quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ilegitimidade de alguém que se acha legitimo de alguma coisa

  

 "Um governo ilegítimo? Então e a Coligação com o CDS é legítima? Não foi Paulo Portas que mencionou que as maiorias são feitas por deputados, e não, por vitória nas eleições? Talvez a Constituição nas escolas não seja mal pensada, talvez a coligação não ficasse surpreendida por a democracia existir, nem cometia, por 13 vezes consecutivas, inconstitucionalidades."

    Estou, sinceramente, esgotado de ouvir os murmúrios da Direita, disfarçado em choro, sobre a ilegitimidade do Governo PS. Estou cansado de “birras” constantes e do “berreiro” ensurdecedor das bancadas dos bons costumes, que se comportam como arruaceiros. Já chega da história do “governo que saiu das eleições”, ou da “força que ganhou legitimamente”, ganhem juízo e comportem-se como adultos, o Brinca Brincando já não passa na TV2.
   Um governo ilegítimo? Então e a Coligação com o CDS é legítima? Não foi Paulo Portas que mencionou que as maiorias são feitas por deputados, e não, por vitória nas eleições? Talvez a Constituição nas escolas não seja mal pensada, talvez a coligação não ficasse surpreendida por a democracia existir, nem cometia, por 13 vezes consecutivas, inconstitucionalidades.
Vamos então falar de ilegitimidade. Em 2011 Passos Coelho mentiu. Não é ilegítimo mentir? Para a direita não, como diz João Almeida, até afirma que se deve fazer. O comum cidadão foi enganado quando votou em 2011, e não agora, quando votou por Passos Coelho. Passos foi ilegítimo, porque conseguiu vencer as eleições mentindo aos portugueses.
    A coligação cortou nas reformas de quem já tinha descontado para elas, é um roubo, não é ilegítimo? Cortaram salários de quem trabalha, mas aumentaram a riqueza de que vive à sombra de negócios com o Estado, não é ilegítimo? Retiraram financiamentos aos hospitais públicos e deram aos privados, retiram financiamento das escolas públicas para dar às privadas, não é Ilegítimo? Não é ilegítimo fazer das empresas públicas objectos de negociatas, como o caso da TAP? Não é ilegítimo vender uma empresa quando já o governo era de gestão? As privatizações e concessões não são ilegítimas? Alguém deu legitimidade a Passos para dar “novos donos” a empresas lucrativas?
   Com que audácia um grupo de “delinquentes” políticos faz o que faz e chama ilegítimo um governo suportado por a maioria? Se sabiam que não conseguiriam governar, porque o PS foi firme a dizer que não viabilizaria um governo da Coligação, o que estava por detrás do desejo ganancioso de governação? Qual seria o motivo forte para se manterem no governo?
   Não será ilegítimo, ilegal e prepotente ameaçar o país como fizeram nos últimos quatro anos? Não será ilegítimo ameaçar o Tribunal Constitucional? Não será ilegítimo utilizar a Sobretaxa do IRS na campanha, repetindo as mentiras de 2011? Não será ilegítimo fazer uma campanha eleitoral suportada por uma comunicação social suja e tendenciosa? Que legitimidade tinha Passos para utilizar as páginas do governo como fonte de campanha?
A legitimidade foi dada pela maioria dos deputados, tal como a Constituição indica. Nunca existiu golpe de Estado, só nas palavras de Passos Coelho, que sempre viu a constituição como o “bicho papão” e pretendia revê-la para abocanhar o poder. A democracia faz mal à direita, quando fala do comunismo de forma preconceituosa, esquece que foi da direita que saiu a solução do governo de Salazar.
   A coligação está ressabiada, histérica, perdeu a vergonha e não consegue controlar o insulto. Sim, insulto, porque insultam quando falam em nome dos portugueses, insultam quando dizem defender os direitos dos trabalhadores, insultam quando dizem que defendem o Estado social, e agora cheira a azia.
Ilegitimidade cometeu a Coligação, quando transferiu dinheiro dos trabalhadores para criar mais ricos, quando achou que as conquistas dos primeiros anos da democracia eram lixo. Ilegitimidade é governar contra o contrato social, que deveria pautar a governação de qualquer governo, que legitimado pela maioria dos deputados, não pela “vitória”. A coligação perdeu a vergonha na cara.





Sandro Rodrigues
Trabalhador Independente