quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um país diferente

    "Por um lado verifica-se que este povo gosta de descobrir, inventar, inovar… ou seja… é pioneiro nas aventuras e nas ideias. Depois verifica-se que é comodista, masoquista, invejoso e egoísta, ou seja, gosta de… sofrer, ser enganado, olhar demasiado para o seu umbigo, não gostar de ver os seus amigos e parentes bem na vida, gostar de viver na ilusão, achar-se melhor que os outros, idolatrar chico-espertos e pouco fazer para melhorar a sua situação. Há gentes que chegam mesmo a preferir o mal dos outros ao seu próprio bem. Ainda podemos ver que… quando salta a tampa somos brandos e ingénuos, julgando que todo este povo se comporta com a mesma espécie de valores. Como podem ser estas gentes, aparentemente tão diversas, serem o mesmo povo?"

   Portugal é conhecido aquém e além-mar por ser o país dos descobrimentos, o país da revolução dos cravos e o país do fado. É interessante esta mistura… que diz bastante acerca deste povo.
   Por um lado verifica-se que este povo gosta de descobrir, inventar, inovar… ou seja… é pioneiro nas aventuras e nas ideias. Depois verifica-se que é comodista, masoquista, invejoso e egoísta, ou seja, gosta de… sofrer, ser enganado, olhar demasiado para o seu umbigo, não gostar de ver os seus amigos e parentes bem na vida, gostar de viver na ilusão, achar-se melhor que os outros, idolatrar chico-espertos e pouco fazer para melhorar a sua situação. Há gentes que chegam mesmo a preferir o mal dos outros ao seu próprio bem. Ainda podemos ver que… quando salta a tampa somos brandos e ingénuos, julgando que todo este povo se comporta com a mesma espécie de valores. Como podem ser estas gentes, aparentemente tão diversas, serem o mesmo povo?
    Há algum tempo ouvi dizer que este não é um país de aventureiros… pois que esses não ficam cá… foram-se embora durante os descobrimentos e continuam a ir nas várias vagas de emigração… No entanto, eu acrescentaria que Portugal produz, com demasiada frequência, gerações de insatisfeitos, inconformados e aventureiros... que se vão embora, ficando cá, generalizadamente, aqueles que não conseguem acrescentar dignidade ao nosso povo. É o nosso triste fado!
  Portugal é um país de contrastes. Foi dos primeiros países a ter independência e… atualmente não a comemora, a abolir a pena de morte e… a deixar as pessoas morrerem por falta de assistência médica ou social, a ter maior número de patentes per capita e… a exportar os seus inventores. E o fado continua… porque… o futebol é mais importante.
   Enquanto em Portugal se conseguiu silenciar os partidos novos, que traziam novas ideias e algumas soluções, na Grécia apareceu o “Syriza”, em Espanha o “Podemos” e o “Cidadãos”, na Islândia prenderam os banqueiros, na Alemanha, e novamente Grécia, prenderam os corruptos do caso “submarinos”. Em Portugal… emerge a censura, a corrupção, a proteção dos bancos e o tráfico de influências, mas também, aparentemente, uma espécie de regresso de D. Sebastião pretendendo renovar alguns votos de Abril. Salvemos D. Sebastião que esperemos não traga mais da chico-espertice que grassa na sociedade portuguesa. Por outro lado o pior inimigo é aquele que se faz de amigo, pelo que esperemos que o bom senso prevaleça porque o caminho faz-se pelos pequenos passos dados, desde que estruturados, racionais e sustentados.
    Deixemo-nos de olhar para os nossos próprios umbigos e construamos uma sociedade de progresso em que todos tenhamos direito a ser dignos, pagando os nossos compromissos para com ela e usufruindo dos direitos que ela nos concede. E… quando falo em compromissos e direitos não estou a falar apenas de dinheiro… digo-o principalmente no campo dos valores morais, éticos, sociais e ambientais.

   Espero que 2016 chegue com renovados votos de um país mais digno em que… a Constituição da República Portuguesa seja respeitada, os tribunais sejam isentos, as leis mudem no sentido de se tornarem mais justas, diminue a corrupção, deixemos de ser ingénuos, invejosos, egoístas e masoquistas, a esperança renasça e que o triste fado… apenas seja ouvido e não vivido.





Luís Figueiredo
Grupo de Coordenação Local do Distrito de Setúbal do LIVRE