segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tempos de mudança

 






O ambiente político, e da comunicação social, nacional e europeu bem como o poder económico-financeiro não têm tolerado alterações ao status quo instituído. Qualquer oportunidade de esperança tem sido abortada por um poder invisível à maioria dos cidadãos, mesmo dos mais bens informados. As notícias são manipuladas, os comentadores representam minorias populacionais e/ou o poder instalado da direita, e a esperança, numa vida melhor para todos, vai morrendo. A esquerda tem vindo a ser afastada aos poucos da esfera mediática e qualquer semente de mudança tem uma batalha kafkiana pela frente para conseguir atingir os seus objectivos.



    A 28-10-2014, o LIVRE fez os primeiros contactos com o PS com o objectivo de se constituir uma maioria parlamentar de esquerda. O LIVRE Já antes se abrira aos cidadãos para que estes participassem na política de igual para igual, realizando todas as suas reuniões abertas e transparentes constituindo equipas temáticas e regionais para começar a trabalhar nas necessidades sentidas pelos cidadãos. Durante o seu percurso reuniu milhares de cidadãos através do Tempo de Avançar conseguindo que fossem os cidadãos a elaborar e a aprovar um dos mais completos programas às legislativas e realizando as primeiras Primárias em Portugal para ordenação das listas de candidatos às legislativas (já antes fizera o mesmo para as Europeias). Depois tentou uma união da esquerda junto do PS, PCP, PEV e BE, entre outros de esquerda, para que fosse aprovada a sua Agenda Inadiável sem qualquer resultado… aparentemente…
   A comunicação social, na sua generalidade,… muda… ausente… pouco interessada… e respeitando as suas hierarquias…
O próprio arco parlamentar se encarregava de legislar no sentido de abafar os novos partidos.
Depois vieram as eleições. Se é certo que o PSD e o PP, juntos, tiveram mais deputados e votos que qualquer outra coligação ou partido, certo é que a esquerda e o combate à austeridade venceram as eleições.
   Chegaram os dilemas e as decisões…
  Se o PS tem tido, no passado recente, políticas mais à direita e sabe que com uma nova aliança à direita poderia PASOKar, preferindo afastar a sua ala mais à direita e reconquistar parte do voto útil de esquerda perdido nas eleições.
   O BE, depois de atravessar uma grande sangria e de estar em riscos de desaparecer, viu no mediatismo consentido pela comunicação social a oportunidade de finalmente conseguir ser um bloco de esquerda, levantando bem alto a bandeira do LIVRE, da união da esquerda, que nunca conseguiu ter essa oportunidade de mediatização.
   A CDU, com receio de perder o comboio da esquerda, vendo o Bloco ultrapassá-la, e podendo ser acusada de ser a principal responsável pela esquerda por não se entender, viu-se obrigada a ser parte da solução e não ser apenas uma oposição.
   A coligação de direita e a sua mediatização oferecida pela comunicação social conseguiram abafar o PS e ressuscitar o BE julgando que PS e BE nunca se iriam entender…
  O PR, que já provou nunca ter representado, não representar e não querer vir a representar todos os portugueses, vê-se agora com uma pressão diferente daquela que esperaria… Afirmou que não cederia a pressões e agora vê-se na contingência de ter de aprovar um governo de esquerda, sob pena dos “seus mercados financeiros” virem a sucumbir face a uma gritante instabilidade caso o “seu governo”, governe, podendo essa instabilidade governativa arrastar os seus aliados em Bruxelas para a falência do sistema capitalista. Mesmo Bruxelas já estará a puxar as orelhas do PR de Portugal por este desejar a instabilidade governativa à estabilidade de uma maioria de esquerda preferindo passar a sua ideia de que um governo de esquerda não seria estável. Terá receio certamente… que esse governo de esquerda seja mesmo estável…
   Felizmente a razão tem razões que a razão desconhece, e mesmo os menos acólitos já acreditam que Deus escreve certo por linhas tortas. A mudança está em marcha e a esperança renasceu a partir de uma semente que germinava lentamente… mas que dará frutos muito rapidamente.




 Luís Figueiredo
 Grupo de Coordenação Local do Distrito de Setúbal do LIVRE