeiro é diminuto para o estado, ou seja para todos nós, como os contratos estabelecem nulas e/ou fortemente baixas contrapartidas e responsabilização no caso de haver um acidente ambiental.

Absurdo, quando se tem como principio geral na legislação portuguesa o do poluidor-pagador, ou seja, quem polui paga, deste modo estes contratos têm como principio uma exceção inadmissível ainda mais numa atividade que se tiver algum acidente irá afetar de forma perene e permanente uma grande variedade e multiplicidade de áreas, sejam estas de biodiversidade como económicas, sociais e/ou ambientais. Tal desresponsabiliza legalmente essas empresas no pagamento de eventuais indemnizações transferindo para o estado, ou seja, para todos nós esses encargos porque o estado não impõe principios tão básicos que são gerais para todos os empresários e empresas deste país.

Para além disso nos contratos há outro problema, que neste artigo não foi referido, que é o não uso do principio da precaução, deixando ao critério de quem explora o uso ou não desse principio o que é perigoso pois este tipo de exploração envolve muitos custos e caso se possa poupar na segurança tanto melhor para quem explora, mas não para as zonas diretamente afetadas.

Por fim iremos ao ultimo assunto e que é aquele que marca a minha oposição frontal a este tipo de exploração, e que é contido na resposta a esta pergunta:

Será que vale a pena numa opção puramente política arriscar o nosso futuro tendo como contrapartida alguns anos de independência externa petrolífera?

Antes demais quero-vos falar das vantagens de exploração de petróleo em Portugal que se resumem a apenas dois aspetos importantes, uma potencial independência energética de produtos petrolíferos nos próximos 10 a 20 anos e a poupança - via não importação - e eventual ganho marginal de impostos.

Esmiuçando o primeiro, tal uso deste argumento como vantagem é falacioso, pois nada nos contratos de exploração - pois não o poderia restringir - implica que o petróleo produzido em Portugal, seria consumido e/ou para uso nacional a probabilidade seria aliás fortemente a contrária.

O segundo argumento é verdadeiro, mas se tivermos em conta o potencial da poupança e dos ganhos com os custos contínuos e a perda de eventuais receitas por causa da poluição constante que provoca esta atividade, veremos que dificilmente tal será compensatório.

É que esconder que há uma constante poluição dos derrames frequentes e constantes resultantes da exploração desta atividade e que esses derrames que dão à costa frequentemente e implicam também uma constante limpeza é o mesmo que tapar o sol com a peneira, até porque não se contabiliza nem o que isso poderá afetar turisticamente as regiões afetadas - tendo no topo as costas algarvias e a costa vicentina - nem os problemas que afetarão os recursos piscícolas e/ou custos ambientais diretos e indiretos dessa poluição constante.

Em segundo lugar temos considerar o que é uma opção política e se esta pode ser tomada apenas com base em achismos, ou seja, se o que o Primeiro-ministro e secretário-geral do meu partido acha que é melhor para o país e que o nosso partido defenda deve ser aceite sem debate interno e pior sem tomar em consideração todos os pontos de vista, até aqueles que como eu defendem esta posição particular - e que não se resume apenas a mim pois sei que centenas de militantes me acompanham nesta oposição - ou outros que são dirigentes e autarcas das regiões/concelhos fortemente afetados por esta decisão e que nas próximas eleições autárquicas irão perder o mandato por causa desta decisão irresponsável tomada por militantes lobistas pagos e que se movem dentro do nosso partido com selo de respeitabilidade e que na realidade servem nos últimos tempos como caixa de ressonância desta decisão.

Lamento que opções políticas desta natureza não levem em conta três pressupostos:

1.º Documentos internos que vinculam este secretário-geral e primeiro-ministro e que nos levaram a o apoiar como candidato a secretário-geral e nosso candidato a primeiro ministro nas próximas eleições;
2.º Discussão política franca e aberta interna sobre se esta decisão é apoiada pelos milhares de militantes do PS e as bases a que este deve respeito como secretário-geral, bem como os órgãos que entre congressos e eleições governam o partido;
3.º Democracia interna, pois após esta discussão franca e aberta se por maioria for tomada por esses órgãos e/ou apoiada maioritariamente pelas bases que compõem o PS quem representa essa minoria, tem duas soluções, ou se submete e fica ou sai referindo que tal decisão não se coaduna com os seus valores e princípios.

Então falemos destes três pontos:

1.º Este Secretário-geral foi a Congresso com uma Moção Global de Estratégia intitulada Moção Geração 20-30 (que pode ser acedida AQUI), esta moção não só não fala sobre este ponto como e especificamente diz que a estratégia deve ser exatamente a contrária, cito o que é referido na página 7 desta: "Cumprimos na promoção da sustentabilidade ambiental, vinculando o país ao ambicioso Acordo de Paris, aumentando de forma expressiva a potência instalada em energias renováveis, incluindo a aprovação de uma estratégia para as energias renováveis oceânicas." E na página 11 em que se afirma que: "O desafio que temos pela frente exige-nos que pensemos de forma integrada em tantos e tão diversos domínios. Temos que ter um território mais coeso e mais resiliente, temos que estar na linha da frente da transição energética para as fontes de energia renováveis.". Ainda e aliás neste ponto a Moção tem um capitúlo inteiro o 3.1 dedicado às "Alterações Climáticas" e vários sub-capitúlos em que este assunto tão importante estratégico poderia ser tocado e/ou focado como o 3.1.2 com o titulo "Liderar a transição energética" em nenhum destes e em toda a Moção este assunto é focado, havendo como é obvio afirmações contrárias como as aqui reproduzidas que dão estocada de morte a este desígnio;

2.º Não houve nenhuma discussão política em relação a este assunto e porquê, porque se a houvesse com grande probabilidade havia uma forte oposição política interna não só de autarcas e bases militantes que os apoiam como de várias centenas de militantes que não estando integrados nessas àreas iriam se opor. Acrescento que a abrir-se uma discussão interna sobre esse assunto esta chocaria com a Moção que esmagadormente os militantes votaram e porque este secretário-geral e candidato a primeiro-ministro foi eleito, pelo que até nesse ponto esta discussão não poderia ter lugar pois órgãos entre congressos não podem por em questão documentos aprovados nesse Congresso. Já tivemos um Secretário-geral que tentou tal passe de mágica e que teve grandes dissabores internos, não queira este voltar aos tempos de um segurismo recauchutado e felizmente enterrado como um período negro da história do PS recente;

3.º Como a segunda opção nunca ocorreu e se ocorresse seria contrária a uma linha apoiada em Moção e votada de forma esmagadora por um Congresso Nacional eu nem ponho à discussão os pontos seguintes que referi, ou seja, que eu e outros eventualmente teríamos que optar em ficar ou sair.

Podemos então concluir que neste ponto não houve uma opção política e muito menos alguma discussão política e que achismos não são o que movem um partido nem muito menos marcam a agenda deste, daí que é melhor o Secretário-geral e atual primeiro-ministro repensar bem a sua posição, pois o seu achismo tem muito pouco opção e muito de lobismo que não foi caucionado nem em congresso nacional nem pelos órgãos coletivos do partido e é preciso muito mais do que páginas do Facebook patrocinadas por ENI´s e/ou GALP´s que estão a convidar militantes do PS a magote para nos convencer do contrário.

Fica o aviso os militantes do PS não estão à venda neste campo!!!

Por fim temos que considerar, na pergunta que coloquei, qual o futuro e se esse futuro vale a pena ser arriscado por uma opção política, e aqui podemos dividir este ponto em dois.

O primeiro é o que é o futuro de Portugal, da União Europeia - espaço onde nos integramos economicamente - e do mundo no campo das energias e focando-nos neste âmbito nas fontes de energia, será que é na exploração do Petróleo, ou pelo contrário no uso das energias renováveis e na transição para uma sociedade descarbonizada!!!

Vamos citar de novo a Moção que nos vincula enquanto coletivo partidário - inclusive o atual primeiro-ministro e atual secretário-geral e órgãos coletivos entre congressos - que refere que: "(...) incluindo a aprovação de uma estratégia para as energias renováveis oceânicas. (...) O desafio que temos pela frente exige-nos que pensemos de forma integrada em tantos e tão diversos domínios. Temos que ter um território mais coeso e mais resiliente, temos que estar na linha da frente da transição energética para as fontes de energia renováveis.".

Tenho deste modo a certeza - e não acho nada - que as anteriores citações responderam à minha pergunta e que riscaram completamente do mapa e para o lixo da história a opção de exploração de petróleo off-shore, aliás até nem seria racional como país optarmos agora por um retrocesso civilizacional e muito menos como partido fazermos marcha atrás em tudo o que o PS implementou e tudo o que o tornam o partido central das políticas verdes em Portugal.

E neste ponto faço aqui um parêntesis, não sou eu atualmente nem as centenas de militantes e autarcas que estamos mal, nesta opção espúria apoiada por lobismos de exploração de petróleo off-shore mas sim quem a defende e como já referi atrás, quem está mal pode submeter-se à maioria ou sair do partido e ir para o CDS-PP, que é um partido que acha que o nosso futuro poder ser encaixotado face a lobis de energia!!!

O segundo ponto tem a ver com se vale ou não a pena ver o nosso futuro arriscado por e com essa opção política que como eu já aqui referi nem sequer existe no PS a não ser na cabeça de certos lobistas que agem dentro do PS e no achismo do nosso primeiro-ministro e secretário-geral que por estes foi influenciado.

Arriscar o futuro de certos sectores económicos já implantados como por exemplo o Turismo que vivem da garantia que a limpeza das costas é um dos seus Ex-libis de atração e que gera mais de 10% do PIB nacional e mais de um milhão de postos de trabalho por centésimas de crescimento no PIB e impostos que mal irão dar para cobrir os custos eventuais dessa exploração é absurdo.

Para não falar de que a poluição gerada irá obrigar Portugal, ao abrigo das regras europeias a pagar como poluidor e produtor de fontes de energias não renováveis e que provocam o agravamento do efeito de estufa e não a poupar como atualmente poupamos e tudo porque uns certos lobistas que acham - continuamos no achismo - que isso é bom para o futuro.

Qual futuro? O deles com certeza!!! Pois o do país não será!!!

Concluo com um aviso à navegação a esses lobis, não pensem que nos podem colocar sob factos consumados, vindo com tretas que contratos de prospecção são iguais a contratos de exploração, lamento informar quem assim pensa e julga que o não prosseguimento de contratos de prospeção darão lugar a multas por não passarem à fase de exploração, já li e reli os mesmos e em nenhum lugar refere que estes contratos vinculam o estado português a obrigar a assinar outros para serem explorados estes recursos, aliás a lógica é simples, pois se essa obrigação houvesse essa seria também obrigatória para quem não encontrando nada teria que explorar mesmo não encontrando nada!!!

Deste modo se for anunciado que vão ser explorados esses recursos, é porque este governo do PS, que está vinculado ao seu Partido e em que este aprovou de maneira esmagadora, numa reunião magna uma moção que rechaça esse caminho, assinou novos contratos e que esses contratos vão contra essa moção e a esse caminho que se comprometeu.

Eu sei que muitos julgam e acham - outro achismo - que quem combate militantemente pelo PS internamente e externamente apenas o fará sempre por causa do providencialismo de certos líderes, apenas aviso esse líder e quem o rodeia, que se esses novos contratos de exploração forem assinados que irá acontecer uma de duas coisas:

1.º O achismo esbarra com a oposição frontal até dentro dos órgãos nacionais do PS e tais contratos nem sequer serão assinados;

2.º A maioria do PS adormecida acha que quem tem esta posição, igual à minha e de centenas de militantes e autarcas, deve sair pois diante do facto consumado da assinatura dos contratos menoriza este nosso pensamento, indo contra não só o futuro do país como à Moção que vincula este partido e o atual secretário-geral e candidato a primeiro-ministro, e acha que nós devemos defender essa posição lá fora, noutro partido criado de novo e ou sob outro partido já existente.

Apenas ficam a saber que isso está a ser preparado e que provavelmente será num ano péssimo para que aconteça, ou seja, em ano de eleições autárquicas em que o PS perderá algumas dezenas de câmaras e centenas de militantes.

Até porque quem rasgou o compromisso connosco e não cumpriu a Moção porque foi eleito, não fomos nós mas sim quem acha - mais uma vez os achismos - que a palavra dada não é palavra honrada!!!

Fica apenas o aviso para os que acham e não os que agem!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

MIC

No início do ano escrevi neste espaço sobre o Tribunal Multilateral de Investimento. Agora, aproveito para partilhar um vídeo elucidativo sobre o mesmo assunto:


O vídeo é da autoria da Campact que gentilmente autorizou a sua reprodução no canal da TROCA - Plataforma por um Comércio Internacional Justo, criando assim a possibilidade de legendar o vídeo em português.

Post também publicado no Esquerda Republicana.