quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Paulo Portas, a sede de poder

  


Paulo Portas, o irrevogável, apelidou de gerigonça um possível governo do PS suportado por um acordo de incidência parlamentar à esquerda. É natural que o líder do CDS/PP não se reveja no carácter dos acordos. Existir políticos que a cumprem acordos estipulados, não é a “onda” do vice primeiro-ministro. Paulo Portas almeja o poder a qualquer custo, qualquer que seja o partido que o tenha, ele coliga, porque Paulo Portas quer o poder. Este Paulo Portas, que hoje invoca ilegitimidade democrática de um acordo à esquerda, foi o mesmo que em 2011 queria dar o mesmo “golpe”, se os resultados fossem favoráveis à direita, tal como foram agora à esquerda.

Paulo Portas é associado a um político inteligente. Mal vai um país que um político para ser bom, verdadeiro e inteligente, tem Paulo Portas como modelo. Não aceito políticos de “excelência” com o perfil do senhor irrevogável. Paulo Portas não é modelo de político para ninguém.
Paulo Portas possui uma história de desvios enormes do seu discurso. Quem não se lembra do jovem jornalista que afirmava, irrevogavelmente “Nunca irei para a política”, que deixava de ter como amigos, se os mesmos seguissem esse caminho. Paulo Portas afirmou categoricamente, no programa Raios e Coriscos, ter “nojo do poder” e “nojo a quem ele pertence”, mas não existe politico activo que se bata mais para pertencer e ter o poder que Paulo Portas. Dono de contradições que somam outras contradições. Não reconhece a sua palavra, porque não sabe o que é ter palavra.
Não sabe o que é compromisso, acordo e palavra dada. No seu caminho para o poder quase derrubou o governo no qual era Ministro dos Negócios estrangeiros. Em 2013 tomou uma decisão, irrevogável, que demorou horas para voltar atrás, quando o cargo acenado era maior. Paulo Portas, como de costume, quebrou a palavra, mais uma vez, em nome da sua ganancia pelo poder. Não voltou atrás pelos portugueses, nem por o Presidente da Republica. Voltou por poder.
Pela boca de Paulo Portas, António Costa é usurpador. Paulo Portas de hoje, esqueceu da traição a Manuel Monteiro, homem que deu o mediatismo e o trouxe à ribalta politica, a quem não teve pudor de “puxar a cadeira” a tempo certo. O mesmo Paulo Portas que apoderou-se do PP quando traiu Ribeiro e Castro, depois de ter abandonado o CDS quando terminou um período de dois anos como Ministro da Defesa. Ribeiro e Castro assumiu um CDS derrotado por culpa da ganancia do seu ex líder, quando tudo parecia melhor, Portas voltou para assumir o seu lugar de “príncipe da direita”, e  não hesitou em “puxar a cadeira”, mais uma vez, a um líder do PP.
Por falar do período em que Paulo Portas foi Ministro da Defesa, lembra-me muito o período do CDS no Governo de Durão Barroso/Santana Lopes. Paulo Portas e os submarinos, caso estranho , que morre sem culpados à luz da Justiça portuguesa. Ou o caso dos Sobreiros, Portucale, assinado por mais dois militantes do CDS. Submarinos que tiveram um processo de financiamento de custos insuportáveis ao Estado português. Valores que levaram o país a um deficit elevado. Processo que foi liderado pela família Espírito Santo, os tais que hoje Paulo Portas diz já ter estado, mas não ser amigo pessoal.
Paulo Portas pelo poder esquece os acordos que tem, esquece os direitos que defende, esquece as pessoas a quem pede o voto, esquece tudo, mas não esquece uma coisa, o seu sentido apurado pelo poder.
Paulo Portas é um corpo estranho ao que eu acho ser um deputado da Nação, até mesmo um militante sério. Não me revejo na política, que se faz, com uma figura que junta perversidade, cinismo, sede de poder e mesquinhez, e seja um exemplo de líder, governante ou deputado. Paulo Portas é tudo aquilo que um político tem de mau. Junta um conjunto de processos aos quais teve associado e o seu passado como jornalista, à sua forma de estar e ganhar o poder.
Com isto tudo, chegamos a uma conclusão, não é isto que quero como governante numa democracia.
De facto, para Paulo Portas é uma gerigonça, o acordo à esquerda, porque tem tudo o que Paulo Portas não conhece, palavra dada, contrato assinado, negociações firmes e não existe sede de poder, nem de António Costa, nem de Catarina Martins, nem de Jerónimo de Sousa. Isso, para Portas, é uma gerigonça. A bebedeira de medidas é natural, porque quando Portas toma o poder, os portugueses apanham apenas com a ressaca, sem ver uma única medida do PP na gerigonça que foram estes quatro anos de governação.




 Jorge Miguel Pires
 Licenciatura em Economia