terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Charlatões da indignação, até quando?




"Não entendo o seu o verdadeiro objectivo, nem  de quem está por detrás deste esquema de páginas, muito menos entendo o motivo pelo qual envenenam a opinião publica. A sua partilha imensa nas redes sociais é conseguido pela forma demagógica que se apresentam, e por o descrédito que se acumula na classe politica. Mas os limites da falta de honestidade são ultrapassados por um conjunto de "noticias" que têm o objectivo de indignar o leitor, onde  a veracidade e a transparência não existem. "  

  As redes sociais são inundadas, diariamente, por um conjunto  de supostas notícias, que têm origem em páginas autoproclamadas de “informativas”, a quem ninguém conhece, de forma transparente, quem são os seus autores, jornalistas ou meros publicadores e qual é o objectivo, se informar ou apenas gerar a indignação. Das suas noticias desconhecemos tudo,  quais provas possui o "jornalista" para lançar a noticia, se é de forma honesta ou pretensiosa
Não são blogs, nem tão pouco espaços de opinião ou informação,  apenas páginas de “chinfrineira” , que se limitam a divulgar noticias cuja veracidade é tão questionável como quem a publica. 
  Não entendo o seu o verdadeiro objectivo, nem  de quem está por detrás deste esquema de páginas, muito menos entendo o motivo pelo qual envenenam a opinião publica. A sua partilha imensa nas redes sociais é conseguido pela forma demagógica que se apresentam, e por o descrédito que se acumula na classe politica. Mas os limites da falta de honestidade são ultrapassados por um conjunto de "noticias" que têm o objectivo de indignar o leitor, onde  a veracidade e a transparência não existem.   
  Talvez por "likes", partilhas,  publicidade ou a criação de estados de indignação, fruto da imaginação de pessoas desocupadas, estas "noticias" têm tido a publicidade desejada.
Não dou nenhuma credibilidade a quem escreve, nem o que escreve. 
  Não são jornalistas, nem possuem competências, apenas "falsos profetas" da informação, que se limitam a centrar o debate politico da sociedade à volta de noticias sem um fundamento de verdade. 
Na sua maioria, as noticias são antigas, retiradas pontualmente de jornais de referencia, e publicadas após uma deturpação que dê a noticia valor de verdade suficiente para criar estados imediatos de indignação, e em seguida partilhadas de forma mais indignada. Outras aparecem do nada, retiradas do nada, sem qualquer base de investigação, apenas um conjunto de alusões referentes a actores destacados da vida politica nacional, ou assuntos que sejam, no momento, motivo de calorosos debates. Dou como exemplo os refugiados, quantas noticias não foram partilhadas sem se conhecer ainda qualquer informação verdadeira sobre o assunto. As rejeições financeiras, que nunca foram previstas, a recusa do apoio que nunca foi dado. A isto, basta misturar "ultima hora". 
  Entre supostos “escândalos” e “últimas horas”, as deturpações que estes "pasquins", feitos Observador low cost, tornam o Correio da Manhã um jornal sério. Do Luso Jornal ao Vamos lá Portugal, passando por o tal Blog da Direita, Blasting News e Portugal Glorioso, entre outros do mesmo "ramo informativo", o aproveitamento do descontentamento, e alguma ingenuidade, por parte dos cibernautas, é vergonhoso. Apenas difamações e "noticias", algumas merecendo considerações criminais. 
   Os ataques pessoais desferidos a Mário Soares (Blog da Direita) associando ao assassinato de Sá Carneiro e Amaro da Costa. Acusações feitas a Paulo Portas de atentado ao pudor, acusando, pelo meio, Passos Coelho, associando o ex- Primeiro Ministro a um passado de toxicodependência e violência domestica (Luso Jornal).  (Jornal Q) Acusações a António Costa por corrupção na Câmara Municipal de Lisboa, e referências a José Sócrates e a casos homossexuais que teria tido. Sem respeito pela dignidade dos agentes políticos, uma devassa, não provada, da vida privada de cidadão, que mesmo tendo funções publicas, não deixam de ter a sua privacidade. O dever do respeito dever ser preservado, gostemos ou não do cidadão ou politico. 
  Dos seus autores nada se sabe, nem quem o são, nem o que fazem. Os autores, num gesto de cobardia, também se recusam a apresentar. Escondem-se cobardemente por detrás destas página, afirmando ter receio de represálias, o que não corresponde à verdade, quando muito se escondem apenas para agir com a liberdade que o têm feito, sem que exista qualquer barreira judicial a comprometer
   Todo este espaço mediático que é cedido a estes "charlatões" se deve à forma como os média têm actuado. A decadência da comunicação social nas suas estratégias informativas, patrocinando mais um lado ideológico (maioritariamente à direita), através de comentadores adquiridos a esses espaço ideológico, e a forma tendenciosa como têm agido a imprensa, leva ao leitor que queira mais e melhor informação, a colocar em causa a falta de honestidade e veracidade destes espaços. 
    Gostava, e muito, de saber  quem está por detrás destes espaços, esperarando que expliquem as motivações e a forma como acessão a tanta informação desconhecida do publico. Gostava de conhecer as provas  do que publicam, apenas pela curiosidade de leitor. 
 Espero que a comunicação social reparar as suas falhas, faça o seu trabalho de forma honesta e isenta, caso contrário, com o aumento de forma explosiva destes espaços, creio que a informação corre um grande risco de se tornar foco de descrédito.





Sandro Rodrigues
Trabalhador Independente