quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Extrema direita em ascensão

    Desde a noticia de que Trump ganhou as eleições americanas, que por mais que muitos tenham alvitrado e desvalorizado a ameaça permanente, as notícias na Europa não se expectavam, e continuam a não se expectar, muito boas.
    A extrema-direita tem ganho espaço político, com o discurso do medo a florescer dentro da Europa e fora dela.
    Em França, o cenário da vitória de Marine Le Pen nas próximas eleições do país, tem sido largamente uma preocupação que França tem a braços. Também a Hungria, governada por protofascistas, e a Dinamarca, Holanda e Polónia tem tido uma crescente dos partidos xenófobos.
    Mas, este fim-de-semana o povo austríaco estendeu a mão e derrotou aquilo que se estimava nas sondagens, a vitória do candidato de extrema-direita.
    Renegaram-se e elegeram o candidato do partido ecologista os verdes. Continua a ser um pró-europeísta, mas que contudo derrota o nacionalismo e populismo ameaçador do candidato de extrema-direita.
    Continua a não ser um discurso “apelativo” aquele que hoje se contrapõem ao da extrema-direita. Mesmo com o apelo a uma Europa de cidadãos, tal como a estratégia do partido ecologista os verdes, com enaltecimento de alguns valores fundadores da União, há uma fachada na comitiva de (Des)União Europeia.
    Nos últimos anos os partidos socialistas têm perdido margem, sendo que hoje em dia as alternativas socialistas reais são cada vez menores. E mesmo aquelas que hoje em dia tivemos oportunidade de ter, algumas foram perenemente desilusões.
    Com tudo isto, continua à margem a decorrer uma crise humanitária sem fim. O discurso também este da extrema-direita tem ganho espaço nesta área, rejeitando a ajuda a estas pessoas, que continuam a viver sem condições básicas, sem satisfazer as suas necessidades. É importante continuar também a relembrar e não fazer com que outros passem por esquecidos, pois este devia ser uma das principais missões de ação.    
   Enquanto tivermos problemas estruturais ao ponto de ignorar-mos outros seres humanos que vivem condicionados de dignidade humana, então qualquer demagogo que aborde este tema, e que instale o medo e o sentimento nacionalista, então a extrema-direita continuará a proliferar o ódio.
   A verdade é que as vozes disfarçadas de anti-sistema, são purismo do sistema, e o combate a este dever de ser de não normalizá-lo, sendo-o muito claro. 

  opinião de Joana Correia Pires

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