quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pelo fim das Praxes, de uma vez por todas

    

   Quando entrei para a faculdade já tinha uma certa idade, mas não escapei à questão das praxes. alguns jovens questionaram-me sobre a entrada no mundo das praxes. Sim (praxe), passando por o culto de uma tradição que se baseia na envergonhado alheia em publico. Não (anti-praxe), manteria a dignidade intacta, apenas era excluído dos círculos académicos. 
   Não demorei muito a responder, optei por fazer uma contraproposta (que não vou mencionar) que levou rapidamente os jovens a entender que a visão sobre as praxes era diferente. Eles compreenderam e seguiram a sua vida.
    Dignidade humana, sabedoria e inteligência, estes foram os motivos que nunca me levariam a entrar no comboio de vexame publico dos caloiros em nome de uma tradição académica sem sentido que não seja manter uma hierarquia ilegítima e a vontade de fazer sobreviver uma tradição académica que já estaria extinta não fosse a pressão cometida nos alunos. 
   Enquanto estudante do Ensino Superior assisti à acumulação de abusos nas praxes que vergonhosamente eram abafados por as instituições. Grande maioria dos casos acabavam em meros pedidos de desculpa.
   Os adeptos da praxe procuram as suas vitimas através de chantagem e de pouco espaço de mobilidade. Sentindo uma"presa"  fácil, os activistas pró-praxe, chantageando com a exclusão, evitar que alunos fiquem fora do mundo pouco fascinante da praxe. Só assim se poderá manter esta tradição académica viva. O risco de alternativas cria a ameaça e a coação sobre os jovens, que não aceitando, são excluídos, enxovalhados e ofendidos por alunos.
    Felizmente nunca fui vitima de práticas ofensivas, nem de ataques pessoais. Apenas fui excluído de várias iniciativas académicas organizadas por a própria Associação de Estudantes, mas eram as comissões de praxes os Relações Publicas munidos de guest list onde apenas constavam os alunos que passaram pelo crivo da praxe. Alunos de Associações anti-Praxe (MATA)  e que não aceitaram as praxes, ficaram excluído. Era na exclusão, e ocupação de lugares de destaque, que as comissões de praxes faziam entender aos novos alunos que sem praxe não existe integração.
    A praxe é apenas uma maneira de alguns alunos têm para sentirem que o abuso do próximo não é punido. Numa sociedade exigente seria crime a prática de algumas barbaridades. Um conjunto de gente que não conhece limites para as violações que comentem ano após ano, dando o sonho de no ano seguinte, os praxados,fazerem o mesmo, de forma igual ou pior tornando-se, muitas vezes, piores que os seus carrascos. 
    A praxe não ensina nada para além de obediência cega a um conjunto de pessoas que se sentem superiores. Ensina o aceitar que hierarquicamente existem seres inferiores e superiores dentro do ensino que deveria ensinar a igualdade entre todos.
   A culpa desta situação não é apenas dos alunos que pactuam com tamanha brutalidade. Entre Reitores, directores, professores e pais, também são culpados do teatro e dos abusos da  praxes. Um espectáculo que merece o repudio e condenação de quem acredita nos valores da democracia. Não se pode aceitar que um conjunto de alunos  proporcione actos criminosos atrás de uma imunidade condenável, onde Reitores, directores, professores e pais aceitam tranquilamente não salvaguardando a dignidade e a integridade física dos caloiros. Não pode ser ignorado a selvajaria das praxes, nem continuar a assobiar para o lado enquanto continuam vidas a serem ceifadas por uma dita tradição. Está na altura do Governo, correndo o risco de ser desagradável, por um fim ao abuso da dita tradição académica, "apertar" com os responsáveis das Universidades criminalizando actos de praxe na via publica, pondo fim à impunidade das praxes e dos praticantes.
  Infelizmente temo que ainda tenhamos que ser em sociedade a tomar uma posição sobre o assunto. Se assim for, muito mal anda o Ensino Superior na sua génese. Mas não estou crente que os responsáveis académicos pais e governo, exista a vontade de resolver este problema que se agrava de ano para ano.
  Casos como o do Meco não podem continuar a acontecer sem que nada aconteça aos responsáveis e aos estabelecimentos.A justiça não pode encolher os ombros e processar mães que perdem filhos em praxes em vez de punir de forma severa os reais criminosos.
    Casos como Meco, do Algarve, Piaget, faculdade de Agronomia, Coimbra, que terminaram mal, deveriam ser penalizados como exemplo, mas passaram ao lado. 
     Se nada for feito, Continuamos a assistir ao degradar da imagem do Ensino Superior. 

texto de Jorge Miguel Pires


  

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