segunda-feira, 28 de março de 2016

Como o português se comporta com os refugiados?

   Bom dia! Nasceu ao raiar do sol o sentimento patriótico nos portugueses, que sempre habituados a descobrir mundos, nos últimos meses, fizeram história, descobriram a existência de pobreza, de sem abrigo e de gente, que por um salário mais pequeno, vive na miséria. Que sorte!
  Engraçado é que são exactamente aqueles que aconselham, de forma amável, os sem abrigo a trabalhar, em vez de esmola. Os mesmo que dizem que o pessoal andou a gastar de mais, a viver acima das possibilidades (quando muito pouco percebem o significado dessa expressão), que apoiou os cortes salariais no publico, que vai para os supermercados tentar ver se trama a vida, e o emprego, aos funcionários, e que se sente economista de excelência quando expressa, na mesa com os amigos, que 500€ chega perfeitamente para viver bem. 
  Pessoal que faz afirmações exclusivas do tipo - “não existe pobres o pessoal finge", muito bom fingir-se que se é pobre, que não se tem dinheiro, há lá coisa melhor que não poder ir às compras ou por comida na mesa.  Os mais moderados, se é que existe isso, têm sempre aquelas expressões frenética sobre os sem abrigo -,“dorme na rua porque quer, tem bom cabedal para alancar“ - bonito e intenso.
    Este pessoal que demonstra, hoje, um especial carinho por as pessoas sem abrigo, por esse motivo, e por tradição, coloca obstáculos em frente à porta do prédio e no banco em frente a casa, para que possam procurar outro local, quem sabe mais luxuoso, para passar a noite, nada disto é preconceito, é apenas preocupação. Expulsam os sem abrigo despejando um garrafão de 5 litros de lixívia pura no chão e detestam ser abordados pelos pedintes, cheiram mal e a pobreza horroriza. Acham que o Banco Alimentar é para sustentar quem não quer trabalhar e que a Cáritas e Cruz Vermelha são um gang de velhas que não tem dinheiro para o bingo e ficam a fazer peditórios.
    Estes portugueses têm sempre razão, o conhecimento é a sua arma de combate. Em pouco tempo conseguiram descobrir que afinal a pobreza existe, que o pessoal dorme na rua, não por campismo, nem por ser um realty show apresentado por a Teresa Guilherme, mas porque a vida de vez em quando prega rasteiras duras. Descobriu que os Invernos rigorosos por debaixo de um patamar do Teatro ou dentro de uma estação do metro não são provas para o Guiness book, mas sim porque a vida, de vez em quando, é madrasta.
     E porque hoje temos tantos seres humanos, que procuram curar as mazelas da miséria e pobreza do nosso país? Perguntam bem, e eu respondo.
    Chegaram os tipos que vão destruir a Europa, os terrorista, os Sírios!
Eis o afortunado mundo Europeu que vai cair às mãos de um grupo de fanáticos, que pretendem obrigar-nos a nos tornar muçulmanos e vão estuprar as nossas mulheres. Chegaram os refugiados, e bolas, não ajudamos os nossos, porque é que vamos ajudar os refugiados?
     Este discurso é proferido com regularidade nas redes sociais, é natural, continuo a não entender o que fazem seres que mal conseguem fazer contas no Ábaco, sem pensar que aquilo é um brinquedo, a utilizar uma password e um perfil. É estranho, mas é o mundo de hoje, sempre em movimento!
   Ora então, dirão os mais aperfeiçoados seres nativos deste canto, -"Este esquerdalha vem para aqui defender aquela praga de gente que vem para aqui nos dominar" - Talvez este esquerdalha, como preferirem, venha para aqui defender seres humanos, que fogem de nativos fanáticos, parecidos a qualquer fanático que vem para as redes sociais ameaçar as pessoas de morte.
      Tipos que enfiam em barcos insufláveis, sem segurança nenhuma, arriscando a sua, e a vida da família, por vezes perdendo os seus ante queridos, talvez não serão propriamente tipos que venha para aqui islamizar alguma coisa, mas quem sabe, fugir à guerra. Mas qual é o tuga que não percebe isso. O tuga é um tipo natural guerreiro. Quem não assiste a um Porto-Benfica, ou Sporting-Benfica, e depois atesta o seu perfil do facebook cheio de ameaças e desejos de morte aos rivais, não sabe o que é uma guerra a sério. A Síria é para meninos, a Luz, Alvalade ou Dragão? É de homem. Vá lá, sempre existe a mania da Madeira querer ser independente.
   Quando o motivo de um povo descobrir que existe pobreza no seu país é os refugiados, explica muito sobre o numero de voluntários que nunca o praticaram, virem para as redes sociais defender a história -"Nossos primeiro"- quando ainda há pouquíssimo tempo os "nossos" eram um bando de calões a viver à custa dos outros. Honestidade intelectual divina deste povo, comove-me!
     O chorrilho de asneiras espetadas em frases coladas em fotos, mal feitas num qualquer programa de edição de imagem, assusta qualquer mortal. Nem para pequenos pormenores tem originalidade. Expõe frases de um Barra da Costa, fazendo de expressões demagógicas uma espécie de novo testamento. Hernâni Carvalho, entre outros especiais cidadãos, que sentando numa cadeira, a suportarem vencimentos luxuosos, lhe abrem a mente para o que é tudo mau e bom neste mundo. É este o tipo que nunca reconheceu a pobreza, e hoje, forçado por um grupo de sanguinários perigosos, que se aproveitam da guerra para islamizar a Europa, mesmo que nem a um décimo dos europeus chegue, sabe que a pobreza existe.
    Vêm ai os refugiados, caraças, foge! Chegam aos pares e são muitos, Portugal não aguenta. Quem lhe vai paga o médico, a casa e a comida, Fundos Europeus? Mentira! Não sabes o que dizes!
  Cheira a refugiados, vem no imediato uma associação de patriotas pela pobreza, comportado-se com a mesma, com uma relação diabéticos/doces com a pobreza - "ela existe, mas não lhe toco"- que nunca ajudaram, e se o fizerem, um dia, adoecem. Os mitras que fazem chorar Camões com um
português muito próprio, de fazer  lágrimas à gramática, enchem o peito para dizer -  “Então e os nossos? Ahhh, que estão ai pelas ruas?"- tão engraçado, ia jurar que a prática da ajuda é algo que nunca fizeram.  
      Por cá,1600 refugiados mudaram a vida de 10 milhões. Ao que parece, alguns dos que andam por cá, para além de fazerem prognósticos sobre o futuro, falam dos refugiados, de gente que fugiu da guerra, fome e desgraça, como uma guerrilha de muçulmanos, que veio para cá, para nos islamizar por via da força, rebentarem em centros comerciais e violar as nossas mulheres. Na sua imaginação é uma guerrilha, montados em carrinha Vito e Sprinter emprestadas pelos ciganos que andam a receber mil e tantos euros no RSI, e carrinhos de compras adquiridos a leasing aos romenos que andam por aqui a roubar os nosso. Ai vêm eles, centenas de crianças e mulheres armados até à testa, conquistando o nosso país. Entre a defesa de que nunca defenderam e bitaites contra os muçulmanos, vamos assistindo alguns miúdos, de origem portuguesa, belga, francesa... Europeia, a premeditar ataques terroristas, ou a passarem as fronteiras turcas para abraçar o Estado Islâmico. 
   De facto tenho pensado muito nisto. O terrorismo que todos apregoam que vai acontecer, é o receio que o que já existe apareça. Violência domestica mata cerca de quarenta mulheres por ano, crianças que são mortas pelos pais em litígio, crianças com armas em bairros sociais, alunos que batem em professores, mortes entre gangues de miúdos que vão suportar um futuro negativo, troca de agressões por futebol .... tanta coisa que poderíamos aqui expressar, que faz de um povo receoso por o terrorismo externo, um povo que pratica o seu próprio terrorismo. Que dizer de crianças que são violadas por familiares? Práticas de terrorismo existem, em pequenos, ou grandes, momentos. 

Publicado por Jorge Miguel Pires - LIVRE