terça-feira, 21 de junho de 2016

As 35 horas de alguns…..

    A minha desconfiança tornou-se realidade. As 35 horas de alguns, não se reverteram para todos.
Mais uma vez, a sociedade sofre com problemas de desigualdade social. Que grande novidade….
   Os enfermeiros ficaram de fora desta medida, inclusiva, que exclui estes profissionais de saúde. Já dizem que são um estudo em caso, mas é como em tudo na vida, quando vai para estudo sabemos que tão depressa não volta e não se resolve os problemas.
    Alguns já falam em “ato de justiça”. Há muito que os enfermeiros já precisavam desta justiça, retirada quando a maior parte foi obrigada a emigrar. Falamos de 20.000 enfermeiros que se encontram fora do país, onde a “justiça” há muito se tornou em pesar, por um país que não comporta quem forma e que per capita necessita tanto destes profissionais de saúde.
   A 1 de Junho entrou a lei que pôs em vigor a reposição das 35 horas semanais para a função pública, para (quase) todos os funcionários. De um afinamento de um detalhe, já passaram a outras soluções para dar aos enfermeiros. Não conseguindo, com a verba da saúde implementar as 35 horas semanais, pois exigiria colocar mais enfermeiros, já pensam em pagar horas extraordinárias ou em férias.
   Acho que não passa por soluções que cortem a rama, mas sim que acabem de raiz com o problema. Chega, sinceramente, de continuar a proletarizar esta profissão, e creio que se trata de um ponto de vista de racionalidade e de qualidade e segurança na prestação de cuidados, que se ornamenta uma igualdade de horários com os restantes trabalhadores, do setor público.
   Abriram concurso para entrar mais 1.000 enfermeiros, quando as necessidades do SNS nem com 2.000 enfermeiros estavam superadas, quanto mais com metade. Se querem presenciar o que é “burnout” basta passarem por muitas enfermarias, por estes tantos e tantos hospitais, e veem na realidade o que se passa.
    As 35 horas são uma miragem, o emprego é outra. Fecham-se camas de internamento por falta de enfermeiros, solucionam-se problemas com redução do número de vagas nos cursos de licenciatura em enfermagem.
   A lógica a seguir no futuro é a oposta. A solução na saúde passa por recursos humanos, por profissionais competentes e também por existirem condições que lhes sejam asseguradas nos seus locais de trabalho.
    Deixe-mos os moralismos teóricos, as discussões, as reuniões, e passemos rapidamente à prática. É necessário vislumbrar que estas 35 horas encaminham-se numa insegurança, e talvez numa utopia, que vai ser difícil de alcançar.
   Não nos podemos deixar ir por um caminho, onde o retorno dos enfermeiros é o de uma profissão fatigada, desmoralizada e desacreditada.
    Por favor, não deixem que esta profissão seja uma sentença de um bilhete de avião, a todos os profissionais que agora se formam.


  Pelas 35 horas de trabalho, pela equidade, pela igualdade, pela justiça……

texto de Joana Correia Pires

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