terça-feira, 17 de novembro de 2015

Entre a realidade e a informação

  

   "Na rua, durante a campanha, constatei o desejo de que todas as forças de esquerda se unissem e entendessem de forma a colocar este governo na rua. Quando, em campanha na rua, BE, CDU, LIVRE/Tempo de Avançar ou PS, se encontravam, parecia estarmos entre grupos de amigos que decidiam como contrariar o evidente apoio dos meios de comunicação social ao governo e… na despedida, desejávamos sorte…"


   Portugal é conhecido por ser um país de brandos costumes. A nossa revolução, aquém e além-fronteiras, é conhecida pela revolução dos cravos. As manifestações nas ruas são notícia, não pelo que os manifestantes fazem de excesso, mas, pelo que as forças de ordem fazem, algumas vezes, em excesso a mando daqueles que não têm medo dos excessos. O povo conforma-se na sua acomodação e tem receio da mudança, preferindo continuar a ter medo em vez de sonhar. Os governantes actuam a seu belo prazer e os seus interesses não se coadunam com os dos seus eleitores.
    Na rua, durante a campanha, constatei o desejo de que todas as forças de esquerda se unissem e entendessem de forma a colocar este governo na rua. Quando, em campanha na rua, BE, CDU, LIVRE/Tempo de Avançar ou PS, se encontravam, parecia estarmos entre grupos de amigos que decidiam como contrariar o evidente apoio dos meios de comunicação social ao governo e… na despedida, desejávamos sorte… não a nós… mas… à esquerda… Quem esteve em campanha notava que… mais voto menos voto a esquerda ganharia. Apenas não se sabia a correlação de forças... Está demonstrado que a maioria viu, na rua, essa necessidade de união da esquerda e previu a presente situação…
A comunicação social mais mediática foi parte activa e interessada nos resultados. A grande parte dos comentadores e daqueles que nos “informam” trabalhavam afincadamente para o governo… como se tivessem medo de perder o seu emprego… Se calhar tinham razão para esse medo… e juntassem o útil ao agradável para, eventualmente, receberem umas belas coroas e/ou ficarem nas boas graças da direcção.
As sondagens diárias mataram a democracia… quase que exterminando os novos e/ou os pequenos partidos. As televisões, a coberto da legislação, pouco ou nada justa, fizeram o resto. A televisão não vê a rua nem se interessa por manifestações, marchas ou eventos que favoreçam a esquerda ou deixem má imagem aos governantes.
Esta semana deixou-me estranhamente confuso. Que mundo é este? Porque não o vemos da mesma forma? O que aconteceu em França não é admissível, assim como não o é em qualquer parte do planeta. Não compreendo as razões que levam terroristas a praticar atos monstruosos como também não compreendo que não se noticie o incêndio que matou em Calais mais de 100 refugiados… ou o assassinato de 2.000 pessoas na Nigéria, de cerca de 150 estudantes no Quénia e de outros tantos cidadãos na Síria. Todos estes incidentes ocorreram no espaço de poucos dias, e no entanto, as notícias ocidentais apenas dão destaque a Paris e incentivam o ódio aos refugiados que fogem da guerra. Se o seu país estivesse a ser atacado como a Síria tem sido, não fugiria? Se lhe destruíssem a casa e o seu bairro e lhe matassem toda a sua família e os seus amigos, continuaria impávido e sereno? Não existem vidas mais preciosas que outras e um terrorista deve ser julgado como tal seja ele de que país for.
   Aparentemente todos são contra o terrorismo, mas quem é verdadeiramente contra o terrorismo? Os que lhes vendem as armas? Os que lhes compram petróleo? Os que invadiram o Iraque, o Afeganistão, o Koweit, a Palestina ou a Síria? A comunicação social é contra o terrorismo, ou fomenta-o não noticiando a realidade? Qual é a realidade? Duas coisas são certas, a maior parte das notícias da CNN, SKY, Al Jazeera, NTV ou RTP não nos mostram a mesma realidade… e… a maior parte da realidade não é noticiada.
Em jeito de brincadeira… poderia perguntar qual a maior indústria cinematográfica do mundo? Para uns Hollywood… para outros Bollywood. No entanto, quantos filmes já viu de Hollywood e quantos de Bollywood? A realidade perceptível não é a mesma para todos mas… existem interesses para que a realidade não seja igual em cada ponto do planeta. Quantas pessoas ainda pensam que o homem não foi à lua? Quantos pensam que o World Trade Center teve mão americana nos atentados? Quem não pensa se os reais culpados da Casa Pia foram presos ou se foram presos inocentes? Quem acha que o Clube de Bilderberg é responsável por tudo o que acontece a nível global? Não acredito em teorias de conspiração, mas que as há… há.

A comunicação social deveria ser isenta, imparcial, não dependente do poder e apresentar informação credível e sustentada sob pena de incutir, nas pessoas, vontades diferentes da sua natureza, fomentado o ódio, a vingança e a mentira.
                         
  

Luís Figueiredo
 Grupo de Coordenação Local do Distrito de Setúbal do LIVRE